A Revolução da Desintermediação

Meu décimo quarto artigo no Blog das Editoras Ática e Scipione, publicado nesta segunda-feira passada (13 de Junho de 2011) em:

 http://blog.aticaescipione.com.br

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Extra ecclesiam nulla salus – “Fora da Igreja não há salvação”. (Dito de São Ciprião de Cartago, bispo cristão do terceiro século; e máxima geralmente aceita pela Igreja Católica na Idade Média e até mesmo depois – quem sabe até hoje?).

“Se eu quiser falar com Deus tenho que ficar a sós”. (Gilberto Gil, em sua canção “Se eu quiser falar com Deus”, de 1980).

Durante boa parte da história do Cristianismo, não foi assim como disse Gilberto Gil, nosso ex-Ministro da Cultura. Para falar com Deus, o fiel não podia ficar a sós: tinha de encontrar um intermediário. Na verdade, o intermediário é quem falava com Deus por ele. Padres, santos, a Virgem Maria, todos eles eram credenciados como intermediários no relacionamento e na comunicação do fiel com Deus – algo parecido com despachantes espirituais. E todos eles abrigados dentro da Santa Madre Igreja, fora da qual, como ela mesma alegava, não havia salvação. Ou seja: nada se resolvia, no plano espiritual, sem a intermediação dos padres e da igreja.

Na verdade, nem mesmo ler o livro que consideravam a Palavra de Deus os fiéis podiam fazer sozinhos: o texto das Escrituras é de difícil interpretação, contém uma série de aparentes contradições, e está recheado de várias histórias pouco edificantes sobre alguns dos chamados heróis da fé. Assim, para a igreja, seria melhor que o fiel não lesse o livro diretamente e dependesse do sacerdote para selecionar as passagens certas, interpretá-las, e entregá-las ao fiel pré-digeridas, como se fosse.

Por isso, para a igreja da Idade Média era ótimo que o fiel nem soubesse ler, para não ser tentado a ler as Escrituras (ou, pior ainda, os escritos profanos). O fato de que os livros, naquela época, eram manuscritos, e, portanto, de difícil, lenta e cara produção, era, para a igreja, algo bom e positivo. Mesmo exemplares da Bíblia existiam em pequeníssima quantidade e, por isso, eram bem guardados em igrejas e mosteiros, raramente chegando às mãos dos fiéis (que, aliás, em sua maioria, nem sabiam ler, caso também de alguns religiosos; vide O Nome da Rosa, livro de Umberco Eco).

Nada disso é novidade. O que estou dizendo sobre a igreja da Idade Média é fato conhecido e notório.

A Reforma Protestante procurou acabar com essa intermediação de múltiplos níveis. Só por isso já deveria ser chamada de Revolução Protestante, em vez de Reforma, porque o que fez foi muito além de mera reforma: foi subversão, mesmo, de um sistema de mediação (e, portanto, de dependência, muito bem arranjadinho).

A doutrina protestante do “sacerdócio universal dos crentes” afirmava que todo crente é, na verdade, um sacerdote, e, como tal, tem acesso direto a Deus, sem intermediação de outros sacerdotes, ou dos santos, ou da santa virgem… A doutrina de que os santos e a Virgem Maria são intermediários, que intercedem por nós, também foi descartada. Na doutrina evangélica, os crentes, quando oram, estão a sós com Deus (como sugere Gilberto Gil), sem necessidade da presença de intermediários e intercessores.

Por conseguinte, não há motivo para que o crente não deva ler a Bíblia e interpretá-la desassistido dessa mediação. Por isso, Lutero traduziu a Bíblia, que antes existia apenas em língua que a maior parte do povo não falava, o Latim, para o Alemão, a língua que o povo falava na sua região. E criou escolas ao lado das igrejas para que o povo pudesse aprender a ler, exatamente para lê-la.

Dali em diante, pelo menos nas partes do mundo em que o Protestantismo vicejou, o fiel lia diretamente o livro que ele considerava a palavra de Deus e falava diretamente com Deus em oração. Por isso, a oração protestante não é reza, coisa fixada, decorada, repetida mecanicamente de cor: é conversa mesmo, do crente com seu pai, na qual o crente conta coisas, se confessa, pede coisas, agradece por coisas… Isso explica porque no Protestantismo não há confissão de pecados do fiel para o sacerdote: o fiel se confessa diretamente para Deus.

O que aconteceu durante a Reforma Protestante foi um processo gigantesco de desintermediação na interação e comunicação com Deus. Foram dispensados os intermediários, os despachantes espirituais.

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Passemos da Idade Média para o presente, da Europa para o Brasil.

