Lugares que eu conheço que são Patrimônio Cultural da UNESCO

Abaixo, a lista dos lugares que já tive o privilégio de conhecer que são designados como Patrimônio Cultural da UNESCO.

Ajudou-me a elaborá-la o site http://www.takingitglobal.org (dos meus amigos Michael Furdyk e Jennifer Corriero):

[x]  Austria, Historic Centre of the City of Salzburg
[x]  Austria, Historic Centre of Vienna
[x]  Austria, Palace and Gardens of Schönbrunn
[x]  Austria, Wachau Cultural Landscape
[x]  Brazil, Atlantic Forest South-East Reserves
[x]  Brazil, Brasilia
[x]  Brazil, Historic Centre of Salvador de Bahia
[x]  Brazil, Historic Centre of São Luís
[x]  Brazil, Historic Town of Ouro Preto
[x]  Brazil, Pantanal Conservation Area
[x]  Canada, Historic District of Québec
[x]  Chile, Historic Quarter of the Seaport City of Valparaíso
[x]  China, Historic Centre of Macao
[x]  China, Imperial Palaces of the Ming and Qing Dynasties in Beijing and Shenyang
[x]  China, Imperial Tombs of the Ming and Qing Dynasties
[x]  China, The Great Wall
[x]  Cuba, Old Havana and its Fortifications
[x]  Czech Republic, Historic Centre of Český Krumlov
[x]  Czech Republic, Historic Centre of Prague
[x]  Ecuador, City of Quito
[x]  Finland, Suomenlinna, Viapori-Sveaborg in Helsinki
[x]  France, Historic Centre of Avignon
[x]  France, Paris, Banks of the Seine
[x]  France, Strasbourg – Grande île
[x]  Greece, Acropolis, Athens
[x]  Israel, Masada
[x]  Israel, Old City of Jerusalem and its Walls
[x]  Italy, Assisi, the Basilica of San Francesco and Other Franciscan Sites
[x]  Portugal, Cultural Landscape of Sintra
[x]  Portugal, Historic Centre of Évora
[x]  Portugal, Historic Centre of Guimarães
[x]  Portugal, Historic Centre of Oporto
[x]  Portugal, Monastery of Alcobaça
[x]  Portugal, Monastery of Batalha
[x]  Portugal, Monastery of the Hieronymites and Tower of Belém in Lisbon
[x]  Turkey, Historic Areas of Istanbul
[x]  United States, Independence Hall
[x]  United States, La Fortaleza and San Juan Historic Site in Puerto Rico
[x]  United States, Monticello and the University of Virginia in Charlottesville
[x]  United States, Statue of Liberty
[x]  Vatican, Historic Centre of Rome, the Properties of the Holy See in that City Enjoying Extraterritorial Rights and San Paolo Fuori le Mura
[x]  Vatican, Vatican City

Em Lisboa, 07 de Janeiro de 2011

Fusos horários

Estamos agora naquele interregno em que os países / as regiões ao Sul do Equador que praticam o Horário de Verão já saíram dele, e os países / as regiões ao Norte do Equador que praticam o Horário de Verão ainda não entraram nele.

Se você viaja bastante, ou tem clientes / contatos ao redor do mundo, é bom saber que horas são nos diferentes países / nas diferentes regiões do mundo.

Abaixo, uma tabela que elaborei para usar com o meu KybTec clock, que permite exibir até mais de 24 relógios na tela. Eu tenho 25 relógios na tela, um em cada um dos 24 fusos horários (começando e terminando com São Paulo).

Pode ser útil.

CIDADE          HORA     GMT    PAÍS

01-São Paulo    00:00    -03    Brazil
02-Noronha      01:00    -02    Brazil
03-Cape Verde   02:00    -01    Portugal
04-London       03:00     00    England
05-Paris        04:00    +01    France
06-Jerusalem    05:00    +02    Israel
07-Moscow       06:00    +03    Russia
08-Yerevan      07:00    +04    Armenia
09-Karachi      08:00    +05    Pakistan
10-Dacca        09:00    +06    Bangladesh
11-Hanoi        10:00    +07    Vietnam
12-Beijing      11:00    +08    China

13-Tokyo        12:00    +09    Japan
14-Brisbane     13:00    +10    Australia
15-Sydney       14:00    +11    Australia
16-Fiji         15:00  +/-12    Fiji Islands
17-Auckland     16:00    -11    New Zealand
18-Honolulu     17:00    -10    US
19-Juneau       18:00    -09    US
20-Seattle      19:00    -08    US
21-Denver       20:00    -07    US
22-Chicago      21:00    -06    US
23-New York     22:00    -05    US
24-Saint John   23:00    -04    Canada

25-São Paulo    24:00    -03    Brazil

Em São Paulo, 3 de Março de 2010

Será que terminou o dilúvio na Serra da Mantiqueira?

Faz uma semana que estamos aqui no Lageado, bairro “rururbano” de Santo Antonio do Pinhal, perto de Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira. E, até anteontem, choveu todo dia. Quase o dia inteiro. E à noite. Também, inteira. Parecia que um novo dilúvio estava em curso. Sem arca, porém, e sem animais; talvez porque não houvesse nem sequer um Noé por aqui… Ontem o sol reapareceu e hoje se sustentou – embora tenha caído um chuvisco há pouco.

