Creacionismo vs evolucionismo na escola: o debate chega à grande imprensa brasileira

Finalmente chega à grande imprensa brasileira a controvérsia sobre creacionismo vs evolucionismo na educação escolar – a versão atual de um debate antigo que contrapunha a religião e a ciência. Como disse Paulo Ghiraldelli Jr, Deus e o Diabo começaram a disputar o ensino brasileiro.

Não tivemos ainda a nosso “Julgamento do Macaco” (“Scopes Trial”), mas poderemos tê-lo em breve. Só que com papéis invertidos. Vide adiante, após minha descrição do “Julgamento do Macaco” americano.

Nos Estados Unidos, em 1926, um professor secundário de Biologia (John Scopes) do Estado do Tennessee foi preso, processado e julgado por ensinar a evolução em sala de aula. O Estado do Tennessee havia aprovado uma lei – chamada de Butler Act – que proibia a escola pública do estado de “ensinar qualquer teoria que negasse a história da Criação Divina do homem como ensinada na Bíblia, e ensinasse, no lugar dela, que o homem descende de uma ordem inferior de animais”. Em outras palavras: a lei havia determinado que, na escola pública do estado, fosse ensinada apenas a visão creacionista da origem do universo (incluindo a origem vida e da consciência).

A União Americana de Direitos Civis (American Civil Liberties Union – ACLU) se comprometeu a defender qualquer professor que desafiasse a lei. John Scopes, da pequena cidade de Dayton, Tennessee, o fez e foi preso. A ACLU colocou ninguém menos do que Clarence Darrow, o mais famoso de todos os advogados na história americana, para defender Scopes. Como promotor convidado veio ninguém menos do que William Jennings Bryan, que já havia sido Chanceler (Secretary of State) dos EUA e três vezes candidato à presidência do país pelos Democratas (embora derrotado em todas elas). Ele havia sido também, mais de uma vez, presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos.

Há um belíssimo filme sobre esse julgamento, feito em 1960, sob o título de Inherit the Wind, com Spencer Tracy representando Clarence Darrow (chamado no filme de Henry Drumond) e Fredric March representando William Jennings Bryan (chamado no filme de Matthew Harrison Brady). Dick York (o marido da “Feiticeira”) representa John Scopes (chamado no filme de Bertram T Cates) e Gene Kelly representa um jornalista que cobria o julgamento. O filme é um clássico. Muitos críticos o consideram o filme de julgamento do século (século XX, naturalmente).

Para detalhes sobre o julgamento, ver o artigo sobre o julgamento na Wikipedia e, especialmente, o seguinte site (Scopes Trial Home Page), dentro do site maior “Famous Trials in American History”:

http://www.law.umkc.edu/faculty/projects/FTrials/scopes/scopes.htm 

No Brasil de 2009 pode ser que um professor venha a ser julgado, não por ensinar a evolução na escola pública, mas por se opor a que, na escola pública (ou mesmo na particular), seja ensinada apenas a visão evolucionista da origem do universo… Sinal dos tempos!

Não consigo ficar sem me envolver nesse debate…

A Folha de S. Paulo está se encarregando de promover a discussão do assunto. Na edição de 13/12/2008 ela mais uma vez traz algumas matérias sobre a questão.

Como havia feito em edições anteriores, a Folha colocou o Mackenzie no foco da polêmica. Parece que as escolas de ensino básico do Mackenzie ensinam o criacionismo (aparantemente, ao lado do evolucionismo). A polêmica ficou mais delicada porque a filha do Ministro da Educação, Fernando Haddad, estuda na escola do Mackenzie em Brasília… (Boa propaganda para o Mackenzie, que tem a reputação de direitista, o fato de que a filha de um ministro de esquerda estuda lá…)

Transcrevo ao final deste post o texto das matérias da Folha em 13/12. Aqui, resumo minha opinião, de forma telegráfica, sobre essas matérias. 

