Gabrielle Anwar

Não sou daqueles que se apaixonam por uma atriz de cinema e se tornam seus devotos incondicionais. Ingrid Bergman e Marilyn Monroe chegaram perto de ser exceções. Mas me apaixono com freqüência por combinações de atriz-papel. Há atrizes lindas e cativantes em um determinado papel — e horríveis e detestáveis em outros. Quando uma combinação dá certo, é imbatível. Meg Ryan em Sintonia de Amor (Sleepless in Seattle), por exemplo; ou Claire Forlani em Encontro Marcado (Meet Joe Black); ou, então, Rachel Adams, em Diário de Uma Paixão (The Notebook), por exemplo. Sou irremediavelmente apaixonado por essas combinações de atriz-papel.

Um outro caso, que quero comentar aqui agora, envolve Gabrielle Anwar. Ela é a atriz que dança o tango Por una Cabeza com Al Pacino em Perfume de Mulher (Scent of a Woman), de 1992. A música — de Carlos Gardel — é maravilhosa (é tema musical deste Space quase desde o início) e a cena inesquecível. A maior parte do que torna a cena inesquecível é, naturalmente, o desempenho de Al Pacino. Mas Gabrielle Anwar, convenhamos, é uma coadjuvante perfeita. Linda, doce, com um riso natural cativante, e com um sorriso de desmontar as mais deliberadas resistências, ela ajuda tornar a cena perfeita.

A duração da cena é pequena — logo o babaca do namorado dela vem buscá-la, e nem percebe que ela acaba de viver (como Al Pacino disse ser possível) uma vida inteira num minuto. (Interessante que essas experiências de viver como se fosse uma vida inteira num minuto são vividas, às vezes, na frente de um monte de pessoas que nem percebem que uma incrível intimidade aconteceu diante de seus olhos — sem que eles vissem. Infelizmente, essas experiências raramente acontecem entre namorados, noivos ou cônjuges. Parece que um toque de ilegitimidade, talvez até mesmo de perigo iminente, seja indispensável para que esses momentos de experiência ou vivência altamente compactada possam acontecer.)

Tenho certeza de que adoro a música Por una Cabeza porque me apaixonei por Gabrielle Anwar naqueles cinco minutos (se tanto) de cena. E a música, através do blog, continua a servir de tema musical para a minha vida. [NOTA: Como já dito atrás, essa música foi tema deste blog quando ele era hospedado no Microsoft Spaces. 27/12/2013]

Hoje (26/7/2008) estava com a TV ligada sem finalidade alguma — só para que ela me fizesse companhia, por assim dizer — quando começou (às 16h35) um filme: Mergulho numa Paixão (Wild Hearts Can’t be Broken), de 1991 — um ano antes do outro filme. É uma história real — e também muito linda e triste. E Gabrielle Anwar é a protagonista. Linda e doce novamente. Magnífica atriz. Dulcíssima em seu papel. Diabéticos deveriam ser proibidos de vê-la em cena.

A história, em si, é bonita (e, como disse, triste). Mas é uma história de quem define ou escolhe um sonho e um projeto de vida e não mede esforços para torná-lo realidade — nem quando a sorte parece conspirar contra. O título do filme no original corresponde melhor à natureza da história: Corações Selvagens não Podem ser Domados (a história envolve cavalos — donde a referência à domesticação — mas o coração, bem humano, é o dela).

Recomendo. Gabrielle Anwar e o filme. Ainda estou com os olhos cheios de lágrima que correram quando da cena final de vitória sobre a adversidade. História real.

Vejam os dados técnicos sobre o filme em http://www.imdb.com/title/tt0103262/.

Em Salto, 26 de Julho de 2008

L'amant

Eis a sinopse do filme com esse nome que fornece a International Movie Data Base (IMDB – http://www.imdb.com): "It is French Colonial Vietnam in 1929. A young French girl from a family that is having some monetary difficulties is returning to boarding school. She is alone on public transportation when she catches the eye of a wealthy Chinese businessman. He offers her a ride into town in the back of his chauffeured sedan, and sparks fly. Can the torrid affair that ensues between them overcome the class restrictions and social mores of that time? Based on the semi-autobiographical novel by Marguerite Duras".

Uma outra sinopse, essa em Português (de Portugal), afirma: "Baseado no romance homónimo de Marguerite Duras, que vendeu mais de um milhão de cópias em mais de 43 línguas, esta sofisticada adaptação das suas ‘memórias de juventude’ transborda de paixão. Com uma interpretação primorosa e uma fotografia admirável, ‘O amante’ capta de forma brilhante a essência do despertar sexual e do desejo proibido, como nenhum filme o fez até hoje. Jane March é fascinante no papel de uma pobre adolescente francesa que na década de 1920 conhece um importante e abastado diplomata chinês (Tony Leung) durante uma travesia do rio Mekong. Fascinada pela riqueza e elegância dele, a jovem deixa-se levar pela vertigem do amor e os dois envolvem-se numa relação clandestina e tórrida. Mas se os amantes conseguem ultrapassar as diferenças de idade, raça e classe, a sociedade colonial francesa da Indochina jamais permitirá que se ultrapassem as diferenças culturais." (Vide http://www.dvdpt.com/o/o_amante.php).

Mais um filme sobre a Indochina — i.e., Vietnam. Não havia me esquecido dele. Na verdade, quando escrevi sobre Indochine, lembrei-me dele — mas não tinha certeza de que a história era passada na Indochina. Foi. Tinha a impressão de que a menina estava indo para Shanghai. Não sei de onde saiu isso…

L’amant não tem a classe de Catherine Deneuve, mas tem a incrível beleza e total sensualidade de Jane March — fazendo o papel de uma adolescente — quando ela msmo, como pessoa e atriz, não era muito mais do que isso. Há quem jure que as cenas de sexo que ela faz com Tony Leung no filme foram reais — certamente parecem. E o filme, baseado no livro de Marguerite Duras, se não é totalmente autobiográfico, contém inúmeros elementos autobiográficos — o que o torna mais interessante ainda. Na verdade, se é mesmo autobiografia, e se a gente pode confiar em autobiografias, o enredo da história é a vida da autora.

Dois anos depois desse filme, Jane March, talvez alicerçada na reputação de sensualidade que L’amant lhe deu, fez outro papel "quente", desta vez ao lado de Bruce Willis, em Color of night (1994).

Em Hanoi, 5 de Abril de 2008

Que bicho complicado é o ser humano… – 2

[A seguir, uma troca de mensagens entre mim e Antonio Morales, na lista LivreMente. A mensagem dele é transcrita na íntegra com sua autorização.]

Caro Morales:

No mercado, tudo está a venda que os seus proprietários estejam dispostos a vender.

A noção de que eu posso vender o meu corpo reafirma a minha propriedade sobre ele. Não fosse ele minha propriedade, não poderia vendê-lo (na realidade, o termo "vender" aqui é inadequado: o certo seria "alugar", porque o/a prostituto/a que "vende" o corpo na realidade apenas o aluga momentaneamente, tão somente cede o direito de uso por alguns instantes).

Como liberal, defendo a liberdade de as pessoas se prostituirem porque afirmo o direito de o ser humano dispor do que é seu como melhor lhe aprouver. Reconheço-lhe até mesmo o direito de pôr fim à própria vida. Por que não iria lhe reconhecer o direito de prostituir-se?

Quando a gente tem um direito, cabe a cada um de nós decidir se o vai exercer o não. Com o direito, que sustenta a liberdade, vem a responsabilidade. É aí que entra a moralidade. Ela não existe sem responsabilidade que, por sua vez, não existe sem liberdade. Só se vende quem é livre para fazê-lo. Mas, também, só se vende quem, depois de analisar as condições propostas, decide que elas são aceitáveis.

Não vejo, Morales, em que o dinheiro atropele a resistência moral. O problema é que a capacidade de as pessoas resistirem, com base em considerações morais, a propostas financeiras como à do filme, é muito pequena. E essa capacidade é pequena porque nossa formação geral, inclusive moral, é fraca, quase ao ponto da nulidade.

Você parece preferir, à sociedade liberal, uma em que as pessoas não tenham a liberdade de se vender, de comercializar o próprio corpo. Tudo bem, numa sociedade assim talvez menos pessoas o vendessem — mas seria por mérito moral maior ou simplesmente por falta de oportunidade?

No filme, o dinheiro no fim não ficou com nenhum dos dois — ambos abriram mão dele. O problema não estava no dinheiro: estava na dificuldade de tomar decisões livres e responsáveis e conviver com elas.

Qualquer indivíduo pode, voluntariamente, vender-se ou até mesmo dar-se como escravo, temporária ou permanentemente. Corpo ou alma. Uma passagem do Evangelho me vem à mente: "Não temais aqueles que matam o corpo mas não podem matar a alma", algo assim. De certo modo concordo com o Evangelho:

acho a prostituição da alma (embora um direito, como a do corpo) mais moralmente condenável do que a prostituição do corpo.

Conheço várias pessoas que voluntariamente venderam sua mente ao Partido Comunista, ou a Marx, ou à Internacional Socialita, ou à Igreja, à TFP, ou seja lá a que outra organização. É um direito seu. Posso lastimar seu julgamento, mas não questiono seu direito.

Escravizam-se, voluntariamente, não só os que vendem o seu corpo, mas, também, os que entregam sua alma a terceiros, com ou sem pagamento… Os que deixam a igreja, o partido, ou o equivalente, determinar o que pensam, o que desejam, aquilo pelo que lutam, perdem a própria alma. E a sujeira da alma não se limpa com um simples banho bem tomado.

