Entrevistas dão trabalho, mesmo quando pequenas…

Dei uma entrevista por escrito (e-mail) para um jornalista, que me enviou as perguntas. Eis o que enviei:

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PERGUNTA: Quais são as novas tecnologias aplicadas à Educação?

RESPOSTA: Permita-me corrigir a formulação da pergunta… Não creio que haja tecnologias, novas ou velhas, que se apliquem à educação. Há tecnologias que podem ser usadas na educação, por professores e por alunos, para apoiar a aprendizagem dos alunos, para ajudá-los a aprender melhor…

Você me pergunta das novas tecnologias. Não há problema nisso. Mas é importante reconhecer que a tecnologia sempre existiu. Tecnologia é qualquer coisa que o ser humano inventa para tornar a vida mais fácil ou mais agradável ou prazerosa. A linguagem humana é tecnologia: ela teve de ser inventada para facilitar a nossa comunicação, e, por conseguinte, a nossa vida… A fala é mais antiga, a escrita, mais recente… O papiro, o pergaminho e o papel, bem como os instrumentos que nos permitem escrever neles, são tecnologia – não nova, é verdade, mas que já prestou muito serviço à educação. O livro impresso é tecnologia. As formas de registrar e transmitir sons e imagens são tecnologia: fotografias em papel, discos, fitas, telefones, o rádio, a televisão. Tudo isso é tecnologia que pode ser usada para apoiar a aprendizagem do aluno e que tem sido usada dessa forma. Mas tudo isso é tecnologia velha.

As tecnologias novas que podem ser usadas na educação são todas digitais: todas elas centradas em processadores eletrônicos que manipulam informações em formato binário, sejam elas texto, sons ou imagens. A principal tecnologia é o computador. Mas também telefones celulares, câmeras de fotografia ou de vídeo, tocadores de música, aparelhos de rádio, televisores, e, naturalmente, a Internet, fazem parte das novas tecnologias que ajudam os alunos a aprender melhor. Na verdade, que ajudam todos nós a aprender melhor.

PERGUNTA: Qual a importância dessas tecnologias?

RESPOSTA: Todas essas tecnologias são de informação e comunicação. Sua importância deriva do fato de que a informação e a comunicação são essenciais para o processo educacional. Sem informação e comunicação, na verdade, não há educação. Logo, as tecnologias que apóiam o acesso à informação e o seu gerenciamento e análise, bem como as tecnologias que apóiam a comunicação, em seua múltiplos aspectos, só podem ser importantes.

PERGUNTA: Essas novas tecnologias tornarão o nosso ensino melhor? De que forma?

RESPOSTA: Não estou muito interessado em que elas tornem o nosso ensino melhor, embora provavelmente o façam. As coisas mais importantes da vida aprendemos sem que alguém no-las ensine. Aprendemos a andar e a falar sem que alguém nos ensine a fazer isso… Antes de andar e falar aprendemos a identificar complicados padrões visuais e sonoros que nos permitem reconhecer o rosto e a voz de nossa mãe, de nosso pai, de nossos irmãos, de outras pessoas que nos são próximas – e fazemos isso sem necessidade de ensino… Mais tarde aprendemos a amar e nos relacionar afetivamente com outras pessoas, sem que haja professor e curso disso…

O que me interessa são as tecnologias que nos permitem aprender melhor. E como o aprender envolve o tratamento da informação e a comunicação, as tecnologias de informação e comunicação fatalmente nos ajudarão a aprender melhor. Já estão nos ajudando, na verdade.

PERGUNTA: O Brasil está avançado na adoção dessas tecnologias?

RESPOSTAS: Nos centros mais desenvolvidos e entre as camadas mais ricas, sem dúvida. Mas essa tecnologia se tornou tão barata que em pouco tempo qualquer pessoa terá amplo acesso a elas. O Brasil já tem 100% de cobertura de televisão convencional, e caminha rápido para chegar perto de 100% de cobertura de telefonia celular. Para que todo mundo tenha seu computador pessoal, falta muito pouco. Em um ano, com dez prestações de cinqüenta reais qualquer um poderá se tornar o proprietário de um possante (mas pequeno) computador. Na verdade, o telefone celular que quase todo mundo já tem já é um minúsculo computador.

PERGUNTA: Os professores brasileiros estão preparados para utilizar as novas tecnologias? Por quê?

RESPOSTA: Nem todos, naturalmente. Mas caminhamos para isso. No entanto, mais importante do que aprender a usar as novas tecnologias é dominar as competências necessárias para lidar com a informação e a comunicação, qualquer que seja a tecnologia, nova ou velha. Sou bastante otimista nessa área, porque, por mais que os atuais professores possam querer resistir ao uso das novas tecnologias na educação, eles logo vão se aposentar ou morrer e as novas gerações, compostas de nativos digitais, vão assumir o seu posto… E essas novas gerações já nascem sabendo utilizar essas tecnologias… 🙂

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O jornalista me encaminhou a matéria para aprovação no seguintes termos:

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Novas tecnologias: você está preparado?

