Nights in Rodanthe (2008, Noites de Tormenta)

“Nunca é tarde para uma nova chance” – é este o slogan (“tagline”) do filme na International Movie Data Base (IMDB). Bastante apto. O filme trata de um recomeço para dois e a dois – um recomeço que que se tornou possível por causa do acaso. Ou, para quem não acredita em acaso e tem pendores calvinistas, por graça e obra de uma providentia divina specialissima, que opera de forma oculta e misteriosa, detrás dos bastidores, dirigindo nossos afazeres, determinando nossas decisões, condicionando nossas escolhas…

A história é bonita – e é interpretada quase à perfeição. Ela se baseia em um livro de Nicholas Sparks, com o mesmo título do filme. Já assisti a três outros filmes baseados em livros dele: The Notebook (2004,  Diário de uma Paixão, em Português), A Walk to Remember (2002, Um Amor para Recordar, em Português), e Message in a Bottle (1999, Uma Carta de Amor, em Português). Todos muito bons.

Nicholas Sparks é hoje famoso por suas histórias de amor simples, não raro tristes, mas muito bem contadas. É possível que nunca seja um sucesso de crítica nem ganhe um Nobel de Literatura. Mas será sempre um bestseller – e um campeão de bilheterias, quando suas histórias são transformadas em filmes, como várias já foram.

Noites de Tormenta, lançado este ano, traz Richard Gere e Diane Lane – o mesmo par de Unfaithful (2002, Infidelidade, em Português) e The Cotton Club (1984, Cotton Club, em Português). Ambos estão perfeitos em seus papéis. Gere, do alto de seus 59 anos, está melhor do que nunca, e Lane está perfeita. Esse terceiro filme deles mostra que os diretores afinal descobriram que os dois juntos fazem uma parceria que é sucesso garantido. 

A história é sobre um casal que se encontra (por acaso?) em uma pousada, à beira do mar, em Rodanthe, no litoral da Carolina do Norte. Ela (Adrienne Willis) foi para lá para tomar conta da pousada para a proprietária, sua amiga. Ele (Paul Flanner) é o único hóspede durante a baixa temporada – na verdade, na temporada das tormentas e dos furacões.

Adrienne está separada do marido, que quer que ela volte para ele. Em seu pleito, o ex-marido tem o apoio dos filhos, um casal. Adrienne hesita. Pensa nela, que não quer voltar. Pensa nos filhos, que querem que ela volte. A temporada na pousada lhe dará tempo para pensar.

Paul é um médico, em cujas mãos morreu uma paciente já idosa, da qual ele retirava um cisto no rosto. A família da mulher morta o processou. No entanto, o viúvo, que mora perto da pousada, lhe envia uma carta convidando-o para uma conversa. É por isso que ele se dirige para a pousada, onde ficará conhecendo Adrienne.

Um encontro que tem lugar por obra do acaso? Ou será que há forças ocultas que, mesmo quando não planejamos, ou até mesmo quando estamos inconscientes dos motivos de nossas ações, nos colocam no lugar certo, na hora certa?

A primeira conversa entre Paul e o viúvo mostra um Paul defensivo, dizendo que não teve culpa na morte da mulher, e sem sensibilidade para com a dor do outro. Adrienne observa a conversa. E decide intervir – sem saber aonde a intervenção vai levar. 

Desde o primeiro encontro dos dois protagonistas se percebe que há uma química especial que os aproxima um do outro. Aos poucos ela vai se abrindo e lhe contando sua história. Ele, meio a contragosto, vai revelando a dele a ela – o resto ela vai descobrindo. Embora os dois tenham problemas, um vai procurando ajudar o outro – e o amor aparece sem ter sido convidado: os dois se apaixonam. Cenas lindas dos dois andando abraçados pelas praias de Rodanthe.

Ela o estimula a procurar o viúvo mais uma vez e a mostrar-lhe solidaridade e sentimento. Ele o faz – e a conversa franca e dura com o homem lhe alivia um pouco a alma. Ela o estimula, de igual forma, a procurar o filho, também médico, que, depois do acidente, abandonou o hospital em que ambos trabalhavam e foi prestar serviços médicos a populações carentes no Equador.

A história caminha e os dias de sua permanência juntos na pousada chegam ao fim. Ela volta para casa, ele parte ao encontro do filho. Planejam o dia em que se reunirão.

Em casa ela comunica aos filhos e ao ex-marido que não quer refazer o casamento. A filha adolescente se revolta. O menino mais novo, embora triste, tem um comportamento mais receptivo, e abraça a mãe.

O tempo passa. A filha dela, distante. O amor entre os dois, cultivado apenas por cartas apaixonadas. No Equador, ele se reconcilia com filho, ao entrar de cabeça no trabalho social. Fica um tempo relativamente longo lá – depois do qual anuncia para ela que estará retornando em breve. Marca o dia, informa o vôo.

E não chega… Ela fica agarrada ao telefone a noite inteira. Liga para a companhia aérea e ele não estava no vôo.

Pouco tempo depois toca a campainha e é o filho dele – com uma caixa de cartas e objetos pessoais na mão. O desfecho é evidente: Paul Flanner morreu. Numa tempestade a casa em que o filho trabalhava e morava no Equador desabou sobre ele – quando ele corajosamente entrou nela para tentar salvar os medicamentos que lá estavam.

O final do filme é lindo e triste. Ela cai em crise de depressão por uns dias. A filha finalmente se aproxima da mãe e a ajuda material e emocionalmente. O sofrimento visível da mãe comove e muda a filha. A cena em que Adrienne examina os objetos da caixa trazida pelo filho dele é memorável… A dor e a angústia se estampam no rosto dela a cada objeto tocado, a cada carta aberta — inclusive uma última, dele para ela, não enviada.

Filme sensível, que faz pensar e faz chorar (como Diário de uma Paixão e Uma Carta de Amor).

Uma linda história de amor – apesar de triste.

Em Brasília, 8 de Outubro de 2008

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