Uns, de mente e moral fraca, não têm a menor dificuldade de vir a pensar, desejar e agir da forma que a igreja, o partido, ou o equivalente determinam.

Outros, de mente mais forte, mas de moral fraca, prostituem sua mente ao defender a linha oficial da igreja, do partido, ou do equivalente, SEM ACREDITAR NELA…

Outros, de mente e de moral fortes, simplesmente se recusam a prostituir a própria mente: não a vendem, nem mesmo a alugam — nem, muito menos, dão de graça aquilo que é seu.

From: livremente@yahoogrupos.com.br – On Behalf Of Antonio Morales
Sent: Sunday, March 30, 2008 12:34
To: livremente@yahoogrupos.com.br
Subject: Re: [LivreMente] Que bicho complicado e’ o ser humano

Assisti todos os filmes que relacionou.

A temática é interessante. Seu comentário sobre Proposta Indecente é ótimo.

Só gostaria de acrescentar um aspecto que foi desprezado por você mas que considero ter bastante relevância.

Resguardado o aspecto de que os seres humanos são complexos, o fato é que eles são transformados em mercadoria numa sociedade em que tudo nisso se torna.

A resistência moral é atropelada pelo dinheiro e transformada em pó perante ele. Mas, claro, isso não impede que essa miséria moral destrua as pessoas e o relaciomento entre elas.

Tanto homens como mulheres podem ses vítimas desse processo, que, claro, os atinge de diferentes maneiras.

O que quero dizer que a questão moral é irrelevante para o mundo das mercadorias e suas imposições. Esse é o inferno que é criado todos os dias, com grandes ou pequenos dramas e que nos envolve impiedosamente.

antonio morales

Em Campinas, 30 de Março de 2008

Que bicho complicado é o ser humano… – 1

Apenas ontem à noite (na verdade, hoje de madrugada) assisti ao filme Indecent Proposal (Uma Proposta Indecente), com Demi Moore e Robert Redford. Lançado em 1993, o filme está fazendo quinze anos este ano. Não sei nem por que não havia visto o filme ainda. Talvez até o tenha na minha coleção de DVDs, que tem dezenas e dezenas de filmes não vistos mas em que eu achei que valia a pena investir. De qualquer forma, o filme valeu a pena.

Antes de começar a escrever, entrei na minha base de dados favorita: The International Movie Data Base (http://www.imdb.com) para ver detalhes sobre o filme e ler resenhas e comentários. O primeiro comentário que li tem como título “Repugnante” – e a tese é de que o filme é repugnante, por uma série de razões até bem elaboradas.

O diretor do filme, Adrian Lyne, também foi diretor de Infidelidade (com Diane Lane e Richard Gere), Lolita (com Swain e Jeremy Irons), feitos depois de Uma Proposta Indecente, e Atração Fatal (com Glenn Close e Michael Douglas) e 9 ½ Semanas de Amor (com Kim Bassinger e Mickey Rourke), feitos antes. Também é o diretor de Flashdance. Com exceção deste, os demais compartilham uma certa fascinação com os aspectos mais complicados da sexualidade humana – em especial com a questão da traição. Vi todos esses filmes – por isso é que não me conformo com não ter visto Uma Proposta Indecente antes.

O tema básico da história é a referida proposta, que se considera indecente, feita por um bilionário, representado por Robert Redford, para um casal simples (cuja mulher é representada por Demi Moore – o marido é representado por Woody Harrelson, que é daqueles atores que a gente já viu em vários filmes mas cujo desempenho nunca marcou o suficiente para a gente se lembrar de quais…). O enredo leva os principais envolvidos a uma situação em que Moore diz que nem tudo pode ser comprado. Redford pergunta o que é que não pode, e Moore retruca que as pessoas, por exemplo, não podem ser compradas: seu afeto, seus sentimentos, etc. O cenário está posto para a proposta dita indecente, que primeiro é formulada condicionalmente: “O que vocês diriam se alguém lhes oferecesse um milhão de dólares para poder passar a noite com Diana?” (Diana é a personagem representada por Moore). Ela imediatamente responde: “Eu o mandaria para o inferno”. Redford insiste que não ouviu a resposta do marido ainda. Este diz a mesma coisa. Redford força a barra, afirmando que é fácil dar essa resposta diante de uma proposta hipotética, mas que as coisas podem ser diferentes diante de uma proposta real – e faz a proposta concreta. Ambos insistem que a resposta seria a mesma. Mas ele lhes dá tempo para pensar. (O filme habilmente sugere que Redford não está tão interessado em Moore quanto em refutar a tese de que há coisas que é impossível comprar. Na realidade, está interessado nas duas).

À noite, na cama, nenhum dos dois consegue dormir. E resolvem conversar sobre a proposta. Argumentos vão e vêm entre os dois. É uma noite só, que, terminada, se encerra ali, não implica outros compromissos. Não se exige, por exemplo, envolvimento da mente nem do coração – só do corpo… E o corpo se lava depois e fica pronto para outra. O milhão de dólares, por outro lado, fica, e pode mudar suas vidas para sempre. Ele pergunta a ela se ela está interessada em aceitar a proposta. Ela responde que não está interessada, mas que a aceitaria – por ele, não por ela… Com o dinheiro eles poderiam comprar a casa que queriam, ele poderia se dedicar a fazer aquilo que realmente gosta de fazer (arquitetura), etc. A conversa progride. Concordam que, se a proposta for aceita, o acontecimento deve ser varrido da memória para sempre: nunca deverá ser mencionado, muito menos discutido. Terá de ser algo sobre o qual se passa uma borracha por inteiro. Conclusão da noite insone: a proposta foi aceita.

Não há maiores detalhes sobre a noite dos dois. O filme sabiamente passa por cima dos pequenos detalhes que poderiam parecer irresistíveis a um diretor menos competente. Moore é levada de helicóptero para um iate lindíssimo. Há breves diálogos. Ela está série, distante – e ele lhe assegura de que ela não deve ter medo, pois ele não a obrigará fazer nada que não queira…

Na cena seguinte ela está sendo “devolvida” para o marido.

Quem quebra primeiro é ele, o marido, não ela. Ele começa a se torturar. Será que ela está pensando nele? O que será que realmente fizeram, como andaram as coisas? Será que foi bom?

Ah, o ser humano, que bicho complicado somos. Em teoria, antes do fait accompli, tudo parecia simples: seria só uma noite de sexo, envolvendo apenas o corpo, sem que a mente e o coração participassem… Depois, apagar-se-ia tudo da memória, esquecer-se-ia tudo. Só ficaria o milhão de dólares.

Mas quem diz que esquecer é fácil, que se trata simplesmente de decidir esquecer e, pronto, está tudo esquecido? Se assim fosse, o perdão não seria necessário – porque para o esquecido não é necessário perdão: este é necessário para aquilo que, sem se esquecer, resolveu-se relevar, em função, quem sabe, de um bem supostamente maior.

Ao chegar em casa e constatar que a mulher está desligando o telefone, o marido imediatamente suspeita que ele estivesse falando com o bilionário, que continue mantendo contato com ele… O que antes não passava pela cabeça do marido – vasculhar a bolsa da mulher – agora é uma tentação. Da suspeita se passa para a desconfiança. E, no fundo, a insegurança alimenta tudo. Será que foi bom para ela, será que ela não gostaria de repetir a dose, agora sem milhão de dólares, sem nada? Será que não está repetindo neste exato momento?

Inferno, inferno puro. Parecia tudo tão simples, mas tudo se tornou tão complicado…

A mente humana, disse alguém, é o órgão sexual mais importante que temos… Para o homem, em especial. Uma mulher, imagina-se, pode dar um razoável prazer ao homem mesmo sem a participação de sua mente. Mas o homem, sem a efetiva participação de sua mente, nem funciona sexualmente, torna-se incapaz de dar prazer à mulher – ou de senti-lo, ele próprio. Mais do que isso: o sexo é, na realidade, uma atividade que, tanto para o homem como para a mulher, nunca é simplesmente corporal, algo puramente animal, que se pode ter, e depois esquecer, com a mesma naturalidade que se come um sanduíche e, saciada a fome, se esquece do que se comeu. Mas quando pretendemos não sê-lo, somos mais do que meros animais. Somos seres que se lembram, que imaginam coisas que não aconteceram mas poderiam ter acontecido, que se encucam não só com o real mas também com o imaginado, para quem, às vezes, o imaginado se torna mais importante do que o real – porque a realidade que a mente constrói não se deixa facilmente desmentir pelos fatos, visto que os fatos nunca são apenas fatos: eles são fatos em contexto, no bojo de um complexo de idéias… o ser humano é um bicho complicado exatamente por não ser (apenas) bicho…

Volto à perspectiva masculina, que é a privilegiada no filme. Na realidade, o leitor (ou será a leitora?) que considerou o filme repugnante sugere que o diretor parece achar que a traição pela mulher é fácil, visto que, no filme, Moore aparentemente não fica angustiada: é o marido que desaba, ele que não fez nada, a não ser consentir… “O diretor parece sugerir que é mais fácil ser quem tem o corpo vendido do que ser aquele que agencia” – é o comentário. O problema é que a perspectiva masculina aqui é essencial. Para a mulher, a proposta é uma evidência cabal de que ela é desejada e, portanto, valorizada. Aceitá-la, em si, não parece tão complicado. Para o homem, porém, a aceitação da proposta implica não só a idéia de que ele acabou de vender a mulher por uma soma de dinheiro, mas, também, a dúvida de que ela pode ter gostado, pode ter sentido prazer, pode ter achado o outro melhor do que ele próprio… Se a proposta valoriza a mulher, ela desvaloriza o marido, especialmente em seus próprios olhos. Na verdade, ela o destrói.