a) Acho que escolas mantidas por instituições religiosas (pelo menos as cristãs) têm o direito de trazer a questão do criacionismo à baila. Iria até além: talvez até mais do que o direito, têm o dever de fazê-lo. Afinal de contas, a crença de que Deus criou o universo é essencial para as instituições que as mantêm, essas instituições investem bom dinheiro para ter uma escola diferente, não secular, e essas instituições, além do mais, não recebem dinheiro público. Ninguém coloca os filhos no Mackenzie sem saber que se trata de uma escola presbiteriana e que os presbiterianos são, em sua maioria absoluta, criacionistas. Quem não quer que os filhos fiquem expostos a essas visões de mundo, que coloque os filhos em uma escola privada de orientação não religiosa, ou então em escola pública. [Um liberal clássico radical como eu, defensor dos direitos de propriedade privada, não poderia pensar e argumentar diferentemente.]

b) Naturalmente, acho que essas escolas — escolas mantidas por instituições religiosas — devem também discutir teorias alternativas acerca da origem do universo (como as teorias evolucionistas). Afinal de contas, muita gente esclarecida aceita teorias alternativas ao criacionismo para a origem do universo e os alunos dessas escolas não podem simplesmente ignorar o fato.

c) Na verdade, acho que até mesmo as escolas públicas deveriam discutir a questão do criacionismo (junto de teorias alternativas). Afinal de contas, a maioria das pessoas (inclusive os pais dos alunos das escolas públicas) acredita em alguma versão do criacionismo e seria interessante que as escolas públicas não fizessem de conta que esse ponto de vista simplesmente inexiste, ou pretendessem que é uma doutrina puramente religiosa.

d) Concordo com alguns criacionistas quando afirmam que as questões que estão sendo discutidas não são puramente religiosas — embora também não sejam puramente científicas. Elas são, na realidade, meta-científicas. A própria visão evolucionista da origem do universo me parece muito mais filosófica do que propriamente científica. E acho ridícula a pretensão de alguns cientistas de que a ciência não envolve crenças e que o cientista lida apenas com fatos e teorias derivadas desses fatos. E mais ridícula ainda a pretensão de que fora da ciência não há conhecimento…

e) Se esse meu ponto de vista é correto, todo esse conjunto de questões — epistêmicas e metafísicas, relacionadas à origem do universo — deveria ser abordado no âmbito da filosofia, e não da ciência. Esta, talvez, seria uma das boas razões para se inserir a filosofia na escola de nível básico.

Não me parece defensável argumentar, contra a minha posição, que o criacionismo é uma crença e o evolucionismo, uma teoria.

Eu diria que tanto o criacionismo como o evolucionismo são teses ou hipóteses sobre como o universo (tudo o que existe, aí incluída a vida) surgiu.

Uma pessoa pode, em relação a qualquer tese ou hipótese, adotar uma das seguintes atitudes ou posturas:

a) aceitar a tese ou hipótese

b) rejeitar a tese ou hipótese

c) suspender o julgamento acerca da tese ou hipótese

A aceitação ou rejeição de uma tese ou hipótese pode se dar de duas formas:

* como uma questão de fé

* como uma questão de razão

Quando se trata de fé, em geral se dispensam argumentos e evidências. É preciso registrar que tanto a aceitação como a rejeição de uma tese ou hipótese pode se dar como um item de fé, pura e simples. Tanto o teísmo como o ateísmo, ou tanto o criacionismo como o evolucionismo, podem ser aceitos ou rejeitados como questões de fé.

Quando se trata de razão, argumentos e evidências são essenciais para a determinação da aceitação ou rejeição de uma tese ou hipótese. Parece-me inegável que tanto o teísmo como o ateísmo, ou tanto o criacionismo como o evolucionismo, podem ser encarados sob o prisma da razão (e não meramente da fé).

