Deve a Wal-Mart pagar mais aos seus empregados?

Traduzi e transcrevo a seguir (em tradução e no original) um artigo de Thomas Sowell divulgado no site www.CapMag.com no dia de hoje.

Em São Paulo, 9 de Maio de 2005

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A Cruzada contra a cadeia de lojas Wal-Mart

Thomas Sowell (9 de Maio de 2005 – [www.CapMag.com])

A mais recente cruzada da esquerda é contra a cadeia de lojas Wal-Mart.

Uma grande manchete num longo artigo no New York Times pergunta: "Será que um gigante do varejo não pode pagar mais?"

É claro que a Wal-Mart pode pagar mais. Também o New York Time pode pagar mais aos seus empregados. Todos nós podemos pagar mais pelo que compramos ou alugamos. Não me diga que você não pode pagar dez centavos a mais por este jornal. A questão é: por que deveria qualquer um de nós pagar mais do que temos de pagar?

Segundo o New York Times, há um livro escrito "por um grupo de investigadores", que deve ser publicado no Outono, em que se argumenta que a Wal-Mart tem "obrigação" de "tratar seus empregados melhor".

Uma informação dessas dificilmente pode ser chamada de notícia. Nada é mais fácil do que achar um grupo de acadêmicos – "investigadores", se você concorda com eles – disposto a defender virtualmente qualquer tese sobre qualquer assunto. Nem é essa noção de "obrigação" algo novo.

Durante décadas, tem havido essa conversa elevada, mas fiada, sobre a "responsabilidade social" das empresas, ou acerca de um "pacto social" entre as gerações que garanta a manutenção da Seguridade Social. Você se lembra de ter firmado esse pacto? Nem eu.

O que toda essa conversa piedosa significa é que, quando um grupo de pessoas quer que terceiros paguem por algo que desejam, afirmam que aquilo que desejam é uma "responsabilidade social" ou uma "obrigação" desses terceiros.

Enquanto a gente comprar essa conversa fiada, eles continuam a oferecê-la.

Para tentar fazer com que suas demandas pareçam algo mais do que noções arbitrárias de gente metida no que não conhece, que é o que eles são, alguns desses metidos se referem ao nível oficial de pobreza – como se isso fosse algo objetivo, e não o que realmente é, a saber, uma linha arbitrária definida por noções inventadas por algum burocrata governamental.

Segundo o New York Times, o empregado médio da Wal-Mart recebe um salário que fica acima da linha da pobreza para uma família de três, mas que cai abaixo da linha da pobreza para uma família de quatro. O que é que devemos concluir disso?

A noção comumente alardeada de "um salário que permita viver" é calculada com base em uma família de quatro. E, previsivelmente, o New York Times descobre um empregado da Wal-Mart que reclama de que não está ganhando "um salário que permita viver".

Como ele está vivendo, se não está ganhando um salário que permita viver?

Devem as pessoas ser pagas segundo aquilo que elas "precisam" em vez de segundo aquilo que vale o seu trabalho? Devem elas decidir que querem ter uma família grande e, depois, jogar o custo de sustentar essa família sobre terceiros?

Se seu trabalho não vale o suficiente para pagar por tudo o que elas querem, seria obrigação dos outros cobrir a diferença – em vez de responsabilidade sua melhorar suas habilidades para que possam vir a ganhar aquilo de que precisam?

Esperam os empregados da Wal-Mart ser subsidiados pelos clientes das lojas, pagando maiores preços, ou pelos acionistas, recebendo menores dividendos por suas ações? Boa parte das ações de uma companhia rica é propriedade de fundos de pensão que pertencem a pequenos investidores, como professores, policiais e outros que estão longe de serem ricos.

Por que é que alguns devem se aposentar com menos dinheiro, decorrente de um menor retorno aos seus investimentos em ações, para que os empregados da Wal-Mart sejam pagos aquilo que o New York Times deseja que lhes seja pago, em vez de receberem aquilo que vale o seu trabalho no mercado? Afinal de contas, eles certamente não estariam trabalhando para a Wal-Mart se alguém achasse que seu trabalho valia mais…

Nem estão eles obrigados a continuar a trabalhar para a Wal-Mart pelo resto de suas vidas. Para muitos deles, o emprego inicial na Wal-Mart é um trampolim para empregos melhores dentro da própria cadeia de lojas ou, à medida que obtêm mais experiência, para empregos melhores em outras companhias.

Pensem sobre isto: o que os metidos estão dizendo é que terceiros como eles próprios – que não estão pagando nada para ninguém – devem poder determinar quanto alguma outra pessoa, ou alguma empresa, deveria estar pagando para aqueles que trabalham para ela.

