“Sexting”– ou o envio de torpedo sexy

Quando a gente pensa que já viu tudo, inventa-se uma nova moda… Raramente é algo de bom.

Transcrevo a seguir artigo publicado em The New York Times de hoje, traduzido pela Folha de S. Paulo.

“Sexting” (variante de “Texting”, em Inglês, termo usado para SMS) é o envio de um torpedo sexy – que em geral começa com um(a) adolescente tirando uma foto sexy de si próprio(a), em regra para o envio para o(a) namorado(a), e termina com o recipiente da foto a reenviando para a Internet, quando o namoro termina.

A coisa corre risco de se tornar uma epidemia. Como lidar com isso de forma efetiva?

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny1104201105.htm

The New York Times

Torpedo ‘sexy’ se espalha

Por JAN HOFFMAN

LACEY, Washington – Um dia no último inverno, Margarite posou nua diante do espelho do seu banheiro, segurando o telefone celular e tirou uma foto. Depois, mandou a foto frontal de corpo inteiro para Isaiah, seu novo namorado.

Os dois estavam na oitava série.

Logo depois, eles romperam. Algumas semanas mais tarde, Isaiah enviou a foto para outra garota da oitava série, que fora amiga de Margarite. Por volta das 11 da noite, essa garota acrescentou à foto uma mensagem de texto.

“Alerta máximo!”, ela digitou.”Se você acha que esta garota é uma p…, envie esta mensagem para todos os seus amigos.” Em menos de 24 horas, centenas ou talvez milhares de estudantes tinham recebido e passado adiante a foto.

Em pouco tempo, os estudantes estavam algemados e humilhados, os pais arrasados, e lições foram aprendidas a um duro custo. Somente então, a comunidade tentaria transformar o vexame em uma oportunidade para educar.

Autoridades policiais e educadores americanos enfrentam o dilema de reprimir os menores que praticam sexting -o envio de fotos, vídeos ou textos sensuais de um celular para outro.

Para os adolescentes, que têm fácil acesso à tecnologia e estão crescendo em uma cultura que celebra a exibição do corpo, sexting é uma brincadeira simples e até interessante: o principal motivo pelos quais os adolescentes fazem isso é parecer modernos e sensuais para alguém que acham atraente.

“Ter uma foto nua de sua pessoa significativa no celular é uma publicidade de que você é sexualmente ativo em um grau que lhe dá status”, disse Rick Peters, um vice-promotor do condado de Thurston, que inclui Lacey.

Sexting não é ilegal. Mas quando essa imagem sexualmente explícita inclui um participante menor de 18 anos, as leis de pornografia infantil são aplicáveis.

“Eu não sabia que estava contra a lei”, disse Isaiah, que foi preso junto com a ex-amiga de Margarite e uma garota de 13 anos que participou da propagação da foto nua. Eles foram acusados de disseminação de pornografia infantil, o que pode resultar em 36 semanas de detenção em um centro juvenil. Eles seriam fichados como agressores sexuais.

O mundo adolescente contemporâneo em muitos países desenvolvidos está mergulhado em mensagens altamente sexualizadas. A pornografia extrema é facilmente encontrada na internet. Canções e vídeos musicais de sucesso promovem strip-tease e sexting.

“Você não pode esperar que os adolescentes não façam algo que eles veem acontecer em toda parte”, disse Susannah Stern, professora associada da Universidade de San Diego que escreve sobre adolescência e tecnologia.

Uma pesquisa na internet realizada para a Associated Press e para a MTV pela Knowledge Networks em setembro de 2009 indicou que 24% dos jovens de 14 anos a 17 anos nos Estados Unidos haviam se envolvido em algum tipo de sexting. Uma pesquisa por telefone, feita em dezembro de 2009, para o “Projeto sobre Vida Americana e Internet”, do Centro de Pesquisas Pew, descobriu que 5% dos jovens nessa faixa etária tinham enviado fotos ou vídeos deles nus ou seminus. Meninos e meninas enviam fotos aproximadamente na mesma proporção, segundo a pesquisa.

Mas existe um duplo critério. Enquanto um menino apanhado mandando uma foto de si mesmo pode ser considerado um fanfarrão, as meninas, independentemente de sua gabolice, são punidas como “piranhas”.

Fotos de meninas tendem a se tornar virais com maior frequência, porque meninos e meninas fazem circular fotos de meninas em parte para envergonhá-las, explicou Danah Boyd, uma bolsista no “Centro Berkman para Internet e Sociedade” da Universidade Harvard.

Muitos distritos escolares americanos proibiram o sexting e hoje autorizam os diretores na verificação dos telefones celulares dos alunos. Pelo menos 26 Estados tentaram aprovar algum tipo de legislação sobre o fenômeno desde 2009.

“Precisamos proteger as crianças de si mesmas”, disse Justin Fitzsimmons, advogado da Associação Nacional de Advogados Distritais em Alexandria. “Estamos no momento de lhes ensinar a administrar reputações eletrônicas.”

Peters, o promotor no caso Margarite, jamais pretendeu que os estudantes presos recebessem sentenças draconianas. Mas ele queria lhes mandar uma mensagem forte.

Afinal, foi feito um acordo para os três adolescentes. A ofensa seria modificada de pornografia infantil para um caso grave de assédio telefônico. Isaiah e as duas meninas poderiam prestar serviço comunitário em um programa que os livraria do julgamento, e o caso seria arquivado.

Esses três estudantes teriam de criar material de serviço público sobre os males do sexting, frequentar uma sessão com Margarite para falar sobre o que aconteceu e de outro modo não ter contato com ela.

Margarite estava morando com seu pai, Dan, engenheiro industrial, quando enviou a foto. Na mediação, ele foi o último a falar. “Eu poderia dizer que foi culpa de todo mundo, mas certamente tive uma participação”, disse. “Aprendi uma grande lição sobre minha falta de envolvimento com o uso do telefone e das mensagens por minha filha. Confiei demais nela.”

A foto certamente ainda existe em telefones e talvez em redes sociais, facilmente encontrável. “Ela terá de viver com isso pelo resto da vida”, disse o pai.

Em outubro, as autoridades realizaram fóruns sobre sexting para os professores, pais e estudantes das quatro escolas secundárias de Lacey.

Margarite foi morar com sua mãe, mas, semanas depois de se transferir para escola próxima, foi reconhecida por um menino que tinha a foto em seu celular. As garotas passaram a agredi-la: “prostituta”, “piranha”.

Em janeiro, quase um ano depois de sua foto se tornar viral, ela decidiu voltar para a antiga escola, onde imaginou que tivesse alguns amigos. Como é estar na antiga escola com a ex-amiga que divulgou sua foto?

“Antes de voltar, telefonei para ela”, disse Margarite. “Eu queria garantir que o drama estava terminado entre nós. Ela disse: nós temos autorização legal para conversar? E eu disse que devíamos conversar porque temos matemática juntas. Ela pediu desculpas mais uma vez.”

Que conselho Margarite daria a alguém que pensa em mandar uma foto dessas?

“Acho que se elas querem mandar uma foto”, ela respondeu, rindo nervosamente, “e têm a sensação de que não sabem se devem fazer isso, então não façam. O que elas estão pensando? É totalmente idiota!”

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Em São Paulo, 11 de Abril de 2011

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