Finlândia: A tragédia na escola

[Transcrevo do meu space sobre a viagem à Finlândia por ser assunto de interesse que transcende a Finlândia]

Eu havia dado por encerrado este space sobre a minha viagem à Finlândia. Mas a tragédia na escola de Jokela (em Tuusula, no sul da Finlândia) em que um jovem de 18 anos matou sete colegas, a diretora da escola, e, depois, a si próprio, tudo isso no dia seguinte ao do meu retorno da Finlândia, me fez decidir acrescentar mais um triste capítulo a este blog.

Transcrevo abaixo a notícia dada pela Folha de S. Paulo de hoje. Parece, de início, inexplicável — embora, como em casos semelhantes, especialmente nos Estados Unidos, os detalhes que inevitavelmente irão aos poucos surgindo nos próximos dias certamente removerão, em parte, a inexplicabilidade do caso. Em parte, digo eu, porque dificilmente conseguiremos considerar plenamente explicado um acontecimento como este em que fica evidente que a vida de uma pessoa jovem, num país rico, cuja educação é considerada a melhor do mundo, pode, ainda assim, dar terrível e tragicamente mente errado.

Não tenho dificuldade em entender o fato de que alguém queira colocar fim à própria vida. Ainda que como exercício acadêmico, já refleti, várias vezes, sobre que acontecimentos e condições poderiam me levar, um dia, a tomar uma decisão dessas. Não sei se, se concluir um dia que o contexto justifica uma decisão desse tipo, terei coragem de implementá-la. Mas consigo entender, in abstracto, que alguém possa decidir matar-se e implementar essa decisão.

A escolha da forma que o suicídio vai tomar revela um pouco da mente do suicida.

Há gente que se mata quietinho, tomando uma dose excessiva de remédios, ou ingerindo veneno. Quem os descobre mortos certamente deve levar um choque, mas, de início, o choque não será diferente do que se tem ao se descobrir morta uma pessoa que foi dormir bem — e que morreu de causas naturais durante o sono.

Há gente que escolhe uma forma de suicídio mais teatral. Afogar-se num rio ou no mar andando para dentro da água. Ou jogar-se de uma ponte — a Golden Gate Bridge de San Francisco parece ser quase irresistível para suicidas assim mais teátricos, a ponto de terem colocado grades na beirada da ponte para impedir que as pessoas saltem para a morte.

Há ainda gente que dá tiro na cabeça, salta de prédios, etc., deixando à vista dos infelizes que acorrem ao local primeiro um cenário deprimente, com sangue por todo lugar — e, por vezes, mais que isso.

Há gente que se suicida em público, procurando levar consigo o máximo de pessoas, como os homens/mulheres-bomba, mas que fazem isso por uma causa política. A publicidade e a teatralidade do ato é, neste caso, parte da motivação. Na verdade, a pessoa, na realidade, nem quer se matar por algum problema pessoal que esteja enfrentando: quer causar impacto, quer fazer uma declaração política — matar os outros e a si próprio no processo é parte dessa declaração política,

O que acho difícil de entender são os que, como o rapaz desta história, resolvem se matar em meio a uma grande matança de gente que, aparentemente, nada tem que ver com os suicidas, mas que, a primeira vista, não estão fazendo uma declaração política, ou, se o estão, essa declaração é tão sussurada que poucos conseguem entendê-la.

Por que esse gesto de morrer matando, por que não morrer quieto e sozinho num canto, por que morrer fazendo um espalhafato e esparramando sangue?

Parece que há, no caso, uma tentativa de fazer algum tipo de declaração. Como no caso recente nos Estados Unidos, que acaba de completar um ano, há vídeos no YouTube, há mensagens na Internet. Mas os vídeos parecem ser meio crípticos. O fundo musical já foi usado em outra tragédia semelhante, em Columbine… Será que os eventos ocorridos em escolas americanas inspiraram — se é que esse termo é apropriado — o suicida?

O suposto autor dos vídeos declara: "Estou preparado para lutar e morrer por minha causa". OK. Há muita gente disposta a fazer isso. Mas qual é a causa??? "Como um selecionador natural, eliminarei todos aqueles que vejo como desgraças inaptas para a raça humana e como falhas da seleção natural", segue o texto (segundo a versão da Folha). Mas será que a melhor forma de eliminar "desgraças inaptas" que surgiram como "falhas da seleção natural" é matando gente aleatoriamente, sem vê-las, por detrás de portas fechadas? 

Morrer fazendo uma declaração e levando outros consigos é até inteligível — desde que a linguagem da declaração seja inteligível. O árabe que se explode em um shopping center israelense, ou o muçulmano que explode o avião em que se encontra nas Torres Gêmeas fazem declarações políticas que é possível entender, mesmo que seu objeto seja indefensável moral e politicamente.

Mas morrer fazendo uma declaração ininteligível é algo difícil de entender. Especialmente quando se trata de uma pessoa jovem que, por mais errado que tenha saído sua vida até aqui, tem, na realidade, pelo menos mais quatro ou cinco dessas vidas pela frente para acertar o que está errado — até porque vive num país rico economicamente e culturalmente, freqüenta uma escola que é tida entre as melhores do mundo, e tem à sua disposição, na escola, um sistema elaborado de "student welfare" que poucos países possuem — eu nunca havia ouvido falar de uma instituição desse tipo dentro do sistema escolar: um setor do Ministério da Educação preocupado exclusivamente com o bem-estar do estudante. 

Vamos ver se, nos dias que seguem, as investigações descobrem evidências que ajudem dar alguma aparência de sentido ao que, no fundo, ficará para sempre sem sentido.

Eu, por meu lado, fico com uma pulguinha atrás da orelha. Nos últimos três dias a única música que tenho ouvido é de Jean Sibelius, o maior compositor finlandês da história. As músicas são maravilhosas: as sinfonias, os concertos para violino… Lindas, lindas, lindas — quase digo "lindas de morrer"… E tristes, tristes, tristes. Até a valsa mais famosa — e mais linda — que ele compôs é chamada de Valsa Triste: tristemente linda. Até eu, em regra alegre, fico triste e macambúzio ao ouvi-la. Talvez ficasse até deprimido, se não pudesse olhar para fora e ver o sol brilhando, o céu azul, os flamboyants em flor, os pássaros cantando… — e se não pudesse, de vez em quando, ouvir um sambinha alegre e malandro.

Por fim… fico imaginando se as manifestações das autoridades educacionais finlandesas nos eventos de que participei nos últimos quinze dias seriam, à vista da tragédia, mais reflexivas e menos auto-louvativas do que foram. Ou se elas iriam se auto-elogiar por terem tratado rápida e eficientemente o problema…

Em Salto, 8 de Novembro de 2007


Folha de S. Paulo
8 de novembro de 2007

Estudante na Finlândia mata sete colegas e diretora

Agressor se suicida; vídeo no YouTube prenunciou massacre na escola Jokela

Pistola foi registrada pelo adolescente de 18 anos; 3º país em porte de armas per capita, Finlândia nunca tivera incidentes do tipo

DA REDAÇÃO

Um adolescente armado que aparentemente postou clipes com ameaças no site YouTube matou ontem sete colegas e a diretora de sua escola em Tuusula, no sul da Finlândia. Dez outras pessoas foram feridas ao tentarem fugir do local.

Portando uma pistola .22, o rapaz de 18 anos cuja identidade não foi revelada entrou na Escola Jokela, pouco antes do meio-dia (8h em Brasília), e percorreu classe por classe, atirando, antes de se matar. Com uma bala na cabeça, chegou a ser internado em um hospital local, mas não resistiu.

"Ele avançou sistematicamente pelos corredores da escola, batendo nas portas e atirando através delas", disse a professora Kim Kiuru. "Meus alunos gritavam, perguntando o que fazer, e eu lhes disse que saltassem pela janela. Todos se salvaram", contou.
Tuomas Hulkkonen, um aluno que disse conhecer o agressor, afirmou a uma rede de TV que o rapaz vinha agindo "de modo estranho" ultimamente. "Ele se recolheu em sua concha. Só notei essa mudança recentemente e achei que ele talvez estivesse meio deprimido. Mas nunca achei que ia acabar assim", disse o rapaz à MTV3.

