Literatura, cinema… Alienação?

Filmes… Literatura… 

Como seria nossa vida sem eles? Sem as histórias que nos trazem? Certamente muito mais pobre.

[Volto a esse tema em decorrência de algumas mensagens trocadas com meu amigo Julio de Angeli, a quem agradeço não só por ter me provocado a refletir, mas por ter me autorizado a dizer que foram seus e-mails que me fizeram voltar ao tema. As citações feitas a partir de roteiros de filmes são de uma chamada primeira versão do roteiro encontrada na Internet, em vários sites. Ela pode não corresponder exatamente à última versão. Algumas partes do roteiro original evidentemente acabam fora da versão final — seja do próprio roteiro, seja da versão editada do filme.]

Escrevo enquanto ouço “Por Una Cabeza”, o tango de Scent of a Woman / Perfume de Mulher, que Al Pacino (Coronel Frank Slade) e Gabrielle Anwar (simplesmente Donna, na história) dançaram no que talvez seja a cena mais tocante do filme (a competição entre essa cena e o discurso de Pacino / Slade diante da assembléia estudantil é dura).

Um dos detalhes que me chamou a atenção naquela cena é que Gabrielle / Donna havia acabado de atravessar um furacão emocional nos braços de Pacino / Slade. O namorado dela, David Lansbury (simplesmente Michael, na história), chega, logo a seguir, para levá-la a outro local. Ele nem nota que a namorada está em estado de graça, que parece ter tido uma ‘visio beatifica’… Quando estão saindo, ele nem percebe que ela olha desesperadamente para trás, aparentemente esperando, em vão, que Pacino / Slade ou, quem sabe, Chris O’Donnel (Charlie Sims), fizesse algo que a ajudasse a tornar aquele um momento perpétuo… ela tinha vivido, como lhe prometera Pacino / Slade, uma vida inteira em poucos minutos. Mas a decisão de não ir com o namorado, e ficar com Pacino / Slade, teria de ser dela, e ela não teve coragem de tomá-la. Assim, ela vai para o que, em comparação com o momento vivido, será inevitavelmente a mediocridade do encontro que o namorado preparou para ela.

Michael está junto da namorada — e, evidentemente, não é cego.  Mas não enxerga. Ele não percebe coisas que o cego coronel enxerga sem precisar ver… Sensibilidade é isso. Em poucos minutos, o Coronel Slade decodificou, por assim dizer, aquela alma feminina na sua frente. Primeiro, pelo olfato refinado: de longe percebeu que ela havia tomado banho com Ogilvy Sister’s Soap. Depois, pela conversa, com a qual a convenceu a dançar com ele, mesmo ele sendo cego e ela não sabendo dançar direito. Por fim, pelo tato e pelo movimento na pista de dança. Seu namorado a via todo dia, certamente transava com ela — mas não a conhecia como aquele cego a ficou conhecendo em poucos minutos de interação…

Há dias escrevi algo aqui sobre o destino de meus hard disks e, na crônica, mencionei que nossos parentes (cônjuges, filhos, etc.) em geral não conhecem a gente. Mencionei, naquela crônica, o filme The Bridges of Madison County / As Pontes de Madison, outro filme magnífico, repleto de detalhes cheios de sensibilidade. O filme foi  dirigido (e interpretado) por Clint Eastwood – ex-“Dirty Harry” e ex-prefeito de Carmel, CA, EUA.

