Luís Inácio Lulla da Silva vs Orlando Zapata Tamayo

Transcrevo abaixo três matérias sobre a pusilanimidade de Lulla em Cuba, quando falou sobre a morte de Orlando Zapata Tamayo. O primeiro é um Editorial do Estadão, datado de 26/2/2010. O segundo, um Editorial da Folha, de 27/2/2010. E o terceiro, um post de 26/2/2010 de Reinaldo Azevedo em seu blog (que também transcreve o Editorial do Estadão).

Lulla culpa a vítima pela violência que lhe foi perpetrada. Mostrou-se incapaz do mais elementar sentimento de humanidade por alguém que se batia pela liberdade, ao pedir democracia para Cuba.

Será que esse indivíduo arrogante e ao mesmo tempo simplório, que não tem pejo de dizer “ah, como seria bom o mundo se todos fossem iguais a mim…” Antes de cantava uma música chamada “Se todos fossem iguais a você”. Algum compositor puxa-saco deve compor “Se todos fossem iguais a mim”…

Que coisa ridícula. Que vergonha. Espero que Le Monde, que lhe outorgou o título de Homem do Ano, publique o que ele disse – e a forma arrogante e insensível em que o disse.

Outros comentários são dispensáveis.

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http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100226/not_imp516523,0.php 

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/lula-em-cuba-cinismo-deslavado/ 

Editorial de O Estado de S. Paulo de sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Lula em Cuba: cinismo deslavado

Do lado dos perpetradores

São de um cinismo deslavado os comentários do presidente Lula sobre a morte do ativista cubano Orlando Zapata Tamayo, ocorrida horas antes de sua quarta visita à ilha desde que assumiu o governo. Tamayo, um pedreiro de 42 anos, foi um dos 75 dissidentes condenados em 2003 a até 28 anos de prisão. Inicialmente, a sua pena foi fixada em 3 anos. Depois, elevada a 25 anos e 6 meses por delitos como “desacato”, “desordem pública” e “resistência”. Embora não fosse um membro destacado do movimento de direitos humanos em Cuba, a Anistia Internacional o incluiu na sua lista de “prisioneiros de consciência” ? vítimas adotadas pela organização por terem sido detidas apenas por suas ideias. Em dezembro, Tamayo iniciou a greve de fome por melhores condições para os 200 presos políticos do regime, da qual morreria 85 dias depois.

Lula conseguiu superar o ditador Raúl Castro em matéria de cinismo e escárnio. Este disse que Tamayo “foi levado aos nossos melhores hospitais”. Na realidade, só na semana passada, já semi-inconsciente, transferiram-no do presídio de segurança máxima de Camaguey para Havana. E só na segunda-feira foi hospitalizado. O desfecho foi tudo menos uma surpresa para os seus algozes. Dias antes, autoridades espanholas haviam manifestado a sua preocupação com a situação de Tamayo, numa reunião sobre direitos humanos com enviados de Cuba. Ele morreu porque o deixaram morrer. Poderiam, mas não quiseram, alimentá-lo por via endovenosa. “Foi um assassínio com roupagem judicial”, resumiu Elizardo Sánchez, líder da ilegal, mas tolerada, Comissão Cubana de Direitos Humanos.

Já Lula como que culpou Tamayo por sua morte. Quando finalmente concordou em falar do assunto, sem disfarçar a irritação, o autointitulado condutor da “hiperdemocracia” brasileira e promulgador recente do Programa Nacional de Direitos Humanos, disse lamentar profundamente “que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome”, lembrando que se opunha a esse tipo de protesto a que já tinha recorrido (quando, ainda sindicalista, foi preso pelo regime militar). Nenhuma palavra, portanto, sobre o que levou o dissidente a essa atitude temerária: nada sobre o seu encarceramento por delito de opinião, nada sobre as condições a que são submetidos os opositores do regime, nada sobre o fato de ser Cuba o único país das Américas com presos políticos. Nenhum gesto de desaprovação à violência de uma tirania.