[Tomás de Aquino escreveu sua famosa Summa Theologica para os crentes — mas sua importante Summa Contra Gentiles foi escrita para tentar convencer os descrentes ou incréus da verdade das principais teses do Cristianismo exclusivamente com base na razão.]

A atitude ou postura "c" — suspensão de julgamento — é em geral adotada por pessoas que encaram uma tese ou hipótese sob o prisma da razão, mas concluem que os argumentos e evidências disponíveis não nos permitem tomar uma decisão acerca dela, seja aceitando-a, seja rejeitando-a.

Alguns pensadores — e Tertuliano talvez seja o mais conhecido deles — consideram que há lugar para a fé mesmo quando há fortes e contundentes argumentos contra uma tese ou hipótese. Tertuliano disse, acerca das principais afirmações do Cristianismo, que ele cria nelas porque eram absurdas (credo quia absurdum). Se essas teses ou hipóteses não fossem absurdas, isto é, totalmente destituídas de fundamentação racional (argumentos e evidencias), ele não precisaria ter fé: bastaria aceitá-las com base nos argumentos e evidências que as sustentariam nesse caso.

Outros pensadores — e aqui me lembro de Tomás de Aquino e Locke — parecem ter considerado que a fé é uma atitude ou postura que não contraria a razão mas que vai além dela. Não seria admissível, nesse caso, aceitar, como uma questão de fé, uma tese ou hipótese contra a qual há argumentos e evidências (contra rationem), mas seria admissível aceitar como uma questão de fé uma tese ou hipótese para a qual, sem que haja argumentos e evidências contrárias, não há argumentos e evidências suficientes a favor (supra rationem). Alguns autores chegaram até mesmo a falar em "fé racional", mas a maioria dos que aqui se situam se contentam em argumentar que a fé, num caso assim, não seria irracional.

Por fim, outros pensadores — e aqui me lembro de Pascal, o lógico e matemático francês, e de William James, o psicólogo e filósofo pragmatista americano — argumentaram, em especial acerca da existência de Deus, que, não havendo argumentos e evidências suficientes de um lado e de outro, ou havendo argumentos e evidências razoáveis e de igual peso dos dois lados, ainda assim é possível não suspender o julgamento (não ficar "em cima do muro").

Pascal argumentou, em Pensées, que a tese ou hipótese de que Deus existe é tal que argumentos e evidências existem tanto a favor como contra. Nesse caso, continuou ele, mesmo uma pessoa racional deverá apostar que Deus existe, porque: (I) SE ELE APOSTA QUE DEUS NÃO EXISTE E (A) Deus de fato não existe, ele não ganha nada; (B) e Deus de fato existe, ele perde tudo; (II) SE ELE APOSTA QUE DEUS EXISTE E (A) e Deus de fato não existe, ele não perde nada; (B) Deus de fato existe, ele ganha tudo.

William James argumentou, em The Will to Believe, que, na ausência de argumentos e evidências contrários, é legítimo aceitar, ou mesmo defender, a crença em Deus por motivos pragmáticos (ou psicológicos [essa crença faz as pessoas se sentirem confortadas], ou sociológicos [essa crença faz as pessoas se comportarem de forma mais moralmente adequada]).

É bom salientar que, em especial nos séculos XVII e XVIII, a tese ou hipótese do desígnio inteligente para explicar a existência do universo (tese ou hipótese hoje reformulada como a tese ou hipótese do desígnio inteligente) era considerada do prisma eminentemente racional. O próprio Newton a aceitava com base em argumentos e evidências que lhe pareciam suficientemente fortes, talvez até mesmo contundentes. É verdade que, ao longo do século XVIII, David Hume (em especial em Dialogues Concerning Natural Religion) submeteu esses argumentos e evidências a uma crítica devastadora, tornando difícil, hoje, aceitar os argumentos e evidências que Newton apresentou sem lidar com a crítica de Hume.