Houve época no Brasil em que um despachante era indispensável para qualquer ação que envolvesse interação e comunicação entre o cidadão e os órgãos e as agências governamentais. Para comprar, transferir, e licenciar um veículo, era preciso um despachante. Para tirar, renovar ou recuperar a carteira de motorista, também. Para tirar uma carteira de identidade, passaporte, ou carteira de trabalho, idem. Para quase todo relacionamento do cidadão com os governos (federal, estaduais, municipais), ele precisava de um intermediário.

Hoje é possível fazer todas essas coisas e tirar todos esses documentos sem necessidade de despachante ou de outro intermediário qualquer. O usuário final pode ir diretamente aos órgãos ou às agências governamentais, que, em alguns estados, como São Paulo, estão todos reunidos em um mesmo espaço (Poupa Tempo, para os paulistas). Alternativamente, pode fazer várias dessas coisas diretamente pela internet, sem mesmo sair de casa.

Como os sacerdotes católicos na época da Reforma Protestante, os despachantes estão em baixa, hoje, nesse enorme processo de desintermediação na interação e comunicação do cidadão com os seus governos.

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Mesmo na interação e comunicação das pessoas com instituições privadas tem havido uma tendência clara na direção da desintermediação.

Em bancos, o próprio correntista faz, hoje, quase tudo, sem precisar recorrer a um intermediário: gerente, caixa ou atendente. Os caixas eletrônicos são amplamente usados e a Internet permite aos correntistas fazer boa parte de suas transações a partir de sua própria casa ou do seu trabalho, sem precisar se locomover. Isso é desintermediação.

Nos restaurantes, o self-service impera – pelo menos na hora do almoço. O garçom é quase totalmente desnecessário. Isso é desintermediação.

Nos postos de gasolina dos Estados Unidos, da Europa e de outros países desenvolvidos, o próprio freguês se serve e paga com cartão de crédito. Não há atendentes que operam como intermediários. Se for preciso checar a pressão dos pneus, é o próprio dono do carro que faz isso (aqui no Brasil, também). Isso é desintermediação.

Nos aeroportos, os passageiros fazem seu próprio check in, despacham suas malas, recebem seus cartões de embarque, e embarcam, dispensando uma série de intermediários. Isso é desintermediação.

Nos Estados Unidos, na Europa e em outros países desenvolvidos veem-se, nos supermercados, “caixas sem caixa”, isto é, terminais de caixa não operados por empregados do estabelecimento, nos quais os fregueses passam os produtos, pagam por eles com cartão de crédito, colocam-nos numa sacola e vão-se embora. Isso é desintermediação.

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Os exemplos podem ser acrescentados de forma quase que ilimitada. Em muitos deles, especialmente os mais recentes, a revolução da desintermediação tem acontecido e continua a acontecer em decorrência da evolução tecnológica.

Os de mais de 60 anos vão se lembrar da época em que, para fazer um telefonema interurbano, ou até mesmo local, era preciso recorrer a uma telefonista. Lembro-me de que, na Cia Swift do Brasil, em Utinga, onde trabalhei no fim da década de 1950 e início da década de 60, mesmo dentro do escritório era preciso recorrer à telefonista para falar com alguém em outra sala ou em outra mesa. Os telefones não tinham mecanismo de discagem (disco, teclado, etc.). A tecnologia mudou tudo isso. Hoje falamos com pessoas do outro lado do mundo, usando telefone fixo, celular, ou o próprio computador, sem precisar da intermediação de nenhuma telefonista.

(Li certa vez um artigo que mencionava o fato de que, no início do século XX, quando a telefonia – ainda manual – se popularizava nos Estados Unidos, um analista disse que, se a curva de crescimento se mantivesse, dentro de 50 anos, a contar daquela data, toda mulher americana teria de ser telefonista. Errou cheio – e feio. Não levou em conta a evolução da tecnologia. E, não sei por que cargas d’água, não imaginou que homens pudessem vir a exercer a função, como hoje exercem a função de comissários de bordo ou atendentes de voo, antes prerrogativa das aeromoças…).

*

Agora, a grande questão, que justifica a inserção deste artigo aqui neste blog…

E o acesso à educação, à aprendizagem? Vai continuar a ser mediado por professores, dentro de uma instituição, a escola? Ou será que teremos a desintermediação também no acesso à educação e à aprendizagem?

Há gente que, tentando parecer atualizada, diz que o professor não ensina, apenas medeia… Irônico que se diga isso justamente numa época em que os intermediadores estão desaparecendo!