No filme, na carta que Francesca Johnson (Meryl Streep) deixou para seus filhos, contando a eles de seu "affair" extra-conjugal, até então desconhecido deles (e de todo mundo), ela diz:

"Primeiro, e acima de tudo, eu amo vocês dois muito. Embora eu esteja me sentindo bem, cheguei à conclusão de que chegou a hora de colocar os meus negócios (‘affairs’) em ordem — se vocês podem me perdoar o trocadilho. . ." [O filho, aqui, ouvindo a irmã ler isso, revoltado afirma: "Não posso acreditar que ela esteja fazendo piada sobre isso…"]. . . É duro escrever de coisas assim para meus próprios filhos. Eu poderia decidir deixar que esse segredo morresse com o resto de mim, suponho. Mas, quando a gente vai ficando velho, a gente perde os medos, ou resolve ignorá-los. O que se torna mais importante é se deixar conhecer — ser conhecido por tudo aquilo que você fez durante essa curta vida. Quão triste me parece deixar esta vida sem que aqueles que você mais ama realmente saibam quem você foi… É fácil para uma mãe amar seus filhos, não importa o que aconteça — isto é algo que simplesmente acontece assim. Vocês estão sempre tão bravos por causa da maneira errada com que nós os criamos. Mas eu achei que era importante lhes dar uma chance: a oportunidade de me amar por aquilo que eu realmente fui… O nome dele era Robert Kincaid. . . Está tudo lá nos três cadernos. Leiam os cadernos em ordem. Se vocês não quiserem ler, suponho que essa decisão seja okay também. Mas, nessa hipótese, quero que vocês saibam de uma coisa: nunca deixei de amar seu pai. Ele era um homem muito bom. Só que meu amor por Robert era diferente. Ele foi capaz de descobrir em mim coisas que ninguém, nem eu mesma, sabia que estavam lá, e que ninguém mais soube desde então. Ele me fez sentir como uma mulher de um jeito que muito poucas mulheres jamais têm condição de experimentar. . ."

Eu me emociono com os inúmeros detalhes sensíveis do filme. É difícil imaginar o “Dirty Harry” Clint Eastwood tendo tanta sensibilidade. Mas ela está lá — é verdade que de certo modo comandada pelo bom roteiro de Richard LaGravenese, que melhorou muito (na minha opinião) o livro em que se baseou o roteiro, de autoria de Robert James Waller. Mas nenhum bom roteiro substitui uma direção competente. Como diz Sean Pflueger, “Okay, o roteiro de Richard LaGravenese para ‘As Pontes de Madison” é um  ‘salto gigantesco para a humanidade’ em relação às poças de lama que é o romance de Robert James Waller. Mas é a direção de Clint Eastwood e os desempenhos de Eastwood e Meryl Streep que torna a canção para banjo que Waller escreveu em uma ópera”. [Em Entertainment Weekly, http://www.ew.com/ew/article/commentary/0,6115,525659_1%7C8273%7C%7C0_0_,00.html%5D.

O detalhe da “screen door” da cozinha, que todos (marido e filhos) deixavam bater, e que feria as emoções de Francesca mais do que os seus ouvidos – mas que Robert Kincaid (Clint Eastwood) segurou, impedindo que batesse, provocando um sorriso leve nos lábios de Francesca, como se ela dissesse, pra si mesma: “Finalmente alguém sensível, que, como eu,  não gosta de ouvir barulhos desnecessários…”

Diz o roteiro: "Michael [o filho] entra na cozinha, vindo do quintal, e deixa a screen door bater forte, com um barulho. Francesca lhe diz: ‘Michael, o que foi que eu lhe falei sobre essa porta?’ Em seguinda entra Richard [o marido], deixando a screen door bater de novo, do mesmo jeito. Francesca quase diz algo, mas desiste".

O detalhe do rádio… seja na cozinha, seja no carro. Ela procurava sintonizá-lo em estações de música leve, geralmente clássica ligeira, baixinho, agradável. Havia aprendido a gostar desse tipo de música na sua Itália nativa. Os filhos e o marido, desrespeitando a sua preferência, sempre mudavam a estação, colocando o rádio em estações que tocavam estridentes músicas country, certamente apreciadas na região de Iowa. Quando Kincaid sintonizou o rádio e o colocou em uma estação de Chicago que tocava um blue suave com Dinah Washington, acompanhada por saxfone, Francesca ficou convicta de que estava tratando com alguém diferente…

Como a screen door, o rádio era uma fonte de irritação constante para ela, que ninguém ao seu redor parecia perceber — ou que, se percebia, não parecia se importar.