Cinco garotos, duas meninas e uma mulher foram mortos, informou Matti Tohkanen, chefe de polícia de Tuusula, cidade de 35 mil habitantes a cerca de 50 km de Helsinque. O agressor, disse, vinha de "uma família comum" e não tinha antecedentes criminais. A arma usada no ataque era legal e fora registrada pelo próprio adolescente no último dia 19.

"Quando a polícia chegou, era o caos completo, havia alunos pulando das janelas", disse o inspetor Timo Leppala. A Jokela tem cerca de 500 alunos do ensino médio e fundamental, com idades de 12 a 18 anos.

O premiê Matti Vanhanen disse que se trata de "um evento extremamente triste".

Vídeo

O vídeo no YouTube – tirado do ar – mostrava a foto de um prédio que parecia a Jokela com o rock "Stray Bullet" (Bala Perdida) ao fundo. Em um recurso de edição, a foto se partia e dava lugar à imagem, em vermelho, de um homem apontando uma arma para a câmera.

O clipe, intitulado "Jokela High School Massacre – 7/11/ 2007", foi postado por Sturmgeist89. Mensagem do mesmo autor diz: "Estou preparado para lutar e morrer por minha causa". "Como um selecionador natural, eliminarei todos aqueles que vejo como desgraças inaptas para a raça humana e como falhas da seleção natural", segue o texto.

A letra de "Stray Bullet", do KMFDM, já figurou em um site mantido por Eric Harris, co-autor do massacre da escola Columbine, nos EUA, em 1999.

Outro clipe postado pelo mesmo Sturmgeist89 mostra um rapaz de jaqueta escura carregando uma pistola e disparando em um bosque. No fim, ele sorri e acena para a câmera. Num terceiro vídeo, há fotos do mesmo garoto com uma pistola e uma camiseta na qual se lê: "A humanidade é superestimada".

Até o fechamento desta edição não se sabia, no entanto, se o menino nos vídeos era o mesmo que executou o ataque.
Apesar de ter o terceiro índice mundial per capita de porte de armas – 56 para cada cem pessoas, atrás de EUA e Iêmen -, incidentes como o de ontem são raros na Finlândia.

Segundo a mídia local, houve quatro esfaqueamentos em escolas do país desde 1999, nenhum deles fatal. Este é o primeiro caso de tiroteio.

[Com agências internacionais]

O melancólico resultado do Comunismo em Cuba

Vejam abaixo duas matérias da Folha de ontem (22 de setembro de 2007).

Daqui uns 15-16 meses fará cinqüenta anos que Fidel Castro assumiu o controle político (e também econômico, cultural, militar, etc.) de Cuba, começando a inserção do país no universo comunista. Cinqüenta anos. Ele sobreviveu a todos os ditadores comunistas. Deve ser o ditador que mais tempo ficou no poder — ever, überhaupt. Se não fosse desumano, os EUA e outros países capitalistas deveriam, agora, impedir Cuba de tentar sair do comunismo: ainda comunista, Cuba seria um importante museu onde se mostrasse às novas gerações no que dá o Comunismo.

Ou vejamos (dados tirados das matérias abaixo).

1) O salário médio dos cubanos é de 15 dólares. Isso dá 50 centavos de dólares por dia. Tenho ouvido e lido muita gente boa, entre elas esquerdistas e simpatizantes de Cuba, descerem o sarrafo no mundo desenvolvido por permitir que em vários países africanos se sobreviva com dois dólares por dia — o que dá 60 dólares por mês, quatro vezes mais do que a renda média dos cubanos. A renda média dos cubanos é, segundo esses cálculos, renda de miséria total. E os esquerdistas brasileiros não investem contra isso. Preferem falar da pobreza dos africanos, que eles pretendem debitar à conta do mundo desenvolvido capitalista.

2) Os defensores da igualdade deveriam estar jubilantes: tirando El Comandante e seus cupinchas (afinal de contas, nem todo mundo é de ferro), em Cuba se alcançou a igualdade: a igualdade da miséria absoluta. Como disse um dia Mme. de Stael, os socialistas preferem a igualdade do inferno às desigualdades do céu (onde consta que alguns terão "galardões" maiores do que outros). Os cubanos conseguiram fazer de Cuba um inferno igualitário e miserável.

3) As geladeiras cubanas (importadas dos EUA e da União Soviética) estão sendo trocadas… Algumas são da época de Fulgêncio Batista, ou seja, têm mais de cinqüenta anos. Verdadeiras relíquias tecnológicas. Algum americano rico deveria comprá-las todas e colocá-las num museu em Miami para perpetuar no mundo a lembrança de qual é o resultado do Comunismo… As geladeiras que estão substituindo as relíquias vêm da China. Custam 270 dólares. Poupando toda a sua renda mensal, um cubano médio precisaria trabalhar um ano e meio (dezoito meses) para comprar uma delas.

4) A China so chegou ao ponto de estar vendendo geladeiras a Cuba (e tudo o mais ao resto do mundo) porque, na prática, abandonou o Comunismo, pelo menos em sua economia.

É isso…

Em Salto, 23 de Setembro de 2007

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Folha de S. Paulo

22 de setembro de 2007

Discurso de Raúl Castro lança debate sobre o futuro de Cuba Discussões são de franqueza incomum na ilha, mas Fidel ainda faz sombra

MARC FRANK

DA REUTERS, EM HAVANA

Nos locais de trabalho e nos bairros de todas as cidades de Cuba, as pessoas se queixam da situação de seu país, em um debate nacional sobre reforma econômica iniciado pelo presidente interino Raúl Castro. Depois de anos de crise econômica, os cubanos estão sendo convidados a propor soluções, por meio de discussões coletivas, depois que Raúl reconheceu, em discurso de 26 de julho, que os salários são baixos demais e a agricultura precisa de reformas estruturais a fim de alimentar o país.

"As pessoas estão se expressando como nunca, sobre todos os problemas que existem em suas vidas", disse um membro do Partido Comunista que compareceu a um dos debates. "Raúl elevou as expectativas de todos, de modo que é melhor que ele tenha algumas soluções a oferecer."

As queixas mais comuns variam dos baixos salários (em média de US$ 15) e serviços ineficientes às restrições ao abate de animais de rebanho, compras de livros e reservas de quartos em hotéis restritos aos turistas. "Quando a reunião começou, ninguém queria se pronunciar, mas fomos instruídos a falar com franqueza sobre as questões que Raúl havia levantado e tudo que nos afeta", disse Lariza, que vende café aos colegas de escritório a fim de suplementar seu salário. Desde que assumiu "temporariamente" o comando do governo cubano e do Partido Comunista, com a doença de seu irmão Fidel Castro, 81, um ano atrás, Raúl Castro vem apelando repetidamente por mais debate e críticas construtivas ao regime. Ele também exigiu estudos de especialistas sobre propostas de reforma para elevar a produtividade numa economia que é hoje 90% estatal.

Mas ainda não está claro até que ponto ele planeja levar as reformas. "O debate entre as bases não é novidade em Cuba.

Aconteceu coisa semelhante, sob a liderança de Fidel, no final dos anos 80 e de novo na metade dos 90", disse Rafael Hernández, editor da revista "Temas", que há uma década vem encorajando a discussão, ainda que limitada, de questões controversas.

"O que é novidade é que Fidel está menos ativo e os outros precisam construir um novo consenso porque o povo deixou de responder às políticas atuais", disse Hernández.

Fidel Castro escreve artigos regularmente para a mídia estatal cubana e os funcionários do governo dizem que ele é consultado sobre as questões importantes, mas, desde o ano passado, só é visto em imagens gravadas.

Em sua ausência, cresce a pressão pela mudança. John Kirk, historiador canadense especializado em assuntos cubanos, diz que Cuba agora está em melhor situação para considerar reformas econômicas porque suas finanças se recuperaram devido à estreita aliança com a Venezuela, rica em petróleo, a créditos comerciais generosos da China e a preços mais elevados para suas exportações de níquel.