O lugar é paradisíaco. Faz lembrar o Éden – mas invocar o Éden, nas circunstâncias, acabará me levando a confundir os personagens da história bíblica: Adão e Noé. O primeiro, segundo reza a tradição, chegado a uma maçã; o outro, ao vinho da uva… (Bebeu tanto que deixou que os seus filhos o vissem nu).

[Nota (não solicitada, porém autorizada) da Paloma: Embora a tradição reze que a fruta oferecida pela serpente a Eva, e posteriormente oferecida por Eva a Adão, seja a maçã, não existe nenhuma evidência bíblica que confirme essa informação. Na verdade a passagem bíblica apenas faz referência ao fruto de uma árvore que ficava no centro do jardim. É mencionado, ainda, que a árvore era boa para se comer e agradável aos olhos, mas não é feita nenhuma referência a que tipo de fruto se tratava. No contexto deste artigo essa informação não tem a menor relevância, mas não gostaria que os leitores mais atentos deste Blog pensassem que o autor desconhece esse fato…]

Voltando ao presente, estamos hospedados numa casa do passado, chamada Casa Centenária – porque foi construída em 1906.

DSC09150

É uma casa de pau a pique – mas os paus e o barro estão hoje escondidos por trás de uma camada de reboco (exceto num pequeno espaço perto da mesa de jantar em que o reboco foi removido e se vê a construção original, protegida por um vidro, como se fosse um quadro na parede…). Assim:

DSC09000

O assoalho é velho – parece original. Mas o resto foi modernizado. Há luz elétrica, TV por parabólica, aquecedor de água a gás… E há uma lareira, pequena mas acolhedora, na sala. (O bom da região é que mesmo no verão, à noite, faz frio o suficiente para acender a lareira…)

DSC09021

O local em que a casa se encontra é lindo. É o vale que se vê lá de cima, do Mirante, quando se está chegando a Campos do Jordão.

DSC09117

Quem ainda não olhou esse vale lá de cima não sabe que está deixando de ver uma das maravilhas do mundo: o local em que estamos… Ao redor da casa há um laguinho, com um chafariz permanentemente ligado, que faz um barulho de chuva à noite (como se precisasse, nos últimos tempos…). Na cozinha há tudo o que se pode esperar em uma “pousada de uma família só” – inclusive um fogão de lenha…

DSC09208

Embora não seja literalmente uma pousada (só uma família pode alugar a casa de cada vez), há arrumadeira, que limpa a casa todo dia, etc.

Fora há forno de lenha para pizza, churrasqueira, piscina, cadeiras gostosas para a gente sentar – e ver a chuva… 😦 

E, para nos proteger, há a Branca, uma cachorra linda e amiga. Quando saímos para andar (como o fizemos no sábado cedo, indo para a Sorveteria Eisland, a 3 km daqui, para tomar um sorvete, ela nos acompanha…

DSC09264

Da casa até Santo Antonio do Pinhal é um puilinho: 8 km – mas as estradas são de terra e a chuva as tem deixado em estado lamentável. É possível encurtar a parte de terra do percurso, mas dando uma volta enorme pela rodovia SP-50, que vai de Campos do Jordão para São Bento do Sapucaí e o Sul de Minas. Para ir de Santo Antonio do Pinhal até Campos do Jordão há dois caminhos: a própria SP-50 ou a SP-46, que liga a cidade à SP-123, que começa onde termina a Rodovia Carvalho Pinto e vai até Campos do Jordão.  Leva menos de meia hora. Em outro post vou falar de Santo Antonio do Pinhal – uma delícia de cidade, com apenas seis mil habitantes.

O que fazemos por aqui? Damos formação para os professores das duas escolas Lumiar do local: uma mais antiga, municipal, conveniada com o Instituto Lumiarl a outra, uma escola bilíngüe, que começa a funcionar agora (amanhã, na verdade).

DSC09041

Devemos ficar aqui até quarta-feira que vem, dia 4/2.

No Lageado, em Santo Antonio do Pinhal, 1 de Fevereiro de 2009

Seattle: a beleza deste lugar

Conheço muitos lugares no mundocom incrível beleza natural: o Rio de Janeiro, visto do alto, e compreendendo a Baía da Guanabara, o Corcovado, e o Pão de Açúcar é um deles; San Francisco, do alto da Lombard Street, e compreendendo a Baía de San Francisco, Fisherman’s Wharf, Golden Gate Bridge, Alcatraz e Sausolito, é outro. Mas cada vez me convenço mais de que nenhum se compara com Seattle – especialmente a Seattle vista do alto de Bellevue, ali do morro em que está localizada a Forest Ridge School of the Sacred Heart. A vista compreende não só todo o skyline de Seattle, mas boa parte de Lake Washington, Murrow Bridge (na Rodovia 90), a ponte da Rodovia 520 (que leva até Redmond, sede da Microsoft). Se for possível chegar mais alto, em algum lugar privilegiado, é possível ver, além da cidade, a Puget Sound Bay e a Elliott Bay, e, em um dia limpo, como hoje, o majestoso Mount Rainier, já (ou ainda?) coberto de neve – apesar de nem o Outono haver ainda chegado…

Da janela do meu quarto aqui no Hyatt Regency em Bellevue também tenho uma vista impressionante: vejo um pedaço do Lake Washington, às margens do qual Bill Gates tem sua casa, e, atrás, um pôr do sol impressionante, cheio de avermelhados fortes, entremeados de amarelo e azul, com um ameaço de lua em cima e as luzinhas piscantes dos aviões que descem e sobem no aeroporto de Seattle – Tacoma (SeaTac), lá longe. Dá pra ver também as luzinhas dos carros cruzando a Murrow Bridge.

