Educação e conservadorismo: uma resposta liberal

Discordo frontalmente das teses principais do artigo de Reinaldo Azevedo na VEJA desta semana (transcrito abaixo) — embora concorde com posicionamentos esparsos, dentro do artigo.

E não é implicância com ele, não, como em geral tem a esquerda: a maior parte das vezes concordo com as posições dele e tenho por elas a maior apreciação.

O desacordo é, portanto, localizado.

Começo com os posicionamentos específicos de Reinaldo Azevedo com os quais concordo. São eles:

* A atual proposta de reforma ortográfica é uma perda de tempo;

* A aprendizagem da leitura e da escrita está um desastre total nas escolas brasileiras atuais, mormente nas públicas (como, de resto, é preciso acrescentar, a aprendizagem de qualquer outra coisa que seja valiosa, necessária ou útil).

Não considero necessário perder tempo justificando meu endosso desses posicionamentos de Reinaldo de Azevedo.

As teses de que discordo são as seguintes:

* Discordo de que as teorias educacionais e as práticas pedagógicas que estão por trás da proposta de não enfatizar, nas aulas de linguagem na escola, o ensino da gramática, da análise sintática, etc., mas, sim, o desenvolvimento das competências na área de leitura, escrita, comunicação e expressão, tenha alguma coisa que ver com a atual proposta de reforma ortográfica;

* Discordo que essas teorias educacionais e práticas pedagógicas  se devam, originalmente, a Paulo Freire e/ou que devam ser caracterizáveis como esquerdistas (embora Paulo Freire tenha manifestado acordo com muitas delas — nem tanto, porém, outros esquerdistas);

* Discordo que o desastre total que é a educação proporcionada por nossas escolas tenha como causa ou origem essas teorias educacionais e práticas pedagógicas.

Passo agora a justificar os meus desacordos.

1) Reinaldo Azevedo, eu e muita gente boa estudou em escolas que, no tocante à linguagem (em especial à língua portuguesa) ensinavam gramática, análise sintática, etc. E aprendemos a ler e a escrever relativamente bem. Por isso, agora, num contexto em que as crianças saem da escola sem saber ler e escrever (ou mesmo falar), Reinaldo Azevedo parece acreditar que o remédio seja, nessa área, "restaurar" a escola antiga, tradicional, que ensinava gramática e análise sintática. "Precisamos de restauração", diz ele, "não de mais mudanças". (Pelo jeito, Reinaldo de Azevedo gostaria até que voltássemos a escrever "pharmacia", algo assim, visto que elogia os franceses por não terem eliminado as letrinhas inúteis de sua grafia em favor de uma grafia mais simplificada e racional, como nós, em parte, fizemos).

Reinaldo Azevedo comete aqui uma conhecida falácia: "post hoc ergo propter hoc". Traduzida literalmente essa frase latina quer dizer: "depois disso, logo por causa disso". Trata-se de uma falácia porque o fato de alguma coisa vir depois de outra não quer dizer, necessariamente, que tenha sido causada por ela. Pode até ter sido, porque as causas antecedem os efeitos que produzem, mas não se pode ter certeza, e isso por várias razões. A causa real pode estar mais distante no tempo. Se tive um enfarto logo depois de comer um sanduíche vagetariano (esse antecedente é verdadeiro no meu caso), isso não quer dizer que o fato de ter comido o sanduíche tenha sido a causa de meu enfarto: essas causas estão não só mais distantes no tempo como são muito mais diversificadas. Além disso, há muitas coisas que acontecem mais ou menos simultaneamente com várias outras — e a causa por ser uma (ou mais de uma) dentre as outras, não a que se resolveu privilegiar.

Enfim.

Meu contra-argumento é de que Reinaldo de Azevedo e eu aprendemos a ler e a escrever relativamente bem não por causa, mas a despeito, de havermos freqüentado uma escola tradicional que nos obrigava a aprender nomes e definições que não faziam o menor sentido e a praticar análise sintática que, de utilidade, só teve a de nos permitir nos vangloriar, hoje, de nossa capacidade de encontrar o sujeito das orações iniciais dos Lusíadas ("eu", oculto) e do Hino Nacional ("as margens plácidas").

