A esquerda e Cuba: dois pesos e duas medidas

Tenho me dedicado, nos últimos tempos, a estudar a ilogicidade da esquerda. Ou talvez o nome certo seja a logicidade dialética da esquerda… Nada melhor para evidenciá-la do que as várias subscrições de brasileiros de esquerda ao manifesto de "cientos de intelectuales" em defesa da liberdade e autonomia do povo cubano.

Nós tivemos a nossa ditadura militar no Brasil. Começou cinco anos depois da ditadura cubana de Fidel Castro e durou vinte anos — menos da metade do que a ditadura do El Comandante já dura.

Durante a ditadura brasileira um monte de brasileiro foi morto, ou foi expulso do país, ou teve de sair daqui correndo para não ser preso ou morto. Perderam seus bens e propriedades. Ficaram exilados um bom tempo. Voltaram quando da anistia — concedida enquanto os militares ainda estavam no poder. Puderam voltar tranqüilamente. Nenhum dos exilados foi preso ao entrar no país. Foram considerados heróis nacionais. Alguns chegaram a se candidatar à Presidência da República, outros se tornaram ministros, outros senadores, outros deputados federais. Tudo gente fina. Hoje a gente sabe que alguns tinham vocação de larápios, mas tudo bem. Ladrões ou não, ninguém duvida de sua brasilidade ou de seu patriotismo. Boa parte deles está sendo generosamente indenizada pelo governo brasileiro. Patati-patatá.

A ditadura brasileira é considerada de direita. Os que foram perseguidos por ela são, em geral, considerados de esquerda (embora nem todos o fossem, é bom que se diga: a esquerda não teve nenhuma exclusividade na luta contra a ditadura brasileira).

No caso da sanguinária ditadura cubana, houve mortes (ninguém pode esquecer "el paredón"), houve gente que foi expulsa, houve gente que teve de sair de lá fugida para não morrer. Perderam todos os bens e propriedades que tinham. Foram para Miami. Lá se estabeleceram e muitos deles se enriqueceram através de seu trabalho, tornando-se multimilionários.

A ditadura cubana é comunista — ditadura de esquerda. Os que foram perseguidos por ela são, em geral, considerados de direita.

O que se nota agora é que a esquerda mundial, incluindo nossa esquerdinha chique (a esquerda chamada Pierre Cardin ou cu de veludo, composta de auto-denominados intelectuais, e que inclui, entre os intelectuais, artistas de novela, cantantes, etc. — se bobear até jogador de futebol famoso vira intelectual no Brasil se estiver do lado ideológico certo), trata a ditadura cubana e suas vítimas de forma diferente da que tratou a ditadura brasileira e suas vítimas.

Fidel não é, para a esquerda, um pulha. É um herói, que trata bem os cubanos, tanto que é admirado até por um carregador de malas (a mensagem está circulando na Internet). Se procurar bem, a esquerda vai achar engraxates, limpa-botas, putas, travestis, etc., que acham o fétido ditador uma pessoa profundamente humana, atenciosa com os humildes, até carinhosa com gente que, segundo o ideário socialista, não deveria estar recebendo toda essa atenção, porque lá todo mundo seria igual, do ponto de vista econômica e social, não é mesmo? Igualmente pobre e miserável e igualmente oprimido, é o que quero dizer — com a exceção de Fidel, Raúl e uns poucos apaniguados.

Em suma: os ditadores militares brasileiros foram uns pulhas, uns canalhas, etc. etc. O ditador militar cubano é um herói profundamente humano para a esquerda. Ele está há quase 50 anos no poder, não porque nunca fez eleições — mas porque o povo cubano o adora!!! Para nós mortais que não somos de esquerda é difícil entender porque o déspota cubano nunca decidiu testar a adoração dos seus súditos.

Mas continuo.

Os que foram mandados para fora do Brasil, estes são os heróis aqui. Continuam a ser heróis mesmo depois que se provou que estavam envolvidos em corrupção (só porque foram aprendizes de guerrilheiros na selva). Ninguém nunca duvidou de sua brasilidade e de seu direito de voltar e assumir posições de proeminência no cenário nacional.

No caso de Cuba, a esquerda demonizou aqueles que Fidel expulsou de Cuba ou obrigou a se exilarem em Miami. São pulhas, canalhas, e tudo que é nome feio que que a esquerda chique se permite dizer em público. (Em privado falam palavrões cabeludos como todo mundo quando estão com raiva, como estão agora, que o reinado de Fidel está chegando ao fim). Os cubanos de Miami, para a esquerda, não são cubanos. Se voltarem para Cuba quando Fidel morrer ou cair, não serão vistos como heróis pela esquerda: serão golpistas. Na verdade, não serão considerados nem golpistas, porque para serem considerados golpistas teriam de ser considerados cubanos, e a esquerda se recusa a considerá-los assim. Serão considerados como invasores americanos, a mando de Bush.

Para a esquerda, diferentemente dos exilados brasileiros que voltaram ao seu país e receberam as boas-vindas da esquerda, os exilados cubanos não têm direito nenhum de voltar à sua terra natal, se estabelecer, um dia se candidatar a deputado, senador ou até mesmo à Presidência de Cuba.

A esquerda, inclusive a brasileira, tem dois pesos e duas medidas para julgar ditadores e exilados. Esse o sentido da lógica dialética. Se o ditador é de esquerda, é herói. Se o exilado é de esquerda, é herói. Quando são considerados de direita, são pulhas, canalhas, e pior — sejam ditadores ou exilados.

A esquerda está querendo caracterizar as movimentações dos cubanos de Miami para voltar à sua terra natal como tentativa de invasão da ilha pelos americanos — não como planos de exilados cubanos para o retorno à casa depois de quase 50 anos de exílio. A esquerda diz que o povo cubano corre risco de ser atacado — e sua autonomia corre o risco de ser violada. Como se essa autonomia não viesse sendo sistematicamente violada nos últimos 50 anos por um ditador despótico e sanguinário, que não reconhece a liberdade de expressão, de associação e de ir-e-vir de seu povo, bota na cadeia quem critica o regime, prende e arrebenta, mata friamente. O que os cubanos de Miami vão fazer é ajudar os seus irmãos — que sofreram por 50 anos na própria casa, não conseguindo fugir, apesar das tentativas de fuga em bóias de pneu, em jandadas e barcos improvisados — a restabelecer a autonomia que o povo cubano perdeu a partir de 1959.

Quem está disposto a defender o povo cubano que não conseguiu fugir de casa é, agora, o povo cubano que precisou e pode fugir para Miami, e que agora vai voltar — e, suspeito, ser considerado como herói, como deve, pelo povo cubano que vai ser liberado.

Está próxima a hora de verificarmos se o povo cubano adorava mesmo Fidel — ou se era puro medo. Está próxima a hora de ver o que o povo cubano prefere, depois de 50 anos de ditadura e doutrinação comunista.

Viva Cuba! Viva o povo cubano! Fora Fidel e os comunistas.

Torço para que Fidel recupere a sua saúde para ser colocado no "paredón", como fez com tantos. Mas suspeito que os cubanos se contentarão com prendê-lo e deixá-lo morrer com o triste recorde de ditador mais longo e sanguinário da história de Cuba. São mais civilizados do que ele.

Em Perth, Austrália, 10 de agosto de 2006 (9 de agosto aí no Brasil).

Educação fiscal

No dia 16/7/2006 coloquei em minha lista de discussão "4pilares" a mensagem abaixo, descrita, na linha de assunto, como "Educação Fiscal", acompanhada de uma lista das alíquotas de impostos que incidem sobre produtos de consumo básico (que recebi de Winston Ling pela Internet, mas é atribuída ao IBPT – Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).
 
Eis a mensagem:
 
—–
 
Pode parecer off-topic nesta lista, mas acredito que não seja. Nós todos somos, como cidadãos brasileiros, absolutamente ignorantes dos impostos que pagamos. Repetimos, feito carneirinhos, reclamações do número e do preço de pedágios. Mas o pedágio é, de todas as taxas, uma das mais justas. Paga quem usa — paga por um serviço. Quem paga está vendo a prestação ali no ato, na forma de boas estradas, de segurança (câmeras interligadas por fibras ópticas), de atenção à saúde (ambulâncias e até mesmo helicópteros, como existem na AutoBan). 
 
O duro é pagar impostos altíssimos sem nem saber que está pagando, ou quanto. Abaixo, uma tabela, que esclarece isso um pouco. É um absurdo. Em média, 40% do preço de um produto vai para o governo — para o governo usar você sabe como: fazendo publicidade, viajando, pagando preços superfaturados para receber parte do preço de volta para caixinhas dos partidos (é assim que surge o Caixa 2) ou para os bolsos dos parlamentares. Ou para financiar movimentos criminosos e arruaceiros.
 
Por isso, apesar de todos esses impostos, o reajuste dos aposentados dos INSS foi vetado pelo Presidente Lulla.
 
Precisamos começar a nos preocupar com nossa educação fiscal — e com a de nossos filhos e alunos.
 
