Venda de “Magalhães” nos Açores

Meu amigo Fernando Manuel Costa, de Lisboa, companheiro de minha grande amiga Luiza de Marilac, trouxe à minha atenção a matéria abaixo, publicada no Diário de Notícias de Portugal:

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http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1456912&seccao=Açores
Diário de Notícias
28 Dezembro 2009

S. Miguel

Crianças vendem ‘Magalhães’ a 5 euros nos Açores

Crianças açorianas estão a vender computadores Magalhães por cinco euros ou em troca de brinquedos. Segundo a Antena 1, crianças da Ilha de S. Miguel – muitas delas oriundas de bairros carenciados e que receberam o portátil nas suas escolas – fazem negócio trocando o computador por dinheiro ou por brinquedos.

Algumas delas declararam mesmo que a troca pode ser efectuada por uma bicicleta ou por um carro de esferas. Outras pedem entre os 5 e os 30 euros "para a mãe fazer a sua vida, para comer ou só mesmo para brincar". Questionada sobre a questão, a secretária regional da Educação, Maria Lina Mendes, disse à Antena 1/Açores "que, a partir do momento em que os pais pagam o computador, essa responsabilidade passa a ser deles e não da tutela". O Governo pagou cerca de 200 euros por cada Magalhães.

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Para quem não sabe, “Magalhães” é o nome dado, em Portugal, para os sub-notebooks da Intel que no Brasil são chamados de ClassMates. Convertido para o Inglês, Magalhães virou Magellan.

A notícia é que as crianças da Ilha de S. Miguel, no Arquipélago dos Açores, que receberam os Magalhães do governo português para uso na escola e em casa, as crianças carentes sem precisar pagar nada, estão a vender seus equipamentos por até 5 Euros cada (cerca de R$ 12.50 cada). Provavelmente as crianças acham que estão fazendo um “negocião”. Quem os compra, certamente o faz, não fosse ilegal a venda e a compra do equipamento.

Muitas pessoas suspeitam, e com razão, diante das evidências, que os pobres, quando recebem, do governo, de graça, presentes diversos (os Magalhães, no caso, ou glebas de terra no caso dos assentamentos brasileiros da reforma agrária), não apreciam o valor dos bens que estão a receber e os trocam por coisas de menor valor ou os vendem por preço irrisório. No caso português, o governo pagou 200 Euros por cada Magalhães. As crianças os vendem por 2,5% do preço de custo. As crianças não conseguem perceber o quanto mais poderiam ganhar, no médio e longo prazo, se usassem os Magalhães para aprender mais e/ou melhor.

Só a educação das próprias crianças e de seus pais poderia corrigir essa distorção. Mas, no caso, o que está sendo comercializado é a própria possibilidade de uma educação melhor.

Em Portugal o governo tem investido recursos consideráveis (dado o PIB do país) na educação, em especial na área do uso de tecnologia na educação. Consta que todas as crianças da Educação Básica pública receberam um Magalhães para uso em sua aprendizagem tanto na escola como em casa.

No Brasil, as dimensões de projeto semelhante são modestíssimas e estão ainda amarradas na burocracia governamental. E não parece que as crianças vão poder levar os computadores para casa. Assim sendo, o risco de que os comercializem são bem menores. Mas permanece a suspeita de que, se os levassem, fariam a mesma coisa que fizeram as crianças da Ilha de S. Miguel, no Arquipélago dos Açores.

Em Ubatuba, 31 de Dezembro de 2009

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