Aprendi a ler e a escrever relativamente bem (deixo o Reinaldo Azevedo fora do quadro agora, por não conhecer sua história específica) porque desde cedo li bastante e desde cedo me dediquei a escrever. E isso por influência da família, não da escola — e a família não me ensinou gramática nem análise sintática. Na verdade, foram preservadas, no seio de minha família, cartas que eu escrevi aos meus avós maternos, à minha tia (irmã de minha mãe), aos meus primos, quando tinha por volta de sete anos e nem havia entrado na escola ainda (fato que se deu apenas quando eu tinha oito anos e meio completos). Antes de entrar na escola aprendi a ler, na Bíblia, em Sherlock Holmes, numas revistinhas de contos policiais, e nos romances adocicados da "Coleção das Moças" — livros e gêneros literários que minha mãe adorava.  

Machado de Assis e Jorge Amado são grandes escritores brasileiros, sem dúvida — mas não porque tenham aprendido gramática e análise sintática na escola, gramática e sintaxe essas que eles não raro afrontaram, mas, sim, porque tinham histórias interessantes a contar e sabiam contá-las de forma elegante e/ou pitoresca.

É fato notório e conhecido que Mário Prata, que, admitamos, também sabe ler e escrever relativamente bem, uma vez escreveu uma linda crônica no Estadão com o título "As Meninas Moça". É uma crônica deliciosa sobre o prazer que é assistir a um jogo de vôlei feminino. O preferido de Mário Prata era o time do "Leite Moça", donde o título esquisito e, por isso, chamativo, da crônica. Algum tempo depois o Ministério da Educação usou a crônica num de seus "Provões". Citou-a por inteiro e fez sobre ela oito perguntas. Esse fato levou Mário Prata a escrever outra crônica, "O que é isso, Ministro?", dirigida a Paulo Renato Souza, então Ministro da Educação. Nessa segunda crônica ele critica o MEC pelo teor das perguntas feitas sobre sua crônica (todas elas voltadas para nomenclatura, figuras de linguagem, análise sintaxe") e confessa que ele, o autor da crônica usada no exame, tentou responder às perguntas do MEC e errou todas… (Em compensação, quem acertou todas, se é que houve alguém, provavelmente não consegue escrever tão bem quanto Mário Prata…)

A língua existe para nos permitir descrever o que observamos, expressar o que sentimos, comunicarmo-nos com os outros. O problema, portanto, não está em passar a denominar o aprendizado de línguas (da materna e das estrangeiras) como parte de "Comunicação e Expressão", porque é nesse contexto que esse aprendizagem deve se dar. Na realidade, essa mudança de ênfase, longe de representar um problema, representa a solução de um problema, o de que crianças que aprendiam a nomenclatura gramatical e as regras de ortografia e sintaxe em geral em geral ficavam bem preparadas para passar provas e exames que enfatizavam esses conteúdos, mas não ficavam bem preparadas para descrever o que observavam, expressar o que sentiam, narrar histórias interessantes que outros quisessem ler, comunicar-se com os outros nos diferentes contextos em que deveriam viver suas vidas fora da escola.  

A diatribe de Reinaldo de Azevedo contra a "interpretação de textos" também não se justifica. Precisamos aprender a interpretar textos — críticos literários, legisladores, advogados, pastores, até engenheiros, interpretam textos o tempo todo. Qual o problema? Que as primeiras interpretações que fazemos sejam simples paráfrases que não têm a mesma qualidade do texto original? Isso dificilmente deveria surpreender alguém.