–Eduardo
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Eduardo O C Chaves
eduardo@chaves.com.br
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LISTA de ALÍQUOTAS:
 
From: Winston Ling [mailto:winston_ling@yahoo.com]
Sent: Saturday, 15 July, 2006 23:03
To:
Acorda_Brasil@cm-ms5.globat.com
Subject: É vc quem paga..
 
Olá,
 
Não sei se vcs já tiveram acesso a esses números, assim estou tomando a liberdade de enviar-lhes a tabela dos impostos cobrados de alguns produtos brasileiros. Não é por nadad não, mas fiquei impressionado com a taxação de alguns itens básicos de alimentação do brasileiro (trigo, óleo de soja, farinha, etc.).
 
Mas o duro mesmo, é ver que quase nada temos em troca desses impostos…
 
Abraços!
 
QUERO MAIS JUSTIÇA TRIBUTÁRIA NO BRASIL!!!
NÃO DÁ PRÁ CONTINUAR COM ESSES ÍNDICES DE IMPOSTOS SOBRE COISAS TÃO BÁSICAS PARA UMA VIDA DIGNA!!!!
DIVULGUEM! VAMOS NOS MOBILIZAR!             
 
IBPT – INSTITUTO BRASILEIRO DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO
Percentual de Tributos sobre o Preço Final
 
PRODUTO – % Tributo s/preço final
 
MÓVEIS
 
Mesa de madeira – 30,57%
Cadeira de madeira –  30,57%
Sofá de madeira/plástico –  34,50%
Armário de madeira – 30,57%
Cama de madeira – 30,57%
Outros móveis –  37,56%
 
MEIOS DE TRANSPORTE POPULARES
 
Bicicleta – 34,50%
Motocicleta de até 125 cc – 44,40%
 
MEIOS DE TRANSPORTE NÃO POPULARES
 
Motocicleta acima de 125 cc –  49,78%
Automóvel – 43,63%
 
FORMAS DE TRANSPORTE
 
Passagens aéreas – 8,65%
Transporte rodoviário interestadual de passageiros – 16,65%
Transporte urbano de passageiros – Metropolitano – 22,98%
Transporte aéreo de cargas – 8,65%
Transporte rodoviário interestadual de cargas – 21,65%
 
MATERIAL DE USO DOMÉSTICO
 
Vassoura – 26,25%
Tapete – 34,50%
 
"UTILITIES"
 
Conta de água – 29,83%
Conta de luz – 45,81%
Conta de telefone – 47,87%
 
MEDICAMENTOS – 36%
 
MATERIAIS DE CONSUMO
 
Roupas – 37,84%
Sapatos – 37,37%
Cigarro – 81,68%
Gasolina – 57,03%
 
PRODUTOS ALIMENTÍCIOS BÁSICOS
  
Carne bovina – 18,63%
Frango – 17,91%
Peixe – 18,02%
Sal – 29,48%
Arroz – 18%
Óleo de soja – 37,18%
Farinha de trigo – 34,47%
Feijão – 18%
Açúcar – 40,4%
Leite – 33,63%
Café – 36,52%
Macarrão – 35,20%
Margarina – 37,18%
Molho de tomate – 36,66%
Ervilha – 35,86%
Milho verde – 37,37%
Biscoito – 38,5%
Chocolate – 32%
Achocolatado – 37,84%
Ovos – 21,79%
Frutas – 22,98%
Álcool – 43,28%
Detergente – 40,50%
Saponáceo – 40,50%
Sabão em barra – 40,50%
Sabão em pó – 42,27%
Desinfetante – 37,84%
Água sanitária – 37,84%
Esponja de aço – 44,35%
 
PRODUTOS BÁSICOS DE HIGIENE
  
Sabonete – 42%
Xampu – 52,35%
Condicionador – 47,01%
Desodorante – 47,25%
Aparelho de barbear – 41,98%
Papel Higiênico – 40,50%
Pasta de Dente – 42,00%
 
MATERIAL ESCOLAR
  
Caneta – 48,69%
Lápis – 36,19%
Borracha – 44,39%
Estojo – 41,53%
Pastas plásticas – 41,17%
Agenda – 44,39%
Papel sulfite – 38,97%
Livros – 13,18%
Papel – 38,97%
Mochilas – 40,82%
Régua – 45,85%
Pincel – 36,90%
Tinta plástica – 37,42%
 
BEBIDAS
  
Refresco em pó – 38,32%
Suco – 37,84%
Água – 45,11%
Cerveja – 56%
Cachaça – 83,07%
Refrigerante – 47%
CD – 47,25%
DVD – 51,59%
Brinquedos – 41,98%
 
LOUÇAS
  
Pratos – 44,76%
Copos – 45,60%
Garrafa térmica – 43,16%
Talheres – 42,70%
Panelas – 44,47%
 
PRODUTOS DE CAMA, MESA E BANHO
  
Toalhas – (mesa e banho) – 36,33%
Lençol – 37,51%
Travesseiro – 36%
Cobertor – 37,42%
 
ELETRODOMÉSTICOS
  
Fogão – 39,50%
Microondas – 56,99%
Ferro de Passar – 44,35%
Telefone Celular – 41,00%
Liquidificador – 43,64%
Ventilador – 43,16%
Refrigerador – 47,06%
Vídeo-cassete – 52,06%
Aparelho de som – 38,00%
Computador – 38,00%
Batedeira – 43,64%
 
CASA E MATERIAL DE CONSTRUÇÃO
  
Casa popular – 49,02%
Telha – 34,47%
Tijolo – 34,23%
Vaso sanitário – 44,11%
Tinta – 45,77%
Fertilizantes – 27,07%
 
MENSALIDADES ESCOLARES – 37,68% (COM ISS DE 5%)
 
  
DIVULGUEM!!!!!!!!
 
A mudança do Brasil depende também de você !!!
 
—–
 
Recebi uma resposta, em privado, de alguém que se descreveu e manifestou assim:
 
—–
From: [nome omitido]
Sent: Monday, 17 July, 2006 14:30
To:
eduardo@chaves.com.br
Subject: educação fiscal
 
boa tarde eduardo. meu noime é lilian. sou de [nome da cidade] e trabalho na secretaria da fazenda. a [sic] 3 anos estou trabalhando com educação fsical [sic].
 
o négócio, eduardo, é alem de pedir a nota e, assim, evitar a sonegação, é o cidadão se dispor a acompanhar os atos do governo. a fiscalizar o uso do dinheiro publico.
 
neste programa de educação fiscal, temos tido muito sucesso com as crianças, pois, os adultos… estes querem a lei de gerson. querem levar vantagem, sonegar. não está sendo fácil, mas estamos plantando sementes
 
um abraço
 
[nome]
equipe educação fiscal
[nome da cidada]
 
—–
 
A recusa do uso de maiúsculas e a pontuação é da missivista.
 
Respondi da seguinte forma:
 
—–
 
From: Eduardo O C Chaves [mailto:eduardo@chaves.com.br]
Sent: Tuesday, 18 July, 2006 08:01
To: [nome omitido]
Subject: RE: educação fiscal
Quando eu falo em educação fiscal, [nome], eu não estou pensando em educar pessoas para serem melhores pagadores de impostos, mas, sim, em educar pessoas para lutar para pagar a menor quantidade possível de impostos…
 
–Eduardo
 
—–
 
Recebi, em resposta, o que a missivista claramente acredita ser uma lição de moral. Novamente as idiossincrasias de redação (minúsculas, pontuação) são da missivista.
 
—–
 
From: [nome omitido]
Sent: Tuesday, 18 July, 2006 09:21
To:
eduardo@chaves.com.br
Subject: RE: educação fiscal
 
eduardo !!!
 
todo cidadão tem direitos e deveres
 
temos direito á educação, segurança, saúde e todos os outros que são garantidos pela constituição.
em contrapartida temos deveres.
 
claro que o mais chato é pagar impostos
 
p/a que o cidadão exerça seu direito a educação, saude, segurança, etc… é preciso que o GOVERNO construa.
 
pra realizar tudo isso, o governo precisa de dinheiro
 
e este dinheiro vem do povo, por meio dos tributos (que se dividem em impostos, taxas e contribuição de melhoria)
 
o governo não pode cobrar impostos como bem entender… é a constituição federal quem determina quais impostos podem ser cobrados pela UNIÃO, ESTADOS  e MUNICÍPIOS.
 
