A Passagem do Tempo: Sunrise, Sunset – Do Nascer ao Pôr do Sol

Como dizia Fiori Gigliotti ao irradiar os jogos de futebol na Rádio Bandeirantes, "o tempo passa!". Yes, it does. Tempus fugit, já diziam os latinos. Sunrise, Sunset, que fez parte da trilha de Fiddler on the Roof, fala disso de forma muito poética. Força-me a perguntar onde é que eu estava enquanto o tempo passava… 

[Vide, no Tou Tube, http://www.youtube.com/watch?v=nLLEBAQLZ3Q].

[Aproveitem e vejam também Dou You Love Me? http://www.youtube.com/watch?v=h_y9F5St4j0&feature=related]

Sunrise, Sunet é uma das canções de que mais gosto, tanto a música como a letra – especialmente na voz de Perry Como.

Meu querido amigo Joseph Stein, ex-marido de minha ainda mais querida amiga, Patricia Gleason, a cantava – e a cantava muito bem.  Lembro-me de ouvi-lo cantar Sunrise, Sunset em Jerusalem, em 1984. Fiquei emocionado. Eu tinha quarenta anos então (minha filha mais nova, também Patrícia, tinha oito — estava para fazer nove, no final do ano).

Minha vida teve vários envolvimentos com as vidas do Joe e da Patricia. Por exemplo, eu estava com ela Los Angeles em 1978 quando ouvi You Needed Me [objeto de um outro post recente] pela primeira vez. Voltamos juntos de Los Angeles a Chicago num daqueles vôos que saem à meia-noite e chegam de manhã — e no qual não servem nem café. Não sei como me lembro com tanto detalhe dessas coisas. Então ela não estava casada com o Joe. Ficou casada pouco tempo. O casamento era daqueles que, por fora, parecia perfeito. Ambos eram muito bonitos — na verdade, ele era um cara bonito e ela era linda. Por dentro, quantos problemas! Felizmente, ela teve uma outra chance e hoje, pelo que sei, vive feliz.

A Patricia Gleason chegou a ocupar, nos anos 90 e no começo desta década, um cargo que eu desejei muito, e não obtive, no início dos anos setenta: o de diretor do Oldenborg Center for Modern Languages and International Relations, no Pomona College. Se eu tivesse obtido o cargo que então pleiteei, e que perdi na finalíssima, para uma mulher, porque Pomona College precisava ter mulheres em posição de direção, minha vida teria sido totalmente diferente. Provavelmente nunca teria voltado ao Brasil.

Curiosamente, portanto, minha volta ao Brasil se deve ao programa de "Ação Afirmativa" americano, que eu tanto detesto. Talvez não devesse falar tão mal desse programa… Sem ele, provavelmnte teria ficado nos Estados Unidos e não teria a Patrícia, o Rodrigo, a Tatiana, o Gabriel, a Gabriela, o Marcelo, o Felipe… Não teria mais um monte de coisas (embora, certamente, provavelmente tivesse outras).

É disso que trata o filme Match Point, de Woody Allen. Há momentos, na vida da gente, em que a bolinha do tênis bate na rede, sobe, e pode cair de um lado ou de outro. Vale a pena conferir… Mas essa é outra história…

A propósito, para fechar a referência, a Patricia Gleason fez doutorado em Harvard, na área de teologia feminista (of all things!), e escreveu um excelente livro sobre a teologia de Friedrich Schleiermacher (Schleiermacher and Gender Politics), que eu tenho em minha estante. O livro foi escrito já sob seu novo nome: Patricia E. Günther-Gleason. 

Não sei por que em geral só a mulher muda o nome quando casa. O Joe (que, infelzmente, eu perdi de vista), quando se casou com a Patricia, adotou o nome de Joseph Gleason-Stein. Achei um barato, então, que ele se dispusesse a fazer isso. Mostra que era um indivíduo pouco convencional por detrás do terno escuro. Gosto de gente que tem coragem de desafiar as convenções, as verdades e as práticas estabelecidas. Joe era um cara assim.  

Saindo do passado e voltando a Sunrise, Sunset, e ao presente, qualquer hora (no futuro) traduzo a letra inteira dessa música… Por enquanto traduzo só as duas primeiras estrofes:

É esta a menina que carreguei?
É este o menino com que brinquei?
Não me lembro de ter ficado mais velho!
Quando foi que eles o ficaram?

Quando foi que ela se tornou tão linda?
Quando foi que ele ficou tão alto?
Parece que foi apenas ontem
Que eram tão pequenos?

O nascer do sol, o pôr do sol
O nascer do sol, o pôr do sol

                    o O o

Is this the little girl I carried?
Is this the little boy at play?
I don’t remember growing older
When did they?

When did she get to be a beauty?
When did he get to be so tall?
Wasn’t it yesterday
When they were small?

Sunrise, sunset
Sunrise, sunset

Swiftly flow the days
Seedlings turn overnight to sunflowers
Blossoming even as we gaze

Sunrise, sunset
Sunrise, sunset

Swiftly fly the years
One season following another
Laden with happiness and tears
What words of wisdom can I give them?
How can I help to ease their way?

Now they must learn from one another
Day by day
They look so natural together
Just like two newlyweds should be
Is there a canopy in store for me?

Sunrise, sunset
Sunrise, sunset

Swiftly flow the days
Seedlings turn overnight to sunflowers
Blossoming even as we gaze

Sunrise, sunset
Sunrise, sunset

Swiftly fly the years
One season following another
Laden with happiness and tears

Em Salto, 2 de Agosto de 2008 (2 da manhã)

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