A Educação e a Vida: O Papel da Tecnologia

Transcrevo abaixo pequeno artigo que publiquei na Newsletter de Outubro de 2010 da Legozoom: Education for Life.

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“Educação Tecnológica” e “Tecnologia na Educação” são expressões com sentidos distintos. No primeiro caso, o foco está em “aprender a usar a tecnologia”; no segundo, em “usar a tecnologia para aprender”.

Mas para que devemos aprender a usar a tecnologia? E usamos a tecnologia para aprender o quê?

Para responder a essas perguntas, precisamos analisar os conceitos de educação e tecnologia.

Educação

Educação é o nome que damos ao processo de desenvolvimento humano.

O ser humano nasce inacabado: incompetente, sem saber fazer nada, ele é, e permanece por bom tempo, dependente, incapaz de assumir responsabilidade sobre sua vida.

Pela educação ele recebe acabamento e se torna competente e autônomo: capaz de definir seu projeto de vida e de lutar para transformá-lo em realidade.

Porque nascemos inacabados, podemos (dentro de limites) dar à nossa vida o acabamento que quisermos. É por isso que nossos projetos de vida são distintos. Precisamos de autonomia para escolhê-lo – e de competência para transformá-lo em vida vivida.

O desenvolvimento de autonomia e competências se dá pela aprendizagem. Aprender é construir capacidades, tornar-se capaz de fazer aquilo que, antes, não se conseguia fazer. Aprender é algo ativo e interativo. Seu objetivo é dominar o processo de fazer alguma coisa que se deseja fazer. E aprende-se a fazer fazendo, i.e., observando os outros fazerem, tentando imitá-los, recebendo estímulo e ajuda, aprimorando o processo, até que…

Assim, a educação não é algo que uns fazem sobre os outros. Mas também não nos educamos sozinhos. A educação é um processo interativo e colaborativo: nós nos educamos uns aos outros em comunhão uns com os outros no processo de construção de nossas vidas no mundo. Paulo Freire nos fez ver isso.

Tecnologia

A tecnologia é fruto da autonomia, da competência e da criatividade humana. Ela é aquilo que o ser humano inventa para tornar sua vida mais fácil ou agradável.

Há tecnologia-ferramenta que torna a nossa vida mais fácil. E há tecnologia-brinquedo que torna a nossa vida mais agradável. A primeira nos ajuda a viver. A outra nos dá razão para querer viver. E há tecnologia que é ao mesmo tempo brinquedo e ferramenta: ao nos divertir com ela, aprendemos coisas úteis.

Para que, então, devemos aprender a usar a tecnologia? Para tornar a nossa vida mais fácil ou agradável. São, em grande medida, as nossas tecnologias que nos diferenciam dos nômades que viviam da caça e da pesca há milhares de anos.

As tecnologias de informação e comunicação que hoje temos, centradas no computador, são extremamente relevantes para a aprendizagem, porque aprendemos interagindo – com pessoas, com informações, ou diretamente com o mundo.

Assim, aprendemos a usar a tecnologia porque, além de nos apoiar no trabalho e no lazer, ela nos ajuda a aprender mais e melhor.

Mas o computador não é a única tecnologia que existe.

Lego

Lego, por exemplo, é uma fascinante tecnologia. É brinquedo, criado para nos dar prazer. Mas também é ferramenta, que nos ajuda a aprender enquanto brincamos de construir coisas úteis. Um robô é um artefato útil. Robótica é a ciência e a arte de criar artefatos úteis, aparentemente inteligentes, que facilitam a nossa vida.

Em contextos educacionais Lego promove a união da “tecnologia na educação” com a “educação tecnológica”. Com Lego, aprendemos a resolver problemas e trabalhamos em colaboração. Para resolver problemas exercitamos nossa criatividade e engenhosidade, mas também nossa paciência e persistência, e nossa resiliência, que nos impede de desistir diante de dificuldades – bem como nossa capacidade de testar com método e rigor nossas conjeturas… Nesse processo, desenvolvemos a capacidade de ouvir os outros, de considerar com seriedade suas críticas, mas também de responder às críticas que não nos parecem bem fundamentadas…

Parece impossível que um projeto de educação tecnológica e de tecnologia na educação nos permita desenvolver e exercitar tantas competências… O fascínio sobre crianças e jovens e o impacto sobre a aprendizagem de uma tecnologia como Lego estão no fato de que Lego é brinquedo e ferramenta de aprendizagem: ao aprender a usar Lego, para enfrentar desafios e solucionar problemas, desenvolvemos nossas competências mais nobres e, assim, aprendemos a aprender melhor.

São Paulo, 3 de Setembro de 2010

Transcrito aqui em São Paulo, 19 de Outubro de 2010

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