Bellevue, em 4 de Setembro de 2008 (no Brasil, já dia 5/9)

Jennifer Tong

Estou voltando mais uma vez de Taiwan. Desta vez rodei bastante: Taipei, Sun Moon Lake, Taichung, Changhua, Hsinchu e Taipei de novo. Gostei muito de Sun Moon Lake — mas vou deixar para escrever sobre o local — a mais visitada atração turística de Taiwan — uma outra hora.

Aqui quero prestar uma homenagem a uma pessoa extremamente interessante que conheci: Jennifer Tong, “my personal tour guide” durante a viagem a Sun Moon Lake. No ano passado, quando visitei Hualien e o Taroco State Park, fui com um “personal tour guide”. Mas ele não falava muito bem o Inglês e, aqui entre nós, não tinha um papo interessante. Desta vez, porém, saí premiado. Esperava na frente do hotel The Tango, em Taipei, quando chegou uma senhora pequena, magrinha, com idade próxima da minha, com cabelo de trancinhas, como o cabelo de meninhas, só que coberto com um pano, ao estilo das camponesas que trabalham ao sol. Seus dentes, amarelados e todos fora de linha. Carregava apenas uma sacolinha de plástico e uma bolsa. Era minha guia. Atrasada quase meia hora. Minha primeira reação foi mais ou menos um “Ai, meu Deus, o que foi que me arrumaram desta vez?”… Mas quando ela falou comigo, desculpando-se pelo atraso, tive minha primeira surpresa: seu Inglês era perfeito, com um leve sotaque britânico… Entrei no taxi com ela e começamos a conversar — e foi surpresa atrás de surpresa…

Seu nome era Jennifer Tong.

Ainda no carro perguntei a ela onde havia aprendido o Inglês. Ela disse: “O senhor provavelmente não vai acreditar”. Eu lhe disse, naturalmente, que não imaginava por que não iria acreditar no que ela me dissesse… Mas eu estava errado. A história foi longa. Quando percebi que seria longa, perguntei a ela quanto tempo tínhamos para pegar o trem — ela havia chegado com cerca de meia hora de atraso. Ela me disse: “Temos várias opções. Não devemos nos estressar. Há um trem às 8h45, que acho que já perdemos. Mas há outro às 9h05, outros às 9h30… Não temos problema. Além disso, nosso roteiro e nossos horários somos nós que fazemos. Portanto, fique tranqüilo. Disse OK e continuei a ouvir a história dela. Nasceu em Taipei e, segundo me disse, nunca saiu de lá a não ser para uma rápida viagem a Cingapura, acompanhando uns comerciantes de flores. Só estudou Inglês no Ensino Médio, três anos — e o pai era seu professor. Aprendeu bastante com ele, me disse, mas o seu domínio da língua inglesa não vinha daí: vinha de uma vida anterior. Em uma prévia encarnação, me garantiu, havia vivido na Inglaterra — mais especificamente, em Cambridge.

Parou, tomou fôlego, e me perguntou: “O senhor acredita?”

O que é que um cético como eu diz numa hora dessas sem ser deselegante? Tentei sair pela tangente e lhe disse algo assim: “Não tenho razão nenhuma para duvidar de você e tenho certeza de que você acredita no que está me dizendo”. Mas ela não deixou por menos: “Mas o senhor acredita que aquilo que eu estou dizendo é verdade?” Não tive saída. Disse-lhe que não acreditava na reencarnação e que, portanto, achava muito difícil acreditar na história dela. “Mas, então”, continuou ela, “como o senhor explica o meu Inglês?”. Disse-lhe que não tinha a menor idéia de como explicar — mas que tinha de admitir que o Inglês era perfeito e tinha um leve sotaque britânico.

Ela continuou a sua história. A essas alturas já havíamos chegado à estação ferroviária, tomado o trem de alta velocidade, e estávamos cruzando a costa leste de Taiwan, rumo a Taichung.