A linguagem verbal existe porque é uma excelente ferramenta que o ser humano inventou, ao longo de sua história, para descrever as coisas, expressar seus sentimentos e se comunicar com seus semelhantes. Ela é tecnologia que facilita nossa vida e a torna mais prazerosa. A específica forma que ela assume num determinado momento e contexto não é sacrossanta. E a tentativa de organizar e estruturar a língua, que acaba resultando numa "gramática" (antigamente chamada de "normativa"…), também é esforço humano, que, como tal, é falho, pode ser aprimorado e claramente  ("reformado"). Mas, mais do que aprimorar a gramática, é preciso colocá-la no devido lugar. Os bons escritores se tornam bons, não porque observam a gramática: as gramáticas é que se tornam boas porque levam em conta a forma de escrever dos grandes escritores.

A aprendizagem de línguas (a materna e as demais) deve se dar num contexto em que o foco é, sim, o desenvolvimento de competências de comunicação, expressão e interpretação de textos.

2) As teses que venho defendendo aqui, contra Reinaldo Azevedo, não são teses de autores esquerdistas, muito menos de Paulo Freire — embora creia que Paulo Freire, em si, estivesse de acordo com a maioria delas. Elas vem sendo propostas por educadores liberais e "escolanovistas" há mais de século. Não é necessário, aqui, comprovar essa tese, porque essa comprovação nos desviaria da finalidade principal deste artigo.

3) O que é importante ressaltar, por fim, é que o desastre total que é a educação proporcionada por nossas escolas hoje tenha como causa ou origem essas teorias educacionais e práticas pedagógicas liberais e "escolanovistas". Nossas crianças não aprendem a ler e a escrever em nossas escolas hoje, especialmente nas públicas, porque a escola pública cresceu de forma extremamente rápida nos últimos cinqüenta e poucos anos, e esse fato mudou a sua constituição. A escola pública que eu freqüentei nos anos cinqüenta era totalmente distinta da de hoje, tanto no que diz respeito à sua clientela como, e especialmente, no que diz respeito aos seus professores. Com o crescimento incrivelmente rápido da escola pública, improvisaram-se programas de formação de professores, e esse fato é, em grande parte, responsável pelo fato de que as crianças não aprendem hoje. Boa parte dos professores, hoje, fala a língua portuguesa de maneira sofrível (como qualquer um que escute o alto-falante do carro de som de uma demonstração ou passeata de professores pode averiguar) — e a escreve de maneira pior ainda. Junte-se a esse o fato de que os alunos da escola pública, hoje, vêm de classes mais pobres, que não têm condições de oferecer a eles ambientes de aprendizagem adequados no lar, a se percebe a dimensão da tragédia. Os alunos da classe média dos anos cinqüenta, que tinham, em casa, ambientes de aprendizagem adequados, poderiam até conviver sem maiores problemas com professores não tão bem preparados — e muitos de nós assim convivemos. Mas os alunos da escola pública de hoje estariam a exigir professores muito bem preparados — mais bem preparados do que os dos anos cinqüenta, porque o desafio é muito maior. No entanto, exatamente para enfrentar um desafio maior o que se tem são professores mal preparados. O resultado só pode ser tragédia.

A causa da tragédia educacional brasileira, portanto, não está nas teorias educacionais e nas práticas pedagógicas da "escola nova" e liberal. E, como Reinaldo Azevedo, estendo essa tese para além da área da linguagem.

É isso. Por enquanto.

o O o

Vou voltar à carga, porque argumentos muito parecidos com os de Reinaldo Azevedo foram, recentemente, apresentados por nada menos do que Nicolas Sarkozy, presidente da França, em sua "Carta aos Educadores" ("Lettre aux Éducateurs"), que transcrevi no meu blog. E são apresentados, rotineiramente, por autores conservadores (como Reinaldo Azevedo). Meu objetivo secundário ao fazer este tipo de análise é mostrar que as teorias educacionais e as práticas pedagógicas do liberalismo e do conservadorismo estão muito distantes umas das outras, e que não faz o menor sentido identificar liberais clássicos com conservadores de qualquer matiz. Os liberais clássicos são radicais, não conservadores. Não se enquadram, portanto, na política não-reformista e "restauradora" que Reinaldo de Azevedo quer nos impingir na área da educação — por mais que eu concorde com ele, e o admire, em outras "colocações" suas.

