O trânsito de Hanoi

Ontem, domingo à noite, saí para jantar com alguns amigos — fui ao Bobby Chinn Restaurant, sobre o qual coloquei uma notinha aqui. Fomos de taxi, eu sentado na frente, junto ao motorista (estávamos em quatro). O trânsito estava animado mas não muito intenso. Mas a bagunça é inacreditável. Nunca vi coisa igual – nem mesmo em Istambul.

Exceto em raríssimos locais, não há farol. Não há sinal de PARE. Não há faixas de rolamento pintadas no chão. O que seriam as faixas de rolamento na direção contrária são aproveitadas para dirigir na contramão, empurrando quem vem na mão certa para a faixa mais da direita ou para cima da calçada. Enfim, todo mundo dirige por todo lugar… Parece uma largada de Fórmula 1, como foi a do Bahrain ontem: carro passando por tudo quanto é lado. Carros brigando com outros carros, todos brigando com as motos. Brigando é modo de dizer. Eles buzinam e dão sinal de luz, mas ninguém parece se importar com isso.

Nas motos, jovens, velhos, senhores, senhoras, senhoritas, casais… Em toda a bagunça, duas senhoras andando de moto lado a lado — e conversando uma com a outra, enquanto dirigiam. Meu amigo Vincent Quah me contou que já viu dois motoqueiros dirigindo tranqüilos no trânsito caótico, carregando uma viga de madeira de mais ou menos oito metros — no ombro de cada um, uma moto na frente, a outra atrás, a viga ligando as duas…

Os cruzamentos em que não há farol — a maioria — são um exercício em aventura. Todo mundo vai entrando. Parece que vão bater mas se desviam um do outro. Gente que está na esquerda querendo virar para a direita, e vice-versa. Houve um cruzamento em que deveria haver um balão: havia pelo menos umas seis ruas chegando no mesmo lugar, mas não havia balão nenhum. Uns queriam passar direto, outros queriam mudar de direção, nunca se  sabia exatamente quem ia fazer o quê. Compreendi porque buzinam e dão sinal de luz. Pelo jeito ninguém usa espelhos retrovisores. Eles vão enfiando o carro ou a moto, ou vão deixando o carro ou a moto "escorregar" para onde querem ir, e se ninguém buzina, eles continuam; se buzina, eles param momentaneamente de enfiar ou carro ou a moto e tentam de novo — na expectativa de que o outro vai deixar que passem ou entrem. Uma loucura.

Não é difícil, também, encontrar um carro parado do lado esquerdo de uma rua movimentada de uma mão só. Às vezes estacionado lá — com duas rodas em cima da calçada. Motos estacionadas em lugares em que obviamente deveria ser proibido estacionar também é comum.

Para nos deixar do lado do restaurante, a fim de que não tivéssemos de cruzar a rua, o motorista do taxi foi entrando no lado oposto da pista, na contra mão, devagarinho, buzinando, dando sinal de luz, desviando dos carros e motos que vinham em direção contrária, até que encostou na calçada do lado do restaurante — mas virado para a direção errada do fluxo de trânsito. Como ele, motorista, ficou do lado da calçada, fez sinal para que eu não saísse. Deu a volta, estendeu o braço assim na horizontal,  meio que, simbolicamente, empurrando o tráfego para longe, para criar um espaço protetor no qual eu pudesse sair do carro pelo lado do trânsito sem ser atropleado e dar a volta para entrar no restaurante… Fui direto pro bar e pedi uma vodka Finlandia… 

Fico pensando no Seymour Papert, atropelado aqui por uma moto, e que nunca mais recobrou sua saúde. A gente fala do trânsito de São Paulo, com os motoqueiros dirigindo entre os carros, mas o trânsito de São Paulo é um modelo de ordem, comparado com o daqui.

Em Hanoi, 7 de Abril de 2008

Bobby Chinn Restaurant

Ontem estive nesse restaurante. Vide http://www.bobbychin.com/. Simplesmente fantástico — e não tão caro, para padrões internacionais.

O ambiente é sofisticado, chique, agradável. Bobby Chinn aparece com freqüência, conversa com clientes, explica e sugere pratos… Há uma biografia dele no site.