"O governo cubano está tentado descobrir abordagens inovadoras para um dilema incomum. A situação econômica continua a melhorar, mas as desigualdades e outros problemas persistem, em uma longa crise iniciada com a dissolução da União Soviética", disse Kirk.

[Tradução de PAULO MIGLIACCI]

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Cubanos trocam velhas geladeiras russas e americanas por modelo chinês

FOTO: Alejandro Ernesto/EFE – Geladeiras antigas substituídas por modelos chineses novos, em um caminhão em Havana

DA REDAÇÃO

Centenas de geladeiras têm sido arrastadas para fora das casas de Havana, em um desfile de relíquias refrigeradoras. Muitas delas são da época do ditador Fulgêncio Batista e estão condenadas a serem substituídas por aparelhos chineses, modernos e econômicos, que o governo vende à população.

"É como se fosse da família", disse à agência Efe Yolanda, 71, prestes a se desfazer de uma Westinghouse que a acompanha desde 1950. Como ela, milhares de moradores de Havana aguardam os caminhões com trabalhadores que lhes perguntam se querem trocar seu velho "frío" por um novo. O plano de substituição faz parte da denominada "revolução energética", iniciada em Cuba em 2005 para melhorar o sistema de distribuição de energia e diminuir o consumo de e
letricidade.

Nesse último ponto, um dos elementos principais é a eliminação dos "devoradores de energia", como o ditador Fidel Castro descreveu os aparelhos, de origem russa ou americana -alguns fabricados antes da revolução de 1959- que ainda funcionam no país.

Os aparelhos chineses custam aos cubanos o equivalente a US$ 270, preço que, apesar de subsidiado, em um país onde a renda é em torno de US$ 15, cria um obstáculo que o governo tenta solucionar com créditos a juros baixos em função do salário do comprador.

[Com a agência Efe]

A hora vem e agora é

Hoje é dia de verificar se a maioria do Senado Federal tem pelo menos um pouco de vergonha na cara. Sei que dentre os que vão votar pela cassação de Renan boa parte o fará por motivos pragmáticos, interesseiros, não por princípios. Mas mesmo assim, será uma satisfação à nação.

Enquanto isso, a Hora do Povo, publicação de esquerda (que acabo de ver numa banca que fica na frente da sede do jornal, na Rua Machado de Assis, aqui na Vila Mariana, onde estou), afirma, em manchetes garrafais: "Golpistas no conteúdo e na forma: Na falta das provas contra Renan, mídia assedia a oposição para atropelar regimento" (vide http://www.horadopovo.com.br/, data de hoje, 12/9/2007).

Não me causa admiração que a esquerda continue a dizer essas barbaridades. Faltam provas contra Renan??? A mídia está aliciando a oposição??? A gente está acostumado a ouvir esse besteirol que a esquerda diz. O que me causa admiração é que haja quem esteja disposto a pagar para ler esse besteirol — ainda que o preço seja barato: 80 centavos.

Em São Paulo, 12 de Setembro de 2007

Desemprego, Informática, Sorte e Azar

[O artiguinho abaixo foi escrito em 1995 (há cerca de doze anos, portanto, quando foi publicado aqui, em 2007) e foi publicado na época em vários jornais do interior paulista. Na ocasião eu era presidente de uma rede de franquias de escolas de informática. (O seu conteúdo, especialmente no final, deixa evidente o objetivo marketeiro do artigo…). Resolvi compartilhá-lo aqui porque seu conteúdo é parcialmente relevante para o site VMC que eu criei: visão, motivação e competência. (Esse site não existe mais. EC, 2020.)]

o O o

O sucesso dos outros, geralmente o atribuímos à sorte (o nosso próprio, em regra o vemos como produto de esforço, competência e conhecimento); pelo infortúnio próprio, geralmente culpamos o azar (comumente atribuindo a seus erros e falhas o fracasso dos outros)…

É inegável que sorte e/ou azar têm um papel importante em nossos sucessos e fracassos. No entanto, na maior parte das vezes, a sorte e o azar têm pouco que ver com, respectivamente, o sucesso dos outros e os fracassos  que nos vitimam. Vou procurar esclarecer esse assunto discutindo uma questão preocupante no momento atual no Brasil: o desemprego e o papel que a informática está desempenhando no processo.

Desemprego Conjuntural e Estrutural

Os economistas distinguem dois tipos de desemprego.

O desemprego conjuntural depende da conjuntura, isto é, da situação do momento. Ele é visto como decorrente de algo anormal que acontece num determinado momento (uma grande seca, chuva demais, recessão econômica, epidemias, etc.). Acredita-se que, passada a anormalidade, o nível de emprego também voltará ao normal.

O desemprego estrutural acontece em função de mudanças definitivas na própria estrutura da sociedade. A automação dos processos produtivos na indústria e nos serviços é uma mudança definitiva na forma de produzir bens e prestar serviços das sociedades modernas. Por isso, o desemprego que está sendo causado por essa automação está aqui para ficar. A única solução para quem ficou desempregado em função de mudanças estruturais na sociedade é se (re)qualificar ou (re)capacitar.

A Informática e a Automação Industrial

Até o início deste século, a maior parte das pessoas trabalhava na agricultura. Depois, a agricultura foi se automatizando e hoje, nos países desenvolvidos, apenas cerca de 2% das pessoas economicamente ativas trabalha na agricultura. Algo semelhante está acontecendo hoje na indústria. A força motriz da automação industrial, que no passado já foi mecânica e elétrica, é hoje eletrônica – mais precisamente, eletrônico-digital: o computador e seus periféricos e derivados. Analistas estimam que por volta do ano 2015 o percentual da força de trabalho dos Estados Unidos que estará atuando no setor industrial estará próximo dos 2% que hoje atuam no setor agrícola.

Essa enorme redução da força de trabalho na indústria não significa que os países em que isso está acontecendo deixarão de ser potências industriais. Os Estados Unidos, por exemplo, continuarão sendo uma potência industrial da mesma forma que continuaram sendo uma potência agrícola. O que diminuirá é o número de pessoas, em termos absolutos e relativos, que será necessário para gerar a produção. Isso significa que haverá sério desemprego estrutural no setor industrial americano nos próximos anos – como, de resto, vem acontecendo nos últimos trinta anos. E o que acontece lá, geralmente acontece aqui, logo depois.

No total, provavelmente aumentará a oferta de trabalho: os 95% da força de trabalho americana que não estarão nem na agricultura nem na indústria por volta do ano 2015 estarão trabalhando no setor de serviços: lidando com pessoas e com informações. (E aqui o computador é ainda mais importante do que na indústria!)

Pior cego, diz o ditado, é o que não quer ver. Em pleno limiar do século XXI, há pessoas que não vêem que o computador está roubando seu emprego e, por isso, não pensam em aprender a usar o computador. A única solução para quem está ficando desempregado em função de mudanças estruturais na sociedade está em mudanças no plano pessoal: (re)qualificar-se ou (re)capacitar-se. E a (re)qualificação ou (re)capacitação passa, hoje, necessariamente, pela informática. Se você trabalha com algum processo que vai ser automatizado através da informática, você tem três alternativas:

  • Ou você reaprende a realizar o processo usando o computador;
  • Ou você vai fazer alguma outra coisa (mas quase tudo hoje envolve o computador);
  • Ou, então, você vai ficar desempregado.

Não há outra alternativa. O bancário de hoje, por exemplo, ou ele aprende a lidar eficaz e eficientemente com o computador, ou muda de ramo (vai ser balconista ou atendente?), ou vai fatalmente ficar desempregado. Se não fizer nada, quando o desemprego chegar, vai dizer: “Que azar!”. E vai olhar para os que trabalham bem com o computador, e estão bem empregados, e dizer: “Caras de sorte, estes!”

Sorte e Azar

As oportunidades e os maus momentos passam diante de todos nós de forma basicamente igualitária. O que torna uns bem sucedidos e outros fracassados é o que eles fazem das oportunidades e dos maus momentos que passam diante deles: é a reação deles ao ambiente que os circunda e envolve.

