O Desafio das Competências

Muito se tem falado, nos últimos tempos, acerca de competências. O discurso de competências surgiu, em grande medida, no âmbito da educação profissional, em que, advogava-se, o aluno deve desenvolver as competências específicas necessárias para o exercício de uma determinada profissão.

Hoje em dia esse discurso se expandiu e ampliou, e enfatiza-se, no âmbito da educação geral, o desenvolvimento de competências básicas necessárias para o mister de viver e desfrutar a vida, como indivíduo que precisa saber conviver e colaborar com seus semelhantes, e, oportunamente, saber escolher para si uma forma de atuação profissional que contribua para sua realização, não só profissional, mas também pessoal.

Competência, nesse sentido, é a capacidade de mobilizar habilidades, conhecimentos, informações, atitudes e valores para realizar um conjunto de tarefas determinadas, em nível de desempenho considerado superior.  

A educação de cada indivíduo envolve uma matriz de competências personalizada, que é a única a combinação de talentos, interesses e projetos de vida indispensável para o desenvolvimento pleno daquela pessoa específica.

1. Solução de Problemas: O Foco do Currículo

Problemas são desafios que encontramos quando temos uma meta (como a realização de nosso projeto de vida), mas não sabemos como alcança-la.

Para solucionar um problema é preciso desenvolver a capacidade de encontrar (vale dizer, descobrir ou inventar) formas de alcançar nossa meta que vençam os obstáculos iniciais que não sabíamos como remover.

A elaboração de um currículo personalizado para cada aluno é, portanto, a definição das competências que aquele aluno deve desenvolver para transformar em realidade o seu projeto de vida – para transformar em vida vivida aquilo que era, inicialmente, apenas uma vida projetada.

2. A Aprendizagem Focada na Solução de Problemas

Diante disso, o foco da educação de cada pessoa é voltado para os problemas que aquela pessoa precisa solucionar para realizar seu projeto de vida. Essa deve ser, para cada um, sua prioridade mais importante e urgente. A solução dos problemas que separam uma pessoa da vida que ela escolheu para si própria é o desafio maior de cada um de nós. A solução desses problemas não é, a priori, conhecida: ela precisa ser descoberta ou inventada – vale dizer, construída.

A solução desse tipo de problemas exige, acima de tudo, imaginação, criatividade e capacidade de inovar. Só assim se consegue transformar uma vida projetada em uma vida realizada.

3. Metodologias para o Desenvolvimento de Competências

Há razoável consenso hoje em dia de que:

  • Professores não produzem ou geram competências nos alunos através de seu ensino, ainda que seja um ensino chamado de progressista;
  • As pessoas aprendem, ou desenvolvem, ou constróem, competências em processos ativos, interativos, comunicativos e colaborativos;
  • Quanto mais ricos em recursos humanos e materiais forem os ambientes em que as pessoas aprendem, e quanto mais engajantes forem as metodologias de aprendizagem utilizadas, tanto mais fácil e duradouro será será o aprendizado de competências.

Também há razoável consenso hoje em dia de que as melhores metodologias de aprendizagem voltadas para o desenvolvimento de competências exibem as seguintes características:

  • são focadas na solução de problemas;
  • são orientadas para a investigação;
  • são baseadas em projetos;
  • são organizadas de forma a pressupor e facilitar a colaboração.

4. O Papel Mediador do Professor

O desenvolvimento dessas competências, tanto as cognitivas como as não-cognitivas, não ocorre sem a mediação de pessoas que atuem como, simultaneamente, problematizadoras e facilitadoras da aprendizagem, e que sejam capazes de instigar e apoiar o aprendente no seu processo de desenvolvimento, vale dizer, ao longo de sua educação.

O professor terá, na escola da Economia da Aprendizagem, esse novo ofício, mais nobre e mais difícil: o de mediador no processo de definição do projeto de vida de seus alunos e no processo de construção das competências que vão levar ao pleno desenvolvimento aquilo que, inicialmente, era apenas potencialidade.

5. A Avaliação de Competências

Também há razoável consenso hoje em dia de que a melhor forma de avaliar o desenvolvimento ou o domínio de competências não é através de meios convencionais: testes, provas, exames. Afere-se se alguém possui uma competência observando-o, interagindo com ele, colocando-lhe questões, desafios, problemas.

Enfim, a metodologia de aprendizagem esboçada em item anterior já contém, em si mesma, os principais (embora não os únicos) instrumentos para a avaliação dos envolvidos, desde que se mantenham registros fiéis e detalhados do que se passar ao longo da execução dos projetos.

Outros instrumentos, que permitam captar e registrar observações e interações, especialmente as ocorridas fora das ocasiões e dos momentos considerados “de aprendizagem”, são importantes, também. Instrumentos que registrem observações e informações feitas e levantadas em entrevistas com os pais e com os funcionários não pedagógicos da escola também são importantes para a avaliação da aprendizagem de competências.

Escrito em 16 de Maio de 2013, transcrito aqui em 5 de Setembro de 2013

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