Desemprego, Informática, Sorte e Azar

[O artiguinho abaixo foi escrito em 1995 (há cerca de doze anos, portanto) e foi publicado na época em vários jornais do interior paulista. Na ocasião eu era presidente de uma rede de franquias de escolas de informática. (O seu conteúdo, especialmente no final, deixa evidente o objetivo marketeiro do artigo…). Resolvi compartilha-lo aqui porque seu conteúdo é parcialmente relevante para o site VMC que eu criei: visão, motivação e competência.]

o O o

O sucesso dos outros, geralmente o atribuímos à sorte (o nosso próprio, em regra o vemos como produto de competência e esforço); pelo infortúnio próprio, geralmente culpamos o azar (comumente atribuindo a seus erros e falhas a desgraça dos outros)…

No entanto, na maior parte das vezes, a sorte e o azar têm pouco que ver com, respectivamente, o sucesso dos outros e os infortúnios que temos pela frente. Vou procurar esclarecer esse assunto discutindo uma questão preocupante no momento atual no Brasil: o desemprego e o papel que a informática está desempenhando no processo.

Desemprego Conjuntural e Estrutural

Os economistas distinguem dois tipos de desemprego.

O desemprego conjuntural depende da conjuntura, isto é, da situação do momento. Ele é visto como decorrente de algo anormal que acontece num determinado momento (uma grande seca, chuva demais, recessão econômica, etc.). Acredita-se que, passada a anormalidade, o nível de emprego também voltará ao normal.

O desemprego estrutural acontece em função de mudanças definitivas na própria estrutura da sociedade. A automação dos processos produtivos na indústria e nos serviços é uma mudança definitiva na forma de produzir bens e prestar serviços das sociedades modernas. Por isso, o desemprego que está sendo causado por essa automação está aqui para ficar. A única solução para quem ficou desempregado em função de mudanças estruturais na sociedade é se (re)qualificar ou (re)capacitar.

A Informática e a Automação Industrial

Até o início deste século, a maior parte das pessoas trabalhava na agricultura. Depois, a agricultura foi se automatizando e hoje, nos países desenvolvidos, apenas cerca de 2% das pessoas economicamente ativas trabalha na agricultura. Algo semelhante está acontecendo hoje na indústria. A força motriz da automação industrial, que no passado já foi mecânica e elétrica, é hoje eletrônica – mais precisamente, eletrônico-digital: o computador. Analistas estimam que por volta do ano 2015 o percentual da força de trabalho dos Estados Unidos que estará atuando no setor industrial estará próximo dos 2% que hoje atuam no setor agrícola.

Essa enorme redução da força de trabalho na indústria não significa que os países em que isso está acontecendo deixarão de ser potências industriais. Os Estados Unidos, por exemplo, continuarão sendo uma potência industrial da mesma forma que continuaram sendo uma potência agrícola. O que diminuirá é o número de pessoas, em termos relativos e absolutos, que será necessário para gerar a produção. Isso significa que haverá sério desemprego estrutural no setor industrial americano nos próximos anos – como, de resto, vem acontecendo nos últimos trinta anos. E o que acontece lá, geralmente acontece aqui, logo depois.

No total, provavelmente aumentará a oferta de trabalho: os 95% da força de trabalho americana que não estarão nem na agricultura nem na indústria por volta do ano 2015 estarão trabalhando no setor de serviços: lidando com pessoas e com informações. (E aqui o computador é mais importante do que na indústria!)

Pior cego, diz o ditado, é o que não quer ver. Em pleno limiar do século XXI, há pessoas que não vêem que o computador está roubando seu emprego e, por isso, não pensam em aprender a usar o computador. A única solução para quem está ficando desempregado em função de mudanças estruturais na sociedade é se (re)qualificar ou (re)capacitar. E a (re)qualificação ou (re)capacitação passa, hoje, necessariamente, pela informática. Se você trabalha com algum processo que vai ser automatizado através da informática, você tem três alternativas:

  • Ou você reaprende a realizar o processo usando o computador;
  • Ou você vai fazer alguma outra coisa (mas quase tudo hoje envolve o computador);
  • Ou, então, você vai ficar desempregado.

Não há outra alternativa. O bancário de hoje, por exemplo, ou ele aprende a lidar eficaz e eficientemente com o computador, ou muda de ramo (vai ser balconista?), ou vai fatalmente ficar desempregado. Se não fizer nada, quando o desemprego chegar, vai dizer: “Que azar!”. E vai olhar para os que trabalham bem com o computador, e estão bem empregados, e dizer: “Caras de sorte, estes!”

Sorte e Azar

As oportunidades e os maus momentos passam diante de todos nós de forma basicamente igualitária. O que torna uns bem sucedidos e outros fracassados é que eles fazem das oportunidades e dos maus momentos que passam diante deles.

Os bem sucedidos geralmente aproveitam as oportunidades, através de escolhas bem feitas e decisões bem tomadas e, porque estão esperando por elas, ou, melhor, porque estão procurando por elas e preparados para fazer uso delas quando as encontrarem, e não se deixam abalar pelos eventuais maus momentos.

Os que fracassam geralmente não aproveitam as oportunidades, porque não as procuram, porque não estão esperando por elas quando elas de repente aparecem, e porque, se trombarem com elas, não estão preparados para delas fazer bom uso.

“Esperar”, disse Geraldo Vandré, “não é saber”. Em palavras inspiradas, ele sentenciou: “Quem sabe, faz a hora, não espera acontecer”. Muitos, hoje, estão lendo e ouvindo notícias de desemprego, e esperando. Esperando o quê? A hora de chegar o azar.

Quem sabe, entretanto, não espera acontecer: toma a iniciativa e proativamente vai e faz. Mesmo uma grande jornada começa com um primeiro passo. O primeiro passo do “ir e fazer”, no momento, é aprender a usar o computador. Poucas coisas são tão certas quanto a predição de que, mais cedo ou mais tarde, você terá que usar um computador – ou ficar desempregado.

Portanto, vá e faça um bom curso de informática: você estará investindo no seu futuro e se preparando para ir atrás de sua sorte e agarrá-la pelos cabelos, quando a encontrar.

Escrito em 1995 e transcrito aqui em Washington, 7 de Setembro de 2007 (esperando o avião para São Paulo)

  1. Pingback: Os Views dos Meus Artigos Aqui, « Liberal Space: Blog de Eduardo Chaves

  2. Pingback: Dia de Ação de Graças / Thanksgiving Day (em comemoração do dia que está chegando) « * * * In Defense of Freedom * * * Liberal Space

  3. Pingback: Top Posts of this Blog for all time ending 2014-04-14 with number of views « * * * In Defense of Freedom * * * Liberal Space

  4. Pingback: Top Posts of this Blog for all time ending 2014-04-14 with number of views « * * * In Defense of Freedom * * * Liberal Space

  5. Pingback: Dia de Ação de Graças | Vitor Chaves de Souza

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: