A chave da qualidade na área da educação

Como já sabem, se acompanham este space, estou em Seul, Coréia — linda, toda coberta de neve.

Ontem tive o privilégio de compartilhar o palco com Michael Fullan, a maior autoridade hoje em dia na área de mudanças na educação (vide http://www.michaelfullan.ca). O Michael é canadense, tendo se aposentado da Faculdade de Educação da Universidade de Toronto há pouco tempo. Lá foi deão da Faculdade de Educação. Eu me aposentei recentemente da UNCIAMP, onde fui diretor da Faculdade de Educação por quatro anos, depois de ter sido diretor associado também por quatro anos. Nós dois somos membros do International Advisory Board de Parceiros na Aprendizagem desde 2003. Nosso mandato de cinco anos deve terminar no final deste semestre.

Ontem nós dois demos os keynotes de abertura do 21st Century Schools Forum 2008 aqui em Seul. Ele falou sobre "Large Scale Change" e eu sobre "Education, Change and Technology: An Inquiry into the Future of Schooling".

Na apresentação de "cases", houve palestras de Cingapura e de Taiwan (Chen Kee Ng, Assistant Director do Ministério da Educação de Cingapura, e Carrie Chen, minha amiga querida, Academic Program Manager na área da educação da Microsoft Taiwan. Cingapura é um país tão pequeno que o Ministério da Eduçacão de lá cuida de tudo na educação: não há Ministério, Secretaria Estadual, Secretaria Municipal…).

Em Out-Nov de 2007 estive na Finlândia (Helsinki e Oulu). A Finlândia e a Coréia são dois países que se destacam na área da educação nos testes de PISA — exatamente com Cingapura, Taiwan e o Canada (com exceção da Finlândia, todos representados aqui).

Gostei muito da fala de Chen Kee Ng, da Cingapura. O que ela mostrou, que me impressionou, foi a consciência de que Cingapura alcançou um nível de qualidade bastante alto na área da educação, mas a educação na qual eles se tornaram bons não está lhes servindo mais, porque o mundo mudou na frente dos olhos deles… "Sabemos fazer alunos tirar notas boas em testes, até mesmo internacionais", disse ela, "mas isto, apesar de nos trazer alguma visibilidade, tem valor apenas relativo para nós". O ponto dela é que o século 21 exige "picos de excelência", não tanto médias altas "across the board" em matérias acadêmicas que, em termos de importância, estão rapidamente cedendo lugar para conjuntos bem definidos de competências.

Fui anotando algumas coisas que ouvi acerca das características dos países que têm se dado bem nas avaliações internacionais (aqueles mencionados acima mais uns poucos, como Canada, Holanda, Australia, Nova Zelândia, Japão, etc. — notem que, com exceção do Japão, nenhum "powerhouse" como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França, Itália, etc. está entre eles).

Eis algumas dessas características:

* Esses países estão conseguindo que as pessoas certas venham para a área da educação, porque a área da educação é valorizada socialmente (traz status ser professor), paga bem e claramente contribui para o crescimento pessoal dos seus profissionais. Isso tem permitido que esses países SELECIONEM (sic) para a área da educação, dentre os melhores alunos que saem das universidades, aqueles que demonstram possuir características pessoais que os tornam especialmente adequados para o trabalho educacional (como, por exemplo, facilidade para trabalhar com pessoas, interesse em ajudá-las a aprender, capacidade de ouvir, etc.);

* Conseguiram criar uma "infraestrutura de apoio pedagógico" que permite que os profissionais da área se capacitem e desenvolvam o tempo todo, em especial no próprio local de trabalho, e tenham à sua disposição duas coisas: (a) apoio permanente e constante de profissionais experientes em comunidades de prática e de aprendizagem colaborativa focadas na qualidade da prática pedagógica escolar (e que o mais das vezes funcionam virtualmente); e (b) recursos materiais (sugestões curriculares, materiais de apoio à aprendizagem como livros, fotos, filmes, clips de audio, acesso de qualidade à Internet, etc.), que possam ser usados conforme as necessidades de aprendizagem dos alunos;

* Conseguiram montar sistemas e mecanismos de avaliação institutucional das escolas que lhes permite identificar áreas problemáticas cedo e intervir nelas, para que não causem maior dano aos seus alunos e não "contagiem" as demais.

Interessante, não?

Quão longe estamos dessas características no Brasil de hoje.

Em Seoul, 21 de Janeiro de 2008

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