Sonhando com o Impossível. Será?

A política, alguém já disse, é a arte do possível. Quem disse não conhecia a política brasileira.

Aqui a política é a arte, refinadíssima, por sinal, de tornar aparentemente impossíveis certas coisas bastante simples e óbvias, que todo o mundo que não é político deseja. Ou jogar sobre os ombros alheios a responsabilidade que é sua.

Pergunte-se a alguém na rua se acha que uma presidente deve ter quarenta ministros.

Pergunte-se a alguém na rua se acha que cada ministro deve ter uma frota de carros oficiais e todo um exército de servidores obsequiosos ao seu dispor, mesmo para exercer tarefas privadas de interesse apenas da chefe. Isso para não falar nos aviões da FAB, que levam políticos a jogos de futebol e casamentos dos filhos dos amigos.

Pergunte-se a alguém na rua se a presidente e seus 40 quarenta ministros (e outros, de escalão menor) devem ter cartões de crédito corporativos cujo uso é considerado segredo de estado.

Pergunte-se a alguém na rua se a presidente, quando viaja, deve ficar hospedado nos hotéis mais exclusivos e, nestes, nas suites reais cuja diária custa mais do que o salário anual com décimo terceiro de um trabalhador que ganha o salário mínimo. E que, quando questionada, deve tornar esse tipo de gasto sigiloso.

Nada disso depende do Congresso para ser corrigido. E é contra esse tipo de coisa que as ruas estão falando.

Mas a presidente e seus ministros fazem de conta que os protestos não são contra o Executivo comandado pelo PT há dez anos. Produzem uma série de factóides inviáveis e os despacham para o congresso. Ou resolvem tentar desviar a atenção dos problemas reais para ameaçar os Estados Unidos pelo controle que têm da Internet.

Um dos ministros da presidente, que está no momento totalmente prestigiado por ela, teve ontem a coragem (seria desfaçatez?) de dizer aos repórteres que o congresso vai pagar caro, nas próximas eleições, se não ouvir as ruas (i.e., se não obedecer à presidente), como se os protestos nada tivessem que ver com o executivo. O mesmo infeliz disse, também ontem, que a queda de 35 pontos nas duas últimas pesquisas que a presidente teve, é algo momentâneo e passageiro, e que logo ela se recupera e estará pronta para se reeleger no primeiro turno. Ou seja, o que se passou nas ruas (passou?) não foi nada que dissesse respeito ao executivo petista e foi algo momentâneo e passageiro, que não vai fazer com que nada mude. Mudar por que, não é mesmo? Está tudo tão bem, não é isso?

Quem vê a chefe dele na TV acha difícil de acreditar. A mulher está grogue, foi vaiada pelos prefeitos ao mesmo tempo em que tentava comprar o seu apoio com 15 bilhões de reais de dinheiro nosso – dos quais ela também gasta 3.500 reais cada vez que vai ao cabeleireiro…

Não me interpretem mal: o congressistas devem todos dar as mãos à presidente e seus ministros e sumir do mapa. Temos problemas com os deputados estaduais e governadores, e com os vereadores e prefeitos. Mas desses a gente cuida. O que é necessário, agora, é fazer o que o governo federal parece achar impossível: varre-lo do mapa. Pra sempre. Acabar com a união, com o pacto federativo, com a república federativa. Dar ao mundo 27 países novinhos em folha, que poderão daqui pra frente usar seu dinheiro sem antes envia-lo para o governo federal para depois mendiga-lo de prato na mão. Acabar com redistribuição de renda de uma região para outra, de um estado para outro.

Esse seria o gesto mais político que poderíamos fazer: tornar possível aquilo que os donos do poder no plano federal parecem achar impossível.

O que foi um dia unido pode ser desmanchado. Esta é minha crônica em defesa da liberdade.

Em São Paulo, 10 de Julho de 2013.

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