Pensando bem, por que haveria ele de turvar a sua fraternal amizade com os compañeros Fidel e Raúl, aborrecendo-os com esses detalhes? Ao seu lado, Raúl acabara de pedir aos jornalistas que “os deixassem tranquilos, desenvolvendo normalmente nossas atividades”. Lula atendia ao pedido. Afinal, como observara o seu assessor internacional Marco Aurélio Garcia, “há problemas de direitos humanos no mundo inteiro”. Mas Lula ainda chamou de mentirosos os 50 presos políticos que lhe escreveram no domingo para alertá-lo da gravidade do estado de saúde de Tamayo e para pedir que intercedesse pela libertação deles todos. Quem sabe imaginaram, ingenuamente ou em desespero de causa, que o brasileiro pudesse ser “a voz em defesa da proteção da vida aos cubanos”, como diria o religioso Dagoberto Valdés, um dos poucos opositores da ditadura ainda em liberdade na ilha.

Lula negou ter recebido a correspondência. “As pessoas precisam parar com o hábito de fazer cartas, guardarem para si e depois dizerem que mandaram para os outros”, reclamou. E, com um toque de requinte no próprio cinismo, concluiu: “Se essas pessoas tivessem falado comigo antes, eu teria pedido para ele parar a greve e quem sabe teria evitado que ele morresse.” À parte a falta de solidariedade humana elementar que as suas palavras escancararam ele disse que pode ser acusado de tudo, menos disso, a coincidência da visita de Lula com a tragédia de Tamayo o deixou exposto aos olhos do mundo e não exatamente da forma que tanto o envaidece.

A morte de um “prisioneiro de consciência”, a afirmação de sua mãe de que ele foi torturado e o surto repressivo que se seguiu com a detenção de dezenas de cubanos para impedir que comparecessem ao enterro do dissidente no seu vilarejo natal transformam um episódio já de si sórdido em um escândalo internacional. Dele, Lula participa pela confraternização com os perpetradores de um crime continuado que já dura 51 anos.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2702201001.htm

Folha de S. Paulo
27 de Fevereiro de 2010

Editorial

Lamentável

Diante da decrépita ditadura cubana, governo Lula continua, conforme o lema de Che Guevara, "sin perder la ternura jamás"

PELA QUARTA vez em seu mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se dispôs a endossar, entre sessões de fotos, tapinhas nas costas e desconversas macunaímicas, o mais ditatorial regime
do hemisfério americano.

Sua visita a Cuba, nesta semana, ocorreu num momento especialmente sombrio. O dissidente Orlando Zapata, depois de uma greve de fome de 85 dias, acabava de morrer. Ativista em prol dos direitos humanos, Zapata fora preso em 2003, numa investida repressiva que levou outros 75 opositores à prisão.

"Foi condenado a três anos", disse o dirigente Raúl Castro, adiantando-se às perguntas dos jornalistas que acompanhavam a visita de Lula. "Foi levado aos nossos melhores hospitais, morreu. Lamentamos muito."

O assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia, ecoou solenemente as palavras do ditador: "É lamentável, como disse o presidente Raúl".

Há muita coisa lamentável, com efeito, nesse episódio. Lamentáveis, por exemplo, parecem ser os conhecimentos de aritmética de Raúl Castro, que não explicou de que modo alguém condenado a três anos de prisão em 2003 continuava entre as grades em 2010. Segundo a Anistia Internacional, a pena do dissidente se elevara a mais de 25 anos de detenção, com base nas prolíficas estipulações da legislação cubana para casos desse tipo.

O código criminal cubano prevê, por exemplo, o "estado de periculosidade", definido como "propensão de uma pessoa para cometer crimes, demonstrada por conduta manifestamente em contradição com as normas da moralidade socialista".