Desde criança, continuou ela, sonhava com um determinado lugar. Explicou-me em detalhes o lugar, o estilo das casas, sua cor, as árvores, uma taverna, o dono da taverna, as bebidas que havia atrás do balcão, etc. Sempre tinha esse sonho. Quase toda noite. Tanto que contou o sonho para as amigas mais chegadas, que ficaram tão familiarizadas com o lugar virtual como ela mesma…

Um dia, me disse, uma amiga dessas amigas suas voi passear pela Inglaterra e, na volta, lhe disse: “Você tem de ver isso” — e lhe mostrou fotos de Cambridge, idênticas, nos mínimos detalhes, a tudo que ela via em seu sonho recorrente… Para Jennifer, não podia haver outra explicação: em vida anterior, havia sido vivido em Cambridge, e, por isso, conhecia tão bem a cidade, apesar de nunca ter estado lá. E por isso falava tão bem o Inglês, apesar de ter estudado pouco e de nunca ter vivido, ou mesmo ido passear, em países que falavam Inglês, exceto, naturalmente, Cingapura, onde se fala um Inglês bastante diferente do falado em Cambridge…

Como essa, houve outras histórias, sempre interessantes. O tempo passou rápido. Para tudo ela tinha uma explicação. E eu não tinha como verificar se as explicações eram verídicas — mas nem tinha interesse em fazê-lo. As histórias eram suficientemente interessantes em si mesmas, ainda que fictivas.

Em Chicago, 17 de Maio de 2008

Free flow of consciousness

São 20h, horário de Tóquio — 8h, horáro do Brasil. O dia é 15/4, terça-feira, o ano é 2008, em ambos os lugares. Estou no vôo UA 884 da United, que me leva de Tóquio para Chicago.

Desde criança me fascino com o fato de que o Brasil (Leste – São Paulo, Rio) e o Japão estão exatamente doze fusos horários a parte. São Paulo fica três horas atrás do horário do meridiano de Greenwich — ou GMT -03, GMT querendo dizer Greenwich Meridian Time. Tóquio fica nove horas na frente do horário do meridiano de Greenwich — ou GMT +09. Ao todo, doze fusos horários separam as duas cidades. Sempre achei curioso que, quando era meio-dia em São Paulo, já fosse meia-noite em Tóquio — ou seja, que quando estivéssemos almoçando em Santo André (cidade em que cresci, na Grande São Paulo) os toquianos já estivessem entrando num novo dia, provavelmente em pleno sono. No meu imaginário infantil a idéia se alimentava de que os japoneses eram o oposto de nós — idéia que, em seu extremo, resultava na imagem de que, se a gente cavasse um buraco suficientemente fundo na superfície da Terra na região de São Paulo, iria acabar saindo, no lado oposto, na região de Tóquio — imagem que não levava em conta o fato de que nós estávamos no Hemisfério Sul, Tóquio no Hemisfério Norte. Para o experimento dar certo o buraco teria de ser furado meio na diagonal…

Saí de Tóquio, em direção a Chicago, às 18h de hoje, 15/4 Vamos estar no ar por aproximadamente doze horas, e vou chegar a Chicago por volta das 16h do mesmo dia — duas horas antes do horário em que saí de Tóquio, porque Chicago está 14 horas atrás de Tóquio… Esse é o tipo de coisa que me fascina. Ou seja, vamos estar no ar durante doze horas, apenas para tirar parte da diferença, em fusos horários, que separa Chicago de Tóquio. Se estivéssemos indo de Tóquio para São Paulo, direto, e a viagem levasse as mesmas doze horas, chegaríamos exatamente no mesmo horário em que havíamos saído… Fascinante. Para onde teria ido o tempo que evaporou?

Saí de Hanói — que fica duas horas atrás de Tóquio — às 23h30 de ontem, 14/4, segunda-feira, em direção a Seoul, que está no mesmo fuso horário de Tóquio. O vôo era da Asiana, empresa aérea coreana que faz parte do sistema Star Alliance, liderado pela United. O embarque em Hanói  foi tranqüilo, porque com os cartões especiais de Frequent Flyer da United fomos direto para a frente da fila, o Les Foltos e eu. Depois de fazermos o check-in, ficamos na Sala VIP da Asiana em Hanói, até o horário de embarque. Pobrinha a sala VIP deles — mas tinha computadores e Internet de graça para quem quisesse usar.

