Livros Impressos

Gostei muito da entrevista da escritora carioca Fernanda Lopes de Almeida, a propósito dos quarenta anos da publicação de seu livro A fada que tinha ideias. A entrevista foi dada a Samir Thomaz e publicada no Blog das Editoras Ática e Scipione (ver http://blog.aticascipione.com.br/entrevistas/o-longo-voo-da-fadinha/).

Gostei especialmente deste trecho: 

“Samir Thomaz: O que pensa sobre a mudança dos livros do papel para o suporte digital?”

“Fernanda Lopes de Almeida: Desde que os de papel não desapareçam, nada tenho contra a ideia de que existam também os digitais. Do contrário, seria uma pena. Há livros que me acompanham desde a infância e que já não são mais livros: são pessoas queridas. Com todas as rugas e manchas da idade. Não quero crer que as crianças futuras venham a ser privadas desse tipo de afeto.”

Gostei muito dessa resposta da autora à pergunta do entrevistador. Ela reflete o que sinto e penso.

Apesar de adorar o meu Kindle (onde tenho mais de 200 livros digitais), não prescindo dos livros impressos. Na verdade, tenho um caso de amor com eles. Gosto deles tanto na livraria como na estante como na mão. Gosto de vê-los, de admirá-los (alguns são lindos), de curti-los como objetos físicos. Gosto de sentir a sua textura, com as mãos, gosto do seu cheiro… Sou rato de livraria. E tenho uma enorme biblioteca (cerca de 30 mil volumes), da qual estou separado há dois anos e meio. Mas aos poucos construo uma nova, enquanto aguardo recuperar a velha.

Acima de tudo, gosto, naturalmente, de ler os livros. No entanto, posso lê-los em formato digital, que às vezes é mais conveniente.

Falo aqui do livro físico, do livro impresso. Quando compro um livro novo, a primeira providência que tomo é tascar meu nome ali na primeira página, junto com a data e o local de compra. Apesar de amá-los, e, talvez, por causa disso, escrevo neles, rabisco anotações, comentários e críticas, sublinho, boto pontos de interrogação e exclamação na margem, ou, então, NB!!!… (No formato digital ainda não é fácil fazer isso, com a minha letra, com a letra que revela a minha personalidade…)

Assim, meus livros são inconfundivelmente meus. Misturo-me com eles. Eles se tornam parte de mim. Não gosto de ler livro emprestado, nem mesmo de biblioteca. Se decido ler um livro, saio e compro, porque quero possuí-lo por inteiro. E não gosto de emprestar e muito menos dar ou mesmo vender os meus livros. Não emprestaria, daria ou venderia um pedaço de mim…

Não é verdade?

[Coloquei este texto como comentário no blog original e tentei colocá-lo-la como comentário ao link para a entrevista que pus no meu Facebook, mas o Facebook está com malandragem e o meu comentário desaparece. Por isso, publiquei  o texto como artigo aqui. Farei novo link para o Facebook.]

Em São Paulo, 20 de Março de 2011

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