Para finalizar, a expressão "ensinar x" (criacionismo ou evolucionismo) é ambígua. Ela pode significar:

a) Ensinar uma tese ou hipótese como se ela fosse verdade final e consumada (qualquer que seja a natureza da tese ou hipótese — até teses ou hipóteses tipicamente científicas podem ser ensinadas dessa forma)

b) Discutir, debater, analisar os méritos e deméritos epistêmicos de uma tese ou hipótese que pretende explicar determinado fenômeno.

Acho errado ensinar qualquer coisa no sentido “a”, seja a coisa ensinada religião, ciência, política ou qualquer outra coisa. 

Acho que ensinar no sentido “b” seja a única abordagem defensável em relação a qualquer assunto: religião, ciência, ou seja lá o que for.

O Ministério da Educação mais uma vez derrapa… Ele tomou posição no debate relativo ao ensino do criacionismo nas escolas do país afirmando que o criacionismo não deve ser apresentado em aulas de ciências, como fazem alguns colégios privados, em geral confessionais (ligados a uma crença religiosa), mas, sim, em aulas de religião…

Eis o que diz o MEC: 

"A nossa posição é objetiva: criacionismo pode e deve ser discutido nas aulas de religião, como visão teológica, nunca nas aulas de ciências", afirmou à Folha a secretária da Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar.

A menos que me engane redondamente, não creio que a briga dos criacionistas seja no sentido de que o criacionista seja ensinado como ciência nas aulas de ciências… O MEC se equivoca.

A briga dos criacionistas é no sentido de que, se o evolucionismo é ensinado como verdade, eles têm o direito de ensinar o criacionismo da mesma forma.

Naturalmente, criacionistas mais moderados estão plenamente dispostos a aceitar que tanto o evolucionismo como o criacionismo sejam discutidos e debatidos, os méritos e deméritos epistêmicos de cada um deles sendo analisado como teses ou hipóteses alternativas que pretendem explicar o mesmo fenôm
eno – uma, do ponto de vista da ciência, a outra, do ponto de vista da religião.

Congratulo Paulo Ghiraldelli por ter, no debate que está sendo realizado na lista EduTec.Net, enfatizado um elemento bastante importante em dois parágrafos, que cito (omitindo a parte final  do segundo parágrafo):

"Com isso, todo mundo poderá fornecer sua narrativa. Ah! Sim, sei sei. Os religiosos irão dizer: "ah! mas então nós vamos contar a história, que admite versões, e a ciência vai contar a verdade? Assim não vale". Ora, mas se o religioso pensa assim, que o evolucionismo, só porque está na aula de "ciências", deve ser tomado como verdade e o criacionismo, por estar na aula de religião, deve ser tomado como uma "parábola", um "mito" ou uma "versão", ele próprio, religioso, está conferindo à ciência um poder que ele, se fosse um religioso culto, não daria. A aula de ciências também lida com versões – por isso seria mais justo e honesto que pudéssemos falar em neolamarckismo nas aulas de ciências tanto quanto falamos de darwinismo."

"Todavia, podemos ser mais honestos ainda. Podemos ser justos. Então, recuperaríamos os transversalistas. Tiraríamos esse pessoal da quarentena e fundaríamos com eles espaços intermediários na grade curricular. Nesses espaços, poderíamos discutir, por exemplo, as inúmeras formulações filosófico-religiosas que acoplam teorias evolucionistas e religião. Na Igreja Católica, por exemplo, existe uma série de versões do projeto criacionista em que o projeto evolucionista é absorvido e respeitado, integrado mesmo. . . . "

Volto a falar eu…

Discordo um pouco do termo "narrativa" para se referir ao que, na realidade, é muito mais do que uma narrativa, se o termo é usado no sentido comum. Trata-se de teses, antíteses e sínteses apresentadas, em geral, com argumentos e evidências de razoável sofisticação. Mas, de resto, concordo plenamente.