A propósito, li na Newsweek desta semana (Edição Internacional com data de 14/4) que, enquanto os governos de alguns países (como a Arábia Saudita) censuram sites pornográficos da Internet, impedindo os seus cidadãos de visualizarem material com conteúdo sexual, digamos, explícito, o governo comunista do Vietnam censura sites cujo conteúdo político possa interferir com os seus propósitos. Aliás, vale a pena ler o artigo inteiro, que tem o curioso título de “Repression 2.0”. A tese principal é de que, nos tempos da Internet tradicional (a Internet 1.0), a repressão era menos sofisticada: sites eram simplesmente bloqueados. Às vezes extensões “top level” inteiras eram bloqueadas. Lembro-me de que, uma vez, quando estive em Perth, na Austrália, dando uma série de palestras a convite da Associação Australiana de Escolas Particulares, fiquei hospedado na Saint Hilda’s Anglican School for Girls, uma escola chiquérrima que tem um excelente apartamente para (professores) visitantes. Descobri, muito a contragosto, que, de dentro da escola, a extensão “top level” .br inteira era censurada para as alunas (não para os professores, descobri depois). Qualquer site que eu digitasse que terminasse em .br, como o site do UOL, por exemplo, me trazia uma mensagem na tela de que o acesso àquele site estava proibido. Só no dia seguinte, depois que eu reclamei, me deram uma senha de professor, que não tinha a restrição. Ou seja, professor podia até ver as meninas seminuas do Paparazzi — mas as aluninhas da escola, mulheres como as outras, não… Mas, voltando ao assunto do artigo da Newsweek. Na Internet 2.0 (a Internet dos webmails, dos sites de relacionamento, como o Orkut, é mais difícil fazer esse tipo de censura “no atacado”. O problema é sintonizar o filtro: restrinja-se demais o filtro e se impede o usuário de ver coisas perfeitamente inócuas até do ponto de vista do censor (como ler a Folha de S. Paulo de dentro de Saint Hulda’s); flexibilize-se demais o filtro e ele vai permitir que conteúdos considerados impróprios sejam exibidos. Censurar o Orkut inteiro porque há algum material impróprio lá dentro? Isso pode impedir os usuários de fazer bom uso do Orkut. Não censurar o Orkut? Os usuários, neste caso, poderão a aceder a materiais — de natureza sexual ou política — que o censor considera profundamente inconvenientes. A solução que os novos censores acharam, segundo o artigo da Newsweek, foi agir de forma mais sutil, não “no atacado”. Os censores hoje dão a impressão (nos países que praticam esse tipo de censura) de que eles lêem, ou pelo menos gravam, tudo o que se passa na Internet, de modo que se você entrar num site considerado impróprio, mais cedo ou mais tarde eles vão descobrir. Se os usuários acharem que os censores de fato fazem isso, eles nem precisam fazê-lo: os próprios usuários se censuram!!! Terrível, não? É COMO SE os censores governamentais — ou, o que seria equivalente, os pais, ou o cônjuge, ou os próprios filhos — estivessem sempre atrás da gente, observando, por cima do nosso ombro, o que a gente faz, escreve, lê na Internet… Quando a gente está absolutamente seguro de que ninguém está olhando, a gente faz coisas que nunca faria quando sabe — ou suspeita — que alguém está nos observando… É esse o princípio da “Repression 2.0”: dar a impressão de que os censores do governo, os censores da empresa, os censores do lar estão por todo lado e que tudo o que você faz é devidamente observado, classificado, registrado e arquivado para uso futuro. Um dia, quando você tiver algum problema com o governo (ou com seu chefe) ele pode lembrá-lo de que, você, sessentão, pai e avô, respeitado na comunidade, etc., andou bisbilhotando umas fotinhos inocentes da Britney Spears sem calcinha… Ou andou demonstrando interesse num vídeo do Alexandre Frota (antes da conversão) ou da Rita Cadillac. O princípio básico é o de que não é nem necessário montar toda uma estrutura para fazer esse tipo de censura: basta convencer os “súditos” de que você a possui — e eles próprios se encarregam de se censurar. O seu próprio superego faz o trabalho sujo dos censores.

Nessa época de debate sobre a China, o Tibet, os Jogos Olímpicos, consta que a governo chinês, com a colaboração das companhias de telefonia celular, de vez em quando envia uma mensagem sem remetente, totalmente anônima, a todos os usuários dos telefones, dizendo coisas como “Obedeça a lei”, “Siga as regras”… Está feito o serviço. O pobre usuário, que provavelmente aqui ou ali desobedeceu uma leizinha idiota, ou quebrou uma regrinha imbecil, fica matutando: os fdps sabem que eu fiz isso, por isso estão me mandando esse recado. E, assim, da vez seguinte em que a oportunidade se apresentar, ele não faz: seu superego o censura…

Mas voltemos à minha viagem de volta para o Brasil. O bom filho à casa torna.

O vôo de Hanói a Seoul levou apenas três horas e meia (na ida foram quase cinco horas) — e chegamos a Seoul às 5h (não se esqueçam de que Seoul está duas horas na frente de Hanói). Em Seoul, fomos direto para a Sala VIP da Asiana,  A sala estava quase vazia quando ali chegamos, Les Foltos e eu. Eu belisquei alguma coisinha, para servir de acompanhamento para um café do tipo Latte. Mas o Les, que, na minha opinião, está totalmente orientalizado, tomou chá com sopa de macarrão e verduras cozidas — isso antes das seis da manhã, pode? Entre as verduras cozidas havia repolho, couve-flor e outras coisas que só os orientais conseguem comer a essas horas da manhã. Ficamos na Sala VIP perto de seis horas, trabalhando nos nossos computadores. A sala tem uma rede wireless razoável — e gratuita. Um pouco antes das 11h rumamos para o portão 45 do interminável aeroporto de Incheon (Incheon está para Seoul como Guarulhos para São Paulo, em termos de localização dos respectivos aeroportos), de onde sairia o vôo da United para Tóquio, porque em Hanói só nos deram o cartão de embarque até Seoul: os demais cartões, disseram-nos, deveríamos obtê-los em Seoul (e de fato os obtivemos).

Como isso aqui é “free flow of consciousness”, é esquisito que o principal aeroporto de São Paulo tenha, como código internacional de identificação, GRU. Essas três letrinhas vêm, naturalmente, de Guarulhos (como CGH vem de Congonhas e VCP de Viracopos). Minha bagagem está etiquetada para GRU. Na verdade, a etiqueta indica que saí de HAN (Hanói), passei por ICN (Incheon / Seoul), passei por NRT (Narita / Tóquio) e vou passar por ORD (Ohare / Chicago, que tem como código ORD porque o aeroporto, quando era um mero campinho de aviação, no meio de uma plantação de hortaliças, se chamada Orchard…), antes de chegar a GRU.