Tudo isso muito interessante. A temática, como é óbvio, me atrai.

No livro The Fountainhead, de Ayn Rand (A Nascente, em Português), Dominique Francon, num dado momento casada com Peter Keating, que ela drespreza, decide vender seu corpo a Gail Wynand, também um milionário, em troca de um contrato para o marido que ele despreza. A decisão de Dominique, no livro, representa uma tentativa (de resto fútil) de acabar com a própria auto-estima. Mas o marido tem de concordar – e, como no filme, concorda. Também, como no filme, o negócio destrói o marido, não ela (nem aquele a quem ela se vendeu). Vale a pena comparar o tratamento dado ao problema por Ayn Rand.

Em Campinas, 31 de março de 2008

Os oitenta anos do Oscar

Abaixo, os oitenta melhores filmes, os melhores atores e as melhores atrizes, desde 1928. Oitenta filmes — e mais de oitenta atores e atrizes, porque nestes dois casos houve empates.

Quanto aos melhores filmes, gostaria de destacar meus quatro “all time favorites” (tenho outros “all time favorites”, mas não ganharam o Oscar):

1939: Gone with the Wind (E o Vento Levou)
1940: Rebecca
1943: Casablanca (este foi o ano em que nasci)
1965: The Sound of Music (Noviça Rebelde)

Quanto aos atores e atrizes, houve mais atrizes que ganharam mais de um prêmio — com Katharine Hepburn ganhando o absurdo de quatro!

Houve ocasiões em que um ator ganhou o prêmio “back to back” — dois anos seguidos. Spencer Tracy e Tom Hanks, por exemplo, entre os melhores atores, e Katharine Hepburn, entre as melhores atrizes.

Houve prêmios recusados: George C. Scott e Marlon Brando (neste caso, o segundo dele).

Desde 1968 venho acompanhando os Oscars regularmente. Em Agosto do ano anterior fui estudar nos Estados Unidos e, no início do ano seguinte, assisti ao meu primeiro Oscar na televisão. Faz quarenta anos este ano. Como o Oscar comemora oitenta, eu tive o privilégio de assistir à metade deles.

Em 1968 o melhor filme foi In the Heat of the Night, com Sidney Poitier e Rod Steiger. O filme aparece abaixo com a data de 1967 porque foi lançado nesse ano. Mas o prêmio foi entregue no início de 1968. Rod Steiger foi premiado como o Melhor Ator por esse filme e Katharine Hepburn foi premiada como Melhor Atriz pelo filme “Guess Who’s Coming to Dinner”, também com Sidney Poitier. Lembro-me das imagens daquele dia como se fosse hoje.

Aqui estão os premiados nesses últimos oitenta anos:

O Melhor Filme nos oitenta anos do Oscar

1928 (1st)
* Wings — Paramount Famous Lasky

1929 (2nd)
* The Broadway Melody — Metro-Goldwyn-Mayer

1930 (3rd)
* All Quiet on the Western Front — Universal 

1931 (4th)
* Cimarron — RKO Radio 

1932 (5th)
* Grand Hotel — Metro-Goldwyn-Mayer 

1933 (6th)
* Cavalcade — Fox 

1934 (7th)
* It Happened One Night — Columbia 

1935 (8th)
* Mutiny on the Bounty — Metro-Goldwyn-Mayer 

1936 (9th)
* The Great Ziegfeld — Metro-Goldwyn-Mayer 

1937 (10th)
* The Life of Emile Zola — Warner Bros. 

1938 (11th)
* You Can’t Take It with You — Columbia 

1939 (12th)
* Gone with the Wind — Selznick International Pictures 

1940 (13th)
* Rebecca — Selznick International Pictures 

1941 (14th)
* How Green Was My Valley — 20th Century-Fox 

1942 (15th)
* Mrs. Miniver — Metro-Goldwyn-Mayer 

1943 (16th)
* Casablanca — Warner Bros. 

1944 (17th)
* Going My Way — Paramount 

1945 (18th)
* The Lost Weekend — Paramount 

1946 (19th)
* The Best Years of Our Lives — Samuel Goldwyn Productions 

1947 (20th)
* Gentleman’s Agreement — 20th Century-Fox 

1948 (21st)
* Hamlet — J. Arthur Rank-Two Cities Films 

1949 (22nd)
* All the King’s Men — Robert Rossen Productions 

1950 (23rd)
* All about Eve — 20th Century-Fox 

1951 (24th)
* An American in Paris — Arthur Freed, Producer 

1952 (25th)
* The Greatest Show on Earth — Cecil B. DeMille, Producer 

1953 (26th)
* From Here to Eternity — Buddy Adler, Producer 

1954 (27th)
* On the Waterfront — Sam Spiegel, Producer 

1955 (28th)
* Marty — Harold Hecht, Producer 

1956 (29th)
* Around the World in 80 Days — Michael Todd, Producer 

1957 (30th)
* The Bridge on the River Kwai — Sam Spiegel, Producer 

1958 (31st)
* Gigi — Arthur Freed, Producer 

1959 (32nd)
* Ben-Hur — Sam Zimbalist, Producer 

1960 (33rd)
* The Apartment — Billy Wilder, Producer 

1961 (34th)
* West Side Story — Robert Wise, Producer 

1962 (35th)
* Lawrence of Arabia — Sam Spiegel, Producer 

1963 (36th)
* Tom Jones — Tony Richardson, Producer 

1964 (37th)
* My Fair Lady — Jack L. Warner, Producer 

1965 (38th)
* The Sound of Music — Robert Wise, Producer 

1966 (39th)
* A Man for All Seasons — Fred Zinnemann, Producer 

1967 (40th)
* In the Heat of the Night — Walter Mirisch, Producer 

1968 (41st)
* Oliver! — John Woolf, Producer 

1969 (42nd)
* Midnight Cowboy — Jerome Hellman, Producer 

1970 (43rd)
* Patton — Frank McCarthy, Producer 

1971 (44th)
* The French Connection — Philip D’Antoni, Producer 

1972 (45th)
* The Godfather — Albert S. Ruddy, Producer 

1973 (46th)
* The Sting — Tony Bill, Michael Phillips and Julia Phillips, Producers 

1974 (47th)
* The Godfather Part II — Francis Ford Coppola, Producer; Gray Frederickson and Fred Roos, Co-Producers 

1975 (48th)
* One Flew over the Cuckoo’s Nest — Saul Zaentz and Michael Douglas, Producers 

1976 (49th)
* Rocky — Irwin Winkler and Robert Chartoff, Producers 

1977 (50th)
* Annie Hall — Charles H. Joffe, Producer 

1978 (51st)
* The Deer Hunter — Barry Spikings, Michael Deeley, Michael Cimino and John Peverall, Producers 

1979 (52nd)
* Kramer vs. Kramer — Stanley R. Jaffe, Producer 

1980 (53rd)
* Ordinary People — Ronald L. Schwary, Producer 

1981 (54th)
* Chariots of Fire — David Puttnam, Producer 

1982 (55th)
* Gandhi — Richard Attenborough, Producer 

1983 (56th)
* Terms of Endearment — James L. Brooks, Producer 

1984 (57th)
* Amadeus — Saul Zaentz, Producer 

1985 (58th)
* Out of Africa — Sydney Pollack, Producer 

1986 (59th)
* Platoon — Arnold Kopelson, Producer 

1987 (60th)
* The Last Emperor — Jeremy Thomas, Producer 

1988 (61st)

* Rain Man — Mark Johnson, Producer 

1989 (62nd)
* Driving Miss Daisy — Richard D. Zanuck and Lili Fini Zanuck, Producers 

1990 (63rd)
* Dances With Wolves — Jim Wilson and Kevin Costner, Producers 

1991 (64th)
* The Silence of the Lambs — Edward Saxon, Kenneth Utt and Ron Bozman, Producers 

1992 (65th)
* Unforgiven — Clint Eastwood, Producer 

1993 (66th)
* Schindler’s List — Steven Spielberg, Gerald R. Molen and Branko Lustig, Producers 

1994 (67th)
* Forrest Gump — Wendy Finerman, Steve Tisch and Steve Starkey, Producers 

1995 (68th)
* Braveheart — Mel Gibson, Alan Ladd, Jr. and Bruce Davey, Producers 

1996 (69th)
* The English Patient — Saul Zaentz, Producer 

1997 (70th)
* Titanic — James Cameron and Jon Landau, Producers 

1998 (71st)
* Shakespeare in Love — David Parfitt, Donna Gigliotti, Harvey Weinstein, Edward Zwick and Marc Norman, Producers 

1999 (72nd)
* American Beauty — Bruce Cohen and Dan Jinks, Producers 

2000 (73rd)
* Gladiator — Douglas Wick, David Franzoni and Branko Lustig, Producers 

2001 (74th)
* A Beautiful Mind — Brian Grazer and Ron Howard, Producers 

2002 (75th)
* Chicago — Martin Richards, Producer 

2003 (76th)
* The Lord of the Rings: The Return of the King — Barrie M. Osborne, Peter Jackson and Fran Walsh, Producers 

2004 (77th)
* Million Dollar Baby — Clint Eastwood, Albert S. Ruddy and Tom Rosenberg, Producers 