O restaurante fica no coração da Hanoi velha, numa esquina. O bar é distinto e tem ampla seleção de bebidas.

Ninguém que venha a Hanoi deve perder.

Em Hanoi, 7 de Abril de 2008

A moeda vietnamita: o "dong"

Fiquei até com uma certa pontinha de orgulho, com ares de superioridade, quando me dei conta de que são necessários nada menos do que 9.421 (nove mil, quatrocentos e vinte e um) dongs — moeda vietnamita — para fazer um mísero real… (16.110 para fazer um dólar). Fizemos progresso na área econômica no Brasil, desde o Plano Real — que o FHC reivindica como realização dele, mas o presidente na época era o Itamar Franco. Foi o Itamar que precisou ter coragem para autorizar o plano. Mas para quem se deixou fotografar com a Lílian Ramos sem calcinha, ressuscitou o Fusca, e arrumou uma namorada oficial, com a qual queria se casar, tudo, em retrospectiva, parece ser possível. Nunca ouvi uma palavra de gratidão do FHC ao Itamar por tê-lo dado a chance de introduzir o Real (precedido da UVC).

Quem quiser conhecer um site interessante sobre Currency Conversions deve visitar http://www.xe.com/. O site é excepcional — e envia uma cotação diária da moeda que você escolher: dólar, euro, real…

Em Hanoi, 5 de abril de 2008.

Hanoi: o Sheraton

É gozado como alguns gabaritos habitam na mente da gente — colocados lá por livros, por filmes, por fotos… Lembro-me de que, quando estive em Macau, na parte velha (a parte nova é uma imitação de Las Vegas), fiquei com a impressão de que andava por uma cidadezinha pequena em Portugal. Casas no estilo português, pintadas de marrom e amarelo, rosa e verde… Quando entrei na Vila Militar, que hoje é um clube privado que tem um restaurante aberto ao público, pensei que estava entrando num daqueles Clubes Militares da Índia, quando esta ainda era colonia inglesa. Pé direito alto, janelas enormes, mas com as vidraças fechadas, ventiladores no teto, tudo muito próprio… Parecia que a Greta Scacchi iria aparecer a qualquer momento, louríssima e linda como em White Mischief (1987), onde representou Lady Diana Broughton… A comida, porém, deliciosa, e o vinho, eram portugueses…

Digo isso porque o Sheraton aqui de Hanoi, às margens de um lado brumoso, que dá a impressão de um alagado, me faz lembrar o decadente passado colonial francês — e me faz lembrar de Catherine Deneuve em Indochine (1992), onde ela fez o papel de Elaine. Ganhou o Oscar de Best Foreign Language Film, que o Brasil tanto persegue — e Miss Deneuve foi indicada para Best Actress in a Leading Role… Não sei quem ganhou. Mas eu teria dado o prêmio para Catherine. Pelo filme e pelo conjunto da obra — e por ela ter nascido no mesmo ano em que eu nasci (1943), e por ser irmã de Françoise Dorléac, e por sido vivivo (e tido uma filha) aquele babaca do Marcelo Mastroianni, cujo Catolicismo não o impedia de ser adúltero, mas o impedia de se divorciar… Mesmo sem fechar os olhos eu consigo rever cenas de Indochine na minha mente.

Enfim, voltemos ao Sheraton Hanoi. Fiquei quase uma hora, hoje cedo, sentado no lobby, depois de ter tomado café da manhã, lendo o International Herald Tribune (Asia Editiion) e observando o cenário. Tudo distinto, como il faut a um Sheraton. Tudo bem cuidado. Mas a aparência geral era claramente "decadent French colonial"…

O quarto tem móveis de madeira escura, uma cortina pesada, também escura, estampada, cheia de flores. A colcha da cama é vermelha, quase vinho. Os quadros na parede são meio impressionistas — é preciso chegar perto para verificar que são vasos de flores. O tapete é marrom meio claro, mesclado de bege. Já viu dias melhores. A televisão destoa: é prateada, tela plana, Samsung — creio que 29 polegadas apenas (hoje em dia 42 polegadas LCD em bons hotéis asiáticos é de rigueur. No banheiro, as torneiras (o que os americanos chamam de "fixtures") são estilo "Belle Époque"… Tudo muito distinto. O hotel fornece shampoo, conditioner, bath gel, moisturizer, bath salts (para a bela banheira clássica), shower cap — além de mouth wash, shaving kit, tooth brush, comb, cotton swabs, makeup removal kit, nail file, mending kit, sanitary napkins… E, naturalmente, chinelos e roupões. O frigobar tem o necessário, but no more. Há uma cafeteira e um aquecedor de água e material para fazer café e chá. A cama é king size (o que no Brasil, que tudo distorce, se chama de "super king", porque a queen size é chamada de king…). Por volta das 20h vem a camareira, arruma a cama para dormir, deixa dois chocolatinhos… Simpatiquinha, ela. Pouco inglês, porém.