Os bem sucedidos geralmente aproveitam as oportunidades, através de escolhas bem feitas e decisões bem tomadas e, porque estão sempre esperando por elas, ou, melhor, porque estão sempre procurando por elas e preparados para fazer uso delas quando as encontrarem, e não se deixam abalar pelos eventuais maus momentos. “Levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima”, ficando prontos para outra.

Os que fracassam geralmente não aproveitam as oportunidades, porque não as procuram, porque não estão esperando por elas quando elas de repente aparecem, e porque, se trombarem com elas, não estão preparados para delas fazer bom uso.

“Esperar”, disse Geraldo Vandré, “não é saber”. Em palavras inspiradas, ele sentenciou: “Quem sabe, faz a hora, não espera acontecer”. Muitos, hoje, estão lendo e ouvindo notícias de desemprego, e esperando. Esperando o quê? A hora de chegar o azar.

Quem sabe, entretanto, não espera acontecer: toma a iniciativa e proativamente vai e faz. Mesmo uma grande jornada começa com um primeiro passo. O primeiro passo do “ir e fazer”, no momento, é aprender a usar o computador. Poucas coisas são tão certas quanto a predição de que, mais cedo ou mais tarde, você terá de usar um computador em seu trabalho – ou ficar desempregado (se for empregado), ou ficar sem a empresa (se for empresário). 

Portanto, vá e faça um bom curso de informática: você estará investindo no seu futuro e se preparando para ir atrás de sua sorte e agarrá-la pelos cabelos, quando a encontrar.

Como é evidente, do último parágrafo, este artigo não nega a existência e a importância do acaso, a saber, da sorte e do azar. Ele ressalta a importância de não só esperar, mas procurar a sorte. E a importância de estar preparado para o azar, quando ele aparecer.

Escrito em 1995, em Campinas; transcrito aqui no blog Liberal Space em Washington, 7 de Setembro de 2007 (esperando o avião para São Paulo); revisado minimamente em Salto, em 23 de Dezembro de 2020, quando o publiquei também no meu blog Chaves Space.

China: comunismo, capitalismo, liberdade

Saio daqui a pouco aqui de Taiwan, a caminho de Tokyo. Mas não posso deixar de regsitrar mais uma coisa.

Economicamente, a China está abandonando o comunismo e se tornando capitalista. Política e culturalmente, porém, vai demorar bem mais.

Um dia desses li no jornal aqui de Taipei que um casal, na China, estava andando num parque quando, num impulso típico de namorados, um se virou para o outro e se abraçaram. A polícia imediatamente chegou, separou-os e os prendeu. Só um grande movimento de pressão pela Internet levou a polícia a liberá-los, sem acusá-los de crime — algum crime inventado pela burocracia que pode ser uma tão terrível ditadura quanto a pior das ditaduras mais típicas.

Agora há pouco está assistindo à CNN Asia. Mostraram o que, na China, se chama de Web Police. Se o usuário da Internet tenta navegar por sites proibidos, aparece uma tela com os iconozinhos de dois policiais: um homem e uma mulher. É uma indicação de que aquele site é "inapropriado". O conteúdo não é necessariamente pornográfico — embora possa ser. No mais das vezes é político.

Conversava ontem com uma amiga minha aqui de Taiwan sobre a situação econômica e política do país. Ela disse que, economicamente, Taiwan está sofrendo com a concorrência da China, que tem levado muitas indústrias para lá, em busca de salários mais baixos. Com isso, aumenta o desemprego aqui. Perguntei a ela se esse fato poderia contribuir para uma vitória política, nas próximas eleições, dos grupos favoráveis à reunificação com a China Continental. Muito difícil, disse ela. Por mais difícil que esteja a situação econômica, o povo, uma vez que sinta o gosto da liberdade, não quer perdê-la.

Amén.

Em Taiwan, despedindo-me, 2 de Setembro de 2007

O reconhecimento da independência de Taiwan

O atual presidente de Taiwan (Republic of China – ROC) é Chen Shui-bian, do DPP (Democratic Progressive Party). Sua plataforma eleitoral (ele tomou posse pela primeira vez em 2001), pelo que consta, era (pelo menos de forma velada e mais ou menos ambígua) favorável à declaração formal da independência de Taiwan — algo que preocupava os Estados Unidos, que têm sido a força política e militar garantidora da paz nas relações entre China e Taiwan.

De 1949 até 1971 Taiwan era país-membro pleno das Nações Unidas, com o nome de Republic of China), tendo sido até mesmo membro do Conselho de Segurança. Durante esse período, a China Comunista (que, a partir da tomada do poder pelos comunistas, passou a se chamar People’s Republic of China — PRC) não era país-membro das Nações Unidas. 

Em 1949, quando da vitória dos comunistas, liderados por Mao Tse-Tung, na guerra revolucionária chinesa, o governo da situação da China, chefiado pelo Generalissimo Chiang Kai-Shek, líder do partido chamado de Kuomitang (KMT), fugiu, com seus aliados, para Taiwan (então conhecida como Ilha de Formosa), criando ali o que seria um governo chinês em exílio, com a promessa de que oportunamente reconquistaria o restante do território chinês.

Os Estados Unidos e a maoria dos demais países não-comunistas reconheceram o governo de Chiang Kai-Shek como o legítimo governo da China — não reconhecendo o governo de Mao Tse-Tung como legítimo.

É curioso registrar que, ao reconhecer Taiwan e não a China Continental como o país que legitimamente representava os chineses, os Estados Unidos endossaram o princípio da "one China" que tanto os comunistas como os nacionalistas defendiam. A diferença entre comunistas e nacionalistas é que, apesar de ambos defenderem a tese de que deveria haver uma só China, cada um pretendia ser o legítimo representante do povo chinês.    

Durante o governo do presidente Richard Nixon nos Estados Unidos (1969-74), quando Henry Kissinger era o seu Secretário de Estado (Chanceler, ou Ministro das Relações Exteriores), houve uma política de abertura dos Estados Unidos para com a China Continental. Kissinger foi à China várias vezes e o próprio Nixon fez uma visita histórica ao país asiático.

A partir desse momento, os Estados Unidos mudaram de posição e passaram a defender a tese das "Duas Chinas". Segundo essa tese, haveria dois países, a Republic of China (Taiwan) e People’s Repulbic of China (China Continental, comunista), que representavam o povo chinês, e, assim, passaram a defender a tese (não idêntica) de que a China Continental, comunista, também deveria fazer parte das Nações Unidas.

Os comunistas, porém, defendendo a tese da "Uma China", argumentavam que só passariam a fazer parte das Nações Unidas se a organização excluísse Taiwan do rol de seus membros, pois Taiwan não seria mais do que uma província rebelde sua. Em 1971 os Estados Unidos e as Nações Unidas capitularam e aceitaram a China como membro da organização, excluindo Taiwan. Aqui entre nós, uma vergonha.   

Como contrapartida, os Estados Unidos exigiram da China comunista que esta respeitasse a integridade de Taiwan, não invadindo a ilha nem a atacando militarmente.

Na realidade, como país autônomo, os Estados Unidos ainda continuaram a manter relações diplomáticas com Taiwan até 1979, quando cederam até mesmo nisso ao, através do "Taiwan Relations Act", fechar a sua Embaixada em Taiwan e proibir Taiwan de manter uma Embaixada nos Estados Unidos, atribuindo as responsabilidades de sua Embaixada em Taipei a uma organização não-governamental, o American Institute em Taiwan, e aceitando que as responsabilidades da Embaixada de Taiwan em Washington passassem a ser exercidas por um Escritório Econômico e Cultural. Os Estados Unidos continuaram a dar apoio comercial, financeiro e militar a Taiwan.

Com essa decisão, os Estados Unidos voltaram, de certo modo, a defender a tese da "Uma China", só que, agora, reconhecendo que o governo comunista de Beijing era o representante legítimo do país. No entanto, fez isso com certa ambigüidade, pois continuou a exigir que, na prática, a China Continental respeitasse a integridade de Taiwan (mesmo que Taiwan não fosse mais um país-membro das Nações Unidas).  