2005 (78th)
* Crash — Paul Haggis and Cathy Schulman, Producers 

2006 (79th)
* The Departed — Graham King, Producer 

2007 (80th)
* No Country for Old Men — Scott Rudin, Ethan Coen and Joel Coen, Producers 

O Melhor Ator nos oitenta anos do Oscar

1928 (1st)
* Emil Jannings — The Last Command and The Way of All Flesh  

1929 (2nd)
* Warner Baxter — In Old Arizona 

1930 (3rd)
* George Arliss — Disraeli

1931 (4th)
* Lionel Barrymore — A Free Soul

1932 (5th)
(Empate)
* Wallace Beery — The Champ
* Fredric March — Dr. Jekyll and Mr. Hyde (O primeiro dele)

1933 (6th)
* Charles Laughton — The Private Life of Henry VIII  

1934 (7th)
* Clark Gable — It Happened One Night  

1935 (8th)
* Victor McLaglen — The Informer  

1936 (9th)
* Paul Muni — The Story of Louis Pasteur  

1937 (10th)
* Spencer Tracy — Captains Courageous (O primeiro dele)

1938 (11th)
* Spencer Tracy — Boys Town (O segundo dele)

1939 (12th)
* Robert Donat — Goodbye, Mr. Chips  

1940 (13th)
* James Stewart — The Philadelphia Story 

1941 (14th)
* Gary Cooper — Sergeant York (O primeiro dele)

1942 (15th)
* James Cagney — Yankee Doodle Dandy  

1943 (16th)
* Paul Lukas — Watch on the Rhine  

1944 (17th)
* Bing Crosby — Going My Way 

1945 (18th)
* Ray Milland — The Lost Weekend  

1946 (19th)
* Fredric March — The Best Years of Our Lives (O segundo dele)

1947 (20th)
* Ronald Colman — A Double Life  

1948 (21st)
* Laurence Olivier — Hamlet 

1949 (22nd)
* Broderick Crawford — All the King’s Men 

1950 (23rd)
* José Ferrer — Cyrano de Bergerac

1951 (24th)
* Humphrey Bogart — The African Queen  

1952 (25th)
* Gary Cooper — High Noon (O segundo dele)

1953 (26th)
* William Holden — Stalag 17  

1954 (27th)
* Marlon Brando — On the Waterfront (O primeiro dele)

1955 (28th)
* Ernest Borgnine — Marty  

1956 (29th)
* Yul Brynner — The King and I  

1957 (30th)
* Alec Guinness — The Bridge on the River Kwai  

1958 (31st)
* David Niven — Separate Tables  

1959 (32nd)
* Charlton Heston — Ben-Hur  

1960 (33rd)
* Burt Lancaster — Elmer Gantry  

1961 (34th)
* Maximilian Schell — Judgment at Nuremberg 

1962 (35th)
* Gregory Peck — To Kill a Mockingbird  

1963 (36th)
* Sidney Poitier — Lilies of the Field  

1964 (37th)
* Rex Harrison — My Fair Lady 

1965 (38th)
* Lee Marvin — Cat Ballou  

1966 (39th)
* Paul Scofield — A Man for All Seasons

1967 (40th)
* Rod Steiger — In the Heat of the Night  

1968 (41st)
* Cliff Robertson — Charly  

1969 (42nd)
* John Wayne — True Grit  

1970 (43rd)
* George C. Scott — Patton (recusou o prêmio)

1971 (44th)
* Gene Hackman — The French Connection  

1972 (45th)
* Marlon Brando — The Godfather (O segundo dele – desta vez, recusou o prêmio)

1973 (46th)
* Jack Lemmon — Save the Tiger

1974 (47th)
* Art Carney — Harry and Tonto  

1975 (48th)
* Jack Nicholson — One Flew over the Cuckoo’s Nest (O primeiro dele)

1976 (49th)
* Peter Finch — Network  

1977 (50th)
* Richard Dreyfuss — The Goodbye Girl  

1978 (51st)
* Jon Voight — Coming Home  

1979 (52nd)
* Dustin Hoffman — Kramer vs. Kramer (O primeiro dele)

1980 (53rd)
* Robert De Niro — Raging Bull 

1981 (54th)
* Henry Fonda — On Golden Pond  

1982 (55th)
* Ben Kingsley — Gandhi  

1983 (56th)
* Robert Duvall — Tender Mercies  

1984 (57th)
* F. Murray Abraham — Amadeus  

1985 (58th)
* William Hurt — Kiss of the Spider Woman  

1986 (59th)
* Paul Newman — The Color of Money  

1987 (60th)
* Michael Douglas — Wall Street  

1988 (61st)
* Dustin Hoffman — Rain Man (O segundo dele)

1989 (62nd)
* Daniel Day-Lewis — My Left Foot (O primeiro dele)

1990 (63rd)
* Jeremy Irons — Reversal of Fortune  

1991 (64th)
* Anthony Hopkins — The Silence of the Lambs  

1992 (65th)
* Al Pacino — Scent of a Woman  

1993 (66th)
* Tom Hanks — Philadelphia (O primeiro dele)

1994 (67th)
* Tom Hanks — Forrest Gump (O segundo dele)

1995 (68th)
* Nicolas Cage — Leaving Las Vegas  

1996 (69th)
* Geoffrey Rush — Shine  

1997 (70th)
* Jack Nicholson — As Good As It Gets (O segundo dele)   

1998 (71st)
* Roberto Benigni — Life Is Beautiful  

1999 (72nd)
* Kevin Spacey — American Beauty  

2000 (73rd)
* Russell Crowe — Gladiator  

2001 (74th)
* Denzel Washington — Training Day  

2002 (75th)
* Adrien Brody — The Pianist  

2003 (76th)
* Sean Penn — Mystic River  

2004 (77th)
* Jamie Foxx — Ray  

2005 (78th)
* Philip Seymour Hoffman — Capote 

2006 (79th)
* Forest Whitaker — The Last King of Scotland  

2007 (80th)
* Daniel Day-Lewis — There Will Be Blood {O segundo dele} 

A Melhor Atriz nos oitenta anos do Oscar

1928 (1st)
* Janet Gaynor — 7th Heaven; Street Angel; and Sunrise 

1929 (2nd)
* Mary Pickford — Coquette

1930 (3rd)
* Norma Shearer — The Divorcee 

1931 (4th)
* Marie Dressler — Min and Bill

1932 (5th)
* Helen Hayes — The Sin of Madelon Claudet  

1933 (6th)
* Katharine Hepburn — Morning Glory (o primeiro dela) 

1934 (7th)
* Claudette Colbert — It Happened One Night  

1935 (8th)
* Bette Davis — Dangerous (O primeiro dela)

1936 (9th)
* Luise Rainer — The Great Ziegfeld (O primeiro dela)

1937 (10th)
* Luise Rainer — The Good Earth (O segundo dela)

1938 (11th)
* Bette Davis — Jezebel (O segundo dela)

1939 (12th)
* Vivien Leigh — Gone with the Wind (O primeiro dela)

1940 (13th)
* Ginger Rogers — Kitty Foyle  

1941 (14th)
* Joan Fontaine — Suspicion (sua irmã, Olivia de Havilland, ganhou dois Oscars)

1942 (15th)
* Greer Garson — Mrs. Miniver  

1943 (16th)
* Jennifer Jones — The Song of Bernadette  

1944 (17th)
* Ingrid Bergman — Gaslight (O primeiro dela)  

1945 (18th)
* Joan Crawford — Mildred Pierce  

1946 (19th)
* Olivia de Havilland — To Each His Own (O primeiro dela — sua irmã, Joan Fontaine, já havia ganho um Oscar, perfazendo três entre elas)

1947 (20th)
* Loretta Young — The Farmer’s Daughter  

1948 (21st)
* Jane Wyman — Johnny Belinda  

1949 (22nd)
* Olivia de Havilland — The Heiress (O segundo dela) 

1950 (23rd)
* Judy Holliday — Born Yesterday  

1951 (24th)
* Vivien Leigh — A Streetcar Named Desire {O segundo dela} 

1952 (25th)
* Shirley Booth — Come Back, Little Sheba

1953 (26th)
* Audrey Hepburn — Roman Holiday

1954 (27th)
* Grace Kelly — The Country Girl

1955 (28th)
* Anna Magnani — The Rose Tattoo

1956 (29th)
* Ingrid Bergman — Anastasia {O segundo dela)

1957 (30th)
* Joanne Woodward — The Three Faces of Eve  

1958 (31st)
* Susan Hayward — I Want To Live! 