Eis os textos da Folha de 13/12/2008:

Folha de S. Paulo
13 de dezembro de 2008

MEC diz que criacionismo não é tema para aula de ciências

Material didático do Mackenzie e Pueri Domus traz visão teológica no ensino fundamental

Segundo modelo, que se opõe à teoria da evolução desenvolvida por Charles Darwin, o Universo foi criado por um ser superior

FÁBIO TAKAHASHI

DA REPORTAGEM LOCAL

TALITA BEDINELLI

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O Ministério da Educação tomou posição no debate relativo ao ensino do criacionismo nas escolas do país. Para o MEC, o modelo não deve ser apresentado em aulas de ciências, como fazem alguns colégios privados, em geral confessionais (ligados a uma crença religiosa).

"A nossa posição é objetiva: criacionismo pode e deve ser discutido nas aulas de religião, como visão teológica, nunca nas aulas de ciências", afirmou à Folha a secretária da Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar.

Apesar do posicionamento, o MEC diz não poder interferir no conteúdo ensinado pelas escolas, pois elas têm autonomia.

Conforme informou o colunista da Folha Marcelo Leite no último dia 30, o colégio Mackenzie (presbiteriano) adotou neste ano apostilas que apresentam o criacionismo nas aulas de ciências nos anos iniciais do ensino fundamental.

Outras escolas, como as adventistas, por exemplo, praticam opção semelhante.

Teorias

Os criacionistas dizem que o Universo foi criado por um ser superior, assim como os seres vivos. Para eles, a vida é muito complexa para ter surgido sem intervenção sobrenatural.

Essa crença se opõe à teoria da evolução desenvolvida por Charles Darwin, presente nas diretrizes curriculares nacionais, segundo a qual todas as espécies provêm de um ancestral único -e, a partir dele, se diferenciaram, chegando à diversidade atual de seres vivos.

O entendimento do MEC é semelhante ao dos pesquisadores contrários ao criacionismo: o modelo não pode ser considerado teoria científica por não estar baseado em evidências (preceito tido como básico para se definir o que é ciência).

"[O ensino do criacionismo como ciência] é uma posição que consideramos incoerente com o ambiente de uma escola em que se busca o conhecimento científico e se incentiva a pesquisa", afirmou Pilar.

O presidente da Associação Brasileira de Pesquisa da Criação, Christiano da Silva Neto, tem entendimento diferente.

Para ele, como não há consenso sobre qual teoria está correta, "a maneira mais justa e honesta de lidar com a questão é apresentar ambos os modelos nas aulas de ciências, dando-se destaque aos pontos fortes e fracos de cada um".

Escolas

O criacionismo é ensinado no Colégio Presbiteriano Mackenzie desde 1870, quando a instituição foi fundada.

O conteúdo é abordado no sexto ano do fundamental -para crianças com idade por volta dos 11 anos-, assim como a teoria evolucionista.

Neste ano, no entanto, o colégio passou a adotar um novo material nos três primeiros anos do ensino fundamental. São apostilas com conteúdos didáticos convencionais, onde há a explicação criacionista, mas sem a teoria evolucionista.

Segundo o colégio, nessa idade (por volta dos oito anos) os alunos não estão preparados para aprender o darwinismo. O colégio anunciou que alterará o conteúdo das apostilas, abrandando o caráter religioso, mas manterá o criacionismo.

O Pueri Domus Escolas Associadas, uma rede laica que reúne 160 escolas no Brasil inteiro, algumas com orientação católica ou protestante, também apresenta o criacionismo nas aulas de ciências.

O conteúdo é exposto com o evolucionismo no oitavo ano do ensino fundamental das escolas. Para Lilio Alonso Paoliel-lo Júnior, diretor de conteúdo da rede associada, o objetivo é promover o debate.

"Negativo seria não deixar que a discussão acontecesse. É uma questão de posição pedagógica. O conteúdo é aceito por pais das escolas laicas e das religiosas", diz o diretor.