Depois, Francesca tomando banho e imaginando que ali, momentos antes, ele, Kincaid, havia tomado o seu… Na banheira dela. A água que acariciava seu corpo devia sentir como mais tarde iria sentir a mão dele…

A dança dos dois. O dilema de Francesca diante da tensão emocional que aumentava e tornava inevitável uma tomada rápida de decisão: fazer amor com ele? A não tomada de uma decisão ali seria uma decisão. Era o “either-or” kierkegaardiano. Radical. Agora, ou nunca mais.

Mais tarde, uma decisão ainda mais difícil. Deixar a família e ir embora com Robert Kincaid ou continuar na mesma vidinha de sempre… A mão na maçaneta de camioneta, querendo abrir a porta, mas, também, ao mesmo tempo, lutando para não abri-la…  

E mais um sem número de detalhes.  

Ao começar a relatar o seu "affair" aos filhos, Francesca afirma que, pouco antes de encontrar Kincaid, andava inquieta, sem saber exatamente por quê.

"Suponho que sua entrada em minha vida foi, de muitas maneiras, preparada, durante semanas, talvez meses, antes de nos encontrarmos. Havia em mim uma inquietação, um sentimento inquieto. Vinha, como se fosse, do nada, sem nenhuma causa aparente. Nada causa mais medo a uma mulher que tem estado ‘assentada’ por quase vinte anos do que, subitamente, se sentir ‘desassentada’… Não sei quando começou."

Foi só retrospectivamente que ela percebeu esse sentimento de inquietação em seus sentimentos, essa forma de sentir-se "desassentada", fora de lugar…

O que fica evidente no filme é que, apesar do amor que sentia pelo marido e pelos filhos, e da rotina que a vida em uma fazenda em Iowa havia estabelecido, ela odiava aquele lugar e a sua gentinha medíocre.

Robert Kincaid percebeu isso à primeira vista.

Sentindo a dimensão do problema, ele pergunta a ela como era o seu marido (que ela havia encontrado durante a Segunda Guerra na Itália, conforme acabara de lhe contar). Tudo o que ela consegue dizer é: "Muito trabalhador. Muito honesto. Se preocupa com a gente. É gentil. Um bom pai". (Isso me faz lembrar um conto de Monteiro Lobato: "Coitada da das Dores… Tão boazinha!" Boazinha era tudo o que se conseguia dizer de bom a respeito dela).

Ele vai adiante. Pergunta como é a vida em um lugar pequeno em Iowa: "Então você deve gostar aqui de Iowa, eu suponho…" Ela hesita. Ele diz, como se soubesse o que ela vai confessar: "Pode dizer: fica comigo, eu não conto pra ninguém…" Ela se surpreende. Não só ele sabe o que ela vai dizer, mas ele de antemão lhe assegura que ele entende o que ela sente, e que sabe que aquele sentimento tem sua razão de ser e é justificado. Ele valida o que ela sente. Ela hesita mais uma vez, ele lhe sorri e faz que sim com a cabeça — e ela explode: "Eu odeio isso aqui…"

Ao acabar sua explosão, ela se sente esgotada, totalmente exposta — mas aliviada. Alguém sabe o que ela sente, e o percebeu antes mesmo de ela tomar consciência do fato e ser capaz de verbalizá-lo. E, acima de tudo, não a criticou por se sentir assim, referendou e validou o que ela sentia, sem precisar dizer uma palavra. 

