O Texto

1. Uma Tentativa de Definição

O que é um texto?

O New Oxford American Dictionary dá algumas definições, das quais seleciono estas duas:

“Texto: Um livro ou outro material escrito ou impresso, considerado do ponto de vista de seu conteúdo e não de sua forma física”

“Texto: Palavras escritas ou impressas que, tipicamente, constituem uma produção integrada”

O Webster’s Encyclopedic Unabridged Dictionary of the English Language também tem várias definições, das quais a seguinte é a que mais me interessa aqui:

“Texto: Qualquer das várias formas em que algo escrito existe”

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa esclarece:

“Texto: Conjunto das palavras escritas, em livro, folheto, documento etc.”

Creio não ser mais necessário recorrer aos dicionários. Parece haver consenso que um texto é algo — algum material — escrito. Mais precisamente, texto é um conjunto de palavras escritas que, em sua forma típica, constitui uma produção integrada ou um trabalho que, de certo modo, tem começo, meio e fim.

Essa definição do texto exclui a possibilidade de que chamemos de texto um conjunto de palavras orais, mesmo que, no restante, a definição de texto se aplique. Exclui, também, a possibilidade de que chamemos de texto um conjunto exclusivamente de imagens ou de sons — ou de imagens e sons.

O texto, assim, é algo escrito que possa ser considerado, de certo modo, um todo integrado, que tenha uma unidade intrínseca.

2. O Desafio da Classificação

Aqui temos um grande desafio.

Meu amigo Jarbas Novelino publica e divulga no Facebook, com certa regularidade, seus microcontos. Estes são textos que, em sua forma original, no Português de hoje, não têm mais de 140 caracteres, contando os espaços. (Esse limite foi originalmente imposto pelo Twitter: nada acima de 140 caracteres podia ser publicado lá. Hoje, com os chamados microlinks, o texto publicado no Twitter é truncado no limite mas o leitor pode continuar a le-lo clicando no link). O Jarbas se impõe o limite de 100 caracteres, contando os espaços. Outros são mais generosos consigo mesmos.

Eis alguns exemplos de microcontos do Jarbas (retirados de seu perfil no Facebookhttp://www.facebook.com/jarbas.novelino):

“Sua alma morreu há muitos anos, embora o corpo, bem sadio, bata o ponto diariamente na repartição.” (Autor: Jarbas Novelino; 100 caracteres cravados, contando os espaços).

“Deu lógica. Ela sabia tudo. Ele nada sabia. Hoje vivem um casamento sem qualquer verdade.” (Autor: Jarbas Novelino; 90 caracteres, contando os espaços).

“Num dia sem sol, ela se descuidou e não sabe mais onde deixou sua sombra.” (Autor: Jarbas Novelino; 75 caracteres, contando os espaços).

Eis alguns exemplos de microcontos de outros autores (retirados do site Portal dos Microcontos – http://microcontos.com.br/ ou de links ali contidos):

“Ela era corrupta. Ele ladrão. Ao final da cerimônia de casamento não jogaram arroz. Jogaram farinha. Farinha do mesmo saco.” (Autor: Senir Fernandez; 123 caracteres, contando espaços como caracteres).

“O gato dormia no tapete da sala, aproveitando a calma da casa antes de darem pela falta do peixinho no aquário.”  (Autor: Carlos Seabra; 111 caracteres, contando os espaços).

“Era a pessoa mais afável à face da terra. Estava sempre pronto a ajudar e nunca se negava a reconfortar os mais necessitados. Todos diziam que ele tinha um bom coração, excepto o seu cardiologista, depois de analisar o último electrocardiograma.” (Autor: F M B Guerreiro; 245 caracteres, contando os espaços.)

‘Bip vagaroso e compassado. Fios o ligam a máquinas. Ontem, rachas na avenida; hoje, racha na cabeça.” (Autor: Edson Rossatto; 100 caracteres cravados, contando os espaços).

Cito esses microcontos porque eles ilustram a dificuldade de classificar textos…

Há várias formas de faze-lo — como, por exemplo, levando em conta o conteúdo do texto:

  • Pessoais (cartas, diários, notas a si próprio, rascunhos de ideias…)
  • Literários (romances, contos, crônicas, poesias, agora microcontos…)
  • Acadêmicos (comentários, ensaios, resenhas, teses, dissertações…)
  • Jornalísticos (editoriais, artigos, crônicas, reportagens…)
  • Comerciais (anúncios, classificados, reclames [como ainda os chama o Faustão], comerciais, cartas…)
  • Burocráticos (editais, solicitações de proposta, comunicados, ofícios…)
  • Legais (leis, decretos, portarias, exposição de motivos…)
  • Jurídicos (petições, réplicas, tréplicas, sentenças, apelações, embargos, convocações, intimações, citações…)

Há vários “furos” nessa classificação,  que, além de tudo, é incompleta… E há outros critérios que podem ser usados para a classificação. Mas é uma tentativa. Não passa disso.

Apreciaria comentários, que podem ser dirigidos para eduardo@chaves.pro.

Próximo capítulo: As Manifestações Tangíveis do Texto

Em São Paulo, 30 de Novembro de 2012.

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  1. Pingback: Os Views dos Meus Artigos Aqui, « Liberal Space: Blog de Eduardo Chaves

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