Censura

Muitas pessoas criticam meios de comunicação privados por defenderem determinados pontos de vista e não darem espaço, ou pelo menos espaço considerado pelos críticos suficiente ou comparável, para pontos de vista opostos, conflitantes, ou divergentes. Dizem, quando isso acontece, que os referidos meios de comunicação estão praticando a censura.

Como liberal laissez-faire que sou, defendo a tese de que o dono (singular ou coletivo) de um meio de comunicação privado tem o direito — quiçá até mesmo a obrigação — de ser partidário (partisan), isto é, de tomar partido nas questões por ele consideradas importantes, e de defender seus pontos de vista, sempre de maneira justa, mas nem por isso pouco ardorosa. Afinal de contas, o empreendimento é dele, é ele que o mantém, é ele que corre o risco de oportunamente perder dinheiro e até mesmo quebrar… Logo, o meio de comunicação pode e deve ser usado para promover seus interesses — e não o dos defensores de pontos de vista opostos, conflitantes ou divergentes. Ao fazer isso, ele não está censurando ninguém — e por uma razão muito simples: ele não tem como calar a voz de quem discorda ou difere de seus pontos de vista, pois basta que eles criem seus próprios meios de comunicação para fazer sua voz ouvida. Ninguém, em última instância, tem (ou mesmo pode ter) a obrigação de usar seu próprio dinheiro para promover pontos de vista de que discorda. Isso não é censura. É exercício do direito inerente a uma propriedade privada.

Dentro dessa visão liberal clássica, aquilo que se pode legitimamente chamar de censura é algo que inevitavelmente é feito, e só pode ser feito, pelo governo. Se o governo proíbe a disseminação de algum ponto de vista, disseminar esse ponto de vista se torna crime (o delito de opinião). Neste caso, não há como alguém possa ter acesso a essa opinião sem que alguém cometa o crime de desobedecer o ditame governamental.

Instituições privadas não têm esse poder. Um jornal como a Folha de S. Paulo, pode, por política editorial, se recusar a dar divulgação, ou pelo menos destaque, a alguns pontos de vista de que o jornal discorda. Isso não é censura, porque outros órgãos de imprensa podem (isto é, não estão proibidos por lei de) adotar outras políticas editoriais que permitam a divulgação dos pontos de vista que a um outro meio de comunicação se refusa a divulgar.

Assim, ninguém sai perdendo. Na verdade, todo mundo ganha com a transparência de um meio de comunicação que diz claramente o que seu dono (individual ou coletivo) pensa. Pode ser, por exemplo, favorável ou contra o aborto, ou o homossexualismo, ou um determinado partido ou candidato político. É seu direito. Mais do que isso: é seu dever. E isso não apenas nos editoriais.

A maior parte dos meios de comunicação no nosso país felizmente são (devo dizer ainda?) privados e relativamente livres. No entanto, temos no Brasil essa excrescência que são meios de comunicação oficiais: a Voz do Brasil e as emissoras de rádio e TV estatais, como a TV Brasil. Só país autoritário tem isso.

Se alguém não gosta da linha editorial da Folha de S. Paulo (por exemplo), ou se acha que a Folha é incoerente com o que manda o seu próprio Manual de Redação, que leia outro jornal. Ou que crie o seu próprio jornal, ainda que na Internet, e desça o porrete na Folha de S. Paulo. É seu direito.

Na minha opinião, nossa energia deveria estar sendo dirigida contra os meios de comunicação oficiais. Enquanto tivermos uma imprensa livre (pelo menos relativamente falando), os meios de comunicação do governo não causam dano maior: as pessoas simplesmente não os sintonizam, porque preferem a novela das 21 à doutrinação petista. O pior é quando a gente ficar parecido com a Venezuela, ou, Deus nos livre e guarde, com Cuba…

Em São Paulo, 2 de Março de 2012

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