Assim, sem o apoio político dos Estados Unidos, Taiwan perdeu sua participação nas Nações Unidas e até mesmo a sua Embaixada em Washington — e a China passou a fazer parte do órgão e a manter uma Embaixada em Washington, sob os protestos de Taiwan, que não se conformou com a situação, mas teve de se resignar, por falta de força política (ou, melhor dizendo, por ter menor força política e poder de pressão do que a China).

Taiwan tem, porém, desde então, reivindicado seu lugar de volta nas Nações Unidas, questionando (na minha opinião corretamente) que seja apenas uma província da China. Taiwan abriu mão, porém, de defender a tese da "Uma China", acatando, na prática, a realidade de que a China Continental dificilmente será "reconquistada" por Taiwan. Na prática, agora, depois de os Estados Unidos haverem abandonado a tese, Taiwan defende a tese das "Duas Chinas"…

Como dito atrás, a política americana em relação a Taiwan tem sido extremamente ambígua. Os Estados Unidos não querem reconhecer que Taiwan seja apenas uma província da China — e, nisso, agradam a Taiwan e desagradam à China. Ao apoiar Taiwan até mesmo militarmente, vendendo-lhe armas, os Estados Unidos também agradam a Taiwan e desagradam à China. 

Por outro lado, o preço desse apoio é exigir de Taiwan que não perturbe o estável equilíbrio político da região, reivindicando, por exemplo, o reconhecimento (pelas Nações Unidas e pelos próprios Estados Unidos) de sua independência e autonomia política — isto é, de sua soberania como país e nação.

Como disse atrás, o atual presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, tinha, quando candidato, uma plataforma que parecia ser favorável ao reconhecimento da independência de Taiwan, algo que era extremamente preocupante para os Estados Unidos.

Assim, provavelmente sob pressão dos Estados Unidos, Chen Shui-bian, em seu primeiro discurso de posse, em 20 de Maio de 2000, fez uma promessa, que passou a ser conhecida como "Os Quatro Nãos" ("The Four Noes"). Essa promessa era de que Taiwan se comprometia com as seguintes quatro diretrizes negativas (donde os Quatro Nãos), DESDE QUE a China não demonstrasse intenção de usar força militar contra o país. São essas as diretrizes: 

* Não declarar a independência de Taiwan

* Não alterar o nome do país de "The Republic of China" para "The Republic of Taiwan"

* Não incluir na Constituição de Taiwan a doutrina de que Taiwan é livre para manter relações diplomáticas com outros países

* Não promover referendos acerca da independência ou, alternativamente, acerca da reunificação com a China.

O presidente taiwanês fez uma promessa adicional, chamada, esquisitamente, de "O Um Sem" ("The One Without" — o nome inteiro das promessas sendo "The Four Noes and the One Without"). Segundo essa promessa, o presidente se comprometia a n
o abolir um conselho que havia em Taiwan chamado de Conselho Nacional de Unificação, nem as diretrizes aprovadas para esse conselho, chamdas de Diretrizes Nacionais de Unificação. O que se chama de Unificação aí seria a reunificação de Taiwan com a  China.

Bom, tendo prometido isso, o presidente taiwanês, sem formalmente abolir o Conselho, nunca convocou uma reunião dele. Formalmente, estava cumprindo a promessa. Na prática, é uma questão discutível.

Depois de assumir seu segundo mandato, Chen Shui-bian, provavelmente se sentindo fortalecido pela re-eleição, eliminou, em 27 de Fevereiro de 2006, o orçamento (já magro) do referido Conselho — colocando a pá de cal final nele. Houve protestos da China e dos Estados Unidos, naturalmente.

Chen Shui-bian se defendeu de forma ambígua, como sempre.

De um lado, insistiu que o Conselho não havia sido formalmente extinto. Deixar um órgão sem verba orçamentária não é, stricto sensu, extingui-lo formalmente. Como o Conselho não vinha se reunindo, não precisava de verba. (Mais recentemente o presidente admitiu que o corte das verbas equivale, na prática, a uma extinção).

De outro lado, o presidente não hesitou em lembrar os Estados Unidos de que a China vinha procurando, de várias maneiras, amedrontar Taiwan — militarmente ou não. Eis algumas medidas tomadas pelo governo da China Continental que Taiwan considerou como amedrontadoras: 

* Aprovou, em 2005, legislação que proíbe a secessão de suas províncias;

* Dispôs mísseis que apontam para Taiwan ao lado do Estreito de Taiwan;

* Realizou exercícios militares agressivamente ostensivos no Estreito de Taiwan.

Com a lembrança desses fatos (de resto, inegáveis) o presidente parecia estar afirmando que Taiwan não tinha mais a obrigação de cumprir "Os Quatro Nãos e o Um Sem"…

Os Estados Unidos, por seu lado, que já estavam preocupados com o fato de que Chen Shui-bian não repetiu a promessa em seu segundo discurso de posse, em 2004, começaram a demonstrar certa irritação com a "desorçamentação" do Conselho e insistiram que "apreciam muito o compromisso de Chen e o tomam muito seriamente" (sugerindo assim que, apesar de não ter sido repetida, a promessa do presidente continuava válida…).

Durma-se com um barulho desses.

Chen Shui-bian tem se mostrado um mestre da ambigüidade. Ele agora vem anunciando que fará um referendo nacional, não sobre a independência de Taiwan ou sua reunificação com a China, pois nesse caso estaria afrontando os Quatro Nãos, mas sobre a reinserção de Taiwan nas Nações Unidas.

A China tem protestado e os Estados Unidos (compreensível, embora não, em minha opinião, justificadamente), mais ainda. Vide o artigo sobre a questão em The China Post, jornal taiwanês, que transcrevo adiante. A última coisa que os Estados Unidos querem, no momento, é que a China invada Taiwan militarmente e os Estados Unidos sejam obrigados a intervir militarmente no conflito.

Embora, como disse, considere a posição dos Estados Unidos compreensível, dada uma história que não é possível mudar, dado o que me parece ter sido o erro político de 1971, acho-a indefensável sob qualquer outro aspecto que não o puramente pragmático.

Taiwan (como bem assinala Matt Rosenberg em artigo que também transcrevo abaixo) é um país de facto independente — e, é preciso acrescentar, democrático. Não depende da China em nenhum aspecto (sendo, na verdade, uma pequena potência econômica), tem sua Constituição, elege seu presidente e seus demais dirigentes, a mantém plenas relações diplomáticas com vários países, para crédito deles (apesar de serem todos eles pequenos e sem grande poder político ou de pressão nas Nações Unidas).

Como já disse, o Brasil, que tem tentando, sob o governo Lulla, demonstrar independência em relação aos Estados Unidos em sua política externa, vergonhosamente segue os Estados Unidos fielmente neste caso: não reconhece a independência e a autonomia de Taiwan, embora, como os Estados Unidos, acolham um Escritório Econômico Cultural do país, que faz as vezes de sua embaixada, em que fica na Av. Paulista, em São Paulo — onde eu obtenho meus vistos quando venho para cá. 

Está na hora de o Brasil rever essa política, mesmo que os Estados Unidos não o façam. Independente, Taiwan já é. Na prática, o Brasil já reconhece essa independência (como o fazem os Estados Unidos). Basta só ter coragem de reconhecer essa independência formal e publicamente.

Há um site de apoio à reinserção de Taiwan nas Nações Unidas no qual pode apoiar essa legítima pretensão:

http://www.gopetition.com/online/6889.html

Em Taiwan, 30 de Agosto de 2007

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APÊNDICES

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http://www.infoplease.com/spot/taiwantime1.html

Site: Infoplease

Taiwan Timeline

1988

Jan. 13

President Chaing Ching-kuo, the eldest son of Chiang kai-shek and former defense minister and premier, dies and is succeeded by Lee Teng-hui, the country’s first native-born president.

1991

Dec.

The ruling Kouomintang regime wins 71% of the vote in national elections and defeats the Democratic Progressive Party, which advocated Taiwan’s independence, in the battle for seats in Taiwan’s National Assembly.

1995

June 7–11

Taiwan president Lee Ten-hui visits the United States as an alumnus of Cornell University.