Robo.to, Twitter, Slide Share, Facebook, Flickr.. A todo instante, surgem novos formatos comunicacionais, graças aos inovadores recursos tecnológicos. Para utilizar essas novidades nas instituições de ensino e propagar conhecimentos via ferramentas 2.0 eficazes, é preciso antes de tudo compreender o processo, entender as várias necessidades e estar alinhado com a essência. 

Eduardo Chaves, professor de Filosofia da Educação, Filosofia Política e Teoria do Conhecimento na Unicamp, defende que tecnologia é qualquer coisa que o ser humano inventa para tornar a vida mais fácil, agradável ou prazerosa. “Todas as ferramentas tecnológicas são de informação e comunicação. Sem esses dois elementos, na verdade, não há educação. Desta forma, as inovações que apóiam o acesso à informação e o seu gerenciamento e análise, bem como as que apóiam a comunicação em seus múltiplos aspectos, só podem ser importantes”, pontua Chaves.

De acordo com o especialista no uso de tecnologia na Educação, as novidades que podem ser usadas nas instituições de ensino são todas digitais e centradas, principalmente, em processadores eletrônicos que manipulam informações em formato binário, sejam elas texto, sons ou imagens.

Mas, e os professores? Estão preparados para utilizar essas inovações? O professor responde, reforçando alguns conceitos: “nem todos, naturalmente. Mas caminhamos para isso. No entanto, mais importante do que aprender a utilizar as novidades é dominar as competências necessárias para lidar com a informação e a comunicação, qualquer que seja a tecnologia, nova ou velha”.

Otimismo, no entanto, não falta a Eduardo Chaves: “a nova geração de professores, formada por nativos digitais, já nasce inserida neste contexto e, com treinamento, será capaz de, no decorrer dos anos, aplicar todos esses novos recursos em sala de aula
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Eis o que vai ser publicado, depois de uma drástica revisão minha

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Novas tecnologias: você está preparado?

Robo.to, Twitter, Slide Share, Facebook, Flickr.., A todo instante surgem novas aplicações na área da informação e comunicação digital, graças a inovadores recursos tecnológicos que aparecem mais rapidamente do que conseguimos dominá-los. Para utilizar essas novidades na aprendizagem, em especial na aprendizagem formal, que se dá em instituições escolares, é preciso antes de tudo compreender o que essas aplicações fazem, entender as necessidades humanas que elas satisfazem, estar bem informado sobre em que aspectos elas diferem umas das outras, e saber qual o foco de cada uma.  

Eduardo Chaves, que foi professor de Filosofia da Educação, Filosofia Política, Teoria do Conhecimento e Aplicações da Tecnologia na Área Social (Educação, Saúde e  Gestão) na UNICAMP, e, agora, depois de atuar por 35 anos nessas áreas Universidade, está trabalhando em consultoria para empresas e ONGs, defende que tecnologia é qualquer coisa que o ser humano inventa para tornar sua vida mais fácil, agradável ou prazerosa. “As tecnologias mais relevantes para a educação são as de informação e comunicação, e isto porque sem esses dois elementos, informação e comunicação, na verdade não há educação”. Assim sendo, acrescenta, “as tecnologias que nos permitem buscar, gerenciar e analisar a informação, nos comunicar em contextos interpessoais e públicos, e aplicar as informações que assim obtemos em processos de tomada de decisão, solução de problemas e busca de respostas às nossas indagações, só podem ser importantes importantes na educação. Isso “porque esses processos são da essência da educação”, pontua Chaves.

Mas, e os professores? Estão preparados para utilizar essas inovações? O professor admite que “nem todos, naturalmente”. Mas acrescenta que “caminhamos para isso”. Enfatiza, porém, que “para o professor, mais importante do que aprender a manejar tecnicamente as novidades tecnológicas é dominar as competências necessárias para lidar com a informação e a comunicação, qualquer que seja a tecnologia de apoio utilizada, nova ou velha”.

Otimismo, no entanto, não falta a Eduardo Chaves: “a nova geração de professores, formada por nativos digitais, já nasce inserida neste contexto e, quando vier a trabalhar na educação, será capaz de, com a mesma naturalidade com que hoje usa o celular e brinca de videogames, utilizar todos esses recursos, e outros que sem dúvida vão aparecer, para facilitar a aprendizagem de seus alunos e, assim, melhorar a qualidade da educação”.

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É isso… Uma entrevista pequenina às vezes leva tempo…

Em 5 de Dezembro de 2009

Uma resposta

  1. É. Tudo dá trabalho, até as coisas mais \’pequenas\’. E isto é tanto mais verdade no que a entrevistas diz respeito porque os jornalistas possuem uma tendência crónica para deturpar o que dizemos/escrevemos, e desinserir as nossas afirmações do contexto em que foram feitas, deturpando – completamente ou em parte – o seu sentido.

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