Em Campinas, 14 de setembro de 2007

—–

VEJA, Edição 2025
12 de setembro de 2007 
fls. 98-99

Restaurar é preciso; reformar não é preciso

Reinaldo Azevedo

A reforma ortográfica que se pretende é um pequeno passo (atrás) para os países lusófonos e um grande salto para quem vai lucrar com ela. O assunto me enche, a um só tempo, de indignação e preguiça. O Brasil está na vanguarda dessa militância estúpida. Por que estamos sempre fazendo tudo pelo avesso? Não precisamos de reforma nenhuma. Precisamos é de restauração. Explico-me.

A moda chegou por aqui na década de 70, espalhou-se como praga divina e contribuiu para formar gerações de analfabetos funcionais: as escolas renunciaram à gramática e, em seu lugar, passaram a ensinar uma certa "Comunicação e Expressão", pouco importando o que isso significasse conceitualmente em sua grosseira redundância. Na prática, o aluno não precisava mais saber o que era um substantivo; bastava, dizia-se, que soubesse empregá-lo com eficiência e, atenção para a palavra mágica, "criatividade". As aulas de sintaxe – sim, leitor, a tal "análise sintática", lembra-se? – cederam espaço à "interpretação de texto", exercício energúmeno que consiste em submeter o que se leu a perífrases – reescrever o mesmo, mas com excesso de palavras, sempre mais imprecisas. O ensino crítico do português foi assaltado pelo chamado "uso criativo" da língua. Para ser didático: se ela fosse pintura, em vez de ensinar o estudante a ver um quadro, o professor se esforçaria para torná-lo um Rafael ou um Picasso. Se fosse música, em vez de treinar o seu ouvido, tentaria transformá-lo num Mozart ou num Beethoven. Como se vê, era o anúncio de um desastre.

Os nossos Machados de Assis, Drummonds e Padres Vieiras "do povo" não apareceram. Em contrapartida, o analfabetismo funcional expandiu-se célere. Se fosse pintura, seria garrancho. Se fosse música, seria a do Bonde do Tigrão. É só gramática o que falta às nossas escolas? Ora, é certo que não. O país fez uma opção – ainda em curso e atravessando vários governos, em várias esferas – pela massificação de ensino, num entendimento muito particular de democratização: em vez de se criarem as condições para que, vá lá, as massas tivessem acesso ao conhecimento superior, rebaixaram-se as exigências para atingir índices robustos de escolarização. Na prova do Enem aplicada no mês passado, havia uma miserável questão próxima da gramática. Se Lula tivesse feito o exame, teria chegado à conclusão de que a escola, de fato, não lhe fez nenhuma falta. Isso não é democracia, mas vulgaridade, populismo e má-fé.

Não é só a língua portuguesa que está submetida a esse vexame, é claro. As demais disciplinas passaram e passam pela mesma depredação. A escola brasileira é uma lástima. Mas é nessa área, sem dúvida, que a mistificação atingiu o estado de arte. Literalmente. Aulas de português se transformam em debates, em que o aluno é convidado (santo Deus!) a fazer, como eles dizem, "colocações" e a "se expressar". Que diabo! Há gente que não tem inclinação para a pintura, para a música e para a literatura. Na verdade, os talentos artísticos são a exceção, não a regra. Os nossos estudantes têm de ser bons leitores e bons usuários da língua formal. E isso se consegue com o ensino de uma técnica, que passa, sim, pela conceituação, pela famigerada gramática. Precisamos dela até para entender o "Virundum". Veja só:

"Ouviram do Ipiranga
as margens plácidas
De um povo heróico
o brado retumbante"

Quem ouviu o quê e onde, santo Deus? É "as margens plácidas" ou "às margens plácidas"? É perfeitamente possível ser feliz, é certo, sem saber que foram as margens plácidas do Rio Ipiranga que ouviram o brado retumbante de um povo heróico. Mas a felicidade, convenham, é um estado que pode ser atingido ignorando muito mais do que o hino. À medida que se renuncia às chaves e aos instrumentos que abrem as portas da dificuldade, faz-se a opção pelo mesquinho, pelo medíocre, pelo simplório.