Mesmo assim, ela sentiu que devia dizer que estava com vergonha de dizer tudo aquilo… Ele responde com humor, aliviando a tensão e o embaraço dela: "Por quê? Você tirou a rolha da garrafa. Pelo que posso perceber, eu cheguei aqui na hora certa. Tivesse demorado um pouco mais e você teria sido manchete de primeira página, correndo nua pela Main Street. . ." Ela ri… "Mas nós nem nos conhecemos!" Ele, desta vez, não referenda e valida o que ela sente, mas diz a ela que ela está errada em sentir o qe sente: "Você não tem razão de se sentir envergonhada. Você não disse nada que você não tivesse o direito de dizer. E se alguém discorda — mande falar comigo!".

O mais assustador do filme é que, no caso de Francesca, o marido e os filhos nunca haviam notado que ela era infeliz — infeliz no seu âmago, no mais fundo do seu ser, e profundamente infeliz… Na verdade, nem ela mesma havia se dado conta de todo o ressentimento que se acumulava dentro de si em virtude de tudo aquilo a que havia renunciado para ter, o que agora ficava claro, aquela vidinha pobre de sentimento no interior de Iowa – até que o contato com Roberto Kincaid, viajante de muitas plagas (que conhecia até mesmo a pequenina Bari, cidade em que ela nasceu na Itália), quem sabe amante de muitas mulheres sofisticadas, sem querer, lhe revelou…  E ela, que estava traindo o marido, sentiu ciúmes dos amores que o amante deveria ter tido antes de conhecê-la!!! Só percebe e consegue expressar esse fato alguém que tem profunda sensibilidade…

Que conflito deve ter sofrido Francesca. Ali, naqueles poucos dias com Kincaid, ela se apaixonou, eles se amaram, e tudo foi lindo — mas os dois sabiam que havia uma decisão que ela deveria tomar – ela, mais do que ele, porque era ela que tinha mais a perder (a despeito de tudo o que sentia sobre Iowa). A decisão dele era fácil: era solteiro (divorciado), sem compromissos, e queria Francesca, sem dilemas e sem conflitos. Mas a decisão dela era difícil: abandonar uma vida, medíocre é verdade, sem paixão, aparentemente até mesmo sem um amor que tocasse fundo no seu ser (apesar da afirmação feita aos filhos), mas sabida e conhecida, na qual possuía pelo menos um certo carinho do marido e dos filhos e a certeza do hábito e da rotina, por uma paixão que muito promete mas, no fundo, leva ao desconhecido.

E a tragicidade da coisa é que, mesmo que Francesca tivesse tomado a decisão oposta, teria sofrido muito. Talvez até mais. Tal é a condição humana. Francesca tomou sua decisão — e viveu com ela. Ela termina, porém, sua "carta testamento" aos filhos dizendo: "Façam o que vocês têm de fazer, e sejam felizes nesta vida. Há tanta beleza nela!" Felicidade,  beleza…

Filmes… Literatura… Ficção… Histórias inventadas… Na verdade, não totalmente inventadas, mas aproveitadas da vida vivida, da experiência, própria ou dos outros, e reunidas em personagens e acontecimentos que, como tais, nunca viveram ou aconteceram. O cinema e a literatura nos permitem viver, vicariamente, experiências que muitas vezes não nos é dado viver na vida real. E, assim, enriquecem a nossa vida, refinam e aprofundam a nossa sensibilidade. (Já discutimos aqui a questão da educação da sensibilidade). Ou, então, nos preparam para viver essas experiências, se e quando elas nos forem dadas.

Alguns, pouco preocupados com a sensibilidade, dizem que esse tipo de filme e literatura alienam. Até certo ponto é verdade. Eles nos alienam, isto é, afastam, temporariamente, do dia-a-dia, com seus vales e suas planícies, que em geral ficam no pé da montanha, e muitas vezes não têm muita graça, porque não permitem que se aviste longe, e nos levam para os picos e cumes da experiência humana, daquilo que nossa vida, de certo modo, poderia, quem sabe, ter sido, se a gente tivesse registrado as oportunidades que apareceram e feito escolhas diferentes…

Discordo dos críticos que afirmam que o cinema e a literatura desengajados poltiicamente, “inorgânicos”, alienam quando eles assumem que essa alienação é ruim. Eu acho que sem ela a vida seria muito mais pobre e muito mais difícil de viver.  

