Os esquemas de corrupção

Em mensagem anterior (“O Por Dentro” e ‘O Por Fora’”) descrevi, didaticamente, como se ainda fosse preciso, a partir do depoimento do deputado Roberto Jefferson na CPI, um dos esquemas pelo qual o PT (e, pelo jeito, todos os demais partidos políticos) angariam recursos, claramente ilegais (“por fora”), para o partido (e, pelo que parece, para os próprios parlamentares).

Segundo Jefferson, os parlamentares se ocupam tanto em conseguir colocar "afilhados" seus nos diversos cargos dos vários escalões do serviço público e das empresas de economia mista porque esses afilhados vão estabelecer contato com representantes do mundo empresarial privado, nos vários processos de licitação para compras públicas, e, ao negociar esses fornecimentos, pleiteam uma contribuição para o partido (do afilhado, provavelmente o mesmo partido de seu "padrinho").

Disse também na mensagem anterior, ainda seguindo Roberto Jefferson, que há um segundo esquena de corrupção, a saber, aquele em que uma obra, um bem ou um serviço é superdimensionado na licitação, porque já está acertado, com a empresa que ganhar a licitação, que ela vai, em decorrência do seu superfaturamento, devolver ao responsável pela licitação a parcela superfaturada (o famoso "kickback"). Os reajustes que a lei permite aos processos de licitação já em curso também são freqüentemente usados para esse fim. O dinheiro devolvido vai para o partido (ou fica, no todo ou em parte, com o parlamentar).

Em sua última entrevista à Folha, e no seu depoimento à CPI, Roberto Jefferson começou a revelar um terceiro esquema de corrupção, agora envolvendo empresas estatais. Nos dois esquemas anteriores, tratava-se de arrecadar dinheiro de empresas privadas, ou dos empresários que as controlam. É verdade que, no caso de superfaturamento, quem acaba pagando é o erário, isto é, todos nós. Mas no caso de uma empresa como Furnas, estatal, a empresa, ela própria, com seus lucros, financia, “por fora”, o partido e alguns de seus próceres, sem necessidade de intermediários privados.

A denúncia da revista VEJA, hoje nas bancas, revela um quarto esquema de corrupção. As empresas de Marcos Valério pelo, jeito, funcionam como um “Caixa Dois” do PT, lavando dinheiro público de modo a que ele passe a ser dinheiro privado, do partido. Elas receberão, só neste ano, cerca de 140 milhões de reais de contratos de publicidade de vários órgaos do governo e de várias empresas estatais (só do Banco do Brasil, cerca 105 milhões). O dinheiro público assim recebido volta para o PT (pelo menos em parte), tanto na forma de pagamento de parlamentares que o PT comprou para a base aliada (o mensalão) como na forma de pagamento de dívidas do PT para as quais Marcos Valério ou suas empresas serviram de avalista.

Há um quinto esquema de corrupção, sobre o qual ninguém vem falando muito. Trata-se do dízimo que afiliados ao partido pagam ao PT quando ocupam cargo público. Embora possa parecer que, neste caso, se trata de uma contribuição voluntária, que sai do bolso de cada funcionário público, e não do erário público, na prática, com a pressão existente para todos os funcionários públicos petistas paguem o dízimo, essa é uma outra forma de lavar dinheiro público, transformando-o em dinheiro privado, do partido.

Esse quinto esquema de corrupção era, até aqui, a única forma que a maioria de nós, ingênuos, imaginava que pudesse explicar o enriquecimento do PT, a partir da eleição de Lulla – em especial sua campanha biliardária o ano passado.

Vemos agora que esse não passa de um esquema num leque variadíssimo de opções.

Em Campinas, 3 de julho de 2005  

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