19 de agosto de 1967

No dia em epígrafe (como se diz em burocratês) fiz minha primeira viagem para os Estados Unidos (na verdade, minha primeira viagem para o exterior). Voei num Boeing 707 da PanAm, que saiu de Viracopos, em Campinas (era o aeroporto velho, decrépito), parou no Galeão, no Rio (era o aeroporto velho ainda, também decrépito), e foi para o Aeroporto Kennedy, em Nova York. De Nova York peguei um vôo da TWA (TransWorld Airlines) para Pittsburgh. Tanto a PanAm como a TWA sobrevivem apenas In Memoriam.

Essa minha primeira viagem aos Estados Unidos foi longa – durou sete anos. Só voltei de lá no dia 7 de junho de 1974, para vir trabalhar na UNICAMP. No interim só saí dos Estados Unidos umas duas ou três vezes para ir ao Canadá. Fiquei nos Estados Unidos esse tempo todo, sem voltar para o Brasil sequer uma vez, porque os tempos eram outros: eu era um estudante sem dinheiro e o preço das passagens aéreas (e mesmo dos telefonemas internacionais) era proibitivo… E o mar aqui no Brasil de 1967 a 1974 não estava pra peixe… 😦

Faz, hoje, portanto, quarenta e dois anos que saí do Brasil para estudar, porque as portas se fechavam para mim por aqui. Muitos ainda saem do país hoje, porque portas diferentes se lhes fecham.

Antes desse dia, eu estudava (e trabalhava) aqui no Brasil.

Meu primeiro emprego na vida foi iniciado no dia 2/1/1959 – eu tinha quinze anos (ainda era “de menor”, portanto) e nesse dia comecei a trabalhar como escriturário no Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina S/A (INCO), que tinha matriz em Itajaí, na filial de Santo André, na Rua General Glicério, no rumo da estação do trem.

No ano de 1959 eu cursava a quarta série do Ginásio (equivalente à oitava série ou nono ano do Ensino Fundamental de hoje). Quase perdi o ano, porque tinha de ficar depois do expediente no banco “procurando diferenças” entre a contabilidade e o caixa…

Trabalhei cerca de nove meses no INCO e me transferi, em Outubro de 1959, quando já tinha dezesseis anos, para a Companhia Swift do Brasil S/A, em Utinga, bairro de Santo André, onde fui contratado como Faturista e, depois, promovido para Analista de Custos.

Registre-se que em 1960 comecei a fazer o curso Científico (Ensino Médio para aqueles que pretendiam seguir carreiras na área de Ciências Exatas e Engenharias), mas desisti no meio do ano. Não era minha praia.

Só saí da Swift porque me senti chamado para estudar para o ministério – queria ser pastor. Depois de conversar com meus pais, decidi ir fazer o curso Clássico (Ensino Médio para aqueles que pretendiam seguir carreiras na área de Filosofia, Letras, Artes e Ciências Humanas) no Instituto José Manuel da Conceição (Instituto JMC), em Jandira, SP. (Vide meu site http://www.jmc.org.br/, para uma idéia dessa escola…). Fui para o JMC em Fevereiro de 1961.

Concluído o Curso Clássico (Ensino Médio), no final de 1963, fui, no início de 1964, para o Seminário Presbiteriano do Sul (SPS), em Campinas, também conhecido como Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana do Brasil. Minha festa de calouro estava agendada para o fatídico dia primeiro de abril de 1964. Não é preciso dizer que foi cancelada…

O curso de Teologia, no Seminário de Campinas, durava cinco anos – dois anos do chamado “Pré-Teológico”, onde a gente estudava Filosofia, Sociologia, Grego, Hebraico, etc., e três do “Teológico” propriamente dito (História da Igreja, Teologia Sistemática, Teologia do Velho e do Novo Testamento, etc.). Eu, como bom aluno que sempre fui, puxei, para os dois primeiros anos, algumas matérias dos anos posteriores.

Estudei no Seminário de Campinas de 1964 até o meio do ano de 1966 – quando fui expulso do Seminário (com mais setenta e tantos alunos – só sobraram quinze alunos lá). As razões da expulsão explicarei a seguir.