O serviço de atendimento telefônico é competente. Você chama a recepção ou Guest Services e eles atendem chamando-o pelo nome. Aqui me chamam de Professor Chaves — acho que porque a Microsoft, quando fez a reserva, forneceu o título — não mais adequado, agora que estou aposentadíssimo da carreira docente. Pedi uma Salada Cesar hoje à tarde e mal havia terminado de comer eles ligaram para saber se a comida havia sido o que eu esperava e se o atendimento havia sido bom… A gente não encontra toda essa atenção nem mesmo em hotéis mais sofisticados, como The Four Seasons, de  Tóquio.

Os canais da televisão a cabo são bons — quase todos internacionais (os mesmos que vemos na Net no Brasil), com mais opções de canais de esporte. Espero que mostrem a corrida de Formula 1 amanhã. É demais esperar que algum canal mostre o jogo do SPFC com o Juventus… 🙂 Espero que o "moleque travesso" não apronte contra o meu tricolor.

Amanhã vou considerar meu período de adaptação terminado e sair um pouco. Vou me aventurar pelo dia brumoso e procurar conviver com as motocicletas ao atravessar as ruas. Aqui perto do hotel há um prédio enorme, que se anuncia como um Shopping Center (com esse exato nome), mas que tem uma faixa enorme, que vejo do meu quarto, dizendo "Opening Soon"… Quem diria que o comunista vietnam teria placas de "Opening Soon" para um "Shopping Center"… Ironias desses dias em que o Comunismo virou mais uma categoria que se aplica mais a regimes políticos, como a China e aqui o Vietnam, do que a sistemas econômicos, que viraram todos capitalistas, mais ou menos… 

Em Hanoi, 5 de Abril de 2008

Open skies are not friendly skies…

Quando eu morei nos Estados Unidos, de 1967 a 1974, a United tinha uma propaganda na TV que convidava: "Fly the friendly skies of United". Eu era cliente fiel da PanAm naquela época. Mas a United me herdou, quando a PanAm faliu — porque comprou as rotas da PanAm para a América Latina, entre as quais as do Brasil.

Desde então, muita coisa mudou.

A PanAm voava direto para o Rio de Janeiro, a partir de New York e de Miami. Os passageiros destinados a São Paulo (então de "segunda classe"), tinham de fazer imigração e alfândega no Rio e pegar um vôo especial para São Paulo, que reunia os passageiros destinados a São Paulo dos dois vôos para o Brasil. Se um dos dois vôos atrasava, os passageiros do outro também eram penalizados.

São Paulo, no caso, era Congonhas, porque Guarulhos não existia ainda (thanks, Maluf!). Ou, então, Viracopos, que era usado por algumas companhias internacionais (SwissAir, por exemplo).

O serviço de bordo, porém, era fabuloso. Comida de muito boa qualidade, servida com aparelhagem de hotel de primeira classe, bebidas alcoólicas à vontade, mesmo na Econômica, atendimento impecável, aeromoças jovens e bonitas.

Muita coisa, como eu disse, mudou.

A United, inteligentemente, logo mudou seus vôos para São Paulo, assim que Guarulhos se tornou operacional. Os passageiros do Rio perderam a categoria de brasileiros privilegiados. Agora são eles que precisam esperar os passageiros do outro vôo para concluir sua viagem.

O destino dos vôos da United nos Estados Unidos também mudou. Ela abandonou Miami em favor de Chicago, seu hub principal nos Estados Unidos — e New York em favor de Washington. Há três anos começou a oferecer dois vôos diários de/para Washington, de Outubro a Abril. Este ano o segundo vôo começou a chegar/sair do Galeão, devolvendo aos cariocas parte do prestígio perdido.

