A parada gay

Hoje teve lugar em São Paulo a Parada Gay. Durante toda a semana os aficcionados vêm se manifestando na imprensa acerca do evento.

Em Carta Maior de 26/05/2005 “entidades” pedem liberdade sexual e “cobram ações mais efetivas contra a homofobia no país”. 

Estou cansado desse papo.

Os homossexuais brasileiros que me desculpem. Esse negócio de homofobia — conceito importado dos EUA — não existe no Brasil, país em que a população, exceto no caso de alguns skinheads, tolera qualquer tipo de orientação e comportamento sexual.

Pedir mais “liberdade sexual” no Brasil é ridículo: o que querem os homossexuais? Direito de transar em público na Avenida Paulista e, por cima, que os observadores os aplaudam e achem o ato lindo e edificante?

Os homossexuais brasileiros aprenderam com os negros americanos, que cobram nos Estados Unidos “ações mais efetivas contra o racismo” — um racismo que, embora tenha existido, não mais existe nos Estados Unidos. Fazem isso só para ganhar vantagens do governo e da sociedade (que, apesar de não racista, parece ter uma consciência culpada pelo crime de uma sociedade que não mais existe). Os homossexuais brasileiros alegam uma homofobia que, no caso brasileiro, é um mito.

Esse negócio de Dia e Parada de Orgulho Gay também é uma besteirada das grossas. Alguém já viu gente heterossexual propondo Dia e Parada de Orgulho Heterossexual (Straight?)…

Por fim, há que se destacar a contribuição que a mídia dá a toda essa palhaçada. O Fantástico de hoje à noite ficou entre o mau gosto e o ridículo. E estimou os participantes na passeata em dois milhões – certamente para colocar a passeata brasileira no livro de récordes.

No ano passado o número que a mídia sacramentou foi um milhão e meio. Este ano se falava em dois milhões mais de uma semana antes da passeata – e, hoje, não surpreendentemente, o Fantástico decretou cumprida a profecia.

Um estudante de jornalismo de bom senso, chamado José Antônio Rodrigues, de 24 anos, resolveu passar a limpo os números da passeata do ano passado. Em mensagem distribuída pela Internet ele raciocina assim:

1) A Av. Paulista tem 2.500 m de comprimento e cerca de 51 m de largura, incluindo as calçadas. A área total da avenida, portanto, é 2.500 x 51, ou seja, 127.500 m2.

2) “Para uma aglomeração humana compacta como em elevador lotado (5 pessoas por metro quadrado, algo como sardinha em lata), caberiam em toda a Av. Paulista 127.500 x 5, ou seja: 637.500 pessoas”.

3) “A passeata de 2004 ocupou só uma das duas pistas, a de sentido Paraíso-Consolação, o que reduz essa capacidade máxima de 637.500 à metade, ou seja, a cerca de 300 mil”.

4) “Mas a manifestação do ano passado não ocupou toda a pista da Paulista de início a fim, e nem havia gente espremida como em elevador, segundo fotos tomadas dos prédios. Também precisam ser descontadas, do total da superfície da Avenida, boa parte das espaçosas calçadas da Avenida que não estavam ocupadas, as entradas de Metrô, pontos de ônibus com assentos, bancas de revistas, postes, árvores, vasos com plantas, floreiras, guaritas, tapumes, canteiros, carros e outros veículos estacionados ou em movimento, etc.”

Pergunta ele, depois dessas considerações: “Para quanto se deverá encolher o número real de manifestantes de 2004? Para 200 mil, 100 mil, ou até menos ainda?”

E ele promete:

“Para este ano, com uma equipe de colegas, e baseado nos dados sobre a real capacidade da Paulista, vamos monitorar a passeata de 29 de maio próximo, tirando fotos e filmando, de maneira que possamos chegar a uma conclusão e mostrar toda a verdade. Vamos também monitorar o noticiário dos meios de comunicação sobre a passeata, e, com todos esses dados, será elaborado um Informe, simples, breve, objetivo e sincero.”

Parabéns ao José Antonio Rodrigues. Mas vai ser difícil que ele arrume emprego em nossos jornais, com toda essa seriedade.

Li uma vez em La Tribune de Genève uma afirmação que nunca esqueci. Dizia o jornal que os jornalistas passam a metade do tempo falando sobre aquilo que desconhecem – e a outra metade se calando sobre o que de fato sabem.

É isso.

Em Salto, 29 de maio de 2005

  1. Esse texto é o um dos poucos neste blog com o qual discordo, mas não faz mal, não me incomoda.
    Acho um pouco estranha a frase “Esse negócio de homofobia — conceito importado dos EUA — não existe no Brasil, país em que a população, exceto no caso de alguns skinheads, tolera qualquer tipo de orientação e comportamento sexual.” pois claramente ela é falsa.
    Mas concordo em alguns pontos, é feito um grande circo de toda essa situação, que não precisava ser administrada dessa forma.

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  2. Pingback: Os Views dos Meus Artigos Aqui, « Liberal Space: Blog de Eduardo Chaves

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