Uma Discussão sobre um Tema Atual

Transcrevo, abaixo, uma discussão, até o momento (31/7/2019, 9h45), sobre assunto quente da realidade. Embora a discussão tenha sido pública, na minha Timeline no Facebook, fiz um esforço para não revelar os nomes dos que participaram na discussão (exceto, naturalmente, o meu e o de pessoas que foram mencionadas, mas não participaram da discussão. No parágrafo seguinte, o post inicial. Em seguida, a discussão.

July 29 at 7:34 PM, Eduardo Chaves: O presidente da OAB deveria ter aprendido quando criança que quem diz o que quer, ouve o que não quer.

  • xxx-01: O pai dele, comunista, deve ter sido justiçado pelos companheiros por traição.
    • xxx-02 – Ao que eu soube, tudo indica.
    • xxx-01 – a Aeronáutica nega!
    • xxx-02 – Que se virem. O que o cara fazia no Rio?
    • xxx-03 – A OAB perdeu toda a sua credibilidade, por defender os piores criminosos e confundir direitos com libertinagem.
    • xxx-01 – a versão do outro lado é de que visitava parentes no Rio de Janeiro.
    • xxx-04 – A versão verdadeira depende do que vc QUER acreditar.
  • xxx-05 – Infelizmente estamos vivendo o patrulhamento do politicamente correto. A verdade é a última preocupação dos hipócritas que em nome da Democracia ( falsos democratas por suas atitudes sobejamente notórias e conhecidas). É um Direito de todos escolher a ideologia a seguir, seja lá qual for. Porém dificultar, se aliar a correntes que defendem corruptos, que afrontam nossas Instituições ( no caso a Justiça, o MP, a magistratura, a PF, o STF), não é o que se espera de quem precisa representar entidades e seus membros.
    Lamentável o aparelhamento e interesses nada republicanos. A fala do Presidente, na sua essência, quiz mostrar aos Brasileiros a falta de isenção . Inúmeros posts, fotos, reuniões , infelizmente já nos mostravam tal comportamento. Qual é a verdade afinal!!! Todos sabemos!!!
  • xxx-06: Pera, é sério isso? 🤔 Vocês estão defendendo a atitude absurda do Bolsonaro?
    • xxx-07: Parece que ser de direita ou odiar o PT virou sinônimo de defender Bolsonaro. Realmente triste.
  • Eduardo Chaves: É só no Brasil mesmo que as pessoas visitam a casa dos outros e se acham no direito de repreender o dono por tê-la pintado da cor que julgou melhor para ela. E vendo na casa alguns amigos do dono, repreendem-nos também por estarem naquela casa, digamos, verde-amarela… Queriam que a casa fosse cor-de-rosinha, ou direto vermelho, sei lá. Eu, quando não gosto da cor de uma casa, simplesmente não apareço lá.
    • xxx-06: Eduardo Chaves, quando a gente acha que ainda tem algum valor na casa, seja ela de que cor for, a gente insiste em ficar um pouco mais. Simples assim. E quem abre a casa para os outros, em geral, o faz de coração aberto. Deixa as pessoas à vontade para dizerem que talvez se incomodem com essa ou aquela mancha.
    • xxx-08: A minha casa pintei de verde e amarelo o ano passado… E foi apelidada de Casa do Bolsonaro… Depois que optei por votar e fazer sua campanha a casa já estava do jeito. E tá até agora.
    • xxx-06: Realmente espero que como sociedade superemos essa fase em que as cores da parede da casa importam. Que como sociedade a gente consiga enxergar as coisas como realmente são, criticar quando não fizerem sentido ou forem absurdas, exigir revisões e mudanças pelo bem de todos. Não ganhamos nada, em minha visão, com a polarização das cores.
    • Eduardo Chaves: Cara xxx-06. Obrigado por ter respondido o meu comentário e por tê-lo feito de forma cortês e sensata. Você disse algo que me pareceu muito correto e muito bem dito, que eu gostaria de comentar, a saber: “Quem abre a casa para os outros, em geral, o faz de coração aberto. Deixa as pessoas à vontade para dizerem que talvez se incomodem com essa ou aquela mancha”. É verdade. Eu sou um liberal à moda antiga, laissez-penser, laissez-parler, laissez-aller, laisser-faire n’importe quoi. Não me move o intuito proselitista de fazer os outros pensarem e agirem como eu. Mas gosto de discutir crítica e racionalmente ideias, crenças, atitudes, valores, ações, etc. venham de onde venham, e por mais estapafúrdias que sejam. Sou tolerante — só não tolero a intolerância, porque ela acaba por matar a tolerância. E acho que a discussão crítica deve ser mantida num clima de cortesia e respeito. Achei que seu comentário “Pera, é sério isso? 