Como explicação preliminar é preciso dizer que, com uma ou duas exceções, o corpo docente do Seminário era muito conservador, tanto teológica quanto politicamente, e entre os alunos havia alguns (admitidamente, uma minoria) que chegavam a ser extrema e ignorantemente reacionários (novamente, tanto no plano teológico quanto no político) – umas verdadeiras antas. Sendo essa a situação dentro do Seminário, é bom que registre que, pessoalmente, foi, a médio e longo prazo, uma sorte tremenda ter sido expulso de lá em junho de 1966 – embora naquele momento eu não pudesse perceber isso.

As razões de minha expulsão foram basicamente duas:

(a) defender teorias não muito ortodoxas acerca da religião e da teologia cristã (especialmente as propostas por Rudolf Bultmann, que me pareceram persuasivas, à época);

(b) por publicar, no jornal do Centro Acadêmico, do qual em 1966 eu fui fundador e era editor e redator, e que tinha o provocante nome de “O CAOS em Revista” (visto que o nome do Centro Acadêmico era “Oito de Setembro”, data da fundação do Seminário), críticas admitidamente violentas aos corpo docente do Seminário e defesas apaixonadas, baseadas no livro On Liberty, de John Stuart Mill, do direito à liberdade de pensamento e de expressão, em especial dentro de uma instituição que se pretendia de ensino superior.

Meu liberalismo data daí. Os cinco primeiros artigos que escrevi chegaram a ser publicados mas as edições foram imediatamente confiscadas (“empasteladas”) pela Reitoria do Seminário (Rev. Júlio de Andrade Ferreira, Reitor); no caso dos outros dois, a Congregação do Seminário havia instituído a censura prévia e as peças foram cortadas antes de serem publicadas. Na verdade, o jornal inteiro de Junho de 1966 foi censurado.

Assim, minha carreira de jornalista foi abruptamente interrompida sem que sequer uma das peças que escrevi tivesse sido normalmente distribuída.

[Esse episódio está descrito em mais detalhe no post “Quarenta Anos depois do CAOS: 1966-2006”, aqui neste space].

Estando fora do Seminário, o Presbitério Paulistano, ao qual eu estava vinculado, debaixo da tutoria de meu pai, prontamente cortou minha bolsa. Resultado: sem dinheiro, procurei emprego nas empresas de Campinas e imediatamente achei um, como Analista de Custos, na Robert Bosch do Brasil Ltda. [Como dito, eu já havia sido Analista de Custos na Companhia Swift do Brasil S/A, no auge de meus dezesseis anos…]

Trabalhei na Bosch por oito meses (de Julho de 1966 a Fevereiro de 1967), e nesse tempo juntei dinheiro suficiente para ir estudar na escola de meus sonhos, a Faculdade de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (Evangelische Kirche Lutherischen Bekenntnisses in Brasilien), em São Leopoldo, RS, a melhor faculdade de teologia do Brasil na época (talvez até hoje). 

A faculdade luterana me aceitou, desafiando diversos tipos de pressão. Aparentemente, para eles, minha expulsão do Seminário de Campinas funcionava como excelente recomendação. Sou imensamente grato ao Rev. Leopoldo Weingärtner, então deão da faculdade, por ter se disposto a enfrentar a “ira santa” (e mesmo a não tão santa) da liderança da Igreja Presbiteriana do Brasil, em especial a do Presbitério Paulistano, ao me aceitar em São Leopoldo.

No entanto, sem o apoio financeiro do meu presbitério, eu não tinha dinheiro suficiente para custear minha permanência no Morro do Espelho (Spiegelberg) em São Leopoldo,  por mais de um semestre. As despesas envolviam “tuition and fees, room and board, and books” (como dizem os americanos) – isto é: mensalidades e taxas da escola, hospedagem e alimentação, e livros. Mesmo assim, fui para lá, com meus próprios recursos (poupança dos oito meses de trabalho na Bosch) e com alguma ajuda financeira da Igreja Presbiteriana do Jardim das Oliveiras, em São Paulo (Alameda Jaú), capitaneada então pelo Rev. José Borges dos Santos Júnior, que havia passado para a oposição dentro da Igreja Presbiteriana do Brasil. Sou grato a ele, mas ele não figura entre a minha santíssima trindade de meus pastores – santos protetores (como se verá).