Em Salto, 25 de agosto de 2006

  1. Edu,
     
    Vc é o melhor exemplo de superação que eu já vi…Qdo acho que vc já escreveu algo transcedental de bom…vou consegue escrever algo ainda melhor…
    Continue assim…nos surpreendendo sempre!

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  2. Eduardo,
     
    Muito bom. Mostra o quanto a sua própria sensibilidade foi desenvolvida assim. Outro dia vi uma entrevista com um médico que usa cenas de filmes para educar a sensibilidade dos alunos. Segundo ele, muitos se tornam "mecânicos de gente" e não médicos. Achei a expressão sensacional. Talvez cada profissão tenha o seu equivalente. O cinema, a literatura, e acho que também a música, tem muito a acrescentar à educação.

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  3. Eduardo,
     
    Quando você resolve se inspirar é realmente um prazer ler seus textos. Fico absolutamente lisongeado pela citação no início e espero provocá-lo ainda mais.
     
    Acabei de lê-lo ao som do de "Por una cabeza" do seu próprio spaces e, com a música, a leitura ajuda ainda mais na sensibilidade, pois fico aqui imaginando o momento em que você escreveu. Fiquei arrepiado ao ler os comentários. E você sabe o quanto eu gosto da Meryl Streep e do filme das Pontes de Madison County.
     
    A experiência de Francesca e Robert são para mim referências para o fim da minha vida. Como lhe disse em nossas trocas de emails, uma das minhas próximas viagens com a família será para Iowa. Vou conhecer as pontes e tirar minhas fotos por lá. Vou possivelmente sentar por alguns momentos e ficarei imaginando o filme e vou adorar ver meus filhos correndo ao redor da ponte, naqueles lindos campos e pensando no futuro deles.
     
    Minha esperança é de ver no futuro meus filhos emocionados com o significado que vem de um filme como esse. Tenho um menino e uma menina, assim como no filme. Sou novo ainda, 35 anos. Mas a reflexão do seu texto sobre o que será de seus hardisks me fez pensar muito no que vou deixar de memória para meus pequenos.
     
    Com certeza terei o meu baú, além dos hardisks. A carta amarelada, as fotos impressas com a cor desbotada pelo tempo, os livros com poeira e os objetos antigos ainda são mais tocantes do que o HD e as informações eletrônicas. Um não substitui o outro, mas o conjunto vai ser o meu legado. Mas com certeza vou mostrar em vida aos meus pequenos aquilo que o pai e a mãe deles viveram de emoções para um dia não terem a surpresa que os fihos de Francesca e Richard tiveram. Mesmo tendo sido bom para os filhos deles.
     
    Obrigado por suas reflexões em todos esses anos de amizade.
     
    Quanto ao comentário da Lenise sobre o filme usado para médicos, acho que até sei qual é o filme. Deve ser Patch Adams. Existe uma cena onde os alunos estão ao lado de uma doente e eles chagam ao seu lado discutindo os aspectos da doença, com termos estranhos e você vê o olhar assustado da paciente no meio do corredor. Nesse instante Patch chega ao lado do grupo e olha para a paciente com um sorriso de compaixão e sutilmente pergunta o seu nome. Ela responde e ele pergunta: como você está? Simples e sensível.
     