O que mudou mais, porém, foi o serviço de bordo. Os passageiros de classe Econômica têm, agora, "uma jantinha" chinfrim, servida em aparelhagem de plástico, com guardanapo de papel. Bebida alcoólica é servida — 5 dólares por dose (inclusive por uma latinha de cerveja). E as aeromoças — agora incluem aeromoços — são uma desgraça em termos de aparência. Aerovelhas seria uma descrição mais apta. Não só velhas: feias, gordas — raramente atenciosas.

Na classe Executiva o serviço continua bom — mas as aeromoças são as mesmas… (Ah, que diferença da Asiana, que tomei de Seoul para cá: aeromoças coreanas jovens, lindas, atenciosas, sorridentes, aparentemente de bem bom a vida…).

Mas preciso justificar o título deste post. A edição asiática do International Herald Tribune de ontem (a versão impressa, que peguei na recepção do hotel, tem data de 4/4 — a edição online diz dia 3/4) traz uma notícia interessante.

Os Estados Unidos e a Europa celebraram um acordo — batizado de "Open Skies" — mediante o qual companhias americanas podem voar para qualquer cidade européia, e mesmo de uma cidade européia para outra, desde que em país diferente, e companhias européias podem voar para qualquer cidade americana — mas não de uma cidade americana para outra.

Por que a assimetria? Por que as companhias americanas agora podem voar, digamos, de Londres para Paris, mas as companhias européias não podem voar, digamos, de New York para San Francisco? Porque, segundo informa o jornal, os países europeus continuam sendo unidades políticas soberanas, não simplesmente estados de uma unidade política soberana, como é o caso dos estados americanos. Só político (ou filósofo) para inventar uma distinção escolástica dessas…

Parece que o acordo é meio precário: tem de ser revisto em 2010, e se qualquer das partes não estiver satisfeita, pode ser rescindido…

O jornal tece considerações interessantes sobre o acordo. Transcrevo o artigo, em Inglês, abaixo, para os interessados em mais detalhes. Embora fosse lógico esperar que tarifas fossem baixar com um acordo desses, parece que não vão, não, porque as companhias aéreas ("as aéreas", como prefere o idiota Manual de Redação da Folha) parecem já estar operando no limite.

"O problema fundamental", diz Anthony Concil, diretor de relações públicas da IATA, em Genebra, "é que os governos se metem demais nos negócios das companhias aéreas. A indústria tinha expectativa de que o acordo pudesse ser um marco decisivo de mudança nessa atitude, permitindo que as companhias aéreas conduzissem seus negócios como qualquer outra empresa. Mas o acordo não chegou a tanto" [citado do artigo transcrito adiante].

É isso. Como dizia o saudoso Ronald Reagan, o governo é sempre parte do problema — não da solução.

E nós, no Brasil, quando é que vamos permitir que "as aéreas" estrangeiras voem de uma cidade para outra no Brasil? A TAP, por exemplo, tem vários vôos para o Nordeste — mas não pode estendê-los para São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília… Perdemos nós. Culpado? Nem precisa dizer.

Em Hanoi, 5 de abril de 2008 (já dia 5 também no Brasil)

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FREQUENT TRAVELER

‘Open skies’ not likely to mean lower fares

By Roger Collis

Published: April 3, 2008

The "open skies" pact reached between the United States and European Union – and which came into force on March 30 – should bring many benefits to travelers. Airlines will be free to serve any point-to-point trans-Atlantic route. More competition will bring more choice and hopefully better service. But with soaring fuel prices and economic gloom, and with airlines already offering the cheapest price options for years, don’t hold your breath for lower fares.

The pact does away with the bilateral treaties between the United States and EU states, allowing any European and U.S. airline to fly between any EU city and any city in the United States. But while it will allow any U.S. carrier to fly among European cities (though not city pairs in a country), EU carriers are not allowed to fly between two U.S. cities; the argument being that the United States is a sovereign state, whereas flights between, say, France and Spain are between two countries.