E O IMPOSTO PODE SER DIRETO (qdo incide diretamente sobre a pessoa ou patrimonio, como o IR) OU INDIRETO (qdo incide sobre mercadorias, neste caso atingindo os mais pobres, que consumem tais produtos)
 
são impostos da união: importação de produtos estrangeiros e de exportação; IR (o mais importante), IOF (imposto sobre operações financeiras), IPI (imposto sobre produtos industrializados), ITR (imposto sobre propriedade territorial rural), IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS.
 
mas eduardo, a cidadania implica em ficar de olho no $$$ publico
 
agora os impostos que os estados podem cobrar : ITCMD (imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos de herança), IPVA (imposto sobre a propriedade de veículos automotores), ICMS (imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços)
 
impostos cobrados pelos municipios : IPTU (p/a quem tem terreno ou imóvel urbano), IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO INTER VIVOS DE BENS IMÓVEIS (ao vender uma casa, terreno, pago na lavratura da escrituta), ISS (pago pelos prestadores de serviços, profissionais liberais, etc…
 
vc não fica bravo qdo seu imposto de renda vem descontado na fonte, e aí, qdo vai ao dentista, médico, ele te diz que COM NOTA é um preço, e SEM NOTA é outro… É JUSTO ISSO EDUARDO???? vc paga e ele sonega…)
 
bem, lutar p/a pagar a menor quantidade possivel de impostos é uma coisa, mas SONEGAR É OUTRA.
 
mesmo porque quem paga o imposto corretamente tem o direito e o dever de  controlar, reclamar e exigir
ser cidadão é pagar impostos, e é certo que eles deveriam ser menores, mas ser cidadão é tambem saber escolher corretamente seus candidatos, fiscalizar o uso do 444 publico, apoiar governos honestos
uma coisa eu ensino a meus filhos: tudo nesta vida tem o lado da  sacanagem e o lado certo.
 
fazer a coisa certa é sempre mais dificil , pois nos sentimos Um só caminhando contra a correnteza.
trabalhar com educação fiscal abriu meus olhos p/a a falta de cidadania que eu estava vivendo.
hj eu sou mais exigente comigo mesma e com o resto.
 
não sou conivente com o "jeitinho"
 
critico na cara os pais que param em fila dupla na porta da escola e trancam os carros e vão pegar seus filhos lá dentro…
 
a falta de educação no transito…
 
os produtos pirateados…
 
vc está lembrado da invasão do movimento das mulheres camponesas em março deste ano na fazenda aracruz? em nome da ignorancia, elas destruiram décadas de pesquisa… dinheiro investido… esforço dos pesquisadores…
 
é certo isso???
 
eduardo, nossa luta é esta; educar o cidadão a ser consicente, por iso o programa chama-se EDUCAÇÃO FISCAL  e não EDUCAÇÃO TRIBUTÁRIA
 
E  EDUCAÇÃO FISCAL começa com a EDUCAÇÃO… e não com FISCAL.
 
não queremos treinar ninguem a ser pagadores de impostos.
 
queremos conscientiza-los p/a a função socioeconomica dos impostos.
 
que está nas mãos do cidadão ter um a sociedade mais equilibrada.
 
ok?
 
um abraço
 
[nome]
EDUCAÇÃO FISCAL [nome da cidade]
 
—–
 
O que dizer a quem adota uma postura como a da missivista?
 
Em primeiro lugar, devo distinguir entre a questão do pagamento de impostos, in abstracto, isto é, em teoria, em princípio, e o pagamento de impostos in concreto, isto é, no Brasil de hoje, com a Constituição que possui e com outras excrescências jurídicas e políticas.
 
Vou procurar discutir a questão nos dois níveis, sem deixar de fazer referência a outro artigo meu neste "Space", publicado em 22/8/2005, que teve o título de "Impostos e taxas (e mais: contribuições, empréstimos compulsórios, etc.)".

 
A Questão in Abstracto
 
Não é segredo para nenhum dos leitores deste blog de que sou um liberal ao estilo clássico que está convencido de que "o melhor governo é o que menos governa" e que defende, portanto, um Estado Mínimo, que possui, apenas, três funções básicas: legislar (função legislativa), fazer cumprir as leis (função jurídica) e manter a lei e a ordem (função policial-militar). Meu Estado Mínimo tem apenas essas funções, que, de certo modo, se resumem em resguardar os direitos individuais: à vida e à integridade física, à liberdade (de expressão, de locomoção, de associação, e de ação na busca dos meios que lhe garantam a felicidade), e à propriedade dos recursos e bens gerados pelo seu trabalho. Cada indivíduo, no exercício dos seus direitos, tem dois deveres básicos: (a) respeitar iguais direitos dos demais indivíduos e (b) custear, através de impostos e taxas, a estrutura do Estado Mínimo, ou seja, o governo. Mas ele só tem o dever de custear essas funções do estado — e o governo tem o dever de prestar contas do uso dos impostos e taxas que lhe foram pagos.
 
Os direitos individuais que o Liberalismo Clássico defende são corretamente chamados de "direitos formais" ou "direitos negativos". O único dever que eles impõem a cada cidadão é o dever de não desrespeitar, violar, etc. os direitos de seus co-cidadãos. Se eu não agir em desrespeito ou violação dos direitos dos demais, estarei cumprindo meu dever para com eles. Além desse dever, e o de sustentar a estrutura do Estado Mínimo, o Liberalismo Clássico não impõe nenhum outro dever ao cidadão. O cidadão, enquanto tal, não tem o dever de ajudar os seus co-cidadãos, ainda que extremamente necessitados, ou de custear algum tipo de ajuda a eles por parte do governo. O indivíduo ajuda apenas quando sua consciência lhe determinar, e ajuda quem ele acha que merece ajuda, da forma que achar mais adequada, e pelo tempo que achar que faz sentido.

A Questão in Concreto, no Brasil

 
Não é segredo para ninguém que nossa Constituição Federal é uma excrescência. Definiu direitos — que, para mim, são supostos direitos — sociais, econômicos, ambientais, e sabe-se lá de que outro tipo. Não há dúvida de que seja a mais "generosa" das constituições atuais.
 
A Constituição Federal, ao irresponsavelmente criar direitos chamados positivos, impôs uma série de deveres a pessoas que não são beneficiárias desses direitos. Como é impossível obrigar alguém a ajudar o outro diretamente (dando-lhe educação, saúde, etc. etc.), a Constituição Federal caracterizou o dever de respeitar esses direitos positivos que ela criou como sendo do Estado, vale dizer, do governo. "Educação, direito de todos, dever do Estado". E assim por diante.
 
Acontece que o Estado (apesar de, hoje em dia, emitir e controlar a moeda) não gera um centavo recursos. Qualquer centavo que o governo gaste sai, em última instância, do meu, do seu, do nosso bolso.
 
Assim, dizer que, aos supostos direitos criados pela Constituição Federal, corresponde um "dever do Estado" é, inegavelmente, impor uma série de deveres a todo cidadão que paga impostos — e todos nós pagamos, até o mais pobre (pois imposto indireto não deixa de ser imposto por ser "invisível").
 
Conseqüência: quando o governo dá milhões de reais ao MSLT, entidade arruaceira, criminosa e irresponsávei que destruiu parte das instalações do Congresso, ele está impondo a mim, a você, a todos nós o dever de custear essa organização arruaceira, criminosa e irresponsável e de manter os vagabundos e criminosos que vivem dela. 99,9% dos brasileiros, em sã consciência, nunca dariam seu dinheiro a organizações desse tipo. Mas, mediante os impostos que pagamos, todos nós nos tornamos cúmplices da existência desse absurdo.
O Bolsa Família talvez seja o mais fraudado de todos os programas do governo federal. Ele é custeado por mim, por você, por todos nós.
 
O dinheiro que é roubado pelo superfaturamento de ambulâncias e outros bens e pela devolução aos políticos que patrocinam essas "emendas orçamentárias", vai para o bolso de políticos ladrões que a Justiça nos impede de conhecer — mas nós sabemos muito de quem é o bolso do qual esse dinheiro sai.
Nosso sistema fiscal-tributário é um absurdo. Dou um pequeno exemplo.
 
Tenho uma pequena empresa de consultoria em Campinas. A empresa tem quase 10 anos de existência e eu moro em Campinas desde 1964 (exceto pelo período em que estudei e trabalhei no exterior, de 1967 a 1974). Meus principais clientes todos têm sede na cidade de São Paulo. O Sr. José Serra, que, se eleito governador, será o chefe maior da missivista, criou uma lei, enquanto prefeito da cidade de São Paulo, que obriga empresas prestadoras de serviço com sede em outras cidades, mas que tenham clientes na cidade de São Paulo, a se cadastrarem na Prefeitura, apresentando uma enormidade de documentos, para comprovar que sua sede é realmente na cidade em que afirmam ter sede. Recuso-me a fazer isso. Se o governo da cidade de São Paulo tem alguma evidência de que eu estou mentindo para pagar menos ISS, ele que me acuse disso e prove a acusação. Eu não reconheço a obrigação de provar que a sede de minha empresa é onde a Nota Fiscal dela diz que é. Resultado: envio as Notas Fiscais para meus clientes, e eles, além de deduzirem de meu pagamento, na fonte, os valores correspondentes o pagamento de IRPJ (1,5%), CSL (1,0%), COFINS (3%), e PIS (0,65%), deduzem também os 5% de ISS, que eu deveria pagar em Campinas, cidade em que o ISS é também de 5%. Meu procedimento: como o ISS já foi pago à cidade de São Paulo, não o pago em Campinas. Não vou pagar o ISS duas vezes. Se Campinas reclamar, o que vai fazer, vou entrar com uma ação provando que o ISS foi deduzido na fonte, à minha revelia, pela fonte pagadora, por ordem da Prefeitura Municipal de São Paulo. Se a Prefeitura de Campinas quiser, que reclame o valor junto à Prefeitura de São Paulo. E que a Justiça decida.