*

É forçoso reconhecer que, em grande medida, o acesso à educação e à aprendizagem já está desintermediado. Pela internet, temos acesso direto não só a todo e qualquer tipo de informação, como também a uma ampla e variada gama de pessoas com quem podemos interagir e nos comunicar, para solucionar dúvidas, buscar orientação, discutir e debater as questões que nos são importantes, dispensando a intermediação do professor e da escola.

Facebook, a rede social de mais de 700 milhões de usuários – 10% da população do mundo, provavelmente, em seu conjunto, a parcela que detém mais informações, conhecimentos e competências – não vai deixar de afetar a educação e as nossas formas de aceder à informação e nos comunicar, vale dizer, de aprender.  Ali temos acesso a informações de todos os tipos, ali encontramos pessoas com enorme cabedal de informações, conhecimentos e competências, em áreas afins aos nossos interesses, ali podemos conversar diretamente com especialistas em quase qualquer assunto.

Na verdade, ali podemos descobrir propostas novas e ali podemos expressar e testar nossas ideias e reflexões, receber críticas, rebatê-las. Facebook é um micromundo no espaço virtual. Ali impera a desintermediação no acesso à informação, à comunicação, à educação, à aprendizagem. Ali podem ser criados, com extrema facilidade, inúmeros ambientes virtuais de aprendizagem colaborativa, com configurações que se adaptem aos interesses e aos estilos de aprendizagem de cada um. Temos, ali, todos nós, múltiplas possibilidades de acesso personalizado à educação e à aprendizagem. Uma alternativa à escola padronizada e massificada em que um só tamanho veste todo mundo.

Li, recentemente, um livro interessante, chamado The Church of Facebook: How the Hyperconnected Are Redefining Community (A Igreja de Facebook: Como os Hiperconectados Estão Redefinindo Comunidade), de Jesse Rice.

Eis o que diz a última capa do livro (em minha tradução):

O mundo está ficando menor, um perfil de cada vez.

Uma revolução está acontecendo diante de nossos olhos. Um movimento de amplitude mundial, ancorado em redes wi-fi, está mudando a forma como interagimos e nos relacionamos com os outros. É uma mudança sísmica que está redefinindo a ideia de comunidade. Todo dia milhões de pessoas se conectam umas às outras através de redes sociais online, sites que nos permitem acompanhar as andanças, atividades e pensamentos de nossos amigos e nos ajudam a definir as formas como eles nos veem.

Mas, por mais que perfis pessoais possam se tornar reveladores, eles apontam para além de si próprios, para realidades e verdades ainda mais amplas e profundas. Eles colocam a nu nosso desejo de identidade e de comunidade, nossa fome por sermos conhecidos, identificados e reconhecidos como parte de um grupo significativo.

Jesse Rice acredita queo  Facebook nos oferece a oportunidade de olhar, com profundidade, para nossas necessidades mais básicas e fundamentais. Acompanhe Jesse enquanto ele explora o enredamento social e seu impacto sobre a cultura – e sobre a igreja, que é parte da cultura. Cheio de perspectivas inovadoras e de questões provocadoras, A Igreja de Facebook nos encoraja a perseguir relacionamentos autênticos, com Deus e com aqueles que nos rodeiam.”

É isso. Muita gente considerava a igreja e as forças armadas as instituições mais conservadoras da sociedade. Mas aí está um “pastor de música e adoração” (evidentemente protestante, não católico) mostrando que alguns segmentos da igreja estão atentos a inovações. Afinal de contas, a igreja não quer que os fiéis vivam a religião apenas nos domingos (muito menos apenas na Páscoa e no Natal): quer que eles a vivam o tempo todo, 24 horas por dia, sete dias por semana. Quer que a religião os envolva enquanto trabalham e enquanto se divertem. Anytime, Anywhere Worship… (Culto a Qualquer Momento e em Qualquer Lugar…). Sem sacerdotes, sem pastores… Na verdade, em boa doutrina da Reforma, o sacerdote e o pastor estão onde está o crente… A desintermediação da Reforma em roupagem do século 20, agora viabilizada pela tecnologia.

Quando acontecer o que imagino que vá acontecer com o Facebook na área da educação, por que a gente vai precisar de escolas e de professores? Só para guardar e custodiar crianças pequenas? Será que as escolas vão se tornar grandes creches e os professores os seus atendentes?

Será que a escola vai ganhar da igreja como instituição mais conservadora da sociedade? (Os militares já são super high tech).

Alguém pode tentar responder argumentando que as escolas, além de responsáveis (através dos professores) por ensinar, são também responsáveis (através da direção e coordenação) por elaborar o currículo, isto é, fixar as expectativas de aprendizagem que elas (pretendendo falar pela sociedade) têm para os seus alunos. E perguntarão quem fará isso, se as escolas deixarem de existir, ou se as escolas se tornarem, não ambientes de aprendizagem, mas ambientes de mera custódia (e alimentação – a merenda parece ter se tornado uma ação pegagógica essencial…).