But open skies is a fragile agreement. The present "phase one" will automatically end if there is no agreement between U.S. and EU negotiators on "phase two" of the pact which is due to be in place by 2010. Under the terms of the interim pact, individual EU states have the power to withdraw flying rights to U.S. carriers if they are dissatisfied with progress, especially on the contentious issue of restrictions on airline ownership. Talks on phase two are due to start in May.

Giovanni Bisignani, director general of the International Air Transport Association, has warned governments that protectionist attitudes toward national flag carriers is "killing" the industry. "We have too much capacity; yields are down and we need to consolidate," Bisignani says. "The industry has lost $42 billion since 9/11. The first profit we made last year was $5.6 billion, which is one percent."

But cross-border airline mergers are impossible because countries, such as the United States, ban majority ownership of airlines by foreign firms.

"The fundamental problem is that governments are too involved in the airline business," said Anthony Concil, director of public relations at IATA in Geneva. "The airline industry had hoped that the agreement would be a watershed for change, that it would allow airlines to be run like any other business," he added, "but it clearly stopped short of that.

Could airline alliances be a device to get around the issue of ownership?

"There’s a big difference between partnerships and having a proper business," Concil said. "You only start to act like a real business when you have a common bottom line. There’s no doubt that mergers create better companies; it doesn’t necessarily mean that you give up your national identity; Air France and KLM, for instance. Swiss still serves Switzerland, even though it’s owned by Lufthansa. These entities are among the most profitable in the industry."

London is still the top destination for travelers among European cities, despite its being considered the dirtiest and the most expensive, according to a new annual survey by TripAdvisor of more than 1,100 travelers worldwide. Next most expensive cities were Paris and Rome; and the next dirtiest cities, Paris and Rome. The cleanest cities were Zurich, Copenhagen and Stockholm.

But London was voted best in Europe for public parks and nightlife. Paris, Barcelona and Amsterdam ranked high in both categories. And despite its high prices, London was runner-up to Paris, followed by Rome, for best shopping. Paris is perceived as the most romantic city, followed by Venice, and Rome. Brussels, Zurich and Warsaw are the most boring cities; Paris, London, and Moscow are cities with the "most unfriendly hosts," while Dublin, Amsterdam, and London are cities with the "most friendly and helpful locals."

The survey predicts a good year for European tourism; 65 percent of travelers said they were planning to travel to or within Europe in the next 12 months, nearly the same as last year. And despite the weak dollar, exactly half of U.S. respondents intend to visit Europe again this year.

Switzerland, Austria, Germany, Australia and Spain have the top five "most attractive environments for developing travel and tourism," according to the Travel & Tourism Competitiveness Report 2008, released by the World Economic Forum in Geneva. Britain, the United States, Sweden, Canada and France complete the top-10 list covering 130 countries.

A viagem para Hanoi: 48 horas

Contando da hora em que saí de casa, em Campinas, até a hora em que entrei no Sheraton Hotel, aqui em Hanoi (num subúrbio, fora do centro da cidade), minha viagem durou exatas 48 horas.

Dessas, 32 horas foram passadas no ar e 16 horas em traslados em terrra e esperas em aeroporto.

Saí de casa, em Campinas, às 14h do dia 2/4, quarta-feira, peguei o ônibus da Viação Caprioli para o Aeroporto de Guarulhos às 14h30, cheguei a Guarulhos às 16h30. O vôo 842 da United para Chicago saiu às 20h30, chegando a Chicago às 5h do dia seguinte — depois 10:30 de viagem. Esperei três horas para o vôo 137 da United para San Francisco, que saiu às 08h, hora local, e chegou a San Francisco 04:30 horas depois (10h30 hora local). O vôo 893 da United para Seoul saiu às 13h30, hora de San Francisco, e chegou ao Aeroporto Incheon, na Grande Seoul, 12 horas depois, às 17h30, hora de Seoul. O vôo United de Seoul para Hanoi (operado pela Asiana) saiu às 19h30, horário de Seoul, e chegou em Hanoi às 22h30, hora local, durando cinco horas. 

Para vocês entenderem os fusos horários, aqui vão eles — explicando que as cidades americanas de Chicago e San Francisco estão em Horário de Verão (DST) — as demais, em horário regular (STD). Pego como horário referência 7h em São Paulo, porque esse horário permite que todas as cidades envolvidas estejam no mesmo dia.