    Alguns quotes do Patch mais interessantes nesse sentido:
     
    "What\’s wrong with death sir? What are we so mortally afraid of? Why can\’t we treat death with a certain amount of humanity and dignity, and decency, and God forbid, maybe even humor. Death is not the enemy gentlemen. If we\’re going to fight a disease, let\’s fight one of the most terrible diseases of all, indifference. "
    "You treat a disease, you win, you lose. You treat a person I\’ll guarantee you\’ll win."
    Com certeza este é um filme para se comentar. A sensibilidade ao redor da estória é maravilhosa.
    Um abraço,
    Julio (Em Londres, Agosto de 2006)

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  4. "Discordo dos críticos que afirmam que o cinema e a literatura desengajados politicamente, "inorgânicos", alienam quando eles assumem que essa alienação é ruim. Eu acho que sem ela a vida seria muito maispobre e muito mais difícil de viver".Eduardo ChavesComentando especificamente o parágrafo, que na verdade dá o mote para linha de assunto, penso que ela tem destino certo. Ou seja, está destinada a atingir o que se costumou chamar de "arte engajada" e especialmente a que se manifesta no cinema e na literatura.Sem dúvida, seria mais pobre e difícil e viver a vida sem o cinema e literatura.Contudo a arte, seja ela qual for, tem função mais ampla que nos aliviar das agruras da vida, mesmo porque se assim fosse seria mero entrenimentoescorregando para o escapismo puro e simples.Já o "enriquecimento da vida" comporta muitas interpretações. Penso que enriquecer a vida não é apenas torná-la, mais fácil ou mais recheada decoisas, mas implica também em abrir janelas para a compreensão da nossa realidade e a permanente transformação do mundo que nos rodeia, sua beleza, mas também suas mazelas e restrições que oferece a uma vida plenamente humana. A arte, incluindo o cinema e a literatura, tem também um papel transformador, dos indivíduos e da sociedade.Seu "engajamento" não é apenas o político, mas com a vida dos homens sobre o Terra e com sua luta cotidiana pela vida como fonte de prazer e realização humana. Arte engajada não é apenas a arte com discurso políticoexplícito, se bem que esse  tipo de arte também pode ter seu espaço, mas a arte comprometida com a vida dos homens em todos os seus aspectos.

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  5. Caro Eduardo
    Acabei de ler o artigo. Boa leitura para um final de um chuviscoso domingo. Originalmente meu programa para esta tarde era assistir ao encontro de corais que esta acontecendo no IA pela comemoração dos 40 anos da Unicamp [ultimo dia hoje]. Mas a pachorra me impediu.

    Acho que o trecho a seguir, resume o que eu tenho visto de seus comentários a filmes e livros [especialmente filmes]:

    "O cinema e a literatura nos permitem viver, vicariamente, experiências que muitas vezes não nos é dado viver na vida real. E, assim, enriquecem a nossa vida, refinam e aprofundam a nossa sensibilidade".

    Concordo inteiramente com o segundo parágrafo, mas é o primeiro que é forte na sua ‘fala’. Nesse parágrafo você poderia ter tirado até mesmo o "muitas vezes". Essa aprendizagem vicariante me encanta. Tenho aprendido muito com ela. Aprendizagem vicária é uma coisa que precisar ser melhor discutida. Aprendemos nos identificando com situações, discordando delas, nos colocando no lugar de outros ou apreciando pontos de vista que simplesmente desconheciamos.

    Você menciona também que "Já discutimos aqui a questão da educação da sensibilidade". Aqui, pareceu-me que você estava falando mais para uma lista [ou para seus alunos] do que para o blog.

    Acho que os livros, filmes, historias do[a]s quais mais gostamos são exatamente os que nos emocionam. Mais que aqueles aguçam apenas nossa razão. Entra aqui a questão da razão e da emoção.

    Por isso, sou levado a concordar com seu ultimo parágrafo: "Discordo dos críticos que afirmam que o cinema e a literatura desengajados politicamente, "inorgânicos", alienam quando eles assumem que essa alienação é ruim. Eu acho que sem ela a vida seria muito mais pobre e muito mais difícil de viver".

    Este, parece-me, merece uma reflexão que diz respeito ao ‘aprender a ser’.

    Tanti Auguri,

    Claudio Minetto

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