A Violência em São Paulo

Uma sociedade em que a gente passa tanto tempo se cuidando e protegendo para não se tornar vítima da violência, e em que a gente gasta tanto tempo, na mídia e em conversas particulares, discutindo o que fazer para se sentir e efetivamente estar mais seguro não pode ser uma sociedade viável. Espero que não cheguemos ao ponto em que Bogotá um dia chegou, em que policiais ou agentes de segurança tinham de colocar espelhos embaixo do seu carro e cães farejadores dentro antes de permitir que você entrasse no estacionamento de um prédio, ou em que sua pasta, sua bolsa ou sua sacola eram fiscalizadas quando você entrava num shopping…

Deus nos livre desses extremos, mas a coisa aqui em SP não está fácil e pode caminhar para essas medidas absolutamente insuportáveis.

Precisamos rever algumas teses que se tornaram “ideias pétreas”: Primeiro, a da idade em que as pessoas se tornam penalmente responsáveis – a chamada maioridade penal. Segundo, e relacionado, a ideia de que aquilo que um menor de idade do ponto de vista penal, qualquer que seja essa idade, some de sua ficha, como se nunca tivesse acontecido, e ele passa a ter ficha limpa e pode até se candidatar a ser vereador, deputado, senador, prefeito, governador e presidente. Terceiro, rever a questão da prisão perpétua e mesmo da pena de morte. Quarto, rever as regras que regem nossas prisões e torna-las mais estritas, acabando com visitas íntimas e outras regalias que são maneiras de manter os presos ligados à sociedade e, de dentro da prisão, gerir sua rede de subalternos. E assim vai.

Quem viola o direito à liberdade e demais direitos humanos dos outros não pode ter seu direito à liberdade e demais direitos humanos respeitados.

Quem viola o direito à vida dos outros não pode ter seu direito à vida respeitado.

Anteontem abriram caminho no trânsito a bala aqui em SP e mataram uma criança que estava no colo da mãe dentro de um carro atingido.

Como se argumenta no fantástico filme argentino (melhor filme no Oscar de dois anos atrás), El Secreto de sus Ojos, pena de morte para um cara desses É MUITO POUCO.

Em São Paulo, 18 de Novembro de 2012.

  1. o fato narrado (morte de uma criança) é inaceitável mas discutível, questões polêmicas como violência, segurança pública e pena de morte atualmente, são discutidas em bares e restaurantes…banalização do crime e do ato infracional! Quando pesquisadores, pensadores e estudiosos deixarem de criticar, aliando-se a especialistas em criminalidade e violência (práticos) e auxiliarem de fato na diminuição ou controle desta mesma violência, talvez tenhamos uma liberdade que hoje não nos pertence.

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