Educação Fiscal

 
Neste contexto atual aqui no Brasil, é abusar do termo "educação" chamar de Educação Fiscal programas que visem a doutrinar e condicionar as crianças para, um dia, pagarem impostos (seja lá quais forem, e com as alíqüitas que o governo resolver impor). O programa que a missivista apresenta e defende é um programa governamental cujo único objetivo é aumentar os recursos nos cofres do governo.
 
No contexto atual aqui no Brasil o que seria uma real Educação Fiscal seria um programa que conscientizasse a população acerca do absurdo que é a nossa carga tributária (direta e indireta), do pouco que retorna à população, na forma de serviços, dos impostos pagos, e que a capacitasse para resistir a esse roubo do nosso dinheiro que é permitido, à luz do dia, por essa absurda estrutura fiscal-tributária brasileira. Resistir mesmo. Na Justiça, se for possível.
Em Salto, 18 de julho de 2006

Não vote em branco nem anule seu voto

[Este artigo é uma adaptação de algo que recebi pela Internet (em formato pps). Mantive a essência, mas alterei um pouco a redação e os cálculos e procurei reforçar os argumentos]
 
Está em curso, no momento, pela Internet, uma campanha pelo voto BRANCO ou NULO. Estão tentando nos convencer a, nas próximas eleições, votar ou BRANCO ou NULO para Presidente do Brasil.
 
Vou tentar mostrar aqui que essa campanha vai resultar, fatalmente, na continuidade no Palácio do Planalto da nulidade que hoje lá se encontra e que se chama Lulla da Silva. 
 
Muita gente, quando ouve falar nessa campanha, imagina que ela está sendo patrocinada pelos que se enojaram diante da corrupção e da incompetência do atual governo, do Lulla e do PT. Parece razoável imaginar isso.
 
Mas cuidado. É preciso olhar além das aparências. Vejamos a seguir alguns fatos e considerações importantes.
No sistema eleitoral brasileiro o total dos VOTOS VALIDOS corresponde ao total de todos os votos efetivamente dados na eleição MENOS OS VOTOS BRANCOS E NULOS.
 
Vejamos…
 
O Brasil tem, aproximadamente, 115 milhões de eleitores. Esses são os votos possíveis. Um certo percentual de eleitores não vota, no Brasil, apesar de o voto aqui ser obrigatório. Digamos que sejam 5 milhões (4,3% dos eleitores) os brasileiros que deixem de votar nas próximas eleições.
 
Então, vamos calcular…
 
As últimas pesquisas de intenção de voto indicam que cerca 13% dos consultados pretendem votar em branco ou anular seu voto. Isso quer dizer, a se confirmar essa intenção, que cerca de 14,3 milhões de eleitores que vão votar já decidiram não colocar na urna um voto válido. (O voto hoje é eletrônico, mas a imagem de colocar voto na urna está sacramentada).
 
As últimas pesquisas também indicam que cerca de 10% dos consultados afirmam que NÃO SABEM em quem vão votar. É bem possível que, na hora de votar, eles também votem em branco ou anulem seu voto. Isso acrescentaria mais 11 milhões de votos BRANCOS e NULOS ao número já alcançado.
 
Total de votos BRANCOS e NULOS: 14,3 + 11 = 25,3 milhões.
 
Total dos VOTOS VÁLIDOS: 110 – 25,3 = 84,7 milhões.
 
A maioria das pessoas imagina que, para alguém se eleger presidente, ele precisa ter maioria absoluta dos votos dados no primeiro ou no segundo turno – e maioria é metade mais um, certo? Segundo essa idéia, o candidato eleito teria de alcançar 55.000.001 votos, se o número de votantes fosse exatamente 110 milhões.
Mas essa impressão está TOTALMENTE ERRADA: para alguém se eleger presidente ele precisa obter, no primeiro ou no segundo turno, MAIORIA ABSOLUTA DOS VOTOS VÁLIDOS. Ou seja: para se eleger, um candidato não precisa ter 55.000.001 votos, mas, sim, apenas 42.350.001 votos (que é metade dos votos válidos mais um).
 
Metade mais um dos VOTOS VÁLIDOS representa apenas 36,8% dos eleitores brasileiros – ou 38,5% dos eleitores brasileiros votantes. Esse percentual está muito próximo do percentual de "votos cativos" do Lulla, isto é, do percentual de votos que ele recebeu nas três eleições para Presidente que perdeu.
 
Conclusão:
 
Mesmo que essa não seja sua intenção, a campanha para que votemos BRANCO ou NULO tem como resultado diminuir a quantidade de votos que esse governo corrupto e incompetente necessita para se reeleger, permitindo que o Lulla se reeleja apenas com o percentual de votos que tradicionalmente não foi suficientes, em três eleições seguidas, para elegê-lo. Em 2002 o Lulla só se elegeu porque boa parte do eleitorado das classes A e B votou  nele — para lhe dar uma chance. Sem esses votos do eleitorado das classes A e B ele nunca teria sido eleito. Se esse eleitorado voltar contra o Lulla na próxima eleição, ele pode perder no primeiro turno… Entretanto, nesta próxima eleição estão tentando convencer esse eleitorado, que é o mais bem informado, a votar BRANCO ou NULO, para expressar sua frustração com a corrupção e a incompetência do atual Presidente da República e sua quadrilha (palavra usada para se referir aos asseclas do Presidente pelo Procurador Geral da República).
 
É evidente que o governo atual tem todo interesse em patrocinar (secretamente) essa campanha pelo voto BRANCO ou NULO, porque é no seu interesse aumentar ao máximo o número daqueles que votam BRANCO ou NULO, pois esses votos serão, na próxima eleição, em sua maioria absoluta, votos conscientes de protesto, que, se não fossem BRANCO ou NULO, nunca seriam do Lulla… Mas NUNCA MESMO!
 
Para nós, descontentes com toda a sujeira patrocinada pelo atual governo, o voto BRANCO e NULO só teria impacto significativo se atingisse metade mais um dos votos… Neste caso a eleição teria de ser cancelada. Mas isso é virtualmente impossível de ocorrer.
 
O governo federal e o PT estão apostando na nossa FALTA DE ATENÇÃO às armações que eles criam para nos ludibriar.
 
Lembre-se: ao darem o resultado da ultima pesquisa IBOP/Rede Globo todos os meios de comunicação diziam que o Lulla ganharia já no Primeiro Turno. 
 
A imprensa, porém, não explicou direitinho duas coisas:
 
a) A pesquisa só consultou eleitores das classes C e D… (de onde saem os eleitores tradicionais do Lulla, os seus "votos cativos")
 
b) Lulla só ganharia no Primeiro Turno se o percentual de votos BRANCOS e NULOS fosse o da pesquisa OU MAIOR…
 
É por isso que, segundo a pesquisa, Lulla ganharia no Primeiro Turno com apenas cerca de 43% dos votos (e mesmo assim, de uma pesquisa que não cobriu todo o eleitorado)…
 
O Hugo Chavez, Presidente da Venezuela e amigo intimo do Lula, foi reeleito com apenas… pasmem… 25% dos votos dos venezuelanos…
 
Eles querem dar o mesmo golpe aqui.
 
E tem mais…
 
O Lulla… que já está em campanha desde dezembro do ano passado, se fazendo de bom moço e, pior, querendo dizer que governa e governou, só tem interesse em desinformar e ludibriar os brasileiros.
 
Brasileiro! Não se deixe enganar. Não vote BRANCO ou NULO nas próximas eleições. Compareça e VOTE CONTRA O LULLA. Vote no candidato que tiver melhor chance de derrota-lo. CHANCE REAL. A situação atual é crítica. Não jogue fora seu voto ajudando a reeleger Lulla.
 
Vamos DERROTAR O LULLA JÁ NO PRIMEIRO TURNO. É possível.
 
LULLA NUNCA MAIS… nem ele, nem a quadrilha dele.
 
Não se deixe enganar… Quem deu 5,5 milhões do dinheiro público para criminosos e arruaceiros não pode ser honesto. Os votos que ele tem são comprados com as inúmeras bolsas que ele criou.
 
Em Salto, 18 de julho de 2006

Existe um "direito ao respeito"???

[Transcrevo – EC]

Catholic Leaders Need to Show a Little Respect for Freedom

By Debi Ghate

This summer’s blockbuster movie "The Da Vinci Code" is set to hit the big screen surrounded by controversy. Some Catholic leaders have asked their faithful to speak out against the film and to boycott it. Some bishops, however, take it even further than that. Archbishop Angelo Amato, a high-ranking Catholic official, says the movie is full of "offences, slander, historical and theological errors concerning Jesus, the gospel and the Church," which if "directed towards the Koran or the Shoah would have justifiably provoked a worldwide revolt. Yet because they were directed toward the Catholic Church, they remain unpunished." And Cardinal-Bishop Francis Arinze, a Papal candidate last year, added ominously: "Those who blaspheme Christ and get away with it are exploiting the Christian readiness to forgive and forget and to love even those who insult us. There are some religions that if you insult their founder they will not be just talking. They will make it painfully clear to you." (Emphases mine)

In issuing such veiled threats, the bishops are no doubt hinting at the vehement Muslim reaction to the Danish cartoons. In a frenzy of violence, Danish embassies were torched, people were murdered and the cartoonists went into hiding as protestors carried signs with slogans such as "Massacre those who insult Islam."

