Vaticano tenta tapar o sol com a peneira

Há dias publiquei aqui o post “Pedofilia entre padres” (http://ec.spaces.live.com/blog/cns!511A711AD3EE09AA!3386.entry).

Ali argumentei em favor de minha conjetura (em três partes) acerca das causas principais desse número relativamente elevado de padres que se envolvem com pedofilia homossexual. 

1) O seminarista, futuro padre, é desde cedo doutrinado a ver na mulher a fonte número um do pecado. Como ele vai ser celibatário, e sabe disso, a mulher é a tentação que ele deve evitar a todo custo. A mulher é, para ele, símbolo de tentação.

2) A Igreja trancafia o futuro padre, em muitos casos desde cedo, em seminários, onde ele fica segregado de mulheres: só vê guris mais ou menos da sua idade – e, naturalmete, os professores (todos homens). Internatos unissex parece que foram bolados para gerar, nos adolescentes, interesse pelo mesmo sexo (principalmente quando o interesse no sexo oposto é proibido).

3) Quando vai exercer o sacerdócio, o padre acaba ficando rodeado de coroinhas, parecidos com os seus coleguinhas de seminário menor, que, agora, o admiram e olham para ele como figura de autoridade. E ele, por outro lado, pela sua doutrinação é condicionado a fugir das mulheres e pela sua formação em internato unissex foi condicionado a se interessar por meninos… Sendo figura de autoridade, não tem muita dificuldade em convencer os meninos de que sexo (em alguma modalidade) com o sacerdote é parte de seus deveres.

Essa combinação de fatores é fatal: ela acaba produzindo essa série aparentemente infindável de casos de pedofilia homossexual entre padres católicos. Não se trata, como já disse, de meros escândalos sexuais em relação aos quais se possa dizer: “Sou culpado, mas que igreja pode dizer que não é?” Trata-se de um fenômeno tipicamente católico que não adianta tentar generalizar.

O UOL Notícias – Últimas Notícias de hoje (29/3/2010) traz uma matéria mostrando que o Vaticano está tentando argumentar que o celibato clerical não tem nada com isso. A Igreja tenta, mais uma vez, tapar o sol com a peneira. Dizer é fácil – substanciar o que se diz com fatos e argumentos, entretanto, é outra coisa, e isso o Vaticano não faz.

Vide a matéria:

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http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2010/03/29/para-vaticano-celibato-nao-e-causa-de-abusos-sexuais.jhtm

29/03/2010 – 10h08

Para Vaticano celibato não é causa de abusos sexuais

O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção dos Cristãos, o cardeal alemão Walter Kasper, declarou nesta segunda-feira que "o celibato não tem relação com os abusos sexuais de menores cometidos por padres", ao mesmo tempo que cada vez mais denúncias de pedofilia abalam a Igreja Católica da Europa.

O onda de escândalos de pedofilia que afeta o Velho Continente gerou um debate sobre as repercussões do celibato e da abstinência sexual nos sacerdotes, uma tradição milenar que o Vaticano defende de modo ferrenho.

"Todos os especialistas sustentam que a maioria dos abusos acontece dentro da família e não em meios religiosos", afirmou o cardeal alemão, um defensor do celibato, que para ele "não deve ser absolutamente abolido".

Kasper considera que abrir o debate sobre o celibato é "o abuso dos abusos e constitui uma instrumentalização dos casos de pedofilia".

"O celibato é respeitado na Igreja desde antes de virar uma regra canônica no século XI", recordou Kasper.

"Não é um dogma, sim uma antiga tradição que conserva intacta sua razão e não é necessária revisar esta legislação, nem modificar as coisas", destacou.

"É inoportuno abrir o tema neste momento, envenenado pelas polêmicas e os escândalos pelos abusos sexuais cometidos por padres e religiosos", acrescentou.

Apesar das posições intransigentes, alguns religiosos, entre eles o arcebispo de Viena, o cardeal Christoph Schoenborn, pediu recentemente à Igreja uma revisão do tema do celibato.

O cardeal italiano Carlo Maria Martini, renomado intelectual e que está entre os religiosos mais progressistas do colégio cardinalício, considera que "é preciso revisar a obrigação do celibato para os padres".

"Temos que encontrar novos caminhos", afirmou o cardeal Martini, arcebispo emérito de Milão, que não evita o debate sobre temas fundamentais.

"Assuntos profundos como a sexualidade devem ser revisados com as novas gerações, porque apenas um debate aberto pode devolver sua autoridade à Igreja", disse em uma entrevista à imprensa austríaca.

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Em São Paulo, 29 de Março de 2010

Uma resposta

  1. Esta obrigatoriedade do celibato dos padres católicos apostólicos romanos é idêntica à obrigatoriedade do celibato das enfermeiras que existiu, até determinada altura, em Portugal. Felizmente, esta última penso que se extinguiu…Fernando Santos Costa

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