Manifestações consideradas ofensivas às autoridades constituem crime de "desacato", levando a um ano de prisão. Se voltado contra os principais dirigentes do regime, o "desacato" acarreta a triplicação da pena. A culpa pela morte de Zapata, prosseguiu Raúl Castro, deve ser atribuída "à confrontação que temos com os Estados Unidos".

A base de Guantánamo, onde o governo George W. Bush confinou suspeitos de terrorismo, seria o único lugar da ilha onde se pratica tortura. "Há problemas de direitos humanos no mundo inteiro", acrescentou placidamente Marco Aurélio Garcia.

É o clássico expediente de voltar contra outro país as acusações que se referem, especificamente, à tirania que se quer apoiar. É inegável que Bush maculou as tradições democráticas de seu país a pretexto da "guerra contra o terror". É também evidente que nunca faltou, nos EUA, liberdade para protestos contra o governo -coisa impensável sob o sistema castrista.

Fortalecer as relações comerciais com Cuba e apoiar a suspensão do contraproducente embargo norte-americano ao país são atitudes corretas da diplomacia brasileira.

Nada disso se confunde com a revoltante "ternura", para lembrar o célebre dito de Che Guevara, que o governo Lula "não perde jamais" quando se trata de emprestar apoio a um regime decrépito, ditatorial e homicida.

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Blog de Reinaldo Azevedo

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/lula-tenta-dar-alcance-etico-a-pusilanime-cumplicidade-com-a-tirania-cubana/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+ReinaldoAzevedo+%28Reinaldo+Azevedo%29

LULA TENTA DAR ALCANCE ÉTICO À PUSILÂNIME CUMPLICIDADE COM A TIRANIA CUBANA

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 | 22:07

Vi há pouco Lula no Jornal Nacional, durante entrevista concedida em El Salvador. Com o cenho fechado, certa gravidade no tom de voz, medindo as palavras — UM DIA DEPOIS DE TER CULPADO ORLANDO ZAPATA POR SUA PRÓPRIA MORTE —, disse como seria bom o mundo se todos fossem iguais a ele. Lula é a musa e o Vinicius de Moraes de si mesmo… Bem, nenhuma dúvida sobre isso. Depois do teocentrismo e do antropocentrismo, temos uma nova medida de todas as coisas: o “lulocentrismo”. Ninguém, deu pra depreender de sua fala, tem mais apreço pela democracia do que ele próprio.

É… Assim não é, ainda que lhe parecesse. Porque, de fato, nem ele deve acreditar no que diz. Tentando justificar sua pusilanimidade sobre a violência em Cuba, disse ter aprendido “a não dar palpite no governo dos outros”. Alguém lhe cobrou “palpite”? Não! Bastava uma palavrinha genérica em defesa da democracia, em vez de se comportar como mero espectador do espetáculo grotesco protagonizado por Raúl Castro, o homicida compulsivo, que culpou os EUA pela morte de Zapata.

E quem disse que ele não dá palpite no governo e na política alheias? Honduras que o diga. Lula liderou o esforço — mais do que Hugo Chávez — para impor sanções internacionais àquele pequeno país, que havia posto fora do poder, segundo a sua Constituição democrática, um golpista. Contentou-se com isso? Não! Ajudou a  plantar Manuel Zelaya na embaixada brasileira, levando ao país o risco de uma guerra civil.  Depois, tentou sabotar as eleições, que transcorreram num clima de absoluta legalidade. Ainda era pouco: na formação da tal comunidade de países da América Latina e do Caribe, impôs condições ao governo hondurenho: o país só será aceito se Zelaya, o golpista, for reintegrado à política. Lula não exige nada é da tirania cubana.

A fala de hoje não passou de uma tentativa de engrolar uma desculpa para a estupidez que dissera ontem. A exemplo daquela charge que publiquei aqui, Lula fez questão de partilhar com os irmãos Castro a banheira de sangue em que se deleitam.

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Em São Paulo, 27 de Fevereiro de 2010

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