1959 (32nd)
* Simone Signoret — Room at the Top  

1960 (33rd)
* Elizabeth Taylor — Butterfield 8 (O primeiro dela)

1961 (34th)
* Sophia Loren — Two Women 

1962 (35th)
* Anne Bancroft — The Miracle Worker  

1963 (36th)
* Patricia Neal — Hud  

1964 (37th)
* Julie Andrews — Mary Poppins  

1965 (38th)
* Julie Christie — Darling  

1966 (39th)
* Elizabeth Taylor — Who’s Afraid of Virginia Woolf? {O segundo dela} 

1967 (40th)
* Katharine Hepburn — Guess Who’s Coming to Dinner {O segundo dela} 

1968 (41st) (Empate)
* Katharine Hepburn — The Lion in Winter {O terceiro dela}
* Barbra Streisand — Funny Girl

1969 (42nd)
* Maggie Smith — The Prime of Miss Jean Brodie

1970 (43rd)
* Glenda Jackson — Women in Love (O primeiro dela)

1971 (44th)
* Jane Fonda — Klute (O primeiro dela)

1972 (45th)
* Liza Minnelli — Cabaret

1973 (46th)
* Glenda Jackson — A Touch of Class (O segundo dela)

1974 (47th)
* Ellen Burstyn — Alice Doesn’t Live Here Anymore

1975 (48th)
* Louise Fletcher — One Flew over the Cuckoo’s Nest

1976 (49th)
* Faye Dunaway — Network

1977 (50th)
* Diane Keaton — Annie Hall  

1978 (51st)
* Jane Fonda — Coming Home {O segundo dela} 

1979 (52nd)
* Sally Field — Norma Rae (O primeiro dela)

1980 (53rd)
* Sissy Spacek — Coal Miner’s Daughter  

1981 (54th)
* Katharine Hepburn — On Golden Pond {O quarto dela} 

1982 (55th)
* Meryl Streep — Sophie’s Choice  

1983 (56th)
* Shirley MacLaine — Terms of Endearment  

1984 (57th)
* Sally Field — Places in the Heart {O segundo dela} 

1985 (58th)
* Geraldine Page — The Trip to Bountiful  

1986 (59th)
* Marlee Matlin — Children of a Lesser God

1987 (60th)
* Cher — Moonstruck  

1988 (61st)
* Jodie Foster — The Accused {O primeiro dela) 

1989 (62nd)
* Jessica Tandy — Driving Miss Daisy  

1990 (63rd)
* Kathy Bates — Misery

1991 (64th)
* Jodie Foster — The Silence of the Lambs {O segundo dela} 

1992 (65th)
* Emma Thompson — Howards End  

1993 (66th)
* Holly Hunter — The Piano  

1994 (67th)
* Jessica Lange — Blue Sky  

1995 (68th)
* Susan Sarandon — Dead Man Walking  

1996 (69th)
* Frances McDormand — Fargo  

1997 (70th)
* Helen Hunt — As Good As It Gets  

1998 (71st)
* Gwyneth Paltrow — Shakespeare in Love  

1999 (72nd)
* Hilary Swank — Boys Don’t Cry (O primeiro dela)

2000 (73rd)
* Julia Roberts — Erin Brockovich  

2001 (74th)
* Halle Berry — Monster’s Ball  

2002 (75th)
* Nicole Kidman — The Hours  

2003 (76th)
* Charlize Theron — Monster  

2004 (77th)
* Hilary Swank — Million Dollar Baby {O segundo dela} 

2005 (78th)
* Reese Witherspoon — Walk the Line  

2006 (79th)
* Helen Mirren — The Queen  

2007 (80th)
* Marion Cotillard — La Vie en Rose 

Dados retirados do banco de dados encontrado em http://awardsdatabase.oscars.org/ampas_awards/DisplayMain.jsp?curTime=1203990866445

Em Campinas, 26 de Fevereiro de 2008

Oscar Night

Hoje, 24 de Fevereiro, é Dia do Oscar — Oscar Night, para ser mais preciso. Estou aqui postado diante da televisão com minha lista de indicados, por categoria. A encheção de lingüiça que precede a cerimônia é quase insuportável. Não agüento ver a cerimônia com uma tradutora impedindo a gente de ouvir o som original. Por isso estou sozinho aqui na Sala de TV, onde coloco o SAP a funcionar e ouço o som original. Mas a encheção de lingüiça é a mesma.

A cerimônia terá início às 22h30, horário aqui de Campinas, 20h30, horário de New York, 17h30, horário de Los Angeles, onde a coisa acontece. Ou seja: daqui a um pouco mais de cinco minutos.

Vou ficar com o notebook ligado, para fazer comentários aqui e ali.

Para maiores informações:

http://www.oscar.com
http://www.oscars.org

Estou torcendo para Atonement / Desejo e Reparação, para melhor filme, Jason Reitman, para melhor diretor (Juno / Juno), Daniel Day-Lewis, para melhor ator, por seu desempenho em There Will be Blood / Sangue Negro, Marion Cotillard, para melhor atriz, por seu magnífico papel em La Vie en Rose / Piaf – Um Hino ao Amor, Tom Wilkinson, para melhor ator coadjuvante, em Michael Clayton / Conduta de Risco, Saoirse Ronan, para melhor atriz coadjuvante (Atonement / Desejo e Reparação). Vamos ver se acerto alguma coisa.

Gostei de La Vie en Rose / Piaf – Um Hino ao Amor ter ganho o Oscar de Maquiagem. O que eles fizeram com o rosto de Marion Cotillard para fazê-la parecida com Piaf foi fantástico. 

Errei o Melhor Ator Coadjuvante. Deu Javier Bardem, pelo seu papel em No Country for Old Man / Onde os Fracos não Têm Vez.

Errei de novo, agora a Melhor Atriz Coadjuvante. A escolhida foi  Tilda Swinton, por seu trabalho em Michael Clayton / Conduta de Risco.

Finalmente acertei um: Marion Cotillard, por sua representação de Edith Piaf em La Vie en Rose / Piaf – Um Hino ao Amor. Beleza pura.

Não acertei mais nada.

Joel Coen e Ethan Coen ganharam o prêmio de melhor direção por No Country for Old Man / Onde os Fracos não Têm Vez e este filme também ganhou como melhor filme, tornando-se o grande ganhador da noite, com quatro prêmios.

Infelizmente, Atonement / Desejo e Reparação só ganhou um Oscar, pela trilha sonora.

Em Campinas, já 25 de Fevereiro de 2008.

Os indicados para o Oscar 2008

Desejo e Reparação (Atonement) foi indicado para sete Oscars:

Melhor filme
Melhor atriz coadjuvante (Saoirse Ronan)
Roteiro adaptado (Christopher Hampton)
Fotografia / Cinematograhy, em Inglês (
Direção de Arte (Sarah Greenwood e Katie Spencer)
Figurino (Jacqueline Durran)
Trilha sonora original (Dario Marianelli)

Senti que Keira Knightley e Vanessa Redgrave não tenham sido indicadas para Melhor atriz e Melhor atriz coadjuvante, respectivamente, também. Mereciam. A participação de Vanessa Redgrave, embora pequena, foi magistral. Mas a menina adolescente representa bem o filme como atriz coadjuvante, embora seja um personagem antipático. 

Dois filmes receberam mais indicações (oito) do que Desejo e Reparação (Atonement): Onde os Fracos não Têm Vez (No Country for Old Men) e Sangue Negro (There will be no Blood).

O filme brasileiro indicado (O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias) ficou de fora.

Abaixo a lista completa dos indicados, em Português e em Inglês. Vejamos no que dá.

http://cinema.uol.com.br/ultnot/2008/01/22/ult4332u621.jhtm

Filme

"Desejo e Reparação"
"Juno"
"Conduta de Risco"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Sangue Negro"

Diretor

Julian Schnabel, "O Escafandro e a Borboleta"
Jason Reitman, "Juno"
Tony Gilroy, "Conduta de Risco"
Joel e Ethan Coen, "Onde os Fracos Não Têm Vez",
Paul Thomas Anderson, "Sangue Negro"

Ator

George Clooney, "Conduta de Risco"
Daniel Day Lewis, "Sangue Negro"
Johnny Depp, "Sweeney Todd"
Tommy Lee Jones, "No Vale das Sombras"
Viggo Mortensen, "Senhores do Crime"

Atriz

Cate Blanchett, "Elizabeth: A Era de Ouro"
Julie Christie, "Longe Dela"
Marion Cotillard, "Piaf – Um Hino ao Amor"
Laura Linney, "The Savages"
Ellen Page, "Juno"

Ator coadjuvante

Casey Affleck, "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford"
Javier Bardem, "Onde os Fracos Não Têm Vez"
Phillip Seymour Hoffman, "Jogos do Poder"
Hal Halbrook, "Na Natureza Selvagem"
Tom Wilkinson, "Conduta de Risco"

Atriz coadjuvante

Cate Blanchett, "Não Estou Lá"
Ruby Dee, "O Gângster"
Saoirse Ronan, "Desejo e Reparação"
Amy Ryan, "Medo da Verdade"
Tilda Swinton, "Conduta de Risco"

Filme estrangeiro

"Beaufort" (Israel)
"The Counterfeiters" (Áustria)
"Katyn" (Polônia)
"Mongol" (Cazaquistão)
"12" (Rússia)

Filme de animação

"Persépolis"
"Ratatouille"
"Surf’s up"

Roteiro original

Diablo Cody, "Juno"
Nancy Oliver, "Lars and the Real Girl"
Tony Gilroy, "Mudança de Risco"
Brad Bird, "Ratatouille"
Tamara Jenkins, "The Savages"

Roteiro adaptado

Christopher Hampton, "Desejo e Reparação"
Sarah Polley, "Longe Dela"
Ronald Harwood, "O Escafandro e a Borboleta"
Joel e Ethan Coen, "Onde os Fracos Não Têm Vez"
Paul Thomas Anderson, "Sangue Negro"

Fotografia

"O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford"
"Desejo e Reparação"
"O Escafandro e a Borboleta"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Sangue Negro"

Montagem

"O Ultimato Bourne"
"O Escafandro e a Borboleta"
"Na Natureza Selvagem"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Sangue Negro"

Direção de arte

"O Gângster"
"Desejo e Reparação"
"A Bússola de Ouro"
"Sweeney Todd"
"Sangue Negro"

Figurino

"Across the Universe"
"Desejo e Reparação"
"Elizabeth: A Era de Ouro"
"Piaf – Um Hino ao Amor"
"Sweeney Todd"