Seria devastador para os egos dos intelectuais descobrir, quanto mais admitir, que o mundo dos negócios tem feito muito mais para reduzir a pobreza no mundo do que todos os intelectuais juntos. Em última instância, é somente a riqueza que pode reduzir a pobreza, e a maioria dos intelectuais não tem a menor idéia de quais ações e políticas aumentam a riqueza nacional — nem nenhum interesse em descobrir…

Os intelectuais certamente não sentem nenhuma "obrigação" de aprender economia por um sentido de "responsabilidade social", muito menos por causa de qualquer "pacto social" que requeira que eles saibam do que estão falando antes de vomitar sua retórica auto-justificatória.

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The Crusade Against Wal-Mart

by Thomas Sowell (May 9, 2005 – [www.CapMag.com])

The latest liberal crusade is against the Wal-Mart stores.

A big headline on a long article in the New York Times asks "Can’t A Retail Behemoth Pay More?"

Of course they can pay more. The New York Times could pay its own employees more. We could all pay more for whatever we buy or rent. Don’t tell me you couldn’t have paid a dime more for this newspaper. But why should any of us pay more than we have to?

According to the New York Times, there is a book "by a group of scholars" due to be published this fall, arguing that Wal-Mart has an "obligation" to "treat its employees better."

This can hardly be called news. Nothing is easier than to find a group of academics — "scholars" if you agree with them — to advocate virtually anything on any subject. Nor is this notion of an "obligation" new.

For decades, there has been lofty talk abou
t the "social responsibility" of businesses or about a "social contract" between the generations when it comes to Social Security. Do you remember signing any such contract? I don’t.

What all this pious talk amounts to is that when third parties want somebody else to pay for something, they simply call it a "social responsibility," an "obligation" or a "social contract."

So long as we keep buying this kind of stuff, they will keep selling it.

In order to make such demands look like more than just the arbitrary notions of busybodies — which they are — some of these busybodies refer to the official poverty level, as if it were something objective, rather than what it is in fact, simply an arbitrary line based on the notions of government bureaucrats.

According to the New York Times, Wal-Mart’s average employee earns an income that is above the poverty line for a family of three but below the poverty line for a family of four. What are we supposed to conclude from this?

The fashionable notion of "a living wage" is a wage that will support a family of four. And, sure enough, the New York Times finds a Wal-Mart employee who complains that he is not making "a living wage."

How is he living, if he is not making a living wage?

Should people be paid according to what they "need" instead of according to what their work is worth? Should they decide how big a family they want and then put the cost of paying to support that family on somebody else?

If their work is not worth enough to pay for what they want, is it up to others to make up the difference, rather than up to them to upgrade their skills in order to earn what they want?

Are they supposed to be subsidized by Wal-Mart’s customers through higher prices or subsidized by Wal-Mart’s stockholders through lower earnings? After all, much of the stock in even a rich company is often owned by pension funds belonging to teachers, policemen and others who are far from rich.

Why should other people have to retire on less money, in order that Wal-Mart employees can be paid what the New York Times wants them paid, instead of what their labor is worth in the marketplace? After all, they wouldn’t be working for Wal-Mart if someone else valued their labor more.

Nor are they confined to Wal-Mart for life. For many, entry-level jobs are a stepping-stone, whether within a given company or as experience that gets them a better job with another company.

Think about it: What the busybodies are saying is that third parties like themselves — who are paying nothing to anybody — should be determining how much somebody else should be paying those who work for them.

It would be devastating to the egos of the intelligentsia to realize, much less admit, that businesses have done more to reduce poverty than all the intellectuals put together. Ultimately it is only wealth that can reduce poverty and most of the intelligentsia have no interest whatever in finding out what actions and policies increase the national wealth.

They certainly don’t feel any "obligation" to learn economics, out of a sense of "social responsibility," much less because of any "social contract" requiring them to know what they are talking about before spouting off with self-righteous rhetoric.

  1. Thomas Sowell é um representante da direita norte-americana.Toda sua análise é de defesa do capitalismo e da sociedade de mercado. E defende sem escrúpulos essas corporações como o Wal-Mart que estão selixanddo pelos direitos dos trabalhadores e sabotam como podem suas tantativas de organização e filiação a sindicatos.Eu os chamo de intectuais filocapitalista, por sua defesa pseudo liberal dessa forma de sociedade e de organização social que criou o inferno em quevivemos. Tem gente que gosta! 🙂

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