A resposta é relativamente fácil.

A maior parte do que a escola espera que seus alunos aprendam é totalmente inútil para a vida, o trabalho e o exercício da cidadania de seus alunos em uma sociedade aberta e democrática na qual a tecnologia é ubíqua. Para começar, a escola afirma preparar cidadãos para o exercício da democracia em um ambiente do qual a democracia e a liberdade passam longe. Os alunos não têm liberdade para escolher o que aprender, não participam da governança da escola, não decidem nada nem mesmo a respeito de suas próprias vidas na escola. Leiam o artigo “Pequena Escola de Liberdade”, escrito por Ricardo Semler, a pessoa que concebeu, criou e até hoje mantém as Escolas Lumiar. Depois, verifiquem se a escola democrática descrita ali se parece com as escolas que vocês frequentaram e com as outras escolas que vocês vieram a conhecer depois…

Por que isso acontece?

Todos sabemos que cada ser humano é único e irrepetível (com a possível exceção de gêmeos idênticos). Temos conjuntos de características cognitivas e não cognitivas únicos. Cada um de nós tem sua personalidade, seu temperamento, seus talentos naturais, seus interesses, seu jeito próprio de ser, de pensar, de fazer as coisas, de aprender. No devido momento, cada um de nós faz suas escolhas, com base em seus valores, e define seu projeto de vida. A ideia de que exista um amplo conjunto de coisas que todos precisamos saber ou saber fazer é um despropósito. Sim, existe um pequeno conjunto, mas esse conjunto é mínimo. Talvez ele se exaura em algo como a seguinte lista do que todos nós precisamos saber numa sociedade como a nossa:

  • Entender a língua materna e a falar bem, para poder ouvir e entender os outros e expressar o que pensamos, sentimos, desejamos, e escolhemos, de modo a poder interagir e nos comunicar com os nossos semelhantes;
  • Ler e escrever na língua materna, para poder fazer essas mesmas coisas por escrito, deixando-as registradas, para nós mesmos e para a posteridade;
  • Argumentar e criticar argumentos, para poder debater com os nossos semelhantes questões de interesse comum;
  • Entender raciocínios quantitativos elementares para poder transacionar em uma sociedade cuja economia depende do dinheiro;
  • Respeitar os direitos básicos de terceiros e seguir certas regras básicas de convivência sem as quais retroagimos à barbárie.

(Este é o básico. Há, nessa lista, embora curta demais para alguns, mais do que havia no Trivium Medieval. Menos, em muitos casos, é mais… ).

Tudo mais que precisamos aprender ou aprender a fazer depende dos talentos naturais, dos interesses, das escolhas, dos valores e dos projetos de vida de cada um. Não é básico, é específico. Um escritor de ficção não precisa conhecer quase nenhuma matemática. Um médico não precisa conhecer quase nenhuma literatura. Um advogado não precisa conhecer quase nenhuma física. Um pastor, um padre e um rabino não precisam conhecer quase nenhuma química. Um poeta não precisa conhecer quase nenhuma estatística.

De qualquer maneira, mesmo que minha proposta seja vista como exageradamente minimalista, acredito que não seria difícil chegar a um acordo sobre o mínimo básico que todos deveriam saber e saber fazer. E saberíamos determinar, melhor do que a escola, quando alguém chegou ao nível de proficiência desejável em cada um desses aprenderes. As empresas e as demais instituições da nossa sociedade selecionam bons empregados sem necessidade de um currículo oficial. Cada um sabe o perfil profissional de que precisa e que deseja ter em seu quadro de colaboradores.

A tecnologia hoje disponível nos permite um nível de desintermediação, e, portanto, de emancipação, enorme em relação a instituições que tentam nos tutelar, que tentam nos roubar a liberdade de aprender. É hora de nos libertarmos da tutela da escola e dos professores, como a população do século 16 se libertou da tutela dos padres e da igreja.

Por que tantos intermediários? Vamos desintermediar o acesso à educação e à aprendizagem! Vamos instituir a liberdade de e no aprender…

(E se, ao final, restarem algumas escolas, que elas sejam totalmente separadas, como as igrejas são hoje, do estado).

Desintermediar não é algo simples como tirar dinheiro de um caixa eletrônico poderia sugerir. O processo mexe com uma gama enorme de interesses. Haja vista as guerras (chamadas de religiosas) que se desenrolaram na Europa nos dois séculos posteriores à Reforma. Mas é algo cuja hora chegou, também na educação.

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Em São Paulo, 15 de Junho de 2011

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