A oração de Jabez

Apesar de já ter lido a Bíblia inteira várias vezes e de ter estudado teologia por vários anos, nunca tinha prestado atenção a um trechinho de I Crônicas: o versículo 10 do capítulo IV. Ali, perdida no meio de uma genealogia (os descendentes de Judá), há uma pequena oração digna de nota. Minha irmã Priscila a transcreveu recentemente no Orkut dela. Eis a oração (numa mescla que faço de várias traduções para o Português e para o Inglês):

“Ah, que tu me abençoasses, ampliando os meus limites e sobre mim colocando a tua mão, para que o mal não me alcance e me machuque”.

A oração é bonita, curta e objetiva.

Em primeiro lugar, Jabez na realidade não ousa pedir: ele mais expressa um desejo do que pede. (Uma das traduções brasileiras traduz o começo da oração por “Oh! tomara que me abençoes”). Se eu fosse um exegeta ousado, sugeriria que talvez Jabez reconheça que não mereça a bênção que deseja receber…

Em segundo lugar, Jabez não se refere a uma bênção genérica: ele explicita o que deseja… Novamente, se eu fosse um exegeta ousado, diria que Jabez, mesmo reconhecendo que não merece a bênção que deseja, tem fé que sua oração vai ser atendida.

Jabez deseja, primeiro, que seus limites sejam expandidos. Expandir limites significa crescer, desenvolver-se. Crescimento e desenvolvimento são processos de mudança. Jabez quer mudar, quer que suas fronteiras se estendam e seus horizontes se ampliem…

Mas ele também deseja, em segundo lugar, que esse processo de mudança e expansão de limites seja, tanto quanto possível, sem dor…

Jabez parece saber que, quando mudamos, ainda que seja por decisão própria, refletida e consciente, problemas de vários tipos podem surgir.

Às vezes, nós mesmos temos dificuldades em lidar com as mudanças trazidas pela realização de nossos desejos e sonhos e enfrentamos problemas por causa disso. (Alguém já disse, com propriedade, que devemos ter muito cuidado com o que sonhamos, porque sonhos muitas vezes se tornam realidade…)

Outras vezes, são os outros que têm dificuldades em lidar com nossas mudanças, porque nem sempre gostam delas, sentem-se prejudicados – e, às vezes, até se revoltam, e procuram nos causar problemas.

Por isso Jabez pede a Deus que o proteja dos males que processos de mudança podem trazer – ou, pelo menos, que o mal não o alcance e machuque.

Sábio, o Jabez. E provavelmente feliz, porque, segundo consta, no próprio versículo, Deus concedeu a Jabez o que ele lhe pediu.

Em São Paulo, 26 de Dezembro de 2008

  1. A famosa e entendida como a eficaz, maravilhosa, a dos elementos (a aludem a fórmula mágica) irrefutáveis por Deus; que já se tornou uma espécie de maldição no sentido daquilo que não ajuda, e pelo contrário prejudica e tem prejudicado a muitos crentes ─ até pastores sérios têm se deixado levar por essa heresia montada indevidamente em um texto tremendamente isolado… A qual não tem contexto no Antigo Testamento, no Novo e nenhuma base teológica para sustentá-la como regra a ser seguida, inclusive, o que se pode construir com ela (que é exatamente o contrário da feita por Salomão, que tem contexto bíblico) é a herética Doutrina da Prosperidade. Para saber mais leia o meu Blog: A ORAÇÃO DE JABEZ E A ORAÇÃO DE SALOMÃO, endereço ─ http://www.oracaodesalomao.blogspot.com .
    Atenciosamente JORGE VIDAL

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