How can the bishops possibly call such actions justified and suggest that Christians imitate them?

Because, they claim, a person has a right to have his core beliefs respected–a right the cartoonists and filmmakers violated. "This is one of the fundamental human rights," Cardinal-Bishop Arinze pronounced in a statement eerily reminiscent of what Imams said regarding the Danish cartoons: "that we should be respected, our religious beliefs respected, and our founder Jesus Christ respected." The Bishops are demanding respect–but can respect be demanded?

To respect something means to hold it in high regard. Respect is something that we reserve for the people and ideas we judge to be worthy of our love and admiration–we reserve it for what we value. Our respect is a precious commodity, used to express our sanction and approval of others and their actions. We respect Thomas Jefferson for writing the Declaration of Independence. We respect American soldiers who defend this great country’s values. In contrast, we disrespect, even hate, those who oppose our values. If a white supremacist comes to your town to deliver a speech advocating that non-whites should be corralled and shot, do you have an obligation to respect his beliefs? Or should you speak out against what you consider to be evil, and in favor of what you judge to be good? And other cases are harder to judge. If your neighbor believes that a hard-working Mexican busboy should be deported because he is here without a work permit, do you have an obligation to respect that belief?

By suggesting that there is a "right to respect." the bishops are clamoring that we owe them respect regardless of whether we think their beliefs are true or false, worthy of our admiration or denunciation. Many people, of course, do respect the Catholic Church, but others agree with Enlightenment thinkers like Voltaire, who concluded: "Christianity is the most ridiculous, the most absurd and bloody religion that has ever infected the world." Respect can only be granted willingly, where we judge it to be due, not demanded by those whose ideas we conclude to be false or despicable. There can be no "right" to be respected.

By claiming that their "rights" have been violated, the bishops are calling for their faithful to demand government protection from "offensive" content. By asking that the filmmakers be punished, they are asking for censorship–for the filmmakers to silence themselves or be silenced by force. And their statements make it clear: If the government won’t censor the filmmakers, Christians should make their displeasure "painfully clear." "Respect" granted at the point of a gun is not respect at all–it is a ransom for your life.

Our Founding Fathers created a revolutionary system that protects each individual’s rights, including the right to express his ideas regardless of their popularity or whom they offend. Our country is proof that the system works. Catholics can voice their displeasure, even their disrespect, for a movie; filmmakers can present a controversial story that millions will pay to see. Each can criticize the other and peacefully walk away. It is in that spirit that "The Da Vinci Code" filmmakers have a right to release their movie without the threat of force from Catholic bishops. And this is a right the bishops need to learn to respect.

Debi Ghate is Vice President of Academic Programs at the Ayn Rand Institute (http://www.aynrand.org/) in Irvine, Calif. The Institute promotes Objectivism, the philosophy of Ayn Rand–author of "Atlas Shrugged" and "The Fountainhead."

 
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Trancribed, for educational purposes, by Eduardo Chaves in Salto, SP, Brazil, on the 16th of May of 2006

Os Estados Unidos e Cuba

Comento o artigo abaixo sobre o suposto bloqueio dos Estados Unidos a Cuba.

Acho o máximo esse tipo de história que a esquerda consegue inventar…

1) Os Estados Unidos não estão nem nunca estiveram bloqueando Cuba (exceto durante o breve episódio da crise dos mísseis, em 1960, em que Kennedy enfrentou Kruschev). Se o que hoje existe fosse algum tipo de bloqueio, todo mundo veria navios e aviões americanos patrulhando a costa e o céu de Cuba para impedir que navios e aviões de outros países chegassem lá com qualquer mercadoria. Isso absolutamente não existe.  A esquerda pretende caracterizar como bloqueio o que de fato é bloqueio – e pretende fazer isso pelo cansaço, pela simples repetição catecísmica ca mesma besteira.

2) O que os Estados Unidos vêm fazendo com Cuba é um embargo. Sobre quem recai o embargo? Exclusivamente sobre as empresas americanas, que estão proibidas, pelo governo americano, de comercializar com Cuba — vender e/ou comprar – e sobre os cidadãos americanos, que têm sua liberdade de viajar para Cuba restringida (não podendo viajar diretamente dos Estados Unidos para Cuba: quem quer ir lá (e muitos vão) tem de passar por um outro país e conseguir uma autorização de entrada em Cuba.

3) Os Estados Unidos não tentam, e se tentassem não conseguiriam, impedir nem mesmo seus aliados mais chegados de comercializar com Cuba. Todos os países do mundo comercializam com Cuba, menos os Estados Unidos. E não tentam, e se tentassem não conseguiriam, proibir cidadãos de outros países de visitar Cuba: eu mesmo já estive lá. Na verdade, os Estados Unidos não conseguem nem mesmo proibir americanos de visitar Cuba: vira e mexe tem americano lá em Cuba. Se é famoso e de oposição ao atual governo, tem grande cobertura da imprensa.

4) Embargos são atos unilaterais, sim. No momento vários países embargaram a compra de carne bovina brasileira – e o fizeram unilateralmente, sem consultar se o Brasil estava de acordo com o embargo. No caso do embargo dos Estados Unidos contra Cuba, o embargo também é unilateral: foi decretado pelos Estados Unidos, sem consultar se Cuba estava de acordo (pelo jeito não está…), e incide sobre empresas dos Estados Unidos e cidadãos americanos.

5) A propósito, Fidel Castro tem um embarguinho dele também: proíbe os cubanos de sair de Cuba para os Estados Unidos (porque ele sabe que, se saírem, ficarão por lá).

6) Não há a menor dúvida de que o embargo foi decidido pelos Estados Unidos para trazer prejuízos econômicos para Cuba, sim… Cuba está vendo, no processo, o quanto é ruim não poder vender nada pros Estados Unidos nem comprar nada dos Estados Unidos. E é bom que veja.

7) O exercício, por Cuba, do chamado jocosamente de jus sperneandi é prova inequívoca de uma coisa: Cuba quer poder comercializar com os Estados Unidos (porque com o resto dos países do mundo já comercializa, o embargo americano não os afetando).

8) Cuba, entretanto, não tem direito de comercializar com os Estados Unidos – comercializa apenas se os Estados Unidos quiserem. O Brasil quer vender um número enorme de coisas para a Argentina (por exemplo), que a Argentina não quer comprar do Brasil. Há, nesse caso, um embargo parcial. Comércio é assim mesmo, é algo que exige dois parceiros: se um não quer comercializar, o outro não pode pretender que um direito seu foi lesado. Ponto final.

9) É o cúmulo da idiotice e da imbecilidade tentar quantificar o prejuízo que Cuba vem tendo com o embargo americano… Seria ótimo ver a memória e a metodologia dos cálculos que levaram aos "54 mil millones de dólares".

10) Esse negócio de denunciar os Estados Unidos à ONU ou de afirmar que os Estados Unidos estão fazendo terrorismo, ato de guerra, genocídio, etc. contra Cuba é um papo furado que não convence ninguém. Só é repetido por cacoete de quem reza pelo catecismo comunista diariamente.  

Por fim, pessoalmente acho que os Estados Unidos deveriam levantar o embargo. Acho, porém que só vão levantá-lo quando o Fidel Castro morrer. Não vão querer dar o gostinho ao ditador caribenho de dizer que sua luta foi finalmente bem sucedida.

Em Chicago, 4 de novembro de 2005

 —–Original Message—–

From:Antonio Morales
Sent: Thursday, 03 November, 2005 22:27
To: discutindo@livremente.net
Subject: [LivreMente] La ONU y el bloqueo a Cuba

La ONU y el bloqueo a Cuba

Rodrigo Santillán Peralbo (*)

El daño económico causado al pueblo cubano por la aplicación del bloqueo impuesto, unilateralmente, por Estados Unidos desde hace 45 años, asciende a unos 82 mil millones de dólares. A esa monstruosa cifra debe agregársela 54 mil millones de dólares por daños directos a objetivos económicos y sociales por efecto del terrorismo organizado, financiado y ejecutado por Estados Unidos a través de la CIA

Lucha por la independencia y la unidad de América latina

Ese bloqueo económico, comercial y financiero practicado por Estados Unidos, es el más prolongado y cruel que haya conocido la historia de la humanidad y forma parte esencial de su política de hostilidad y agresiones contra el pueblo cubano.

Su objetivo, definido el 6 de abril de 1960, ha sido la destrucción de la Revolución Cubana "a través del desencanto y el desaliento basados en la insatisfacción y las dificultades económicas," negarle dinero y suministros a Cuba, para disminuir los salarios reales y monetarios a fin de causar hambre, desesperación y el derrocamiento del gobierno, según consta en el informe secreto del funcionario del Departamento de Estado, I. D. Mallory, desclasificado en 1991.