Maquiagem

"Piaf – Um Hino ao Amor"
"Norbit"
"Piratas do Caribe: No Fim do Mundo"

Edição de som

"O Ultimato Bourne"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Ratatouille"
"Sangue Negro"
"Transformers"

Efeitos sonoros

"O Ultimato Bourne"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Ratatouille"
"Os Indomáveis"
"Transformers"

Efeitos visuais

"A Bússola de Ouro"
"Piratas do Caribe: No Fim do Mundo"
"Transformers"

Documentário

"No End in Sight"
"Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience"
"SOS Saúde"
"Taxi to the Dark Side
"War/Dance"

Documentário de curta-metragem

"Freeheld"
"La Corona (The Crown)"
"Salim Baba"
"Sari’s Mother"

Trilha sonora original

"Desejo e Reparação"
"Ratatouille"
"Os Indomáveis"
"O Caçador de Pipas"
"Conduta de Risco"

Canção original

"Falling Slowly" ("Once")
"Happy Working Song" ("Encantada")
"August Rush"
"So Close" ("Encantada")
"That’s How You Know" ("Encantada")

Curta-metragem

"At Night"
"Il Suplente" (The Substitute)
"Le Mozart des Pickpockets" (The Mozart of Pickpockets)
"Tanghi Argentini"
"The Tonto Woman"

Curta-metragem de animação

"I Met the Walrus"
"Madame Tutli-Putli"
"Même les Pigeons vont au Paradis" (Even the Pigeons Go to Heaven)
"My Love" (Moya Lyubov)
"Peter & The Wolf"


80th Academy Awards Announced Categories

http://a.oscar.abc.com/media/2008/html/printer.html

Performance by an actor in a leading role
—————————————————————————
George Clooney in "Michael Clayton" (Warner Bros.)
Daniel Day-Lewis in "There Will Be Blood" (Paramount Vantage and Miramax)
Johnny Depp in "Sweeney Todd The Demon Barber of Fleet Street" (DreamWorks and Warner Bros., Distributed by DreamWorks/Paramount)
Tommy Lee Jones in "In the Valley of Elah" (Warner Independent)
Viggo Mortensen in "Eastern Promises" (Focus Features)

Performance by an actor in a supporting role
—————————————————————————
Casey Affleck in "The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford" (Warner Bros.)
Javier Bardem in "No Country for Old Men" (Miramax and Paramount Vantage)
Philip Seymour Hoffman in "Charlie Wilson’s War" (Universal)
Hal Holbrook in "Into the Wild" (Paramount Vantage and River Road Entertainment)
Tom Wilkinson in "Michael Clayton" (Warner Bros.)

Performance by an actress in a leading role
—————————————————————————
Cate Blanchett in "Elizabeth: The Golden Age" (Universal)
Julie Christie in "Away from Her" (Lionsgate)
Marion Cotillard in "La Vie en Rose" (Picturehouse)
Laura Linney in "The Savages" (Fox Searchlight)
Ellen Page in "Juno" (Fox Searchlight)

Performance by an actress in a supporting role
—————————————————————————
Cate Blanchett in "I’m Not There" (The Weinstein Company)
Ruby Dee in "American Gangster" (Universal)
Saoirse Ronan in "Atonement" (Focus Features)
Amy Ryan in "Gone Baby Gone" (Miramax)
Tilda Swinton in "Michael Clayton" (Warner Bros.)

Best animated feature film of the year
—————————————————————————
"Persepolis" (Sony Pictures Classics): Marjane Satrapi and Vincent Paronnaud
"Ratatouille" (Walt Disney): Brad Bird
"Surf’s Up" (Sony Pictures Releasing): Ash Brannon and Chris Buck

Achievement in art direction
—————————————————————————
"American Gangster" (Universal): Art Direction: Arthur Max; Set Decoration: Beth A. Rubino
"Atonement" (Focus Features): Art Direction: Sarah Greenwood; Set Decoration: Katie Spencer
"The Golden Compass" (New Line in association with Ingenious Film Partners): Art Direction: Dennis Gassner; Set Decoration: Anna Pinnock
"Sweeney Todd The Demon Barber of Fleet Street" (DreamWorks and Warner Bros., Distributed by DreamWorks/Paramount): Art Direction: Dante Ferretti; Set Decoration: Francesca Lo Schiavo
"There Will Be Blood" (Paramount Vantage and Miramax): Art Direction: Jack Fisk; Set Decoration: Jim Erickson

Achievement in cinematography
—————————————————————————
"The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford" (Warner Bros.): Roger Deakins
"Atonement" (Focus Features): Seamus McGarvey
"The Diving Bell and the Butterfly" (Miramax/Pathé Renn): Janusz Kaminski
"No Country for Old Men" (Miramax and Paramount Vantage): Roger Deakins
"There Will Be Blood" (Paramount Vantage and Miramax): Robert Elswit

Achievement in costume design
—————————————————————————
"Across the Universe" (Sony Pictures Releasing) Albert Wolsky
"Atonement" (Focus Features) Jacqueline Durran
"Elizabeth: The Golden Age" (Universal) Alexandra Byrne
"La Vie en Rose" (Picturehouse) Marit Allen
"Sweeney Todd The Demon Barber of Fleet Street" (DreamWorks and Warner Bros., Distributed by DreamWorks/Paramount) Colleen Atwood

Achievement in directing
—————————————————————————
"The Diving Bell and the Butterfly" (Miramax/Pathé Renn), Julian Schnabel
"Juno" (Fox Searchlight), Jason Reitman
"Michael Clayton" (Warner Bros.), Tony Gilroy
"No Country for Old Men" (Miramax and Paramount Vantage), Joel Coen and Ethan Coen
"There Will Be Blood" (Paramount Vantage and Miramax), Paul Thomas Anderson

Best documentary feature
—————————————————————————
"No End in Sight" (Magnolia Pictures) A Representational Pictures Production: Charles Ferguson and Audrey Marrs
"Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience" (The Documentary Group) A Documentary Group Production: Richard E. Robbins
"Sicko" (Lionsgate and The Weinstein Company) A Dog Eat Dog Films Production: Michael Moore and Meghan O’Hara
"Taxi to the Dark Side" (THINKFilm) An X-Ray Production: Alex Gibney and Eva Orner
"War/Dance" (THINKFilm) A Shine Global and Fine Films Production: Andrea Nix Fine and Sean Fine

Best documentary short subject
—————————————————————————
"Freeheld" A Lieutenant Films Production: Cynthia Wade and Vanessa Roth
"La Corona (The Crown)" A Runaway Films and Vega Films Production: Amanda Micheli and Isabel Vega
"Salim Baba" A Ropa Vieja Films and Paradox Smoke Production: Tim Sternberg and Francisco Bello
"Sari’s Mother" (Cinema Guild) A Daylight Factory Production: James Longley

Achievement in film editing
—————————————————————————
"The Bourne Ultimatum" (Universal): Christopher Rouse
"The Diving Bell and the Butterfly" (Miramax/Pathé Renn): Juliette Welfling
"Into the Wild" (Paramount Vantage and River Road Entertainment): Jay Cassidy
"No Country for Old Men" (Miramax and Paramount Vantage) Roderick Jaynes
"There Will Be Blood" (Paramount Vantage and Miramax): Dylan Tichenor

Best foreign language film of the year
—————————————————————————
"Beaufort" Israel
"The Counterfeiters" Austria
"Katyn" Poland
"Mongol" Kazakhstan
"12" Russia

Achievement in makeup
—————————————————————————
"La Vie en Rose" (Picturehouse) Didier Lavergne and Jan Archibald
"Norbit" (DreamWorks, Distributed by Paramount): Rick Baker and Kazuhiro Tsuji
"Pirates of the Caribbean: At World’s End" (Walt Disney): Ve Neill and Martin Samuel

Achievement in music written for motion pictures (Original score)
—————————————————————————
"Atonement" (Focus Features) Dario Marianelli
"The Kite Runner" (DreamWorks, Sidney Kimmel Entertainment and Participant Productions, Distributed by Paramount Classics): Alberto Iglesias
"Michael Clayton" (Warner Bros.) James Newton Howard
"Ratatouille" (Walt Disney) Michael Giacchino
"3:10 to Yuma" (Lionsgate) Marco Beltrami

Achievement in music written for motion pictures (Original song)
—————————————————————————
"Falling Slowly" from "Once" (Fox Searchlight) Music and Lyric by Glen Hansard and: Marketa Irglova
"Happy Working Song" from "Enchanted" (Walt Disney): Music by Alan Menken; Lyric by Stephen Schwartz
"Raise It Up" from "August Rush" (Warner Bros.): Nominees to be determined
"So Close" from "Enchanted" (Walt Disney): Music by Alan Menken; Lyric by Stephen Schwartz
"That’s How You Know" from "Enchanted" (Walt Disney): Music by Alan Menken; Lyric by Stephen Schwartz

Best motion picture of the year
—————————————————————————
"Atonement" (Focus Features) A Working Title Production: Tim Bevan, Eric Fellner and Paul Webster, Producers
"Juno" (Fox Searchlight) A Dancing Elk Pictures, LLC Production: Lianne Halfon, Mason Novick and Russell Smith, Producers
"Michael Clayton" (Warner Bros.) A Clayton Productions, LLC Production: Sydney Pollack, Jennifer Fox and Kerry Orent, Producers
"No Country for Old Men" (Miramax and Paramount Vantage) A Scott Rudin/Mike Zoss Production: Scott Rudin, Ethan Coen and Joel Coen, Producers
"There Will Be Blood" (Paramount Vantage and Miramax) A JoAnne Sellar/Ghoulardi Film Company Production: JoAnne Sellar, Paul Thomas Anderson and Daniel Lupi, Producers

