When I was sixty-nine, it was a very good year…

Frank Sinatra, talvez o meu cantor favorito, gravou uma vez uma canção com o título “It Was A Very Good Year” — “Foi Um Ano Muito Bom”.  A letra em Português está aqui, traduzida por mim; em seguida vem a letra original em Inglês. Os compositores são Bob Morrison e Jim Zerface.

Foi Um Ano Muito Bom

Quando eu tinha dezessete anos
O ano foi muito bom…
Foi um ano muito bom
Para as meninas do vilarejo.
Em noites de outono suave,
Nos escondíamos das luzes
Nos gramados do lugar,
Quando eu tinha dezessete anos…

Quando eu tinha vinte e um anos,
O ano foi muito bom…
Foi um ano muito bom
Para as moças da capital,
Que viviam em prédios altos
E tinham cabelo perfumado,
Que era logo desmanchado,
Quando eu tinha vinte e um anos…

Quando eu tinha trinta e cinco anos,
O ano foi muito bom…
Foi um ano muito bom
Para jovens nobres, de sangue azul,
Pra quem dinheiro corria solto…
Nós andávamos de limosine,
Conduzidos por motoristas,
Quando eu tinha trinta e cinco anos…

Mas agora os dias são curtos,
Pois cheguei ao outono da vida…
A vida agora é o vinho mais precioso,
Guardado em tonéis antigos.
Deles o vinho corre para taças de cristal,
Em que linda é a aparência,
Em que é doce o sabor.
Tem sido um ano muito bom.

Na verdade, foi uma bagunça de anos bons…

It Was A Very Good Year

When I was seventeen
It was a very good year
It was a very good year
For small town girls
And soft summer nights
We’d hide from the lights
On the village green
When I was seventeen

When I was twenty-one
It was a very good year
It was a very good year
For city girls
Who lived up the stair
With all that perfumed hair
And it came undone
When I was twenty-one

When I was thirty-five
It was a very good year
It was a very good year
For blue-blooded girls
Of independent means
We’d ride in limousines
Their chauffeurs would drive
When I was thirty-five

But now the days grow short
I’m in the autumn of the year
And now I think of my life
As vintage wine
From fine old kegs
From the brim to the dregs
And it poured sweet and clear
It was a very good year

It was a mess of good years

Por que escrevo isso? Porque 2012, o ano em que completei meu sexagésimo ano novo e entrei em minha sétima década, foi um ano muito bom — talvez o melhor que eu tenha tido… 
Não que os últimos anos não tenham sido bons… Mas 2012 foi o ano em que várias coisas se encaixaram e foram se acertando.

Em 13 de Setembro de 2008, dia em que a Paloma e eu completávamos uma semana inteira vivendo juntos, várias núvens negras existiam no horizonte… Imaginei, então, a seguinte cena, retirada da magnífica canção Valsinha, de Chico Buarque e Vinícius de Moraes:

E os dois deram-se os braços
como há muito tempo não se usava dar,
E, cheios de ternura e graça,
foram para a praça e começaram a se abraçar.

E ali dançaram tanta dança
que a vizinhança toda despertou,
E foi tanta felicidade
que toda cidade se iluminou,

E foram tantos beijos loucos,
tantos gritos roucos 
como não se ouvia mais,
Que o mundo compreendeu,
e o dia amanheceu em paz…


“

“E o mundo (finalmente) compreendeu, e o dia amanheceu em paz.”

Acho que 2012 foi o ano que amanheceu em paz. 

Mudamos para o Morumbi, para um apartamento novo, bem maior, com uma vista magnifica, como eu sempre quis. Nunca tive uma casa de que gostasse tanto… Agora no final do ano conseguimos (quase) terminar de mobilia-lo. Ainda faltam pequenas coisas, que podem ser compradas a qualquer momento.

As meninas, Bianca e Priscilla, depois de muito vai e vem, vieram estudar pertinho de casa, no Porto Seguro, onde a Paloma trabalha. Sem pagar um tostão. O plano de saúde da escola também lhes dá cobertura médica excelente.

A sentença de meu divórcio, prolatada e transitada em julgado no ano passado, foi finalmente averbada e a Paloma e eu pudemos nos casar, como sempre quisemos… Esperamos quase quatro anos. Casamo-nos no dia do aniversário da Paloma, 15 de Maio… Adotamos os sobrenomes um do outro. “Epprecht e Machado” e “de Campos Chaves”. Celebramos nosso casamento em nossa igreja no dia 3 de Julho, mesmo dia do ano em que se casaram meus pais (em 1942) e minha filha  mais velha, Andrea (em 1995).

Enfrentamos o desafio e tiramos RG, CPF e passaportes novos… Vamos viajar agora, dia 26, com sobrenomes idênticos em passaportes totalmente novos… É a primeira vez que isso acontece. Viajamos inúmeras vezes nos últimos quatro anos, mas com passaportes com sobrenomes diferentes, que não identificavam que éramos marido e mulher… 
Profissionalmente o ano foi muito bom, para a Paloma e para mim. 
Meu sexagésimo nono ano foi um ano muito bom…

Tem gente que diz que a gente não deve exibir, muito menos ostentar, a felicidade, porque isso atrai inveja e mau olhado… Não acredito em superstição e, por isso, não escondo quando estou feliz, mesmo sabendo que terremotos e tsunamis podem acontecer a qualquer hora… Deus queira que não.

Em Ubatuba, 24 de Dezembro de 2012.

  1. A vida nos encarrega de fazermos ou não as devidas mudanças,como o texto nos trouxe. Os nuances enfrentados são fatores que nos fazem mudar, mas retóricamente, princípios não se mudam, apenas se direcionam de maneira indelével., fazendo-nos pensar acerca de melhores caminhos, sem contudo descartar a coerência adquirida outrora.

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  2. Esse comentário foi postado erroneamente nesse local, o certo seria no texto: Coerência versus incoerência. Desculpe.

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  3. Mas tbém li esse e desejo ao Sr. e à Paloma os sinceros votos de felicidades e que 2013 ainda sejam melhores !! Felicidades ao casal !!

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  4. Pingback: Os Views dos Meus Artigos Aqui, « Liberal Space: Blog de Eduardo Chaves

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