Em São Leopoldo eu acrescentei, de março a junho de 1967, mais um semestre à minha formação teológica, que lá completou três anos — mas não concluí o curso teológico de graduação.

Em São Leopoldo, Bultmann (que era Luteraníssimo) era bem aceito. O tempo que passei lá ajudou bastante no desenvolvimento do meu domínio da língua alemã (que eu estudava desde o primeiro ano no Seminário de Campinas), porque todas as aulas eram ainda em alemão, naquela época.

O ambiente intelectual fornecido pelo Seminário Luterano de São Leopoldo era bastante salutar e estimulador – muitíssimo diferente do ambiente em Campinas. Lá se esperava que as pessoas diferissem em pontos de vista, em doutrina, em princípios de moralidade. A despeito disso, ou, mais provavelmente, por causa disso, meus laços pessoais com a igreja institucional começaram a terminar ali, e com a religião, minhas convicções religiosas, em geral, enfraqueceram bastante, mais ou menos durante o período em que eu estive em São Leopoldo – sem maiores traumas e, para dizer a verdade, até com um certo senso de alívio. Meu interesse na religião como fenômeno social e na teologia como disciplina intelectual continuam, entretanto, até hoje.

Enquanto em São Leopoldo tive a sorte de receber uma bolsa completa, de três anos, para fazer o Mestrado em Teologia no Pittsburgh Theological Seminary (PTS), de Pittsburgh, PA, EUA. Pode parecer estranho que eu, sem ter concluído meu curso de graduação, recebesse um convite e uma a bolsa para fazer o mestrado. Mas o Conselho Estadual de Educação, depois de analisar toda a minha vida escolar, me declarou apto para prosseguir meus estudos no estado no nível da pós-graduação nos Estados. [A primeira de várias coisas improváveis que aconteceram na minha vida a partir desse ponto… Um pequeno milagre? Houve vários outros.]

Para pode usufruir a bolsa solicitei uma bolsa de viagem ao National Council of the Churches of Christ in the United States (NCCCUS), e tive a felicidade de vê-la concedida. A bolsa no PTS foi obtida através dos esforços do Prof. Dr. Rev. Gordon Eugene Jackson, então Deão Acadêmico daquela escola, e hoje um querido amigo, e uma fonte constante de inspiração. A bolsa de viagem do NCCCUS foi obtida através dos esforços do Rev. Dr. Aharon Sapsezian, então Secretário Executivo da Associação dos Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE), e hoje um outro amigo muito caro (vivendo em Genebra, Suíça, a terra adotada por João Calvino). O Aharon não só me sugeriu que solicitasse a bolsa ao NCCCUS, mas envidou os maiores esforços para que ela fosse concedida. Expresso publicamente aqui minha gratidão a esses dois grandes amigos. [Acredito que o Rev. Jackson, que, quando do meu retorno ao Brasil em 1974, enfrentava séria luta contra o câncer, não esteja mais vivo].

Foi com a bolsa de viagem arrumada pelo Aharon que pude viajar para os Estados Unidos naquele 19 de Agosto de 1967.

Enquanto no PTS, de meados de 1967 até meados de 1970, obtive meu Mestrado em Teologia, na área da História do Pensamento Cristão (conclusão: Maio de 1970). Lá tive o privilégio de estudar com estrelas intelectuais como Dietrich Ritschl (neto do grande teólogo liberal alemão do século XIX, Albrecht Ritschl, e ele próprio um grande especialista na história do pensamento europeu moderno), que me fez interessado para sempre na história intelectual; Ford Lewis Battles (especialista em pensamento medieval, na Renascença e na Reforma, especialmente em João Calvino, sendo o autor da melhor tradução para o Inglês das Institutas da Religião Cristã), que quase me convenceu a tornar-me um historiador medieval; Markus Barth (filho do grande teólogo suíço do século XX, Karl Barth), cujas aulas eram tão precisas que a gente o tomaria por alemão, e tão claras, que a gente o tomaria por francês; Hans Eberhard von Waldow (que havia ensinado em São Leopoldo antes de ir para Pittsburgh), que, por incrível que pareça, conseguia fazer a História do Antigo Israel parecer viva e interessante; George H. Kehm (professor de teologia sistemática), que me fez seu assistente didático e de pesquisa quando entrei no doutorado; e vários outros (Ronald Stone, Walter Wiest, John Gerstner, Robert Paul, Douglas Hare). Minha média durante o mestrado foi suficientemente boa para que eu recebesse sete prêmios e bolsas ao final dos meus três anos no PTS, uma das quais era para cursar o doutorado em área de minha escolha.