Best animated short film
—————————————————————————
"I Met the Walrus" A Kids & Explosions Production: Josh Raskin
"Madame Tutli-Putli" (National Film Board of Canada) A National Film Board of Canada Production Chris Lavis and Maciek Szczerbowski "Même Les Pigeons Vont au Paradis (Even Pigeons Go to Heaven)" (Premium Films) A BUF Compagnie Production Samuel Tourneux and Simon Vanesse
"My Love (Moya Lyubov)" (Channel One Russia) A Dago-Film Studio, Channel One Russia and Dentsu Tec Production Alexander Petrov
"Peter & the Wolf" (BreakThru Films) A BreakThru Films/Se-ma-for Studios Production Suzie Templeton and Hugh Welchman

Best live action short film
—————————————————————————
"At Night" A Zentropa Entertainments 10 Production: Christian E. Christiansen and Louise Vesth
"Il Supplente (The Substitute)" (Sky Cinema Italia) A Frame by Frame Italia Production: Andrea Jublin
"Le Mozart des Pickpockets (The Mozart of Pickpockets)" (Premium Films) A Karé Production: Philippe Pollet-Villard
"Tanghi Argentini" (Premium Films) An Another Dimension of an Idea Production: Guido Thys and Anja Daelemans
"The Tonto Woman" A Knucklehead, Little Mo and Rose Hackney Barber Production: Daniel Barber and Matthew Brown

Achievement in sound editing
—————————————————————————
"The Bourne Ultimatum" (Universal): Karen Baker Landers and Per Hallberg
"No Country for Old Men" (Miramax and Paramount Vantage): Skip Lievsay
"Ratatouille" (Walt Disney): Randy Thom and Michael Silvers
"There Will Be Blood" (Paramount Vantage and Miramax): Matthew Wood
"Transformers" (DreamWorks and Paramount in association with Hasbro): Ethan Van der Ryn and Mike Hopkins

Achievement in sound mixing
—————————————————————————
"The Bourne Ultimatum" (Universal) Scott Millan, David Parker and Kirk Francis
"No Country for Old Men" (Miramax and Paramount Vantage): Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff and Peter Kurland
"Ratatouille" (Walt Disney): Randy Thom, Michael Semanick and Doc Kane
"3:10 to Yuma" (Lionsgate): Paul Massey, David Giammarco and Jim Stuebe
"Transformers" (DreamWorks and Paramount in association with Hasbro): Kevin O’Connell, Greg P. Russell and Peter J. Devlin

Achievement in visual effects
—————————————————————————
"The Golden Compass" (New Line in association with Ingenious Film Partners): Michael Fink, Bill Westenhofer, Ben Morris and Trevor Wood
"Pirates of the Caribbean: At World’s End" (Walt Disney): John Knoll, Hal Hickel, Charles Gibson and John Frazier
"Transformers" (DreamWorks and Paramount in association with Hasbro): Scott Farrar, Scott Benza, Russell Earl and John Frazier

Adapted screenplay
—————————————————————————
"Atonement" (Focus Features), Screenplay by Christopher Hampton
"Away from Her" (Lionsgate), Written by Sarah Polley
"The Diving Bell and the Butterfly" (Miramax/Pathé Renn), Screenplay by Ronald Harwood
"No Country for Old Men" (Miramax and Paramount Vantage), Written for the screen by Joel Coen & Ethan Coen
"There Will Be Blood" (Paramount Vantage and Miramax), Written for the screen by Paul Thomas Anderson

Original screenplay
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"Juno" (Fox Searchlight), Written by Diablo Cody
"Lars and the Real Girl" (MGM), Written by Nancy Oliver
"Michael Clayton" (Warner Bros.), Written by Tony Gilroy
"Ratatouille" (Walt Disney), Screenplay by Brad Bird; Story by Jan Pinkava, Jim Capobianco, Brad Bird
"The Savages" (Fox Searchlight), Written by Tamara Jenkins

Em Seoul, 23 de Janeiro de 2008

The Man in the Moon

The Man in the Moon (1991) é um filme lindo. É dirigido por Robert Mulligan, que também dirigiu, vinte anos antes, o também lindo Summer of 42 (1971), com a maravilhosa Jennifer O’Neill como Dorothy.

Talvez The Man in the Moon fique conhecido por ter sido o primeiro filme de Rheese Witherspoon, que em 2006 ganhou o Oscar de Melhor Atriz pelo seu papel em Walking the Line, a biografia de Johnny Cash e June Carter. Em The Man in the Moon Rheese, então com 14 anos, faz o papel de Dani, uma adolescente linda e apaixonada, primeiro pelo amor, depois pelo rapazinho que aparece nas vizinhanças do sítio em que ela morava.

Antes e depois de conhecer Court, Dani ficava horas e horas ouvindo Loving You, com Elvis Presley — talvez a balada mais linda que o grande cantor jamais gravou (e olhem que ele gravou várias, inclusive Love me Tender).

Não vou contar a história toda. É uma história dolorida sobre o processo de crescimento.

Para mim, esse filme sempre foi especial. Mas achava que os críticos poderiam achá-lo meio piegas, adocicado, meloso. Fiquei surpreso, portanto, ao encontrar a resenha que transcrevo abaixo, de Roger Ebert, publicada logo depois do lançamento do filme. Ele conseguiu colocar em palavras um monte de coisas que eu sentia mas não havia conseguido descrever.

Em Campinas, 26 de Julho de 2007

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The Man in the Moon

BY ROGER EBERT / October 4, 1991

When this movie was over, I sat quietly for a moment so that I could feel the arc of its story being completed in my mind. They had done it: They had found a way all the way from the beginning to the end of this material, which is so fraught with peril, and never stepped wrong, not even at the end, when everything could have come tumbling down. "The Man in the Moon" is a wonderful movie, but it is more than that, it is a victory of tone and mood. It is like a poem.

The film takes place on a farm outside a small country town, in the 1950s. Two teenage girls are being raised by parents who are strict, but who are also loving and good. One of the girls, Dani, is 14 years old and has just passed uncertainly into young womanhood.

Her sister, Maureen, is about 17. On hot summer nights they sleep on the screened-in porch and have girl talks, and Dani laments that she will never be as beautiful and popular as her sister. Of course all kid sisters feel that way.

A widow moves onto the farm next door with her son, Court, who is about 17. One day he happens upon Dani down at the swimming hole. They fight at first, but then they make up and become friends.

Dani of course develops an enormous crush on this boy, and for a day or two he seems to feel the same emotions she does. Dani asks Maureen how to kiss, and Maureen gives her lessons. She "practices" on her hand. Then Court kisses her, and she confesses it was the first time she has ever been kissed by a boy. "How was it?" he asks. "Perfect," she says.

The moment is perfect, too, but there is an even better one, when she tells him, "I want to know what your hopes are." This isn’t just a movie about teenage romance, it’s a movie about idealism – about how we idealize what and who we love – and a movie about the meaning of life. Yes, the Meaning of Life, which is a topic teenagers discuss a good deal as their insides churn with hope and doubt, and which adults discuss less and less, the more they could benefit from it.

The way the scenes between Dani and Court are handled is typical of the entire movie, which takes material we may have seen many times before, and makes it true and fresh. Maybe it is because of the acting – Reese Witherspoon as Dani, here, and Jason London as Court, do justice to the slightest nuance of the scene. Maybe it is the direction, by Robert Mulligan, whose long career includes another fine movie about a young girl, "To Kill a Mockingbird." Or maybe it is because everyone involved with the film knew that the script, by Jenny Wingfield, was not going to sell out at the end, was not going to contrive an artificial ending, or go for false sentiment, or do anything other that exactly what the material cries out for.

There are some complications surrounding that "perfect" kiss. One of them is that the girls’ mother (Tess Harper) is in the last weeks of pregnancy. Another is that the older sister has just has a particularly nasty date with a crude local boy. Another is that their father (Sam Waterston) is fairly strict – not because he is mean, but because he loves them. Another, inevitably and painfully, is that when Court sees the older girl, he forgets about the kid sister with whom he shared the perfect kiss. Life is so direct sometimes in the way it hurts us – and the younger we are, the more universal the hurt.

Now something happens in the story that I cannot tell. It must catch you unprepared. And then the magnificent concluding passages of this film are about how deeply one can be hurt, how hard it is to forgive, how impossible it is to share the deepest feelings.

"The Man in the Moon" is like a great short story, one of those masterpieces of language and mood where not one word is wrong, or unnecessary. It flows so smoothly from start to finish that it hardly even seems like an ordinary film. Usually I am aware of the screenwriter putting in obligatory scenes. I can hear the machinery grinding. Not this time. Although, in retrospect, I can see how carefully the plot was put together, how meticulously each event was prepared for, as I watched the film I was only aware of life passing by.

Of the performances, it is enough to say that each one creates a character that could not be improved on. Tess Harper and Sam Waterston are convincing parents here; they aren’t simply stick figures in a plot, used only to move events along, but people we believe could really have raised these girls. There is a moment when Waterson hugs his youngest girl, and the way it arrives and the way it plays are heartbreakingly touching. There is a moment when Harper intuits something about her older girl, and the way she acts on her intuition is so tactful we feel she is giving the girl a lesson on how to be a mother. And Gail Strickland, as the boy’s mother, creates moments that are as difficult as they are true.
Then there are the two sisters,
Reese Witherspoon and Emily Warfield. Like all sisters of about the same age, they share almost all of their secrets, but the ones they cannot share are the ones that hurt deeply. Their intimate moments together – talking about boys, about growing up – have a special intimacy. But the silences and the hurt body language of some of their later scenes speak of an intimacy betrayed, and are even more special. There is a scene where Court comes over and is asked to stay for dinner, and the way he has eyes only for Maureen – he all but ignores Dani – reflects, we remember, exactly the cruel and thoughtless ways that teenagers deal with affairs of the heart.

