“El Secreto de sus Ojos” – 1

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A Paloma e eu vimos, hoje à tarde, “El Secreto de sus Ojos”. Magnífico. Um dos melhores filmes que eu vi nos últimos tempos.

O filme, que é argentino, concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Não vi os concorrentes – mas não tenho dúvida de que “El Secreto de sus Ojos” merece ganhar.

A direção é de Juan José Campanella, que também dirigiu os excelentes “El mismo Amor, la misma Lluvia” (1999) e “El Hijo de la Novia” (2001–também indicado ao Oscar).

O ator principal, o excelente Ricardo Darín, estrelou nos três filmes. A atriz principal é a linda e brilhante Soledad Villamil, que também estrelou em “El mismo Amor, la misma Lluvia”. Destaque-se ainda a participação inspirada de Guillermo Francella.

O site IMDB (vide http://www.imdb.com/title/tt1305806/) tem 23 resenhas de pessoas que viram o filme e resolveram deixar sua análise ou sua avaliação. Todas elas, com exceção de duas, foram entusiasticamente positivas. Do tipo “o melhor filme que eu já vi”. As duas que não foram entusiásticas não foram negativas, embora apontassem aspectos que os resenhadores não gostaram.

Do que eu gostei? De tudo. Mas quero destacar os pontos positivos, um a um:

1) A história é magnífica. O romance que inspirou o filme, que tem o título La Pregunta de sus Ojos, é de Eduardo Sacheri.

2) O roteiro (script) é do próprio diretor, Juan José  Campanella. É uma obra prima.

3) A direção é impecável. O uso de flashbacks (o filme começa em 1999, mas a história volta para 1974, vinte e cinco anos antes) é perfeito. O uso de closeups é impressionante pelo impacto que causa. O diretor também usa, de forma muito eficaz, imagens meio “blurred” (manchadas, borradas) ou de rostos parcialmente cobertos por objetos. A forma em que a história é contada prende a audiência. O desenrolar da história cria suspense – e, quando você pensa que a história vai acabar vem a maior surpresa…

4) A interpretação dos dois atores principais é impecável e a de Guillermo Francella não fica atrás.

5) A fotografia é linda.

6) A trilha sonora se mistura com o filme de forma a não chamar a atenção para si mesma.

7) Apesar de se tratar de um drama e um thriller policial, o uso de humor é cuidadoso e eficaz. As melhores cenas de humor ficam com Guillermo Francella.

8) Por fim, os pequenos detalhes que apenas um diretor inspirado pode bolar… Um deles é a velha máquina de escrever que não tinha mais o “a” – só no fim se entende por que ele escreveu, a mão, T E M O, quando queria dizer T E A M O… Outro, o fecha a porta / abre a porta da sala da linda Irene — só na última cena se entende por quê. Terceiro, a última cena, linda e frustrante – o beijo ficou por trás da porta.

Enfim. Vale a pena ver. Duvido que você não goste.

Em São Paulo, 28 de Fevereiro de 2010

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