Ronaldo e o racismo do movimento negro

Ronaldo, “O Fenômeno”, acaba de dar uma grande contribuição ao debate nacional sobre cor. Ele simplesmente se declarou branco em uma entrevista. A breve reportagem da Folha de S. Paulo registra; “Na semana passada, em entrevista à Folha, ao condenar o racismo e dizer que não conseguia entendê-lo, declarou: ‘Eu, que sou branco, sofro com tamanha ignorância. A solução é educar as pessoas.’"

Bastou isso para que o jogador sofresse grande quantidade de críticas. Entidades ligadas ao movimento negro, incoerentemente, desceram-lhe o serrafo pelo que tomaram como uma rejeição, pelo jogador, de sua condição de negro (que, segundo essas entidades, é o que ele de fato é).

Ronaldo rebateu dizendo três coisas sensatas e, pelo jeito, verdadeiras: (a) seu registro de nascimento o identifica como branco; (b) ele se considera branco; (c) na Espanha, onde jogadores negros vêm sendo hostilizados pelas torcidas, ele é chamado de gordinho, mas não de negro.

Eis a grande contribuição de Ronaldo ao debate sobre a cor do brasileiro.
Entidades ligadas ao movimento negro vêm tentando, sem sucesso, classificar o Brasil como o maior país negro fora da África, afirmando que o número de negros no Brasil chega a 60% da população – negro, portanto, sendo a cor absolutamente majoritária do brasileiro.

O único jeito de fazerem essa afirmação mais ou menos plausível é considerando negro qualquer pessoa que tenha pelo menos um ascendente remoto que tenha sido negro – qualquer que seja a cor de sua pele. Assim, ó fica fora da cor negra quem for 100% de outra cor. (É de surpreender que as entidades ligadas ao movimento negro admitam que cerca de 40% dos brasileiros sejam não negros). Aqueles que são tradicionalmente considerados pardos são, segundo esse argumento, inequivocamente negros.

A falta de criatividade desse argumento – que é idêntico ao usado tradicionalmente nos Estados Unidos – tem, como contrapartida, a ambição de fortalecer as entidades que o propõem, que passariam, de pequenas e insignificantes que são, a “representantes” (autodesignadas, é verdade) da maioria do povo brasileiro.

Mas o argumento não é apenas pouco criativo: é insustentável. Uma análise, ainda que breve, mostra a sua insustentabilidade.

Se as entidades relacionadas ao movimento negro têm direito de considerar negro quem tem apenas uma gota de sangue negro (por assim dizer), por que não pode Ronaldo, e quem mais quiser, considerar branco quem tem apenas uma gota de sangue branco (ainda, por assim dizer)?

Além do mais, é de cor que se está tratando – não da pureza racial da ascendência. As entidades ligadas ao movimento negro insistem, como os tradicionais racistas americanos, em colocar a questão em termos de raça, não de cor. O brasileiro, tradicionalmente, prefere colocar a questão em termos de cor. A população, conforme se viu no Fantástico de 29 de maio de 2005, considera até mesmo Glória Maria, a repórter do programa, não negra – é moreninha, escurinha, mas negra, não, segundo pessoas ouvidas (embora ela mesmo insistisse que era negra).

O pai de Ronaldo aparentemente não só se considera negro, mas foi registrado como negro (embora seja relativamente claro). No caso de Ronaldo, porém, ele, pelo que consta, foi registrado como branco e assim se considera – com todo direito, diga-se de passagem.

Por anos entidades relacionadas ao movimento negro vêm argumentando que a ciência teria mostrado que o conceito de raça não faz sentido do ponto de vista científico, e que raça nada mais é do que uma construção social. Se isso é verdade, temos de depender da percepção das pessoas. No Brasil, raça está ligada a cor. E cor é algo que se percebe, e que é independente de exame de sangue ou do DNA da pessoa.

As entidades relacionadas ao movimento negro, para aumentar a sua alavancagem política, vêm tentando convencer todos os tradicionalmente considerados pardos a se considerarem negros, ainda que a cor de sua pele seja muito mais próximo do branco do que do negro. Agora investem contra alguém que tem pele relativamente clara, e está registrado como branco, porque admite publicamente que se considera branco. Onde fica a coerência?
Um representante de uma entidade ligada ao movimento negro, entrevistado ontem no Fantástico, tentou remendar, dizendo que, no plano pessoal, Ronaldo pode se considerar branco, mas que, como pessoa pública que é, não tem esse direito…

Pelo jeito querem que o Ronaldo assuma uma dupla personalidade.

Durma-se com um barulho desses. Num país em que se admite que loiros se declarem negros para se valer do sistema de cotas, porque a cor de uma pessoa seria aquela que a pessoa declara, as entidades do movimento negro querem reintroduzir raça, não cor, como categoria relevante de classificação das pessoas.

Isso é racismo.

Em Campinas, 30 de maio de 2005

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  3. nossa é muita falta de carater Ronaldo fenomeno falar q é é branco só por causa de um registro q na questão de cor falha para caramba, o Daniel alves é da cor dele e jogaram banana tem jogadores negro bem escuro q ñ foram discriminados ñ porq ñ é negro mais por q passo batido,e com o pai negro mesmo se ele tivesse uma mãe alemã.VERGONHA

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  4. O testo é antigo, mas o movimento negro brasileiro só piorou e vem ganhando força, o que não seria algo ruim se eles lutassem por respeito, e não dessa forma como vem fazendo, utilizando a cor da pele para ganhar vantagem como as cotas raciais, que é bem preconceituosa, eleitoreira, feita para oportunistas, disseminando ódio entre raças, gostam de taxa qualquer coisa de racista como exemplo aquele ator negro preso injustamente por incompetência da polícia, a mulher que o reconheceu tinha a pele bem mais escura que a dele, fora o fato dele parecer bastante com o real culpado, afinal nada como o ódio para controlar as pessoas, e é claro seu envolvimento em política, algumas dessas pessoas do movimento negro serão candidatos.
    Quanto ao comentário acima falar que o Ronaldo e o Daniel Alves tem a mesma cor de pele é sacanagem. Parabéns ao Ronaldo por não ceder a pessoas que dizem lutar contra o racismo, e constantemente o pregam, precisamos sim nos respeitar, mas de forma alguma ceder a pressão de pessoas que apenas querem impor a sua verdade, apenas querem tirar vantagem.

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