A visão também é defendida por Maria Lúcia Callegari, orientadora do colégio Santa Maria (zona sul de SP). "Quando falamos sobre o surgimento da vida, abordamos o criacionismo e o evolucionismo. Trabalhamos com pluralidade na ciência, para romper a idéia de uma verdade absoluta."

Na escola, o conteúdo é ensinado para os alunos do qu
into ano do ensino fundamental e, segundo ela, não há reclamação de pais por causa do conteúdo.

ENTREVISTA

Teorias devem ser dadas juntas, diz criacionista DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente da Associação Brasileira de Pesquisa de Criação, Christiano da Silva Neto, afirma que, enquanto não houver consenso, tanto o evolucionismo quanto o criacionismo devem ser dados nas aulas de ciências.

FOLHA – O criacionismo deve ser ensinado nas aulas de ciências nas escolas?

CHRISTIANO DA SILVA NETO – Melhor seria perguntar: "Por que estudar as origens?". Todas as culturas demonstram interesse por isso. Conhecendo as origens das espécies, do Universo, pode-se explicar o que ocorre no presente.

Os cientistas evolucionistas entendem que seu modelo é o que corretamente explica as origens do Universo e da vida, enquanto os cientistas criacionistas entendem que o seu modelo é o correto.

FOLHA – O que o sr. acha de ensinar tanto o criacionismo quanto o evolucionismo?

SILVA NETO – Há muitos pontos dogmáticos, tanto no modelo evolucionista quanto no criacionista.

A grande maioria dos homens de ciência, hoje, é de evolucionistas, mas vem crescendo o número de cientistas criacionistas.

Enquanto o consenso não existir, a maneira mais justa e honesta de lidar com a questão é apresentar ambos os modelos nas aulas de ciências, dando destaque aos pontos fortes e fracos de cada um.

FOLHA – Para os críticos, criacionismo não é ciência.

SILVA NETO – É uma acusação injusta, derivada da falta de conhecimento. O criacionismo aponta para a existência de um agente externo ao Universo, que teria sido a sua causa. A ciência não tem, ao menos hoje, capacidade para investigar algo fora dos limites do Universo. Portanto, esse agente está fora dos limites da ciência.

ENTREVISTA

Ciência não usa crença como base, diz bióloga DA REPORTAGEM LOCAL

A bióloga Rute Maria Gonçalves de Andrade, diretora da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), diz que "de forma nenhuma" o criacionismo pode ser ensinado em aulas de ciências. Isso porque, afirma, "falta tudo" para que essa linha seja considerada ciência.

FOLHA – O criacionismo deve ser ensinado nas aulas de ciências nas escolas?

RUTE MARIA GONÇALVES DE ANDRADE – De forma nenhuma, pois não é conhecimento científico.

Ninguém pode fazer, por exemplo, um experimento para provar a existência de Deus. E fazer experimentos é uma das bases da ciência.

Na ciência, não se pode usar como base a crença. Não posso dizer que um animal está em extinção porque eu simplesmente creio nisso. Na ciência, tem de haver método, o que os criacionistas não conseguem fazer.

FOLHA – O que a sra. acha de escolas que ensinam, juntos, evolucionismo e criacionismo?

ANDRADE – Também acho errado. Claro que um aluno pode questionar sobre o criacionismo, mas o professor deve estar preparado para dizer que isso não é conhecimento científico.

FOLHA – Mas os criacionistas vêem falhas e criticam a teoria evolucionista.

ANDRADE – É um absurdo.

Obviamente a teoria da evolução ainda não se esgotou, mas o que foi descoberto até agora foi pautado por métodos científicos. Quando se publica em revista científica, a metodologia é rigorosa e os procedimentos devem ser passíveis de reprodução.

Para o criacionismo, falta tudo isso. Apresentar esse modelo aos alunos é um prejuízo, pois ele ficam impedidos de ver o que é o conhecimento científico.