SÃO PAULO (STD)
0700
Duas horas na frente de Chicago, quatro horas na frente de San Francisco, dez horas atrás de Hanoi, doze horas atrás de Seoul, doze horas atrás de Tokyo

CHICAGO (DST)
0500
Duas horas na frente de San Francisco, duas horas atrás de São Paulo, doze horas atrás de Hanoi, quatorze horas atrás de Seoul, quatorze horas atrás de Tokyo

SAN FRANCISCO (DST))
0300
Duas horas atrás de Chicago, quatro horas atrás de São Paulo, quatorze horas atrás de Hanoi, dezesseis horas atrás de Seoul, dezesseis horas atrás de Tokyo

HANOI (STD)
1700
Duas horas atrás de Tokyo, duas horas atrás de Seoul, dez horas na frente de São Paulo, doze horas na frente de Chicago, quatorze horas na frente de San Francisco

TOKYO (STD)
1900
Dezesseis horas na frente de San Francisco, quatorze horas na frente de Chicago, dez horas na frente de São Paulo, duas horas na frente de Hanoi, zero hora em relação a Seoul

SEOUL (STD)
1900
Dezesseis horas na frente de San Francisco, quatorze horas na frente de Chicago, dez horas na frente de São Paulo, duas horas na frente de Hanoi, zero hora em relação a Tokyo

Como se pode constatar, fiquei 32 horas no ar:

10:30 de São Paulo a Chicago
04:30 de Chicago a San Francisco
12:00 de San Francisco a Seoul
05:00 de Seoul a Hanoi

Tempo de espera nos aeroportos, exceto o de São Paulo, foi mínimo para viagens desse tipo: 03:00 em Chicago, 03:00 em San Francisco e 02:00 em Seoul (total: 8 horas). As outras 8 horas correspondem ao tempo de traslado de Campinas a São Paulo e espera em São Paulo e ao tempo de traslado do aeroporto ao hotel em Hanoi.

Total de duração da viagem: 48 horas corridas, ou dois dias inteiros.

Toda a viagem transcorreu sem incidentes, sem atrasos, exatamente como planejado. Minha mala foi uma das primeiras a aparecer… Em São Paulo, tiveram de colocar duas etiquetas de bagagem nela, porque o máximo que uma etiqueta comporta é três vôos, e eu iria tomar quatro — como de fato tomei…

Parece um milagre, quando verifico que não consegui ir de Campinas ao Rio de Janeiro (como eu fui no dia 31/3) sem um atraso de uma hora na ida, pela TAM, e outro na volta, pela Gol. E há americano que ainda reclama da United…

O tempo em Hanoi, às 23h, quando cheguei, estava húmido, com a temperatura nos 20 graus centígrados. Havia uma neblina no ar. A estrada do aeroporto para o hotel estava virtualmente deserta, com apenas algumas motocicletas carregando enormes fardos de flores para o mercado — pareciam, de trás, mais Kombis do que motocicletas.

O motorista que foi me apanhar no aeroporto veio o trajeto todo buzinando e dando sinal de luz. O pior é que parece necessário. Vários carros e alguns caminhões estavam dirigindo no meio das duas faixas de trânsito que iam na direção em que estávamos indo — e as motocicletas zanzavam um pouco, de lá pra cá. Acho que o motorista sabia o que estava fazendo.

O hotel é antigo, num parque, ao lado de um lago, meio fora da cidade. Apesar de antigo, está bem conservado. O quarto em que estou parece ter sido todo renovado.

Amanhã vou ver se ando um pouco. No domingo à tarde começa a chegar a minha turma. Eu precisava de um dia extra para descansar.

Em Hanoi, 5 de Abril de 2008 (no Brasil, ainda dia 4).

Bobaginhas – para não dizer que não falei da lua e da neve…

Hoje é quinta-feira aqui em Cortland. Ontem à tarde, por volta do horário do jantar (comemos um linguado [flounder] delicioso que minha filha preparou), começou a nevar. Logo o chão ficou coberto com mais ou menos uma polegada (2,5 cm) de neve. Mais tarde (fiquei fuçando meu novo notebook até por volta de uma hora da manhã) parou de nevar e o céu limpou, permitindo-me ver a lua, que estava linda. Creio que, se não era cheia,  estava apenas um dia distante de sê-lo — ou de tê-lo sido (o Português soa meio esquisito, de vez em quando). Hoje cedo, a neve continua no chão — embora provavelmente vá se derreter logo, porque o dia está limpo e o sol já aparece forte. A temperatura, porém, não vai passar de um grau centígrado. Agora está menos dois — e o Google me diz que ficará entre uma mínima de menos seis (que provavelmente já ocorreu) e um grau. Um grau de temperatura máxima soa até esquisito.