🤔 Vocês estão defendendo a atitude absurda do Bolsonaro?” merecia uma resposta, levemente irônica, porque foi feito num post que eu escrevi, na minha timeline, com o qual alguns amigos haviam demonstrado concordância, o que indica que, tanto eu, como eles, achávamos que a resposta do Bolsonaro, dada a quem foi dada (e isso deve ser levado em conta), foi de bom tamanho. Em vez de discutir a tese que eu levantei (quem diz o que quer ouve o que não quer) você ficou escandalizada que alguém pudesse manifestar concordância com uma observação que você taxou de absurda. Se você acha absurda, tem que mostrar por que, não é, e não simplesmente pressupor que as pessoas que discordam de você não são sérias. Mas sinta-se à vontade aqui na minha timeline. Você é sempre bem-vinda. Nas casas do velho Norte do Paraná onde eu cresci, em que as ruas não eram calçadas, em geral havia um limpa-botas e uma plaquinha na porta de entrada das casas que dizia: “Seja bem-vindo, mas limpe os pés”… Aqui, desejo que todos sejam bem-vindos, mas que se desarmem antes de entrar. As pessoas que frequentam esta timeline são sérias, inteligentes, interessadas em que o Brasil vá pra frente, muitas são liberais, como eu, outras são conservadoras, várias votaram para o Bolsonaro e continuam a apoiá-lo, porque votaram nele porque ele, apesar de seu jeito não muito refinado, era o único candidato capaz de mudar o país de fato. E está fazendo isso (por mais que a grande mídia tente esconder suas realizações, dando a impressão de que não está fazendo nada. Como diz a música do Paul Anka cantada pelo Frank Sinatra, ele está mudando o Brasil, aos poucos, e do seu jeito, “his way”, da mesma forma que eu, aqui, faço as coisas “my way”, e, de vez em quando dou uma cutucada gentil, mesmo em gente linda e delicada como você (como, aliás, já fiz antes, sem, contudo, vir a malquerê-la – pelo contrário). Um abraço.
    • xxx-06: Eduardo Chaves, Obrigada pela resposta. Peço desculpas se meu comentário soou agressivo de alguma forma. Foi resultado de um coração que não consegue entender como aceitar certos comportamentos incompatíveis com o momento atual de nossa sociedade – é inaceitável pra mim o desrespeito que permeia os comentários da maior autoridade do país. “His way” pra mim está além dos limites toleráveis, pois acredito veementemente que minha liberdade de acaba quando começa a do outro. Minha sensação é que ele está constantemente se enfiando nos espaços que são de outros com palavras agressivas e não pensadas que ferem a existência de outros seres tão humanos quanto eu, além de ferirem também o ambiente que ocupamos de forma irresponsável e desestruturada. O comentário foi fruto de meses de indignação e incompreensão (com muito pesar no coração) em ver cristãos dando suporte integral para uma série de ações e atitudes em nada fundamentadas em Cristo e sua essência. Posso ter combinado as palavras de forma não ideal, mas é meu coração de certa forma desapontado se deixando conhecer. Abraços a você e a Paloma!
    • Eduardo Chaves: Obrigado, xxx-06: já transmiti à Paloma o seu abraço.
    • Eduardo Chaves: Aproveito, xxx-06, para recomendar-lhe a leitura de um artiguinho meu, chamado “My Way”, em meu blog Liberal Space (https://liberal.space/2015/03/05/my-way/). É uma resposta minha a um radialista que me perguntou qual minha canção favorita, e quando eu respondi “May Way”, me perguntou por quê. Minha resposta salientou: Em primeiro lugar, porque que a canção é sobre “My Way” – não “The Way”, que alguns acreditam existir. Em segundo lugar, porque a canção reconhece que somos responsáveis pela escolha não só do conteúdo de nossas vidas (o que ser, o que fazer, com quem nos relacionar), mas também da nossa maneira de ser, de nossa maneira de fazer as coisas, de nossa maneira de nos relacionar com os outros – enfim, de nosso estilo. Cada um, afinal, tem “seu jeito” – e esse jeito é, ou pode ser, objeto de nossa escolha.Em terceiro lugar, porque a canção reconhece o fato de que, não importa quanto planejamento a gente faça (“chart our course”, “carefully plan each step”), às vezes as coisas não acontecem como as planejamos. Em quarto lugar, porque a canção reconhece que na vida há imponderáveis, há sorte e azar, há coisas como aquelas que Woody Allen traz à tona em seu lindo filme (com a não menos linda Scarlett Johansson) “Match Point”… Em quinto lugar, porque a canção reconhece que a vida é feita de amores, de alegrias, de risos – mas também de perdas, de tristezas, de lágrimas… Mas quando esses maus momentos chegam, devemos procurer ficar de pé (“stand tall”) e enfrentá-los (“take the blows”) – e fazer isso do nosso jeito. Finalmente, em sexto lugar, por causa da mensagem final: o homem não tem nada, se não for dono de si mesmo. Quem se ajoelha, entrega o controle de sua vida a terceiros. É isso. Abração. My Way