De Seoul a Tóquio o vôo foi de mais ou menos duas horas e meia. Dormi a maior parte do tempo (só tirando um tempinho para comer uma salada).

Em Tóquio, onde chegamos por volta das 14h30, mais espera. Ficamos no Red Carpet Club da United. O Les saiu para Seattle às 16h e eu para Chicago às 18h.

O meu vôo de Tóquio para Chicago saiu duas horas depois de um outro vôo da United com o mesmo destino. Resultado: o meu vôo está totalmente vazio. Na classe Executiva deste Boeing 777 há 45 lugares, e apenas dez passageiros — cada um dono de um pequeno feudo. Pude deixar minha maleta de mão em cima da poltrona do lado, posso pegar o computador quando quiser, uma beleza. 

Tomei duas taças de vinho e comi uma salada. Dispensei o filé mignon que seria o prato principal: fui direto para a sobremesa, um bolo gelado de chocolate delicioso, acompanhado de Vinho do Porto.

E agora estou aqui, batendo papo — ou, como diz o caipira do interior de São Paulo, jogando prosa fora… Como disse, ninguém está sentado do meu lado, de modo que posso esparramar minha tralha por duas poltronas enormes. Ali estão, além da maleta do computador, a Newsweek e o Time (com o Papa na capa), fones de ouvido, kit com escova de dentes, etc.

Com todo o vinho tomado, estou com sono. Vou guardar o computador e depois volto.

Pronto, estou de volta. Dentro de duas horas chegaremos a Chicago. Dormi bastante e bem, ouvindo dois CDs de hinos religiosos que povoaram a minha infância. O nome da coleção de dois CDs é “Thomas Kincade’s 32 Country Gospel Classics”. Uma beleza, para quem gosta do gênero, como eu. O cognitivo (a cabeça) faz a gente deixar de ser religioso, mas o emocional (o coração) mantém, escondidinho em algum lugar recôndito, resquícios do tempo em que a gente foi religioso, e a gente continua a gostar de hinos cujas letras são simplesmente horrorosas. Ou seja, o coração tem seus cantinhos que a própria razão desconhece — ou simplesmente ignora, por considerá-los inofensivos.

A aeromoça já veio trazer aquelas toalhinhas quentes que servem para a gente fingir que lava a cara quando acorda num vôo longo… Dispensei o café da manhã (só aceitei um suco de tomate gelado) — não estou com fome. Além disso, ficarei na Sala VIP da United, onde há comida boa, e, depois, pegarei o vôo para o Brasil, em que haverá um bom jantar. Isto significa que devemos chegar mais cedo do que previsto em Chicago.

No momento ouço “Near the Cross” (“Junto à Cruz”, em Português), cantado por Eddie Arnold. É curioso como quase todo cantor americano mais convencional (isto é, excluídos os roqueiros da pesada) que se preza mais cedo ou mais tarde grava um disco de hinos — ou, no mínimo, de músicas de Natal. Elvis Presley, Frank Sinatra, Perri Como, George Whitakker, Doris Day, Barbara Streisand, Anne Murray (que é canadense), you name it, todos gravaram. Os do Presley são maravilhosos: creio que os tenha todos.

Estou cansado. Por mais confortável que seja a classe Executiva da United, uma viagem que mantém você no ar por cerca de 32 horas, ainda que em quatro segmentos, especialmente para quem vai fazer 65 anos esse ano.

Por falar nisso, vou comentar rapidamente o sistema que tenho (em Excel) para me lembrar de tomar todos os meus remédios na hora certa. Tomo cinco remédios de manhã, dois na hora do almoço, e cinco de novo na hora do jantar. Doze comprimidos, ao todo. Quando viajo e atravesso vários fusos horários, tenho de fazer uma tabelinha que me diz quando devo tomar cada conjunto de remédios. Há várias soluções para o problema, mas optei por manter o horário do Brasil. Como a maioria dos países da Ásia está cerca de 12 horas, mais ou menos duas, do Brasil, simplesmente inverto a hora de tomar os remédios: os que tomaria na hora do café da manhã tomo no jantar; os que tomaria na hora do almoço, tomo antes de ir dormir; e os que tomaria na hora do jantar, tomo ao me levantar. Funciona bem. O problema maior é a hora de tomar os remédios em trânsito, quando estou indo de um lugar para outro. Tomei há pouco os remédios da hora do almoço — porque já estou operando no fuso horário de Chicago, que, no momento, está só duas horas atrás do de São Paulo. Um coisinha dessas dá trabalho, quando você sai da rotina.