Visto que este texto lida com bobaginhas, ontem estive na Best Buy e acabei comprando alguns "pen drives" para colocar num porta-retrato digital que dei para a Sueli (minha mulher, para quem não sabe) de presente de aniversário (que foi no dia 13/3). Isso, em si, não seria digno de tanta nota, visto que é algo inteiramente privado (embora eu freqüentemente trate o privado como público mais do que o público como privado, como fazem os políticos). O digno de nota é que paguei 7,99 dólares por pen drive de 1 GB. Quando eles saíram cheguei a pagar 150 dólares por um. Agora, nem oito dólares. Os de 8 GB já estão custando cerca de quarenta dólares. Na mesma linha, também comprei um disco rígido de 2,5 polegadas, USB, externo, por 150 dólares. Já cheguei a pagar mais de 500 dólares por um disco de 5 MB (sic). Já cheguei pagar cinco mil dólares por um notebook — hoje paguei dois mil por um incrivelmente mais potente. Minha filha comprou um notebook com processador Intel Core 2 Duo de 5540, 3 GB de memória, disco rígido de 250 GB, por menos de 750 dólares — cerca de 1.275 reais. Em 1994 eu paguei cinco mil dólares em Campinas por uma linha telefônica comercial da antiga Telesp, que hoje não vale nada: pedi para desligá-la há dias (depois conto a história).

Comecei dizendo que iria falar sobre bobaginhas. Algumas desses coisas não são bobaginhas: são até importantes…

Em Cortland, totalmente nevada, 20 de Março de 2008

Hanói e as motos

Devo ir para Hanoi no dia 2 de Abril. Estou meio apavorado — com a história das motos…

Em 7 de Dezembro de 2006 Seymour Papert, o inventor de LOGO, e o pai da informática na educação, foi atropelado por uma moto em Hanói, ao sair de um hotel. Ficou em coma vários dias, sofreu cirurgia no cérebro. Embora tenha sobrevivido, nunca mais voltou à normalidade.

A notícia do atropelamento pode ser encontrada em:

http://www.boston.com/news/local/articles/2006/12/08/top_mit_scientist_injured_in_vietnam/

Julguei que o atropelamento de Papert, que eu tive (na verdade, tenho) o prazer de conhecer, fosse um desses acidentes imprevisíveis. Mas, pelo jeito, não foi.

Na Folha de hoje, 1 de Março de 2008, o médico Drauzio Varela, que está em Hanói, publica um artigo apavorante sobre as motos da cidade. O artigo, que tem o título "Atravessar a rua em Hanói", pode ser lido em:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0103200821.htm

A seguir, alguns trechos do artigodo Drauzio Varela.

Sobre a quantidade de motos: "JURO QUE nunca vi tantas motos ao mesmo tempo. Contadas as que trafegam um mês inteiro pela 23 de Maio, Radial Leste e marginais, a soma não chega aos pés das motinhos e lambretas que circulam pelas ruas centrais de Hanói, a qualquer hora do dia."

Sobre a quase inexistência de semáforos e a forma de dirigir dos motoqueiros: "Não há assaltantes nas ruas, no máximo, um batedor de carteira à moda antiga, avisou o porteiro do hotel. No entanto, acrescentou, atravessar as ruas é um perigo, porque as motos trafegam em ambos os sentidos e os semáforos são raros."

Como atravessar a rua: "No final da preleção, o conselho mais relevante [do porteiro do hotel]: ‘Os acidentes só acontecem quando o transeunte, assustado com o movimento, corre ao fazer a travessia. É preciso cruzar em passos lentos. Sangue frio.’"