El bloqueo contra Cuba, con sobra de razones, ha sido calificado como genocida conforme con la Convención de Ginebra de 9 de diciembre de 1948, por cuanto son "actos perpetrados con la intención de destruir total o parcialmente a un grupo nacional." Estados Unidos ha pretendido, inútilmente, destruir al pueblo cubano y su Revolución, ya sea con el bloqueo o con otros actos de guerra violatorios de los principios y normativas del Derecho Internacional.

La Asamblea General de la Organización de Naciones Unidas, resolvió en trece ocasiones, que Estados Unidos ponga fin a esa política de bloqueo que es una política de guerra, perpetrada por la primera potencia mundial, en contra de una República libre y soberana que no ha cometido más delito que ejercer el derecho a la autodeterminación.

La ONU se apresta a dictar una resolución que condene ese injusto e inhumano bloqueo y lo hará con el apoyo, casi total, de todos los países miembros. Estados Unidos tiene la obligación de acatar las resoluciones de la ONU.

* Rodrigo Santillán Peralbo: Periodista ecuatoriano, miembro del Consejo Editorial de Altercom, presidió de la Unión Nacional de Periodistas, profesor de la Universidad Central del Ecuador, autor de varios estudios publicados, fue director de la Revista Siempre, ahora integra el Tribunal Contra la Guerra y es columnista del Diario Nacional La Hora.

A cleptocracia do PT

Lulla conseguiu ultrapassar a si próprio. Foi capaz de criar um escândalo dentro do escândalo. Pior ainda: mostrou que considera natural tudo aquilo que foi objeto do primeiro escândalo – pagar, de diversas maneiras, parlamentares para apoiar medidas de interesse do executivo. E, neste caso, a medida de interesse do executivo não foi nem mesmo algo supostamente de interesse do estado, como poderia argumentar-se ter sido o caso com a mini-reforma da previdência: foi simplesmente proteger o rabo – dele próprio e de outros petistas e, quem sabe, aliados.
 

[A propósito, diferentemente de muita gente, hoje em dia, que chama de governo apenas o executivo, como se o legislativo e o judiciário não o fossem, eu considero os três poderes como parte do governo – na verdade, no plano federal, como parte integrante e essencial de um só governo. Na verdade, acho possível argumentar que até mesmo os diferentes níveis do governo – federal, estadual e municipal – sejam um só governo, porque a divisão dos poderes entre os ramos executivos, legislativos e judiciários, bem como entre os níveis federal, estaduais e municipais são definidos pelo governo federal – na verdade, pela Constituição Federal e pela legislação complementar. ]

A compra aberta e deslavada de votos de deputados, pelo executivo federal chefiado por Lulla, para a candidatura à presidência da Câmara do deputado Aldo Rebelo, além de representar interferência claramente indevida de um poder nos afazeres de outro, só não é escândalo para aqueles que parecem ter perdido, se é que um dia o tiveram, o senso moral e o decoro político. A iniciativa dessas ações, vindo daquele que se vangloriou, há poucos meses, de ser o indivíduo mais ético e moral do país, só mostra a que ponto chegamos. Lulla e o PT sempre conseguem surpreender aqueles que imaginavam que havíamos chegado ao fundo do poço.

Pensando em tudo o que li, vi e ouvi acerca dessa malfadada eleição – e não a chamo malfadada porque esteja querendo sugerir que os outros candidatos teriam sido melhores, não – lembrei-me de algo que uma vez li acerca da atitude da Igreja Católica para com pecadores confessos e hereges. A igreja sempre teve muito mais medo de hereges do que daqueles que pecam – não importa quantos e quão condenáveis sejam seus pecados – e, reconhecendo seus pecados, pedem perdão. Estes, ao se confessarem pecadores à igreja e ao solicitar o perdão que ela pretensamente concede, reconhecem e afirmam a norma moral que a igreja defende e a sua autoridade para impô-la. Os hereges, por outro lado, não só discordam da norma moral ou da doutrina da igreja mas desafiam a autoridade da instituição para definir e impor a normal moral ou a doutrina. São, portanto, muito mais perigosos para a igreja. Para esta um Hans Küng virgem e asceta é muito mais temível do que um exército de padres pederastas e mesmo pedófilos.

Qual a relevância disso para o que acabamos de testemunhar em Brasília?

Lulla já havia demonstrado, em mais de uma ocasião, que achava a “crise” política do mensalão um “factóide”, isto é, um fato artificialmente criado pela oposição (ou “pelas elites”), não porque o PT não fizesse aquilo de que era acusado, mas porque não considerava errado o que o PT vinha fazendo.

Na entrevista dada em Paris, Lulla disse, com todas as letras, em relação ao Caixa Dois, que todo mundo o praticava no Brasil – por que agora invocaram com o Caixa Dois justo com ele??? Sua relutância em pedir perdão ao povo brasileiro, ainda que em nome do partido que representa, decorre deste fato. Sua ora desavergonhada compra de deputados para votar em Aldo Rebelo mostra que Lulla também não considera moralmente errado pagar alguém – em algum tipo de moeda reconhecido como tal pelos dois lados – para votar a favor dos interesses do governo e do partido. Tanto não considera que nem se preocupou em fazê-lo à socapa, nos bastidores, por baixo da mesa, por detrás do pano: fê-lo à luz do dia, anunciando aos quatro ventos que o estava fazendo. Afrontou a nação. E, ao fazer isso, mostrou que não tem senso moral. Ou porque nasceu sem, feito um cego de nascença, ou porque o perdeu em tantas sem-vergonhices que a vida pública lhe propiciou.

Lulla, se fosse preso e algemado por seus crimes, seria daqueles que não escondem as algemas e tentam cobrir a cara: ele levantaria os braços, mostrando as algemas, e olharia direto nas câmeras dos fotógrafos, para mostrar que não se considera culpado dos crimes de que é acusado e pelos quais estaria, por hipótese, sendo preso. Não se considera culpado, é bom que fique claro de uma vez por todos, não porque não tenha feito aquilo de que é acusado, mas porque não reconhece as normas que tornam suas ações não só falhas morais, mas crimes. 

O que Lulla está dizendo à nação é que ele, o primeiro mandatário da nação, considera certo e natural não seguir e não cumprir leis que ele acha bobas e babacas e que, de resto, em sua opinião, ninguém cumpre no país, como aquelas relativas a compras de deputados e à manutenção de Caixa Dois. 

Lulla, ao agir assim, acaba de sacramentar a implantação, de vez, da cleptocracia no país.

Não creio que haja pessoa sensata e sensível no país que hoje duvide de que o que está acontecendo no PT e no governo federal é roubalheira pura e simples.

Ou vejamos, começando com a questão do Caixa Dois.

Se empresários são acusados de crimes fiscais (roubar contra o governo) ao manter um Caixa Dois, por que partidos políticos, deputados e o presidente seriam menos culpados? Por que fazer todo aquele estardalhaço com a Daslu se manter Caixa Dois é algo que até o presidente considera natural?

Pode ser que ainda haja uns poucos, ignorantes ou de má fé, dispostos a argumentar que o caso do Caixa Dois de uma empresa, como a Daslu, é diferente do caso de partidos políticos, deputados e políticos em geral. O empresário, ao subfaturar e, assim, esconder suas vendas, para dessa forma pagar menos imposto, claramente está lesando o fisco, ou seja, o governo. Mas quem estariam lesando os políticos e seus partidos? O dinheiro que lhes está sendo dado “por fora”, e que, portanto não é contabilizado, não está sendo dado de livre e espontânea vontade por um empresário ou por uma empresa? Quem está sendo lesado ou prejudicado?

Vou ter de reiterar aqui coisas tão evidentes que deveriam ser óbvias.

A primeira e fundamental razão (eu, na verdade, diria a única) para a existência de um governo, que legisla, cumpre e faz cumprir leis, é proteger os indivíduos de assaltos à sua pessoa, liberdade e propriedade – ou seja, aos seus direitos individuais. Em troca dessa proteção os cidadãos se dispõem a pagar impostos que custeiam a existência e as atividades desse governo.

O imposto, é preciso deixar claro, é o preço pago pelo cidadão por um serviço que o governo lhe paga. O dinheiro que o cidadão paga como imposto é propriedade particular e privada do cidadão – da qual ele conscientemente abre mão para comprar um serviço. É preciso que se diga isso, porque às vezes se tem a impressão de que alguns governantes imaginam que o dinheiro que o cidadão ganha é legitimamente do governo e que este, por um ato de graça, deixa que o cidadão usufrua de uma certa parte dele. Isso é um absurdo. O dinheiro que o cidadão paga como imposto é parte de uma transação comercial entre duas partes. Ele é pago ao governo, para uma finalidade específica, que o cidadão reconhece como importante para si próprio. (Vide atrás, em outra matéria neste blog, a distinção que faço entre imposto, contribuição e taxa. Aqui não é preciso retomá-la. O que chamo de imposto aqui inclui todas essas categorias).

