Rancho 53 na Castello: Imperdível

Ontem tive uma das noitadas mais deliciosas da minha vida. Fui, com a Sueli e um casal de amigos (Heitor e Adriana, companheiros do Rotary de Salto Moutonnée), jantar no Rancho 53, na Rodovia Castello Branco, que fica (naturalmente) no km.  53, sentido interior, da Castello.

Já conhecia o Rancho 53. Quase sempre paro lá quando venho de São Paulo aqui para Salto. Têm um bolinho de bacalhau delicioso e uma excelente seleção de vinhos portugueses. Na verdade, já cheguei até mesmo a almoçar lá, com meu amigo Les Foltos, do Puget Sound Center. Comemos um excelente bacalhau e tomamos um maravilhoso vinho branco, precedendo tudo com uma caipirinha e bolinhos de bacalhau. De sobremesa, quindins, queijadinhas e pastéis de Belém.

Mas nada disso se compara à experiência de ontem à noite. A razão é que, às quintas-feiras, das 21h até depois da meia-noite, há fado ao vivo na casa. Um excelente grupo, composto, no acompanhamento, de uma guitarra portuguesa e uma guitarra clássica, e, no canto, por três grandes fadistas — um dos quais (Thiago) um excelente comediante. Cantaram fados durante quase quatro horas (tempo corrido — houve vários intervalos pequenos) deleitando a casa completamente cheia. (É necessário fazer reservas — e em geral não há como para a semana em curso e a seguinte).

Voltarei à música. Mas antes, uma palavra sobre a comida. Os pratos são para dois (preço base do prato de bacalhau, que é só o que se serve, 130,00 reais). Pedimos dois Bacalhaus a Narciso. O bacalhau, no caso, é assado na brasa e servido com cebola, alho, arroz com brócolis, e batatas "ao murro" (uma batata assada que literalmente leva um murro que a esborracha um pouco). De antes do prato propriamente dito, comemos os indeclináveis bolinhos de bacalhau e tomamos bagaceira e cerveja / chopp. Para acompanhar o bacalhau, tomamos vinho do Dão – Meirinho. O vinho estava muito bom e não era muito caro: 35,00 reais a garrafa (tomamos duas). O garçon, ao anotar o pedido, honestamente nos disse que, como havíamos todos optado pelo mesmo prato, poderíamos pedir apenas um e meio Bacalhaus a Narciso, que seria mais do que suficiente. Foi. Comemos tudo o que pudemos e trouxemos para casa o que sobrou. Vou almoçar Bacalhau a Narciso daqui a pouco. E estava delicioso, regado a Azeite Virgem de Oliva. De sobremesa, uma bandeja com doces portugueses. Quase houve briga pelos quindins. A Adriana ia pegar o único quindim na bandeja, mas, conhecendo o marido, deixou o quindim para ele. A Sueli, que não conhecia o gosto do Heitor, atacou o quindim. Era preciso ver a cara do Heitor: parecia nenê de quem se tirou um brinquedo… Foi necessário trazer mais dois quindins, que o Heitor devorou. Eu fiquei com as queijadinhas. Ao final, café. Tudo da melhor qualidade.

Mas voltemos à música. Foi de padrão internacional o show. Cantararam todos os fados mais conhecidos: Coimbra, Lisboa Antiga, Casa Portuguesa, e, naturalmente, Nem às Paredes Confesso (que me trouxe lágrimas aos olhos). E houve envolvimento da platéia, especialmente quando cantava o Thiago, que fez com a Ciça um desafio, envolvendo os homens (maioria na casa) e as mulheres. Divertidíssimo.

Havia um grupo grande na casa, capitaneado por alguém chamado Tuca, que já foi declamador do Teatro Municipal do Rio de Janeiro (segundo ele próprio disse). Ao final, já bem depois da meia-noite, ele foi convidado pela Ciça a declamar uma poesia. Quase caí da cadeira quando ele anunciou que iria declamar "Gesto Heróico", uma poesia religiosa de autoria de Mário Barreto França que decorei quando tinha quatorze anos e já declamei várias vezes. Fiquei imaginando a probabilidade de num restaurante de beira de estrada haver duas pessoas que sabiam "Gesto Heróico" de cor, e concluí que a probabilidade beirava zero. Apesar de ser uma poesia religiosa e, até certo ponto, cafona, fiquei emocionado, porque tudo aquilo havia sido parte integrante de minha vida de adolescente e de jovem. "A sineta bateu convocando o colégio… O diretor, egrégio, e antigo mestre entrou!"… A cafonice pode ser linda se o contexto é certo.

Chegamos de volta a O Canto da Coruja mais de uma hora da manhã.  Embora houvesse bebido duas Bohemias Premium, tomado uma bagaceira, e dividido uma garrafa de vinho com a Sueli, estava perfeitamente lúcido ao retornar na escuridão da Castello e da Santos Dumont, quando já passa de meia-noite.

Agradeço ao Heitor por ter nos convidado a sair. Deveriam ter ido outros companheiros do Rotary, mas acabamos ficando apenas os quatro. Valeu a pena.

Em Salto, 14 de Dezembro de 2007, ao meio-dia (enquanto bebo Napoleon Brandy, acompanhado de queijo mineiro de meia cura, me preparando para a segunda rodada de Bacalhau a Narciso)

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