A realidade: "Parei no meio-fio do cruzamento. Então, percebi a dificuldade da empreitada. As motos vinham às centenas em ambos os sentidos, num movimento ininterrupto embaralhado por ultrapassagens e conversões inesperadas à direita e à esquerda. O ronco dos motores era entrecortado por um buzinaço frenético, capaz de ensurdecer o mais barulhento de nossos motoqueiros. . . . Três vezes ensaiei descer da calçada. Numa delas consegui dar dois passos, para recuar de um salto assim que a primeira máquina infernal se aproximou ameaçadoramente, com um camicase com a mulher e o filho na garupa. . . . Quando o desânimo estava prestes a me dominar, divisei duas escolares do lado oposto, perfiladas como bonecas chinesas. Em câmera lenta, a passos miúdos, elas desceram da calçada e vieram em minha direção sem mover a cabeça. Não pude crer no que assisti. Assim como as águas do Mar Vermelho se afastaram para o povo judaico passar, as motos desviavam das meninas. Parecia um número de circo: quando a colisão se tornava iminente, o motoqueiro manobrava com habilidade para evitá-la. . . . Então, decidi fazer igualzinho às meninas: ir em frente bem devagar sem olhar para os lados; transferir para os motoqueiros a responsabilidade de preservar minha integridade física. Por que não entregar a sorte em mãos alheias? Não agimos assim nos aviões? Deu certo, fui parar na outra calçada com o coração na boca, porém incólume."

Será que consigo passar cerca de uma semana em Hanói sem atravessar uma rua? Não tenho sangue frio suficiente para atravessar uma rua desse jeito…

Em Campinas, 1 de Março de 2008

Em Hanoi — 40 anos depois de 1968…

Ando-me vendo perseguido por coincidências: quarenta anos aqui, quarenta anos ali…

Em 1968, durante o meu primeiro ano inteiro como estudante nos Estados Unidos, participei em várias demonstrações contra a Guerra do Vietnã.

Agora, em 2008, quarenta anos depois, irei conhecer o Vietnã. Devo partir dia 2 de Abril, chegar lá dia 4, e ficar lá durante dez dias, voltando no dia 14 à noite — chegando aqui dia 16 de manhã. Vou participar numa reunião da Microsoft Asia Pacific — e aproveitar para fazer um pouco de turismo. Vai ser interessante conhecer o Vietnã — Hanói, especialmente.

Em Campinas, 26 de Fevereiro de 2008.

O trem no Brasil: webliografia

Para os interessados, sugiro esses artigos encontrados na Web – a maioria na WikiPedia:

Ferrovias extinhas no Brasil
http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Ferrovias_extintas_do_Brasil

Estrada de Ferro Sorocabana
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estrada_de_Ferro_Sorocabana 

Companhia Paulista de Estradas de Ferro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_Paulista_de_Estradas_de_Ferro

Estrada de Ferro Santos-Jundiaí
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estrada_de_Ferro_Santos_a_Jundiaí

Estrada de Ferro Noroeste do Brasil
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estrada_de_Ferro_Noroeste_do_Brasil

Estrada de Ferro Araraquarense (no texto dito só Araraquara)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estrada_de_Ferro_Araraquara

Companhia Mogiana de Estradas de Ferro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_Mogiana_de_Estradas_de_Ferro

Companhia Ytuana (sic) de Estradas de Ferro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_Ytuana_de_Estradas_de_Ferro

Estação da Luz
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estação_da_Luz

Estação Sorocabana (Júlio Prestes)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estação_Júlio_Prestes

Fora da WikiPedia (que ainda tem muitos outros verbetes, veja-se:

Cronologia História das Estradas de Ferro em São Paulo, de 1867 até os dias atuais
http://www.estacoesferroviarias.com.br/cronologia/index.htm

Integração Ferroviária Santos – São Paulo
http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0102p.htm 

Estações Ferroviárias do Brasil
http://www.estacoesferroviarias.com.br/

Estação da Luz – São Paulo
http://www.estacoesferroviarias.com.br/l/luz.htm 

Estação Sorocabana (Júlio Prestes) – São Paulo
http://www.piratininga.org/Sorocabana/sorocabana.htm

Estação Ferroviária de Campinas
http://estacoesferroviarias.com.br/c/campinas.htm

Por enquanto, é isso…

Em São Paulo, 30 de Janeiro de 2008