Por que é que empresas e as pessoas em geral sonegam impostos – quando, em suas transações com outras empresas ou pessoas, elas não imaginam que seus fornecedores lhes provejam bens e serviços sem o devido pagamento? Uma empresa que fabrica automóveis não espera que quem lhe forneça matéria prima, peças e componentes não seja pago. Uma empresa pequena ou um indivíduo não espera que quem lhe presta serviços de contabilidade não seja pago. Uma dona de casa não espera que a empregada mensalista ou a faxineira que lhe presta serviços domésticos não seja paga.

Por que as empresas e o povo em geral esperam que o governo lhes preste serviços sem ter de pagar por esses serviços? Por que é o crime de sonegação desestigmatizado no Brasil – e em vários outros países?

Há, basicamente, três razões:

Primeiro, porque as empresas e as pessoas em geral, embora tenham, numa economia de mercado, escolha acerca de que bens e serviços comprar e/ou de quem adquiri-los e por que preço, não têm muita escolha acerca dos serviços que o governo lhes fornece e lhes cobra nem muito menos do preço que lhes é cobrado (que, na maior parte das vezes, não é nem mesmo claro).

Segundo, porque o governo que hoje temos (“historicamente construído”, como diriam os intelectuais de esquerda) oferece uma gama de serviços muito grande e a maior parte das empresa e dos indivíduos não usa boa parte desses serviços.

Terceiro, porque as empresas e os indivíduos sabem que o dinheiro pago como imposto ao governo vai ser desperdiçado, mal empregado e mesmo deslavadamente roubado (através da onipresente corrupção que existe em todos os níveis governamentais).

Vou comentar, rapidamente, cada uma dessas razões.

A característica de que as pessoas mais se ressentem no seu relacionamento com o governo é a inevitabilidade. A morte e o relacionamento com o governo, com o conseqüente pagamento de impostos, são as duas coisas que muitos consideram exemplificar a noção de inevitabilidade (“death and taxes…”). Não há como fugir do governo. Posso mudar de país – mas no novo país terei de lidar com o governo. O cidadão é como o pobre do ditado. O pobre, como se dizia em tempos politicamente incorretos, muda de dono, mas não muda de sorte. O cidadão pode mudar de país, mas continua na mesma sina, tendo de se relacionar com um governo.

Em nossas transações, comerciais ou não, com entidades privadas ou pessoas físicas, se não estamos satisfeitos, podemos encerrar a transação, ficar sem um bem ou serviço, ou, então, buscar outro fornecedor. Até o casamento, que, apesar de voluntário, era, uma vez contraído, uma sina da qual só a morte podia nos livrar, é hoje totalmente voluntário, tanto no momento em que é contraído como em qualquer momento subseqüente. Os participantes do contrato nupcial podem hoje, aqui no Brasil, encerrá-lo a qualquer momento, sem precisar invocar falha grave na outra parte, como podem imediatamente, contrair outro matrimonio, sem limite.

No caso de nosso relacionamento com o governo, não. Aqui no Brasil, se não quero usar os serviços educacionais oferecidos pelo governo, posso recusá-los – mas tenho de continuar a pagar por eles! Na verdade, a esquerda quer nos tolher até mesmo a liberdade, que ainda nos resta, de não usar os serviços, ainda que pagando por eles: ela quer que a educação seja um monopólio estatal, que a prestação de serviços educacionais não esteja aberta à iniciativa privada (como hoje garante a Constituição Federal). É isso que está por trás de toda essa campanha que alardeia, nos campus das universidades brasileiras e na mídia, que educação não é mercadoria. Depois de não ter conseguido fazer da educação um monopólio na Constituição, a esquerda tentou caracterizar a prestação de serviços educacionais como “concessão governamental”: entidades privadas podem ser encarregadas dessa prestação, mas não por direito, apenas por concessão governamental (como hoje o governo faz com emissoras de rádio e televisão).

O governo decide, unilateralmente, quais serviços ele vai me prestar, mesmo que eu não precise desses serviços ou não os queira, e que preços eu vou pagar por eles, mesmo não os recebendo. Se não pagar esse preço, o governo tem autoridade para, legalmente, tolher a minha liberdade e confiscar (penhorar) os meus bens.

Da mesma forma que, quando o casamento era, por lei, eterno, o único jeito de se livrar dele era traindo, ou seja, quebrando a lei (o adultério era crime), o único jeito que as empresas e as pessoas, individualmente, têm de não pagar tudo aquilo que o governo quer cobrar delas é sonegando: não têm outra alternativa.

Passemos a discutir agora a segunda razão.

As empresas e as pessoas, individualmente, em geral não sonegam quando os serviços prestados pelo governo são necessários ou desejáveis e o preço é justo. A segurança pública é, na realidade, um desses serviços que as empresas e as pessoas físicas pagariam com gosto, se o preço fosse justo, porque é um serviço necessário e desejável. Governos foram implantados para garantir a segurança das pessoas e de suas propriedades bem como a sua liberdade de se expressar, de se associar, de ir e vir, de buscar a sua felicidade como lhes dê na cabeça (desde que respeitando iguais direitos dos demais).

No entanto, até aqui, naquela função que toda teoria política considera como função governamental essencial (exceção feita aos anarquistas, que se recusam a reconhecer a autoridade de qualquer governo), o governo brasileiro falha – e falha mais, talvez, do que em qualquer outra área! Diante da total ausência de segurança pública no país, em especial nas grandes cidades, as empresas e o povo em geral resolveram tomar a  si a sua própria segurança. Contratam empresas privadas de segurança, ou mesmo seguranças individuais e guarda-costas. Em poucos países cresce tanto a criação de condomínios privados e de blindagem de automóveis.

Mas deixando de lado serviços de segurança pública, pela qual empresas e indivíduos estariam dispostos a pagar, desde que os serviços fossem efetivamente prestados com qualidade e a um preço justo, governos vêm inventando, e o brasileiro está muito longe de ser exceção, uma quantidade enorme de serviços de que boa parte da população não precisa ou não deseja – ou que poderia obter de fontes privadas a um preço mais barato e com qualidade melhor – e, no entanto, por cuja provisão tem de pagar.

Boa parte dos brasileiros não usa os serviços educacionais do governo. Muitos até usariam, se a qualidade fosse boa, já que têm de pagar por eles de qualquer maneira. Mas porque a qualidade dos serviços prestados é péssima, quem tem um pouquinho de recurso extra prefere pagar por serviços educacionais de entidades privadas.

Boa parte dos brasileiros não usa os serviços de saúde do governo. Muitos até usariam, se a qualidade fosse boa, já que têm de pagar por eles de qualquer maneira. Mas porque a qualidade dos serviços prestados é péssima, quem tem um pouquinho de recurso extra prefere pagar por planos de saúde privados.

Boa parte dos brasileiros não têm a menor utilidade para os serviços de seguridade social (especialmente aposentadoria e pensão), até porque, para quem não é funcionário público, esses serviços são ridículos. Todos usam, apesar dos valores ridículos que os aposentados e pensionistas vindos da iniciativa privada recebem, porque ela é obrigatória. Mas porque a qualidade dos serviços prestados é péssima, quem pode pagar um plano de previdência privada, e muitas empresas possuem planos de pensão próprios para suplementar a previdência oficial, estatal.

Boa parte dos brasileiros não usa transporte coletivo urbano – que é subsidiado pelo governo e, por isso, se chama transporte público. Só o utiliza quem não pode comprar e custear um automóvel próprio. É verdade que quando o serviço de transporte público é de qualidade, como é o caso de alguns metrôs brasileiros, mesmo quem tem automóvel o utiliza – embora seja virtualmente impossível utiliza-lo nos horários de pico: é preferível ficar parado dentro do carro nas marginais, pois pelo menos ali, apesar da possibilidade de um assalto, se tem mais privacidade, e as mulheres não têm de se sujeitar às chamadas “encoxadas” e às passadas de mão.

E assim vai. A lista de serviços públicos que o governo oferece, que boa parte da população não usa (por ser de qualidade ruim), e, no entanto, tem de pagar, é interminável – e cresce a cada dia. Diante disso, muitos consideram justo (além de necessário, para a sobrevivência), sonegar. Mesmo sonegando, estão certamente pagando mais para o governo do que recebem dele na forma de serviços.

Quando se compara o chamado “custo Brasil”, ou seja, os impostos que os brasileiros, pessoas jurídicas ou físicas, pagam, com os impostos de outros países vizinhos, como o Chile, dá vontade de mudar para o Chile – e olhem que o Chile não é nem um paraíso fiscal. O que o Chile mostra é que um governo pode subsistir e prestar aos cidadãos serviços básicos de qualidade, a um custo razoável. Quando isso acontece, a sonegação virtualmente desaparece.

Agora, quanto à terceira razão.

O governo brasileiro é incompetente (e, por isso, desperdiça dinheiro pago pelos cidadãos na forma de impostos) e corrupto (e, por isso, rouba, apropria para fins privados, aquilo que deveria estar sendo usado para fins públicos legítimos).