Haddad reclamou de apostila, usada por sua filha DA REPORTAGEM LOCAL COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A polêmica acerca do ensino do criacionismo nas aulas de ciências envolveu pessoalmente o ministro da Educação, Fernando Haddad. A filha dele de nove anos estuda na unidade de Brasília do Mackenzie, que adotou o material -desenvolvido pela instituição- com conteúdos criacionistas.

Segundo a Folha apurou, no início do ano letivo, Haddad percebeu que o modelo estava presente no material didático da filha e, irritado, foi reclamar com a direção do colégio.

A escola confirma que um grupo de pais procurou a unidade, incluindo o ministro. Afirma, porém, que a principal reclamação era a falta de revisão do material, que possuía erros gramaticais.

As apostilas foram utilizadas por uma semana, no início do ano letivo. Após os protestos, foram retiradas de circulação e substituídas por livros didáticos comuns. O mesmo material, porém, continuou a ser utilizado em São Paulo.

"A unidade de São Paulo passou pela revisão, mas os livros não foram retirados porque eles preferiram fazer a errata. A sociedade de Brasília é mais exigente", diz a diretora do Mackenzie de Brasília, Sandra Maria de Paiva.

No ano que vem, as apostilas revisadas voltarão a ser usadas na unidade de Brasília. Mas a implementação será gradativa. Em 2009, só o primeiro ano do fundamental a utilizará. Em 2010, elas também serão usadas pelo segundo ano e assim sucessivamente, até que todas as séries tenham o material.

Pelo sistema, caso a filha do ministro, que irá para o terceiro ano, continue na escola, ela não estudará com as apostilas do sistema Mackenzie.

A Folha procurou o ministro, mas sua assessoria informou que ele está de férias.

Em São Paulo, 14 de Dezembro de 2008

  1. Se pudessemos classificar textos tais como fazemos com tempos verbais, so haveria uma classifciação para este seu post: "Artigo mais que perfeito"

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  2. Parabéns pelo Blog!!! Eu penso o seguinte: 1) O criacionismo é derivado da bílbia! (Por mais que alguns criacionistas tentem esconder). De onde eles tiraram a ideia que a terra não tem mais de 10 mil anos e que ouve um dilúvio? Não foi da Bília? Ou é coicidência? Quias foram os testes e os métodos envovidos na busca da comprovação dessa tese? De onde assa tese foi tirada? A verdade é que: Isso é uma tese oriunda da religião Cristã !!!!!!!!!! Mais por que os criacionistas tentam negar? R.: Por que se o Cirstianismo tem direito a sua tese, as outras religiões também tem!!!! E se assim fosse? Imagina quantas teses criacionistas iriam ter que ser ensinadas nas escolas? Eu penso que não devemos confundir: Estado LAICO com estado POLITEISTA.

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  3. Li seu blog e reli (quer dizer ler novamente) e percebo que você fala, escreve, transcreve e que no final de sua matéria não teve fundamento ou conclusão nenhuma para o argumento que estava sustentando. Você fala pelos outros (autores) e cita trechos (um texto fora de contexto se torna pretexto).Me perdoe mas você falou, falou (ou melor escreveu) e não disse nada!A pergunta que não quer calar: _ Você acha que o evolucionismo é científico? – te provo que não!

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  4. Pingback: 1 – BREVE HISTÓRICO DO CRIACIONISMO. SUA ASCENSÃO E QUEDA. « NetNature

  5. mas é, no mínimo, falta de educação achar que ensinar mitologia cristã como ciência vai trazer algo de útil para quem quer que seja….

    o tal criacionismo (ou design inteligente, tanto faz, é tudo a mesma coisa… e putz… inteligente em que?) não é aquele que jura que a terra tem 6000 anos de idade (terra nova), mesmo diante da existência de fósseis HUMANOS com mais de 20.000 anos (como o povo clóvis, por exemplo)? não é aquele que seus seguidores dizem absurdos do tipo “homem e dinossauro viveram juntos”, como tentativa RIDÍCULA para justificar o injustificável, sem se preocupar em apresentar NENHUMA EVIDÊNCIA OU PROVA daquilo que juram ser fato?