1996

March

China launches what it calls "military exercises" in the ocean near Taiwan on the eve of the country’s first free presidential elections. Taiwan and the U.S. consider the exercises an act of intimidation by China and the U.S. responds by sending a fleet of naval reinforcements to the area in what would be the biggest U.S. envoy in Asia since the Vietnam War. Incumbent President Lee wins the election, garnering 54% of the vote.

1997

July 1

Hong Kong, a former British colony, is reverted to Chinese rule.

1998

June–July

U.S. President Bill Clinton visits mainland China. At a seminar to discuss China’s future Clinton embraces the "three no’s" policy: no "two Chinas", no independence for Taiwan, and no membership for Taiwan in international organizations that require statehood for membership.

1999

July

Taiwan President Lee says in a German radio interview that China and Taiwan should deal with each other on a "state-to-state" basis, implying that Taiwan is moving towards a formal declaration of independence. Chinese officials responds to Lee’s statement a day later, saying that it was "a monumental disaster."

Dec. 20

Macau, a former Portuguese territory on the Chinese coast is reverted to Chinese rule.

2000

Feb. 2

China protests the passage of the Taiwan Security Enhancement Act in the U.S. House of Representatives. The bill (approved 341 to 70) seeks more direct military communications between American and Taiwanese forces, expanded American training of Taiwan’s officers and an annual report on Taiwan’s security. Clinton Administration officials voice their disapproval of the bill as well, calling it dangerous to the security of the Taiwan Strait.

Feb. 21

China issues a White Paper warning more explicitly than before that Taiwan’s further heel dragging on reunification—let alone any declaration of independence–could force China to take "drastic measures."

Mar. 18

Taiwan holds its second free presidential elections in history. Voters elect pro-independence candidate Chen Shui-bian of the Democratic Progressive Party, ending more than 50 years of Nationalist rule of Taiwan. China states in response that it will be keeping a close eye on Chen and reiterates that "Taiwan independence, in whatever form will never be allowed.”

June 20

During his first news conference since being innaugurated on May 20, Taiwan President Chen Shui-bian invites Chinese President Jiang Zemin to join hands at a summit for peace. Chen says he was inspired by the historic agreement signed by North and South Korea on June 15 to work towards reunification. Chinese officals respond coldly to the invitation, re-iterating the country’s long-standing policy that Taiwan accept the "one China" principle before any talks can begin.

2001

April 24

President George W. Bush approves the largest package of arms sales to Taiwan in nearly a decade. China responds with a formal protest. White House officials stress that the sale is in response to recent Chinese military buildup in the area, and that it has nothing to do with a recent standoff over the detained crew of a U.S. Navy surveillance plane that collided with a Chinese fighter jet (Apr. 1). China’s ambassador warns that U.S.-China relations are "at a crossroads."

Oct. 20—21

China chooses not to invite Taiwan to the Asia-Pacific Economic Cooperation (APEC) meeting in Shanghai. A press conference before the event becomes a bickering match when a Chinese official prevents Taiwan’s representative from speaking.

Nov. 7

Taiwan eases restrictions for business that wish to invest in companies on mainland China. Although many businesses had already found loopholes in these 50-year-old policies, economists hope that the rollback will boost Taiwan’s slumping economy and speed up the integration of the economies of Taiwan and China, which are expected to join the World Trade Organization later this month.

Nov. 11

Representatives of the World Trade Organization make Taiwan an official member at a meeting in Doha, Qatar, one day after China is unanimously admitted.

Dec. 1

Parliamentary elections are held in Taiwan. The Democratic Progressive Party (DPP) wins enough seats to replace the Kuomintang (KMT) as the largest party in Taiwan’s legislature. KMT nationalists had controlled the legislature since it fled from mainland China to the island in 1949.

2003

Nov. 27

Taiwan’s parliament approves a bill allowing for national referendums.

Dec. 6

President Shui-bian announces plans for a March 20 referendum that would call on China to remove hundreds of missiles pointed at Taiwan and renounce intentions to use force against the island.

Dec. 8

China, alarmed that the referendum was a veiled call for Taiwan’s independence, condemns it as dangerously provocative. It reaffirms its "one China" policy, viewing Taiwan as a breakaway province that can never become independent.

Dec. 9

President Bush, anxious to maintain good relations with China, issues a sharp rebuke of Taiwan, urging it to maintain the "status quo" and abandon the referendum. Historically, the U.S. has pledged to defend Taiwan should it be attacked by China, but Washington is now angered by what it saw as Shui-ban’s needlessly provocative stance. One of Bush’s aids comments, the President "isn’t shopping around for another international crisis."

Dec. 10

Shui-bian stands firm, asserting that "referendum is a normal practice in democratic countries and is the basic right of the people which they cannot be deprived of." He insists that "Taiwan people have the right to say loudly that they oppose missiles and are for democracy."

Dec. 16

Taiwan’s national legislature approved two resolutions of varying severity, one calling on China not to deploy any more missiles aimed at Taiwan and the gradual removal of its existing missiles, the other demanding the immediate removal of the missiles.

2004

Jan. 16

Taiwan yields somewhat to U.S. pressure and tones down the scehduled referendum. Instead of demanding removal of the Chinese missiles aimed at Taiwan, voters will be asked whether Taiwan should arm itself with additional defensive weapons against China if China does not withdraw its missiles. The second referendum will ask whether Taiwan should have open negotiations with China. China, which considers any type of referendum concerning Taiwan-China relations threatening, is not reassured by the changes.

March 19

President Chen Sui-bian and Vice President Annette Lu survive an assassination attempt the day before presidential elections and voting on two controversial referenda. The elections pit incumbent Chen, a strong advocate of a more independent relationship with mainland China, against Lien Chan, whose stance is far more conciliatory.

March 29

Chen very narrowly won the election over Lien Chan, who demanded a recount. The referendum failed due to low response—although 80% of eligible voters turned out for the presidential election, only 45% voted in the referendum and 50% were needed.

May 18

Election officials announce the recount has been completed, although almost 40,000 ballots remain in dispute. About 23,000 of the ballots were cast for Chen, while 16,000 went to Lien Chan. Chen will be inaugurated on May 20 as planned, but the High Court must still rule on the disputed votes.

2005

Feb. 1

Frank Hsieh is sworn in as prime minister.

March

Tension between China and Taiwan intensifies, when China passes an anti-secession law that says the country can use force if Taiwan moves toward achieving independence. "The state shall employ non-peaceful means and other necessary measures to protect China’s sovereignty and territorial integrity," the legislation says. Taiwan president Chen Shui-bian calls the bill a "law of aggression."

April

Lien Chan, who heads the opposition Nationalist Party, traveled to China and met with President Hu Jintao. It was the first meeting between Nationalist and Communist Party leaders since 1949, when the defeated Nationalists retreated to Taiwan.

2006

Feb.

President Chen tested China in February 2006, when he announced that he was rescinding the National Unification Council, a group that was established in 1990 to deal with reunification issues with China. He stopped short of abolishing the council, saying, "Taiwan has no intention of changing the status quo."

June

Taiwan’s legislature initiated proceedings to oust President Chen because of allegations of corruption involving his family and senior administration officials, but the motion failed later that month.

2007

May

Prime Minister Su Tseng-chang resigns. President Chen Shui-bian appoints Chang Chun-hsiung as his successor.

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http://www.chinapost.com.tw/news/2007/08/29/120284/Push-for.htm

The China Post
29 August 2007

Push for United Nations entry’a mistake’: Negroponte

Wednesday, August 29, 2007 – The China Post staff and agencies

U.S. Deputy Secretary of State John Negroponte expressed the American opposition to President Chen Shui-bian’s push for holding a referendum on Taiwan’s U.N. membership bid under the name of Taiwan, calling the move "a mistake" that could affect regional stability and escalate tensions.

"We oppose the notion of that kind of a referendum because we see that as a step towards…a declaration of independence of Taiwan, towards an alteration of the status quo,"

Negroponte said Monday in an interview with the Hong Kong-based Phoenix TV.

The remarks were the harshest from a senior U.S. official since Chen expressed the wish early this year to hold an islandwide referendum on the government bid to rejoin the United Nations.

Over the weekend, Chen defiantly rejected again any U.S. intervention in the referendum move during a trip to Central America.