Antes de terminar, lembrei-me de uma notícia curiosa que li no International Herald Tribune, Edição Ásia, enquanto estava em Seoul. Em algum lugar do mundo em que mudanças de sexo são legalmente permitidas, uma mulher, que nunca havia se sentido confortável no seu corpo de mulher, conseguiu permissão para mudar legalmente de sexo e sofrer os procedimentos médicos, cirúrgicos e medicamentosos, necessários para adequar seu corpo à sua nova identidade legal. Ou seja, legalmente virou homem, mudando de nome e de sexo (que os politicamente corretos preferem chamar de gênero, porque não gostam de falar de sexo). Tomou hormônios, cresceu barba e bigode, removeu cirurgicamente os seios, etc. E, como de certo modo pareceria inevitável, se casou (legalmente — estamos falando de um país prafrentex) com uma mulher. Passado algum tempo, quiseram ter um filho. A lei e a medicina podem ir até certo ponto, mas não conseguem (hoje) fazer com que um homem construído de um corpo de mulher consiga engravidar a esposa (Dani: uso o termo aqui apenas por falta de maiores recursos lingüísticos, dado o contexto). Resultado, optaram por comprar esperma de um banco de esperma para que a esposa pudesse ser impregnada artificialmente. Na hora de fazer isso, descobriram que ela tinha um problema e não poderia ficar grávida. Solução? Foram verificar se o corpo do marido, a despeito da barba e do bigode, e da falta dos seios, ainda teria condições de ser impregnado artificialmente — e tinha, pois o útero não havia sido removido e, aparentemente, estava em pleno funcionamento. Resultado: hoje quem passar pela cidadezinha onde mora o casal pode ser que veja um distinto senhor, de terno, barba e bigode, tremendamente grávido, ao lado de sua mulher magrinha e esbelta. Ironias do mundo moderno.

Estamos chegando.

ET: Chego aos Estados Unidos ao mesmo tempo que o Papa.

No ar, entre Tóquio e Chicago, 15 de Abril de 2008

Good-bye, Hanoi

Daqui umas doze horas estarei voando, espero, daqui de Hanoi para Seoul — de onde irei para Chicago e, em seguida, para São Paulo. Finalmente, home, depois de onze dias aqui em Hanoi e mais dois em viagem.

Para ser franco, detestei a cidade. Não fosse o cruzeiro pela Ha Long Bay, a viagem teria sido uma desgraça total do ponto de vista turístico.

Sempre me gabei do fato de que, precisando, seria capaz de morar em qualquer lugar do mundo (dos que eu conheço). Não tenho, por exemplo, dificuldade de me imaginar morando em Cingapura, ou Seoul, ou Taipei, ou Hong Kong, ou até mesmo na em grande parte muçulmana Kuala Lumpur. Mas aqui em Hanoi encontrei o meu limite.

Não consegui sair na rua andando aqui — exceto ao redor do hotel. Não teria coragem de atravessar uma rua movimentada. Saí de taxi ou ônibus especial várias vezes, mas o que vi simplesmente confirmou a minha decisão de não sair andando — e olhem que adoro andar: em Janeiro, em Seoul, com um frio de rachar, andei pelas ruas, zanzando de lá para cá, durante cerca de seis horas, conhecendo as vizinhanças, tirando fotos. Aqui, como se dizia antigamente, neca de piribitibas. A viagem de taxi até Ha Long foi um tormento: parecia que um ônibus ou um caminhão ia passar por cima da gente a qualquer momento. Nosso motorista era calmo e competente, mas mesmo assim foram quase quatro horas de sobressaltos. Chegando no barco, encontramos um colega de cruzeiro, americano, com o crânio todo remendado: o chofer do taxi dele, dias antes, havia dormido no volante, saído da estrada e arrebentado o carro numa árvore.

Além do mais, a cidade é feia, não tem comércio senão do tipo de mercado de rua, feira livre… Não soube de nenhum shopping agradável por aqui que atraia turistas.

Restaurantes, até que há bons. Mas chegar lá é um problema. Nos últimos dias comi aqui no hotel mesmo, onde há um excelente restaurante (The Hemispheres), com comida de primeira e não tão cara. Comi três dias seguidas o mesmo prato: salmão grelhado com arroz frito com legumes. Imbatível. Mas a melhor coisa foi não ter de sair à rua para jantar.

Meu amigo Les Foltos é mais aventuroso do que eu. Ontem e hoje saiu durante o dia. Ontem foi visitar o famoso “Hanoi Hilton”, que nada mais é do que uma cadeia onde os franceses prendiam os vietnamitas e onde estes, depois, prendiam os americanos. Coisa deprimento. Só um americano meio de esquerda com a consciência ainda meio molestada pela guerra do Vietnam pode querer ir lá. De lá andou pelas ruas, comprando camisas de seda em lojas populares locais. Hoje, saiu de novo. Corajoso. Dou a minha mão à palmatória: eu nesse aspecto sou covarde. Prefiro ficar aqui no quarto trabalhando, vendo TV, beliscando um salgadinho, tomando uma cerveja (Carlsberg, da Dinamarca — excelente).

Nada da minha antipatia se deve ao fato de que o país é (ainda) comunista. Apesar de a economia ser em grande parte capitalista, o regime político é comunista. Vejamos até quando.

Enfim, estou contente de voltar para casa. No mês que vem (daqui a três semanas) estarei me sentindo bem melhor em Taiwan, onde me sinto em casa.