    não é o tal criacionismo que jura de pés juntos que o homem foi feito do barro, apesar da completa ausência de qualquer tipo de composto presente no barro, na composição química do homem? nem o homem moderno, ou qualquer de seus ancestrais, JAMAIS apresentou qualquer coisa parecida com o barro em sua composição química… e você quer ensinar essa MENTIRA DESCARADA como ciência em escolas? como filosofia? filosofia do que? vamos então ensinar “o silmarílion” como ciência/filosofia também? afinal de contas, o simarílion também nos brinda com uma emocionante cosmogenese.

    não é a blíblia (base do criacionismo e do design inteligente) quem apresenta a terra como centro do universo (?), que versa sobre nefilins (gigantes) e dilúvios que nunca existiram (gilgamesh revised?); e que possui mais de 30.000 diferentes versões de seus capítulos e versículos, nos MILHARES de diferentes pergaminhos manuscritos que serviram de base para seu formato atual? você duvida? leia então o livro “o que jesus disse, o que jesus não disse” de um TEOLOGO chamado Bart Ehrman e salve sua mente da estupidez e do estelionato “em nome de deus”…

    o tal design inteligente de michael behe não é aquele que, ao invés de apresentar uma teoria (sustentada por evidências e fatos, é claro) para explicar a orígem das espécies, se preocupou UNICAMENTE em procurar falhas na seleção natural de Darwin e tentar se valer disso para gritar aleluia senhor g-zuis?

    isso, se levarmos em conta o fato de que uma TEORIA CIENTÍFICA SÉRIA deve apresentar evidências/fatos que sustentem a argumentação, além de apresentar métodos para que os resultados possam ser testados novamente por outros (falseabilidade), temos então que o design inteligente nem teoria é, já que behe não se preocupou muito com tais “detalhes”… e, assim sendo, o design inteligente pode ser classificado, não como teoria, mas sim como piada de crente… e, aliás, uma piadinha bem sem graça…

    nem o tal flagelo rotor bacteriano é uma prova de complexidade irredutível, o que quebra as pernas do design inteligente, já que o tal “argumento” da complexidade irredutível como sendo prova do erro de Darwin, seria sua única tentativa de falar de ciência, ao invés de religião…

    diante dessa pilha de bizarrices e ataques ao bom e velho raciocínio, eu pergunto: baseado em que deveríamos ensinar bíblia como sendo explicação para qualquer coisa referente à orígem do universo e suas consequências?

    quer ensinar mitologia nas escolas? que tal então ensinarmos a mitologia africana? ela é tão mentirosa e fantasiosa quanto à mitologia cristã… então, porque essa predileção pelo mito romano (maldito constatino)? algum problema com mitos “afrodecendentes”?

    se sua resposta é sim, isso é preconceito, e preconceito é crime previsto por lei… mas, pensando bem, estelionato também é, e CRIMINOSOS ESTELIONATÁRIOS como macedão, malafaia e casal renascer continuam livres por ai… livres, até mesmo, da pesada carga tributária lançada contra aqueles que segem o estúpido caminho de ser correto, num país que adora picaretagem, falcatruas, e mitos que rendam bom fimes em hollywood (sim, eu me amarro nos “10 mandamentos” com o Charlton Heston)….

    filosofia? mesmo?

    espero que deixe meu post ser publicado…

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  6. dizer que uma escola ligada a uma igreja tem o direito de ensinar o criacionismo também eu até concordo. mas uma escola pública, bom, já vamos entrar de novo naquela discussão de estado laico de direito, que católico fervoroso, evangélico e fundamentalista islâmico não entendem nunca!

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  7. Pingback: Os Views dos Meus Artigos Aqui, « Liberal Space: Blog de Eduardo Chaves

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