Washington has repeatedly warned Taiwan against making unilateral moves to change the fragile status quo in the Taiwan Strait, fearing a clash or a full-fledged war with China could soon involve the U.S.

"So when we talk about the situation in regard to Taiwan, we talk about Taiwan in the context of a great friendship. But when it comes to this issue of a referendum as to whether or not Taiwan join the United Nations in the name of Taiwan, we do have great concerns," Negroponte said.

"We consider (the Taiwan referendum) to be a mistake," Negroponte said. "This is a time for the authorities in Taiwan to behave in a responsible manner…not disturbing the situation across the Taiwan Strait."

In the interview with Phoenix Star TV, Negroponte was also asked whether the U.S. will downgrade its economic or military cooperation with Taiwan if Taiwan continues to push for the referendum.

"I wouldn’t want to get into that kind of a hypothetical discussion at this particular time. But what I would like to emphasize is that we believe it’s important to avoid any kind of provocative steps on the part of Taiwan," Negroponte replied.

Chen’s ruling Democratic Progressive Party (DPP) plans to hold a mass rally in southern Kaohsiung City on Sept. 15 to motivate the public to support the U.N. referendum as well as the party’s candidates in the upcoming legislative and presidential races.

To counter the DPP tactic to utilize the U.N. referendum issue in the forthcoming crucial elections, the opposition Kuomintang (KMT) is seeking a counterpart referendum to let people express their wishes without insisting on rejoining the U.N. under the name of Taiwan.

The KMT is also organizing a separate rally, also on Sept. 15, in Taichung City of central Taiwan to help defuse the push for "Taiwan independence" in DPP rallies.

Chen did not give an immediate response to Negroponte’s comments and advice.

But Minister of Foreign Affairs James Huang voiced regret about what he called the U.S.’s misinterpreting Chen’s referendum plan to join the U.N. in the name of Taiwan as a step promoting Taiwan independence or changing the status quo across the Taiwan Strait.

Huang made the remarks in Managua City, capital of Nicaragua, where he is accompanying President Chen on a state visit to the Central American country.

The foreign minister said he could not figure out why Negroponte made such remarks.

Holding a referendum is a purely domestic affair, a core value of democracy and the most democratic and peaceful way for the public to express its opinion, he said.

"Both Taiwan’s ruling and opposition camps are in favor of holding a referendum on Taiwan’s U.N. cause," he said.

Stressing that holding such a referendum is only meant to allow the public to directly express its desire for the country to participate in the U.N., Huang said the move will neither break the "four noes" pledges made by Chen in his 2000 and 2004 inauguration speeches nor contribute to a change in the cross-strait status quo.

"We regr
et the U.S. misinterpretation of our referendum plan," Huang added.

Ministry of Foreign Affairs (MOFA) spokesman Wang Chien-yeh said in Taipei that the U.N. referendum has nothing to do with changing the country’s official title or changing the status quo across the Taiwan Strait.

"Taiwan’s U.N. bid referendum plan is not a provocative move and does not target any particular side," Wang said, arguing that "it is only a method to allow the people to directly vote on the country’s participation in the U.N."

Stating that the government understands why the U.S. is concerned about Taiwan’s plan to hold a referendum on its U.N. bid, Wang expressed the hope that the U.S. could better understand the situation in Taiwan.

He said that MOFA will continue seeking to exchange views and step up communication with the United States on the referendum issue.

DPP lawmakers brushed aside U.S. opposition to the referendum, saying the U.S. is not qualified to be a world leader if it takes the same stand with China to oppose the referendum to join the U.N. in the name of Taiwan.

It is extremely important to demonstrate the will of the people, they said.

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http://en.wikipedia.org/wiki/Four_Noes_and_One_Without

The Wikipedia (English)

Four Noes and One Without

The Four Noes and One Without, also known as the Four Noes is a pledge by President of the Republic of China Chen Shui-bian made in his inauguration speech on 20 May 2000 concerning the political status of Taiwan. It has been an important part of cross-straits relations.

Provided that the People’s Republic of China has no intention to use military force against Taiwan, Chen’s administration promises not to do the following things (the "Four Noes"):

* declare Taiwanese independence,

* change the national title from "the Republic of China" to "the Republic of Taiwan",
* include the doctrine of special state-to-state relations in the Constitution of the Republic of China, or

* promote a referendum on unification or independence.

In addition, the "One Without" was that Chen pledged not to abolish the National Unification Council or the National Unification Guidelines though during his administration the National Unification Council has not met once. On February 27, 2006, the Council ceased to function in tandem with the elimination of its already meager budget. Chen said that his decision did not change the status quo in the Taiwan Strait, but instead returned sovereignty to the people of Taiwan.

The Four Noes and One Without have become an important part of ROC-U.S. relations. Several times, Chen has had to reassure the United States that the Four Noes and One Without policy has not been abolished and that he is not attempting to circumvent the pledge via some of the loopholes that have been suggested. The phrase that the United States used with regard is that the United States "appreciates Chen’s pledge and takes it very seriously."

Policy revision

On 27 February 2006, Chen dismantled the National Unification Council and Guidelines saying they "will cease functioning and the budget no longer be appropriated", effectively breaking the promises made in 2000 if ‘cease functioning’ is considered to be synonymous with ‘abolishing’.

However, as the People’s Republic of China has threatened to use military force against Taiwan by passing the Anti-Secession Law in March 2005 and continuing the buildup of missiles opposite the Taiwan Strait, the no intent of aggression provision may have long been violated. It is noteworthy that the 2004 referendum called by President Chen Shui-bian held in tandem with the presidential election used the ‘emergent threat’ stipulation in Taiwan’s Referendum Law, thereby implying the provision had already been breached by China’s imminent threat and missile buildup. Nevertheless, this move drew sharp rebuke from the United States, with the State Department insisting that the Taiwanese government clarify that the National Unification Council has not been abolished. However, in a TV interview days later, Chen stated that ‘ceasing to function’ is the same as having been ‘abolished’.

In the week prior, he told U.S. Congressman Rob Simmons (R-CT) that the Council and Guidelines were "absurd products of an absurd era." Chen has revealed he planned to draft a new constitution, which many conjectured would be pro-separatist, before he steps down in 2008.

The Four Noes and One Without policy was officially replaced by Four Wants and One Without policy in 2007, which is essentially the opposite of the original Four Noes and One Without policy.

Criticism

Koo Kwang-ming and other pro-independence leaders openly criticized that Chen, as president, is "not constitutionally authorized" and has "no legal power" to confine Taiwanese political future and freedom with the pledge. In addition, some of Chen’s supporters such as Vice-President Annette Lu have suggested that the pledge may have loopholes such as the definition of military force. Furthermore, while the pledge stated that Chen would not support a referendum, some have suggested that it does not exclude the possibility of a referendum occurring by citizen initiative. The possibility of loopholes has occasionally led to considerable unease in Beijing and in Washington, D.C.

Under strong objection from pro-independence leaders and his supporters, who threatened to walk out the inauguration ceremony immediately once the pledge was recited, Chen did not explicitly repeat this pledge in his 2004 inauguration speech after his re-election though he alluded to the pledge by stating that the assurances he had given in the 2000 inaugural address remained in effect, and he has stated many times that the pledge remains in effect.

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http://geography.about.com/cs/countries/a/numbercountries.htm

The Number of Countries in the World
From Matt Rosenberg,
Your Guide to Geography.
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May 9 2007

By Most Accounts, 194 is the Correct Answer

A very frequent geographical question is "How many countries are in the world?" Different numbers pop up when one inquires or reads about the number of countries in the world. Each source you use often yields a different answer. Ultimately, the best answer is that there are 194 countries in the world.

United Nations.

There are 192 members of the United Nations. Unfortunately, the number 192 is too often used to represent the number of countries in the world. Although this number represents almost all of the countries in the world, there is still one globally recognzed independent country, the Vatican City, that is independent and has chosen not to become a member of the U.N. so 192 is not the number of countries in the world.

U.S. Department of State

The United States’ State Department recognizes 193 independent countries around the world. Their list of 193 countries reflects the political agenda of the United States of America and its allies. Missing from the State Department’s list is one entity that may or may not be considered a country, depending on who you talk to.