Robert Mulligan is a director whose titles range from "Inside Daisy Clover" to "Blood Brothers" to "The Other." He made "Summer of ’42," also the story of the intensity of young love, and his "Same Time, Next Year" and "Clara’s Heart" were also, in a way, about how time and age affect romance. Although his work is uneven, he has always been a serious and sincere artist – both in the early days of the partnership with Alan J. Pakula that produced "Mockingbird," and since.

Nothing else he has done, however, approaches the purity and perfection of "The Man in the Moon." As the film approached its conclusion without having stepped wrong once, I wondered whether he could do it – whether he could maintain the poetic, bittersweet tone, and avoid the sentimentalism and cheap emotion that could have destroyed this story. Would he maintain the integrity of this material? He would, and he does.

http://rogerebert.suntimes.com/apps/pbcs.dll/article?AID=/19911004/REVIEWS/110040304/1023

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Meet Joe Black — ou Komm, süsser Tod

David Hume, filósofo escocês do século XVIII, sobre o qual escrevi minha tese de doutoramento, escreveu uma vez um ensaio sobre milagres, em que (entre outras coisas) estabeleceu uma distinção entre eventos miraculosos (miracula) e eventos maravilhosos (mirabilia). Estes são eventos que raramente acontecem – mas que encontram, em nossa experiência pessoal, alguns exemplos. Se alguém que estava seriamente doente de repente sara, isso é, segundo Hume, um evento maravilhoso. Embora não com freqüência, a maior parte de nós já viu isso acontecer. Se, entretanto, alguém que estava morto e enterrado há três dias volta à nossa convivência, isso seria, segundo Hume, um milagre. Nenhum de nós (garante ele) jamais viu isso acontecer. Assim sendo, o evento, se acontecesse, contrariaria toda a nossa experiência pessoal – o que comprovaria o seu caráter miraculoso.

A questão principal a que se dedica o ensaio de Hume é se relatos de eventos miraculosos — o fato de serem relatos pressupõe que nós mesmos não os presenciamos — são críveis ou devem ser sumariamente desconsiderados. A resposta dele é que devem ser sumariamente desconsiderados. A única hipótese em que ele se dispõe a acreditar que um milagre relatado de fato aconteceu é se a possibilidade de que quem relatou estivesse enganado ou tentando enganar fosse ainda mais miraculosa do que o fato relatado.

Mas não vou entrar nessa questão. Fiz esse preâmbulo todo para dizer que geralmente não gosto de livros ou filmes que tratam de eventos miraculosos ou mesmo maravilhosos (na acepção Humeana). A exceção é Encontro Marcado (Meet Joe Black – 1998, direção impecável de Martin Brest), com Brad Pitt (no papel de Joe Black, a Morte), o incomparável Anthony Hopkins (no papel do empresário Bill Parrish) e uma das figuras femininas mais doces da tela: Claire Forlani (no papel de Susan Parrish). O restante dos atores está bem lançado mas tem papel claramente subsidiário.

O filme começa com duas momentos bem construídos.

No primeiro, Brad Pitt encontra Claire Forlani numa lanchonete. Parece um caso daqueles em que, num primeiro encontro, um raio fulmina os dois e os deixa fascinados um pelo outro. Mas eles se separam e, sem que ela saiba, ele é atropelado ao virar para trás no meio da rua para verificar se ela está olhando para ele. Atropelado e morto.

No segundo, Anthony Hopkins tem um infarto e é confrontado pela Morte – já encarnada em (no corpo de) Brad Pitt. Desejoso de aprender um pouco mais sobre a vida, a Morte tinha de assumir um corpo humano, e por isso assumiu o corpo do rapaz que havia morrido atropelado mais cedo no dia. Como seu guia e mentor, a Morte escolheu o infartante Anthony Hopkins e lhe propôs um acordo: postergaria a sua morte enquanto ela, Morte, conseguisse aprender e se divertir como ser humano – tarefas de que Anthony Hopkins, que havia vivido uma vida boa e bem sucedida (iria completar 65 anos em poucos dias), teria de se desincumbir. Quando decidisse que era a hora de levar Anthony Hopkins, não haveria discussão. Anthony Hopkins fechou o acordo – a alternativa seria morrer incontinenti.

Brad Pitt recebe o codinome de Joe Black a partir daquele momento e segue Anthony Hopkins para casa, onde é apresentado à família. O romance de Brad Pitt com a deslumbrante Claire Forlani, iniciado na lanchonete, quando o dono do corpo agora ocupado pela Morte ainda estava vivo, é inevitável. Mas toda a platéia, e, certamente, os dois protagonistas masculinos, sabem que o romance não tem futuro. Claire Forlani, naturalmente, não o sabe.

É essa a história. Como se vê, é uma história que envolve componentes no mínimo maravilhosos, na conceituação de Hume. Mas eu não me canso de ver o filme. Procurei fazer um pouco de auto-análise para entender por quê, e cheguei a duas principais razões:

Primeiro, porque assisti ao filme pela primeira vez logo depois de eu próprio ter tido um infarto. Há, portanto, um paralelo importante e vital (mortal?) entre a figura representada por Anthony Hopkins e eu: ambos estamos vivendo em tempo discricionariamente concedido (não me perguntem por quem) – uma prorrogação da duração normal do jogo, que já devia ter-se encerrado. Faz uma diferença enorme viver, digamos, de pleno direito, dentro dos noventa minutos, e viver em um tempo prorrogado, que pode durar mais ou menos, dependendo do arbítrio de um juiz que, na vida real, diferentemente do filme, a gente não encontra…

Segundo, Anthony Hopkins tem um relacionamento especial com a filha mais nova. É paixão de pai para filha – paixão correspondida. A preferência paterna pela caçula é impossível de esconder ou disfarçar – e ele não consegue nega-la para a filha mais velha, quando esta o confronta e lhe diz que o ama, mesmo sabendo de sua preferência pela outra filha. "Não faço questão de ser sua favorita", diz ela ao pai, "porque o importante para mim é que você é o meu favorito"… Os olhos dele se enchem de lágrimas (como os meus, aqui, relatando…) mas ele corajosamente não contesta a afirmação. Qualquer homem mais fraco sucumbiria à tentação de afirmar o igualitarismo naquela situação – não o personagem de Anthony Hopkins. Gosto de vivenciar (ainda que vicariamente) essas questões em que as pessoas não mascaram a realidade em nome de supostos ideais, mas a enfrentam, corajosamente, cara-a-cara, sustentando aquilo que pensam, que sentem, que são, por mais politicamente incorreto que isso possa parecer.

Por essas duas razões, e por uma série de outros detalhes, gosto muito do filme, a despeito de seu fundo maravilhoso ou até meio miraculoso. A prova de que o filme é bem feito está no fato de que eu me identifico com a paixão que Anthony Hopkins tem pela filha – não com o amor que Brad Pitt sente por Claire Forlani, amor esse que, ao final, quando Joe Black deixa de existir, virando novamente a Morte, agora não tão sinistra, mas até doce, faz a Morte ressuscitar o rapaz do qual havia roubado o corpo no início — e isso para não deixar a sua amada sozinha…

A morte de Bill Parrish no filme foi doce. Faz lembrar uma ária de Bach: "Komm, süsser Tod"…

Em Campinas, 21 de fevereiro de 2007

Emoção e razão na arte

Cláudio Minetto, meu amigo e irmão, levanta a questão do papel da emoção e da razão em nossa avaliação de obras de arte, especialmente romances e filmes. O que é que nos faz gostar de uma obra de arte: é seu apelo às nossas emoções ou à nossa razão. Essa é, nesse caso, uma falsa dicotomia. Eu defendo uma teoria meio racionalista das emoções. Emoções não são reaçoes, positivas ou negativas, de alguma faculdade autônoma que temos e que nos faz sentir uma coisa ou outra, de uma forma arbitrária. Nossas emoções são sentimentos que temos diante de determinadas coisas ou de determinados acontecimentos, mas esses sentimentos não são arbitrários: eles decorrem de nosso sentido da vida ("sense of life"), de nossos valores, de nosso sentido do que é próprio e certo. E nada disso é independente de nossa razão — pelo contrário.
 
Assim, quando nos sentimos emocionados (de forma positiva) ao assistir a Scent of a Woman ou The Bridges of Madison County, o que está acontecendo é a nossa emoção respondendo ao nosso sentido de que é assim que as coisas deveriam ser — embora infelizmente raramente o sejam. E essa percepção, na qual se baseia o nosso sentimento, é racional, não arbitrária.
 
Ayn Rand e Mário Vargas Llosa compartilham, até certo ponto, uma visão da arte, segundo a qual (parafraseando Rand) a arte é a nossa tentativa de recriar a realidade (i.e., inventar uma realidade) segundo nosso "sense of life", nosso sentido de realidade, nossos valores mais básicos. Falando especificamente da literatura, Vargas Llosa diz que ela consiste de mentiras que inventamos para dizer verdades que, no mundo em que vivemos, não têm correspondência com a realidade.
 
Em Campinas, 28 de agosto de 2006