Good-bye, Hanoi

Daqui umas doze horas estarei voando, espero, daqui de Hanoi para Seoul — de onde irei para Chicago e, em seguida, para São Paulo. Finalmente, home, depois de onze dias aqui em Hanoi e mais dois em viagem.

Para ser franco, detestei a cidade. Não fosse o cruzeiro pela Ha Long Bay, a viagem teria sido uma desgraça total do ponto de vista turístico.

Sempre me gabei do fato de que, precisando, seria capaz de morar em qualquer lugar do mundo (dos que eu conheço). Não tenho, por exemplo, dificuldade de me imaginar morando em Cingapura, ou Seoul, ou Taipei, ou Hong Kong, ou até mesmo na em grande parte muçulmana Kuala Lumpur. Mas aqui em Hanoi encontrei o meu limite.

Não consegui sair na rua andando aqui — exceto ao redor do hotel. Não teria coragem de atravessar uma rua movimentada. Saí de taxi ou ônibus especial várias vezes, mas o que vi simplesmente confirmou a minha decisão de não sair andando — e olhem que adoro andar: em Janeiro, em Seoul, com um frio de rachar, andei pelas ruas, zanzando de lá para cá, durante cerca de seis horas, conhecendo as vizinhanças, tirando fotos. Aqui, como se dizia antigamente, neca de piribitibas. A viagem de taxi até Ha Long foi um tormento: parecia que um ônibus ou um caminhão ia passar por cima da gente a qualquer momento. Nosso motorista era calmo e competente, mas mesmo assim foram quase quatro horas de sobressaltos. Chegando no barco, encontramos um colega de cruzeiro, americano, com o crânio todo remendado: o chofer do taxi dele, dias antes, havia dormido no volante, saído da estrada e arrebentado o carro numa árvore.

Além do mais, a cidade é feia, não tem comércio senão do tipo de mercado de rua, feira livre… Não soube de nenhum shopping agradável por aqui que atraia turistas.

Restaurantes, até que há bons. Mas chegar lá é um problema. Nos últimos dias comi aqui no hotel mesmo, onde há um excelente restaurante (The Hemispheres), com comida de primeira e não tão cara. Comi três dias seguidas o mesmo prato: salmão grelhado com arroz frito com legumes. Imbatível. Mas a melhor coisa foi não ter de sair à rua para jantar.

Meu amigo Les Foltos é mais aventuroso do que eu. Ontem e hoje saiu durante o dia. Ontem foi visitar o famoso “Hanoi Hilton”, que nada mais é do que uma cadeia onde os franceses prendiam os vietnamitas e onde estes, depois, prendiam os americanos. Coisa deprimento. Só um americano meio de esquerda com a consciência ainda meio molestada pela guerra do Vietnam pode querer ir lá. De lá andou pelas ruas, comprando camisas de seda em lojas populares locais. Hoje, saiu de novo. Corajoso. Dou a minha mão à palmatória: eu nesse aspecto sou covarde. Prefiro ficar aqui no quarto trabalhando, vendo TV, beliscando um salgadinho, tomando uma cerveja (Carlsberg, da Dinamarca — excelente).

Nada da minha antipatia se deve ao fato de que o país é (ainda) comunista. Apesar de a economia ser em grande parte capitalista, o regime político é comunista. Vejamos até quando.

Enfim, estou contente de voltar para casa. No mês que vem (daqui a três semanas) estarei me sentindo bem melhor em Taiwan, onde me sinto em casa.

Em Hanoi, 14 de Abril de 2008

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