Há várias formas em que o desperdício se manifesta. Todo político eleito para cargo executivo quer “deixar sua marca”. Por isso, em geral abandona obras iniciadas por seus antecessores. Todos nós vemos, o tempo todo, obras públicas abandonadas. Estradas, pontes, viadutos, túneis iniciados e não terminados. Recentemente a imprensa anunciou que, em São Paulo, partes de estações de metrô, que configura quase uma estação completa, foram construídas e nunca utilizadas. Passados diversos anos, em que foram usadas como depósito de material inservível, terão de ser destruídas para que novas instalações sejam construídas – porque mudou a tecnologia de construção de metrôs, mudaram as necessidades, mudaram as prioridades políticas. Edifícios inteiros restam inacabados – durante anos. Às vezes têm de ser implodidos, porque a estrutura, ficando a descoberto, se deteriorou.

Material permanente de toda a sorte é deixado sem uso. Material de consumo é jogado fora. Funcionários levam para casa, como se fossem seus, materiais de consumo, ou mesmo permanentes. Materiais de consumo são adquiridos – lembro-me das famosas toalhas de banho feitas com material importado do Egito no Palácio do Planalto – de qualidade muito acima do que seria necessário. Lulla comprou um avião importado para seu próprio uso quando um avião nacional, bem mais barato, poderia ter sido adquirido – com a vantagem de prestigiar a indústria nacional, e com a única desvantagem de que, em vôos mais longos, seria necessária uma escala ou duas a mais.

Uma empresa, ou uma pessoa física (como o dono de uma empresa), quando vai gastar dinheiro, procura não desperdiçar, porque o dinheiro é seu, e, portanto, ele tem todo interesse em usa-lo o melhor possível. O agente público, quando vai gastar, não gasta dinheiro seu – e, portanto, não tem, em relação ao dinheiro público, aquele cuidado que o agente privado tem em relação ao seu próprio dinheiro. Isso mesmo que não haja a menor suspeita de corrupção, de roubo. Mesmo no caso de despesas legítimas, o agente público não tem incentivos para gastar da melhor forma possível – daí o desperdício.

No tocante à corrupção, o problema é ainda mais sério, pois se trata de roubo, de apropriação indébita, para fins privados e pessoais, de recursos que não pertencem ao governo – e que, em última instância, pertencem ao conjunto dos cidadãos que pagam impostos.

A roubalheira no Brasil é tanta que os diferentes agentes governamentais, que deveriam ser os protetores dos direitos individuais da pessoa, da liberdade e da propriedade do cidadão, vêm se tornando, no Brasil, aos poucos, mas de forma cada vez mais acentuada, a maior ameaça a esses direitos. As empresas e as pessoas têm medo do governo no Brasil, porque vêem o governo, não como o protetor e garantidor de seus direitos, mas como uma ameaça a eles.

O brasileiro em geral não acredita no governo. Nem a velhinha de Taubaté, imortalizada por Luiz Fernando Veríssimo, sobreviveu aos escandaloso do PT. Seu autor a matou – sem pedir desculpas por ter ajudado a eleger o governo que o obrigou a extermina-la. E o brasileiro tem boas razões para não acreditar no governo. Políticos em geral mentem com a cara mais deslavada. Há alguém neste país que acredite que o José Dirceu não sabia de nada do que se passava no PT e no governo? Que Lulla não sabia de nada?

O brasileiro em geral acha que os governantes mentem porque são corruptos. O povo acha que todo político é corrupto, ladrão e sem-vergonha. Muitos acham que o mesmo se aplica a todo funcionário público, desde o mais alto até o mais baixo na hierarquia. O funcionário público não cumpre horário, não trabalha quando está na repartição, considera-se uma autoridade ainda que seja um reles contínuo porteiro, é mal-educado e abusado – é essa a percepção do cidadão. Além disso, é doido por para se apropriar de bens públicos – dos mais valiosos até os lápis, canetinhas, bloquinhos, clipes, post-its, pastas de arquivar, cadernos, papel de impressora e xérox, disquetes, cartuchos de tinta, etc. (Também funcionários de empresas privadas cometem esses pequenos delitos no Brasil, é verdade. Mas a percepção do cidadão é de que o funcionário de uma empresa privada está roubando propriedade de uma outra pessoa, que o cidadão nem conhece – enquanto o funcionário público está roubando coisa comprada com o dinheiro dele, pagador de impostos).

Os brasileiros em geral estão convictos de que políticos roubam, não só porque em geral ficam impunes, mas porque não têm princípios (inclusive morais) nem coerência: como bem o disse o programa Casseta e Planeta, políticos e prostitutas são as duas únicas categorias profissionais brasileiras que mudam de posição por dinheiro.

Mesmo o funcionário público não identificável como político rouba. O brasileiro em geral tem mais medo da polícia do que da bandidagem – até porque vê no policial um pior bandido, posto que disfarçado de autoridade. A promiscuidade existente entre a polícia e a bandidagem no Brasil, se não é única, pelo menos alcança níveis que bandidos de outros países devem considerar invejáveis. No país do jeitinho se ajeita tudo, desde a multa no trânsito (policiais rodoviários têm tão pouco medo de serem flagrados, que fazem blitzes, de que participam vários deles, e que são devidamente coordenadas por um chefe deles, em que aceitam até cheques como propina para não multarem). Fiscais cobram pela não autuação. Juizes vendem sentenças. Todo mundo se admira quando um árbitro de futebol é flagrado vendendo resultados de jogos, que, na opinião do povo, deveriam ser sagrados (pelo menos uma coisa deveria ser sagrada no país!), mas o fato de que juizes foram flagrados vendendo sentenças não causa maior comoção. Promotores públicos usam seus cargos para promover suas agendas pessoais, não raro de natureza político-partidária. Parentes são empregados, com altos salários, por deputados, senadores, membros do judiciário, e por aqueles que exercem cargos executivos. Quem trabalha no gabinete de um político não raro é obrigado a “pagar dízimo” (que, em geral, vai muito além de dez por cento) para quem o contratou – ou para o partido que viabilizou o emprego. E assim vai.

Voltando aos políticos.

Ficou evidente, na crise política em curso, que a campanha política se tornou o meio mais fácil de enriquecimento ilícito no país. Foi revelado ao Brasil aquilo que muitos brasileiros consideravam um mistério. Por que é que um brasileiro competente se sujeita a ganhar, como político, um salário relativamente pequeno diante do que ele poderia ganhar como autônomo ou como empregado de uma empresa particular, e, ainda por cima, ficar “no olho do público”, correndo o risco de ser denunciado por deslizes não só públicos mas privados? Hoje a resposta é evidente. As doações que um candidato viável tem condições de extorquir de empresários interessados em prestar serviços públicos é inimaginável num país com a cultura do Brasil. Embora a legislação limite as doações, e obrigue os políticos a revela-las, o Caixa Dois, que está no centro da crise política, institucionaliza a doação por fora (por baixo, por detrás – usem o eufemismo ou a metáfora que preferirem), não contabilizada. O sujeito presta contas de um valor que fica dentro do legalmente permitido, mas tem pelo menos dez vezes mais que não está contabilizado oficialmente. Desse Caixa Dois, parte pode ser usada para pagar fornecedores que prestaram serviços na campanha. Mas a maior parte, certamente, é embolsada. A corrida por recibos que se viu, há alguns dias, é evidência disso. Os parlamentares não tinham a menor idéia de como o dinheiro do Caixa Dois havia sido gasto.

Mas, todo o Brasil sabe, a corrupção hoje trazida a público não se explica apenas como Caixa Dois de campanha – supostamente justificado por uma legislação antiquada e pouco realista. Um monte de político foi pago pelo governo petista para votar com o governo. Deputados (e, talvez, senadores) foram simplesmente comprados.

De onde veio o dinheiro que permitiu essa compra de votos e de aliados? Em parte, do Caixa Dois do PT. Mas não só. Há outras formas de comprar políticos. As emendas dos parlamentares ao orçamento, que carreiam recursos para obras favoritas e “caridades” de cada um, são apenas as mais conhecidas. No episódio da eleição do presidente da Câmara, que motivou este artigo, foi a mais alardeada – mas certamente houve outras. A nomeação de afilhados é uma delas. Um cargo de ministro gera a possibilidade de multiplicar indicações, de controlar licitações – por isso os políticos se interessam tanto em “apadrinhar” candidatos a um emprego público.

Para concluir: o Lulla e o governo do PT sacramentaram a cleptocracia no Brasil. Roubar escondido é errado e é feio. Mas roubar à luz do dia, de forma aberta e escancarada, é pior – porque desmoraliza não só os indivíduos que roubam, mas as próprias instituições do estado.

Embora as empresas e as pessoas físicas que sonegam impostos não tenham interesse nenhum em alardear o fato, razão pela qual é difícil ter estatísticas confiáveis sobre o fenômeno da sonegação, tenho certeza de que nos meses e anos à frente a sonegação vai aumentar. E esse fato será apenas uma das nefastas heranças que Lulla e o PT terão legado ao país.

Fora com Lulla e fora.com.pt (http://fora.com.pt).

Em algum lugar acima do Polo Norte, entre Chicago e Hong Kong, no dia 30/9/2005 em Chicago e no dia 1/10/2005 em Hong Kong.