Greenspan, Ayn Rand e Elio Gaspari

Transcrevo abaixo parte da coluna de Elio Gaspari na Folha de hoje (23 de Setembro de 2007) que tem o título de "Greenspan e o triunfo dee Ayn Rand". Ao final ele menciona que "há mais informações sobre Ayn Rand na página aynrand.com.br, do professor Eduardo Chaves, da Unicamp"

Que bom que há gente visitando o site (é bem mais do que uma página).

Erra, porém, Elio Gaspari ao chamar Ayn Rand de conservadora. Ela foi a pensadora mais radical que os Estados Unidos tiveram durante o século XX. Quem lê Atlas Shrugged (Quem É John Galt?) não tem como concluir que haja alguma coisa na sociedade americana de hoje que ela queira conservar. Ela é uma liberal, sim — a mais radical dos liberais. Mas não é conservadora. Ela queria "refundar" os Estados Unidos (para usar um termo em moda). Ao final do livro, quando os Estados Unidos entram em total colapso, o campo fica finalmente livre para a refundação.

Em Salto, 23 de Setembro de 2007

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Folha de S. Paulo
23 de setembro de 2007

Greenspan e o triunfo de Ayn Rand

Elio Gaspari

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Russos querem saber mais a respeito da mulher que pisou fundo na defesa do egoísmo como fator de progresso

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TRÊS DIAS depois do seu lançamento nos Estados Unidos, o livro de memórias de Alan Greenspan chegou ao primeiro lugar em diversas listas de mais vendidos. Chama-se "A Era da Turbulência – Aventuras num Novo Mundo". Ele presidiu o Federal Reserve Board (o banco central americano) de 1987 a 2006. Quem leu não achou grande coisa. O doutor confirmou sua condição de ser um chato interessante.

Tocou saxofone em banda de jazz e houve uma época em que teve a dúvida filosófica de que não existia. Contudo, um pequeno trecho dessas memórias lavará a alma de ultraconservadores politicamente incorretos.

Greenspan contou que, num encontro com sábios da ekipekonômica russa, um assessor de Vladimir Putin pediu-lhe para falar um pouco sobre as idéias de Ayn Rand. Foi o triunfo de uma mulher que escapuliu de São Petersburgo em 1926, aos 21 anos, e passou o resto da vida (até 1982) exaltando as formas mais radicais de individualismo.

Ela teve uma forte influência intelectual no jovem Greenspan. Quando ele entrou para o círculo de seus adoradores tinha 26 anos, e ela 47. ("Parece um agente funerário", disse a escritora.) Nos anos 70, quando ele ganhou um escritório na Casa Branca de Gerald Ford, levou-a para uma visita. Rand escreveu dois romances de enorme sucesso ("A Nascente" e "Quem é John Galt?", editados no Brasil há mais de 50 anos). Como literata, seu negócio era filosofia. No projeto de "A Nascente", anotou: "O principal objetivo deste livro é a defesa do egoísmo e do seu verdadeiro significado". O indivíduo é a divindade, e o capitalismo, sua profecia.

Daí em diante, pisou no acelerador. O patrão pode discriminar empregados, os índios não têm direitos sobre suas terras, a caridade não é uma grande virtude e os programas sociais dos governos são uma construção hipócrita a serviço da indolência: "Não podemos lutar contra o coletivismo, a menos que lutemos contra sua base moral: o altruísmo". Ou: "Todo homem é um fim em si próprio, e não um meio para satisfazer as necessidades dos outros".

Não se fazem mais conservadores sinceros como antigamente.

Há mais informações sobre Ayn Rand na página aynrand.com.br, do professor Eduardo Chaves, da Unicamp.

Uma resposta

  1. "Os herdeiros do velho Starnes fizeram uns discursos compridos, e ninguém entendeu muito bem, mas ninguém fez nenhuma pergunta. Ninguém sabia como plano ia funcionar, mas cada um achava que o outro sabia. E quem tinha dúvida se sentia culpado e não dizia nada, porque do jeito como os herdeiros falavam, quem fosse contra era desumano e assassino de criancinha. Disseram que esse plano ia concretizar um nobre ideal. Como é que a gente podia saber? Não era isso que a gente ouvia a vida inteira dos pais, professores e pastores, em todos os jornais, filmes e discursos políticos? Não diziam sempre que isso é que era certo e justo? Bem, pode ser que a gente tenha alguma desculpa para o que fez naquela assembléia. O fato é que votamos a favor do plano, e o que aconteceu conosco depois foi merecido."Esse trecho de "Quem é John Galt? [Editora Expressão e Cultura, 1987]" mostra o que nos espera do pais depois desses abutres que tomaram o poder

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