Sebastião Francisco da Silva

Faleceu no domingo passado, dia 29 de Julho, o Sr. Francisco, pai do Geovaldo, caseiro do meu sítio. O Sr. Francisco também morava no sítio, numa casinha adicional, ao lado da casa do caseiro. Tinha as coisinhas simples dele, um aparelho de televisão, um rolinho de fumo e umas palhas. Esses eram seus pertences.

Consta que o dono do sítio anterior em que o Geovaldo havia sido caseiro havia proibido o Sr. Francisco de morar no sítio. Estupidez. A figura do velhinho simpático (consta que tinha 76 anos ao morrer), sentado quietinho na frente de sua casinha, fumando um cigarrinho de palha, era, além de agradável, do ponto de vista humano, uma obra de arte. Apesar de o Sr. Francisco não ser propriamente negro, sua figura, ali, fazia-me lembrar de um quadro que meu tio, Mauro Chaves, pintou um dia, de um preto velho, de cabelos brancos, fumando um cigarro de palha. 

A gente sempre parava para conversar com ele. Perguntava se estava bem, e ele respondia algo como "Tudo bem… Se o patrão está contente com o serviço da gente aqui, estamos bem".

Agora o Sr. Francisco se foi. Perdeu seu filho o pai exemplar, perderam seus netos o avô carinhoso, perdemos todos nós. Ontem à noite foi a Missa de Sétimo Dia dele. Desde que começou a se sentir mal até a hora da morte não passaram dez dias.

Em Campinas, 5 de agosto de 2007