Assim, em Setembro de 1970 entrei na University of Pittsburgh (Pitt), também em Pittsburgh, PA, EUA, para começar o meu Ph.D.. O foco principal de meus estudos foi a História da Filosofia Moderna, especialmente no século XVIII, pois eu estava interessado em epistemologia e Pitt era a melhor universidade americana na área de epistemologia, lógica e filosofia da ciência naquela época. Eu, naturalmente, ainda mantinha (como mantenho até hoje) meu interesse na epistemologia da religião. Esses dois interesses, na epistemologia da ciência e da religião, fizeram-me gravitar para William W. Bartley, III, professor titular do Departamento de Filosofia, cuja obra publicada lidava com esses dois assuntos (em especial, The Retreat to Commitment, publicado em 1962).

Em relação a Bill Bartley, depois de estudar teologia por algum tempo em Harvard, Bill Bartley foi para a London School of Economics (LSE), em Londres, Inglaterra, para estudar com Karl Raymund Popper. Ele oportunamente se tornou o discípulo amado de Popper – mas depois se desentenderam seriamente (no plano pessoal, não no plano das idéias). Depois do desentendimento, eles voltaram a manter relações de amizade e colaboração bastante estreitas, tendo Bill Bartley sido ungido para a invejada tarefa de gerenciar todo o legado intelectual de Popper (e, depois, também de Friedrich von Hayek). Assim sendo, fui, no doutorado, virtualmente constrangido a ler tudo que Popper tinha publicado, e mesmo alguns trabalhos então ainda inéditos (mas aos quais Bill Bartley tinha acesso e dos quais, depois, se tornou o editor, na versão impressa). À vista disso creio que posso, por direito, considerar-me neto intelectual de Popper — com quem tive o privilégio de trocar algumas cartas em meados da década de 70. A morte prematura de Bill Bartley em 1990 (5 de Fevereiro) roubou-me um pai intelectual e um grande amigo e foi motivo de grande tristeza. A morte de Popper em 1994 também foi grandemente sentida – embora não tenha sido prematura (ele nasceu em 1902). (A relação entre Popper e Bartley é bem e corretamente descrita em um artigo interessante de Mariano Artigas The Ethical Roots of Popper’s Epistemology)

Sob a orientação firme de Bill Bartley concluí meu doutorado em tempo recorde, em Agosto de 1972. Fiz dezoito disciplinas, obtendo o conceito máximo nelas. Terminei o doutorado com GPA de 4.0 (os pontos do Grade Point Average iam de 0 a 4). Minha tese teve o título de “David Hume’s Philosophical Critique of Metaphysics and its Significance for the History of Christian Thought”. Foi um catatau de 615 páginas. Por mim eu teria continuado polindo o que eu esperava fosse tornar minha obra prima, mas Bill não me deixou, virtualmente me obrigando a entregar a tese na forma em que se encontrava.

Em Pitt também tive o privilégio de estudar com Wilfrid Sellars, que foi o membro sênior de minha Banca de Doutoramento. Na home page dedicada a ele na University of Chicago, Keith Lehrer (filósofo bem conhecido) diz que “Sellars [foi] um dos mais importantes filósofos do século, talvez de todos os séculos”. Ele era também um professor fabuloso. Meu primeiro curso com ele foi um Seminário sobre Metafísica e Epistemologia. Depois fiz seu famoso seminário sobre Kant. Os cursos eram tão bons que eu comecei a freqüentar tudo que era curso que ele dava, até mesmo, como ouvinte, alguns cursos introdutórios em nível de graduação (sobre Empirismo Britânico e sobre Filosofia Analítica, por exemplo). A maior parte do que eu sei sobre filosofia analítica aprendi com ele. Outros bons professores que tive em Pitt foram Nicholas Rescher (Lógica e Epistemologia), Richard Gale (Metafísica, Filosofia do Tempo, Filosofia Analítica), Kurt Baier (Ética), Joseph Kemp (Empiristas Britânicos), e Marilyn Frye (Kant). Olhando para trás posso ver porque o Departamento de Filosofia de Pitt era considerado o melhor do país naqueles anos.

