Getúlio Vargas

Mais um 24 de Agosto, mais um aniversário do suicídio de Getúlio Vargas. Faz, este ano, cinqüenta e três anos que ele se matou.

Tenho, em casa, uma cópia dos diários mantidos pelo mais famoso dos presidentes brasileiros — que governou dando um golpe (em 1930) e, depois, dando golpes dentro do golpe (em 1934 e em 1937) e, depois disso tudo, ainda foi eleito pelo voto popular em 1950 (fato que diz coisas importantes sobre Getúlio e sobre o voto popular…). Em 2002 e 2006 elegemos, pelo voto direto, um presidente que  tem notórias e sabidas simpatias pelo maior Ditador das Américas em todos os tempos — El Comandante, que, se o Diabo não o levar antes, fará, dentro de um ano e meio, cinqüenta anos sanguinários no poder — e que sabidamente é amigo pessoal e aliado político de um Aprendiz de Ditador que, infelizmente, tem um sobrenome parecido com o meu…  

Mas voltemos ao Getúlio, ditador com o qual Lulla gosta, de vez em quando, de se comparar. Os diários de Getúlio são longos: a versão impressa tem dois grossos volumes, passando, creio, das mil páginas.

Deixando a vida pública de lado e concentrando um pouco a atenção na pessoa de Getúlio, ele (como Dom Pedro I e, agora sei, Dom Pedro II) também era conhecido por suas escapadelas sexuais (que ele anotava, de forma meio cifrada, nos diários). Dizem que teve um caso longo, se não me engano com a Virginia Lane, na época vedette famosa.

Fico aqui imaginando, com meus botões, e pensando em Dom Pedro I (um verdadeiro galinha, sem a menor compostura), Dom Pedro II, Getúlio, Juscelino, Collor, Itamar, FHC, Lulla — ou, lá fora, Roosevelt, Kennedy, Clinton, para não mencionar Mitterrand: será que houve Presidente da República que foi fiel à sua mulher?

Fico pensando… O Dutra deve ter sido. O Castelo Branco, também. E o Geisel, luterano, também. Será que só os generais sisudos terão sido fiéis às suas mulheres? O Sarney? Será? Dona Marly não me parece inspirar grandes paixões, estando mais para a Imperatriz Teresa Cristina do que para a Duquesa de Carral.

Faz diferença, no plano público e político? Tendo a crer que não, embora me pareça evidente que um cara que não hesita em enganar a mulher não terá escrúpulo nenhum em enganar a população de seu país…

Mas parece que, diferentemente das mulheres dos homens famosos, que protestam ou às vezes sofrem em silêncio, o brasileiro gosta de ser enganado pelos seus presidentes — e até os (re-)elege pelo voto popular, apesar das escapadas sexuais e das mentiras patentes que tentam nos impingir em outras áreas, menos pessoais e mais públicas.

Acima do Pacífico, em 24 de Agosto de 2007      

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