    • Eduardo Chaves, Obrigada 🙂
  • xxx-09: Eduardo Chaves, Bom comentário.
  • xxx-09: xxx-06, o que seria “cristãos dar suporte” moramos em um pais com liberdade religiosa, mas somos submissos as autoridades nele constituídas, se não concordamos com os comportamentos pelo menos precisamos tolerar, por isso o pais chegou onde está, trilhões desviados pelas autoridades constituídas, muitos deles pagando pelos crimes que cometeram, outros ainda vão pagar, porque indignar, quando não simpatizamos com os nossos superiores?, eles estão lá pela vontade do povo, nos resta crer que não são eles a nossa salvação, pode apenas ser instrumentos de Deus para a correção dos desobediente. Romanos 13: 4 e 5.
  • xxx-10: Início de um macartismo.
  • xxx-11: Parabéns pelo comentário.
  • Eduardo Chaves: Que o dito cujo foi justiçado pelos movimentos de esquerda parece mesmo provável, a julgar pelas reações da esquerda e do próprio filho do desaparecido… Revelar que alguém foi morto pelos militares durante a Ditadura é, para a esquerda, e, em particular, para os filhos esquerdistas, motivo de orgulho, não algo desumano que causa a vergonha e humilhação deles… e que justificaria até um processo no STF! A reação da esquerda à fala do Bolsonaro foi: “HUMMM, ele falou!!!” Parece que, para a esquerda, falar dos justiçamentos é pior do que os próprios justiçamentos!!! E que a esquerda combatente promoveu justiçamentos de traidores ou supostos traidores está mais do que comprovado. Até o Elio Gaspari reconhece o fato em sua pentalogia sobre o Governo Militar.
  • xxx-14: O mais engraçado pra mim é que o presidente parece estar num reality show sem a menor privacidade. Os repórteres parecem urubus em cima o tempo todo. Engraçado que os filhos do Lula nunca apareceram pra defender o pai….também, depois da fortuna adquirida pra mexer!!!! A Globo então faz de conta que nunca souberam de nada. Minha única crítica a Bolsonaro é que ele não deveria se expor tanto…….
  • xxx-15: Não devia ser relevante o que o Presidente evocou! Um tipico caso de trazer de volta assunto superado. Não importa mais se o pai do Presidente da OAB foi morto nos porões da ditadura, como a aliás uma instituição do Estado já definiu que sim, ou que ele foi justiçado, como sem base alguma afirmam. O incidente decorre do fato que a OAB, não na pessoa do Presidente, seja esquerdista, bicha, fascista, machista, liberal, filho de terrorista morto ou vivo, , ou o raio que o parta, evocou o dispositivo legal do § 3º do art. 2º da Lei 8906/94: a inviolabilidade do Advogado no exercício de sua profissão. É da Lei! O Bolsonaro age com loucura e/ou com fé. E ele prometeu cumprir, fazer o cumprir, as leis e não questioná-las. Ainda mais com “requintes” de má-postura e burrice. As instituições brasileiras tem que fazer alguma coisa a respeito desse maluco!Delete or hide this
    • Eduardo Chaves: Há outro ditado relevante, caro xxx-15: “Quem tem telhado de vidro não atira pedra”. A instituição do estado que definiu que o pai do dito cujo foi assassinado pelos militares era um estado presidido por uma ex-guerrilheira e recheado de ex-guerrilheiros, usando uma Comissão da “Verdade” que estava interessada em acusar os militares, obter indenizações e, se possível, revogar a Lei da Anistia, mas não em descobrir os fatos, razão pela qual se recusou a investigar os ex-terroristas — a maior parte dos quais deixou as armas de fogo de lado mas não deixou de lado suas convicções de terrorista.
      LIBERAL.SPACE: “A História Acontecida e a História Narrada” A História Acontecida e a História Narrada
    • Eduardo Chaves: Os ex-terroristas, em vez de deixar as coisas quietas, quiseram oficializar a sua narrativa. Em parte conseguiram, mas cumprindo apenas metade do seu mandato [vide o livro de Eliezer Rizzo, que pode não concordar com o que eu estou dizendo aqui, mas eu concordo com o livro dele sobre a Comissão da Verdade (“Verdade”, Meia-Verdade, Sei-lá-que-%-da-verdade-if-any)]. Agora, quem sabe, chegou a vez do outro lado oficializar a sua.
      LIBERAL.SPACE: “O ‘Aquém’ e o ‘Além’ da Comissão da Verdade O “Aquém” e o “Além” da Comissão da Verdade: A Propósito do Livro de Eliézer Rizzo de Oliveira
    • Eduardo Chaves: O assunto não está fechado. E o Bolsonaro é qualquer coisa menos burro e maluco. O mais cedo que você perceber isso, melhor para você, que mora aí perto dele. Todo mundo que subestimou um dia está hoje nas mãos dele – desde o Exército Brasileiro.

Em São Paulo, 31 de Julho de 2019

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