Em Hanoi, 14 de Abril de 2008

Ha Long Bay

São 5h50 do sábado, dia 12 de abril de 2008. Escrevo de dentro da minha cabine no barco-cruzeiro Bhaya (vinte cabines), em plena Ha Long Bay — uma das coisas mais lindas que a natureza já aprontou. Lá fora (vejo pela janela da cabine) parece que será mais um dia brumoso, como quase todos os que passei aqui no Vietnam. Mas as formações rochosas ficam ainda mais impressionantes com as brumas: assumem um ar que, além de “misty” (brumoso), é também “mystic” (místico). Da minha janela vejo o Emeraude, outro barco cruzeiro — este mais parecido com os famosos barcos do Mississipi: branco, com aquela roda que era usada para fazer o barco andar mas que hoje é apenas decorativa. O meu barco, o Bhaya, é de madeira escura e tem um design mais adequado ao ambiente. Tem quatro andares (decks): dois com cabines (dez cabines em cada deck), um em que fica a sala de refeições, e a upper deck, para tomar sol (quando há) e simplesmente contemplar a natureza.

Boa parte dos que participam desta viagem devem estar, agora, fazendo aqueles exercícios “taichi”. Eu prefiro ficar aqui. O café será às sete. Depois subirei para dar uma olhada no taichi.

Vim para cá com Les Foltos, meu amigo da área de Seattle, criador e implantador mundial de Peer Coaching. Saímos do hotel Sheraton em Hanoi ontem às 8h da manhã, num taxi, e viemos para cá — uma viagem de quase quatro horas. Chegando a Ha Long, pegamos o Bhaya, tomamos um drink de boas-vindas, almoçamos, e ficamos observando a baía. Vejam as fotos nos sites indicados abaixo.

À tardinha paramos para visitar uma fantástica caverna — cujo nome não consegui registrar (mas há uma foto abaixo). Mas registrei o cenário em centenas de fotos (que aos poucos irei compartilhando). Depois da caverna visitamos ainda uma vila de pescadores que moram em casas-barco, em cima da água o tempo todo. Depois tomamos uma taça de vinho, vim tomar banho (tudo funciona — a cabine é excelente: estou na 108 e o Les na 107, em frente), subi, tomamos mais uma taça de vinho, e jantamos (comida de primeira) — acompanhados de uma garrafa de vinho chileno.

Depois passaram o filme Indochine, com a Catherine Deneuve, que eu já comentei aqui, mas não agüentei ver até o fim — foi muito vinho antes do filme… Vim deitar. Hoje me levantei às 5h, tomei banho, arrumei minhas fotos… e estou aqui.

Em suma, um passeio absolutamente fantástico.

Ha Long Bay é candidata a uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo (não confundir com o concurso anterior das Sete Maravilhas Artificiais do Mundo). Deveria ganhar. A impressão visual que o conjunto fornece é incomparável.

Eis aqui algumas referências e fotos:

http://en.wikipedia.org/wiki/Halong_Bay

http://www.halongbay-vietnam.net/photos/index.htm

http://www.halongbay-vietnam.net/halong_bay_overviews.htm

http://whc.unesco.org/en/list/672

http://www.voteforvietnam.com/

Em Ha Long Bay, 12 de Abril de 2008

Flashes matutinos

Estava descendo para tomar café da manhã, agora há pouco, e entraram no elevador quatro distintas senhoras, de cabelos branquinhos, todas elas claramente acima de 75 anos. Gentis, sorriram, me cumprimentaram… Eu puxei prosa:

"Where are you all from?"

"New Zealand", responderam — e perguntaram: "What about you?"

"Brazil", disse eu.

"Ah", continuou uma delas, com aquela franqueza que só crianças e, pelo jeito, pessoas bem idosas têm: "Sorry to hear about that!"

Fui pego de surpresa e não tive a presença de espírito de perguntar por quê… Poderia ter aprendido alguma coisa útil.

Ao sair do elevador, uma comoção: estavam instalando um enorme, e grosso, tapete vermelho, da saída do elevador até a calçada onde se tomam os carros. Evidentemente, para o presidente da Bielo-Rússia.

Político é bicho vaidoso em qualquer lugar. Vaidoso aqui é eufemismo, naturalmente. Xô…

Em Hanoi, 7 de Abril de 2008

Bielo-Rússia (ou Bielorrússia)

Ontem, ao voltarmos do restaurante, à noite (por volta de 22h30), encontramos um circo de segurança montado na entrada do hotel. Detectores de metais, aparelhos de Raios X para bolsas e pacotes, policiais por todos os lados…

Explicação: o presidente da Bielo-Rússia estava hospedado no hotel… Se você tem alguma dúvida sobre onde fica a Bielo-Rússia, veja na Wikipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bielorrúsia 

Diz o artigo:

"Nos anos 1980, a Bielorrússia é reduto da resistência comunista às reformas democratizantes do presidente soviético Mikhail Gorbachev. Em agosto de 1991, a independência da Bielorrússia é proclamada, e o país integra a Comunidade dos Estados Independentes (CEI)."

Por aí se vê que o país foi contra o fim do Comunismo… Gente finíssima. Não é à toa que precisam de segurança desse jeito, mesmo num país comunista.

Em Hanoi, 7 de Abril de 2008