As escolas brasileiras, deformadas por teorias avessas à cobrança de resultados – e o esquerdista Paulo Freire (1921-1997) prestou um desserviço gigantesco à causa –, perdem-se no proselitismo e na exaltação do chamado "universo do educando". Meu micro ameaçou travar em sinal de protesto por escrever essa expressão máxima da empulhação pedagógica. A origem da palavra "educação" é o verbo latino "duco", que significa "conduzir", "guiar" por um caminho. Com o acréscimo do prefixo "se", que significa afastamento, temos "seduco", origem de "seduzir", ou seja, "desviar" do caminho. A "educação", ao contrário do que prega certa pedagogia do miolo mole, é o contrário da "sedução". Quem nos seduz é a vida, são as suas exigências da hora, são as suas causas contingentes, passageiras, sem importância. É a disciplina que nos devolve ao caminho, à educação.

Professores de português e literatura vivem hoje pressionados pela idéia de "seduzir", não de "educar". Em vez de destrincharem o objeto direto dos catorze primeiros versos que abrem Os Lusíadas, apenas o texto mais importante da língua portuguesa, dão um pé no traseiro de Camões (1524-1580), mandam o poeta caolho cantar sua namoradinha chinesa em outra barcarola e oferecem, sei lá, facilidades da MPB – como se a própria MPB já não fosse, em nossa esplêndida decadência, um registro também distante das "massas". Mas nunca deixem de contar com a astúcia do governo Lula. Na citada prova do Enem, houve uma "modernização" das referências: em vez de Chico Buarque, Engenheiros do Hawaii; em vez de Caetano Veloso, Titãs. Na próxima, é o caso de recorrer ao funk de MC Catra: "O bagulho tá sério / vai rolar o adultério / paran, paran, paran / paran, paran…".

Precisamos de restauração, não de mais mudanças. Veja acima, no par de palavras "educação/sedução", quanto o aluno perde ao ser privado da etimologia, um conhecimento fascinante. As reformas ortográficas, acreditem, empobrecem a língua. Não democratizam, só obscurecem o sentido. Uma coisa boba como cassar o "p" de "exce(p)ção" cria ao leitor comum dificuldades para que perceba que ali está a raiz de "excepcional"; quantos são os brasileiros que relacionam "caráter" a "característica" – por que deveriam os portugueses abrir mão do seu "carácter"? O que um usuário da nossa língua perderia se, em vez de "ciência", escrevesse "sciência", o que lhe permitiria reconhecer na palavra "consciência" aquela mesma raiz?

Veja o caso do francês, uma língua que prima não por letras, mas por sílabas "inúteis", não pronunciadas. E, no entanto, os sempre revolucionários franceses fizeram a opção pela conservação. Uma proposta recente de reforma foi unanimemente rejeitada, à direita e à esquerda. Foi mais fácil cortar cabeças no país do que letras. A ortografia de Voltaire (1694-1778) está mais próxima do francês contemporâneo do que está Machado de Assis do português vigente no Brasil. O ditador soviético Stálin (1879-1953) era metido a lingüista. Num rasgo de consciência sobre o mal que os comunistas fizeram, é dono de uma frase interessante: "Fizemos a revolução, mas preservamos a bela língua russa". Ora, dirão: este senhor é um mau exemplo. Também acho. O diabo é que ele se tornou referência de política, não de conservação da língua…

Já que uma restauração eficaz é, eu sei, inviável, optemos ao menos pela educação, não por uma nova e inútil reforma. O pretexto, ademais, é energúmeno. Como escreveu magnificamente o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), houve o tempo em que a terra surgiu, redonda, do azul profundo, unida pelo mar das grandes navegações. Um mar "portuguez" (ele grafou com "z"). Hoje, os países lusófonos estão separados pela mesma língua, que foi se fazendo história.

A unidade só tem passado. E nenhum futuro.

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