Depois de receber meu Ph.D. fui contratado para lecionar filosofia, primeiro pela California State University at Hayward, em Hayward, CA, EUA (1972-1973), e, no ano seguinte, pelo Pomona College, um dos “colleges” do complexo chamado Claremont Colleges, em Claremont, CA, EUA (1973-1974). Felizmente, naquela época as normas do politicamente correto ainda não imperavam no cenário acadêmico americano.

Enquanto trabalhava em Pomona tive uma das experiências intelectuais mais excitantes de minha vida: ler Ayn Rand pela primeira vez. A experiência fez de mim uma pessoa diferente. Sou para sempre grato ao meu colega de Pomona, Charles J. King, depois presidente do Liberty Fund, por recomendar que eu lesse Atlas Shrugged  (Quem é John Galt?, em português). Desde aquele momento, em 1973, Ayn Rand se tornou minha mentora intelectual, ética e política, embora meu relacionamento com ela nunca tenha tido o fervor quase-religioso daqueles para quem Objetivismo, mais do que uma filosofia, é um culto – quando encontrei Ayn Rand eu já tinha tido minha experiência religiosa há muito tempo. Mas Ayn Rand permanece até hoje como a influência mais forte e mais permanente sobre o meu pensamento metafísico, epistemológico, ético, político e até mesmo estético.

Como já disse, no todo passei sete anos nos Estados Unidos (Agosto de 1967 a Junho de 1974), sem voltar ao Brasil sequer uma vez. O clima político no Brasil durante esses anos era tão inóspito que eu dificilmente teria me arrependido de ter passado todo esse tempo fora, ainda que esses anos não houvessem sido os mais frutíferos de minha vida, do ponto de vista intelectual.

Em Junho de 1974 retornei para o Brasil para lecionar na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em Campinas, SP, da qual me aposentei no final de 2006, depois de trinta e dois anos de trabalho na área de Epistemologia, Filosofia Política e Filosofia da Educação (e, de vez em quando, de Tecnologia e Educação). Por uns tempos, na década de oitenta, envolvi-me com administração universitária e até mesmo com política acadêmica.

E com minha aposentadoria, chego perto dos dias atuais (ainda que pulando uma grande quantidade de anos… )

Não creio que tenha havido um ano sequer, desde 1967, que tenha deixado de me lembrar, com imensa gratidão, no dia 19 de Agosto, que aquele dia representava, para mim, um salto qualitativo na minha carreira e na minha vida, talvez até mesmo uma libertação de um mundo para outro. Naquele dia, há quarenta e dois anos, deixei meu país, fiquei sem ver minha família por sete anos seguidos, fui morar num país estranho, falando uma língua que não era a minha, tudo em busca de um sonho que, aqui no Brasil, havia abortado. Sem a ajuda de instituições e de amigos dentro dessas instituições, e, talvez, de um bocado de sorte (ou ações da providentia divina specialissima), não teria conseguido isso. Desse fato nunca me esqueço. Quase me esqueci, por um tempo. Mas, felizmente, voltei a ver as coisas em perspectiva.

Dos amigos que me ajudaram, três eram pastores: os Revs. Leopoldo Weingärtner, Gordon Eugene Jackson e Aharon Sapsezian. Isso é significativo. O único que não era pastor era Bill Bartley – mas ele também fugiu do chamado, como eu… Creio que o Aharon, sobre o qual escrevi recentemente um post aqui neste space, é o único desses quatro que continua vivo. É o meu amigo mais querido. Hang in there, my good friend!]

Enfim, aqui estou. Mais uma vez celebrando um evento importante – e improvável – em minha vida. E me revelando agradecido a tantos… Inclusive a quem não nomeei mas que sabe que está na lista.

Em Salto, 19 de agosto de 2009

  1. Parabens, batalha-se muito pra isso sempre q lutamos por algo e buscamos d todo o coraçao e entendimento conseguimos alcançar, viu como as vezes uma rebeldia nos leva para caminhos q nem pensavamos ter ou seguir, parabens q Deus te abençoe,Nara Ingrid

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