The One Outsider

Taiwan meets the requirements of independent country or state status. However, due to political reasons, it fails to be recognized by the international community as independent. Nonetheless, it should be considered as independent.

Taiwan was actually a member of the United Nations (and even the Security Council) until 1971, when mainland China replaced Taiwan in the organization. Taiwan continues to press for full recognition by other countries, to become "part of the club" and fully recognized worldwide but China claims that Taiwan is simply a province of China.

Thus…

Your Guide considers there to be 194 countries in the world, which is probably the best current answer to the question, "How many countries are in the world?"

However…

Recognize that there are dozens of territories and colonies that are sometimes erroneously called "countries" but don’t count at all – they’re governed by other countries. Places commonly confused as being countries include Puerto Rico, Bermuda, Greenland, Palestine, Western Sahara, and even the components of the United Kingdom (such as Northern Ireland, Scotland, Wales, and England – they’re not fully independent countries, states, or nation-states).

"…Não sobra um, meu irmão…"

Todos nós sabemos como começa a frase (parte de um sambinha conhecido) cujo final é o título desta matéria.

Como este blog acompanhou as denúncias, no início das revelações feitas pelo ex-Deputado Roberto Jefferson, não posso deixar de registrar a importância histórica do dia de hoje: 28 de Agosto de 2007. Por coincidência, mais um dia de Agosto que ficará marcado na históriao da política brasileira: o dia em que os quarenta companheiros de Ali Babá foram formalmente transformados em réus.

Só faltou o próprio Ali Babá, como bem observou quem, ainda que por razões espúrias, tenha levantado o tapete que estava escondendo esta sujeira. 

O Supremo deu, com sua decisão, um certo alento ao brasileiro — e jogou um balde de água fria nos que esperavam que todos, ou a maioria, escaparia do processo.

São réus, não foram condenados ainda. Mas esse fato em si já é importante. Vão gastar milhões de reais (deles mesmos?) para se safar da condenação. Mas alguns inevitavelmente serão condenados.

Estão lá: José Dirceu, Luiz Gushiken, João Paulo Cunha, José Genoíno, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, Professor Luizinho, e outros — até há pouco a mais fina flor do PT.

Mas, além dos "quarenta" da quadrilha estarem com processos abertos, são importantes alguns simbolismos. Há uma "Anita Leocádia" na lista… Ninguém perpetraria esse nome à filha se não fosse comunista. E há um que se orgulha de rotular com professor o seu apelido popular de Luizinho. Professor de quê seria ele, alguém sabe?

Transcrevo abaixo matéria do UOL Notícias, apenas colocando os nomes dos réus em ordem alfabética.

De Taiwan, mas atento.

Em Taichung, TW, 28 de Agosto de 2007

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Retirado do UOL – Últimas Notícias – http://noticias.uol.com.br/ultnot/2007/08/28/ult23u530.jhtm

28/08/2007 – 14h40

STF torna todos os 40 acusados do mensalão réus

Da redação

Em São Paulo*

OS RÉUS NO SUPREMO E OS CRIMES DE QUE SÃO ACUSADOS

O STF (Supremo Tribunal Federal) recebeu nesta terça-feira (28), por unanimidade, as denúncias de lavagem de dinheiro e evasão de divisas contra o publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes. Com a decisão, e depois de cinco dias de julgamento, o Supremo tornou réus em ação penal todos os 40 acusados de envolvimento no caso do ‘mensalão’ (suposto esquema de desvio de dinheiro público e de compra de apoio político no Congresso).

O Supremo também recebeu a denúncia de evasão de divisas contra Marcos Valério, Cristiano de Mello Paz, Ramon Hollerbach, Simone Vasconcelos, Geiza Dias, Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane. Rogério Tolentino e Ayanna Tenório não responderão por este crime.

Lavagem e evasão

Duda e Zilmar são acusados de ter usado uma conta aberta no exterior em nome da empresa Dusseldorf exclusivamente para receber recursos das agências de publicidade de Marcos Valério como pagamento de serviços prestados ao PT nas eleições de 2002. No total, Duda teria recebido R$ 15,5 milhões de Marcos Valério, a maior parte (R$ 10,8 milhões) por meio da conta no exterior.

"Existem fortes indícios de que pessoas jurídicas foram usadas por Duda e Zilmar para encobrir atos ilícitos", declarou o ministro do STF Joaquim Barbosa, relator do processo no tribunal, ao ler o voto no qual aceitou a denúncia de evasão de divisas.

Segundo Barbosa, Marcos Valério teria feito 27 repasses de dinheiro ao exterior. Para transferir o dinheiro, disse o relator, as remessas foram feitas por meio de dirigentes do Banco Rural e de doleiros. "O próprio Marcos Valério confirmou esses repasses durante as investigações", disse.

Formação de quadrilha

Por maioria de votos, o STF também recebeu nesta terça a denúncia de formação de quadrilha contra o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Na segunda-feira, o Supremo já havia tornado Dirceu réu do crime de corrupção ativa. O mesmo não aconteceu com a denúncia de peculato, da qual o ex-ministro havia escapado na sexta-feira.

O tribunal também aceitou a denúncia de formação de quadrilha contra o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-presidente do partido José Genoino e o ex-secretário geral do partido Silvio Pereira. Este último tornou-se réu no processo pela primeira vez, tendo antes escapado das denúncias de peculato e corrupção ativa durante o julgamento.

Com exceção de Ricardo Lewandowski, os demais ministros do STF votaram a favor do recebimento da denúncia de formação de quadrilha contra Dirceu. Em relação a Delúbio e a Silvio Pereira, a decisão foi unânime. Os ministros Eros Grau e Ricardo Lewandowski rejeitaram a denúncia contra Genoino, que foi aceita pela maioria dos ministros.

Segundo o relator Barbosa, não restaram dúvidas na denúncia do procurador-geral Antonio Fernando de Souza de que Dirceu foi o "principal articulador da engrenagem do esquema, garantindo-lhe o sucesso". "Ele (Dirceu) tinha o domínio funcional de toda a sistemática de transferência ilegal de recursos a parlamentares", salientou o relator.

Também por formação de quadrilha, o STF decidiu abrir processo nesta terça contra Marcos Valério, Cristiano de Mello Paz, Ramon Hollerbach, Rogério Tolentino, Simone Vasconcelos, Geiza Dias, Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Ayanna Tenório e Vinícius Samarane.

Falsidade ideológica

O tribunal não recebeu a denúncia de falsidade ideológica contra Marcos Valério hoje pela manhã. Segundo o relator, o argumento da procuradoria de que o publicitário deixou formalmente, em 1999, o quadro social da empresa SMP&B e, a partir de então, utilizava sua mulher, Renilda, como testa-de-ferro nas negociações, não se sustenta, uma vez que Marcos Valério continuou atuando na empresa por meio de procuração lícita.

Entre os ministros, Carlos Ayres Britto foi o único a aceitar a denúncia. "A verdade sempre se dá num contexto. E é nisso que sustento que o fato de ter se retirado da empresa representa o crime, e não mera coincidência. A exclusão dele mascara uma realidade", afirmou ao fazer seu voto, que foi vencido pelos demais ministros.

Todos réus

O Supremo tornou todos os 40 acusados no esquema do mensalão réus no inquérito. Na segunda-feira, o STF havia autorizado a abertura de processo contra políticos e membros dos partidos da base aliada do governo Lula — PP, ex-PL, PTB e PMDB.

Na sexta-feira, o STF recebeu denúncia contra o ex-ministro de Comunicação e Gestão Estratégica da Presidência da República Luiz Gushiken, que vai responder a processo por peculato, e também contra o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato.

No mesmo dia
, os ministros aceitaram por unanimidade as denúncias contra o deputado federal Paulo Rocha (PT-PA), sua assessora parlamentar Anita Leocádia, o ex-deputado federal João Magno (PT-MG), o ex-deputado Professor Luizinho (PT-SP), o ex-ministro dos Transportes e atual prefeito de Uberaba (MG) Anderson Adauto e contra seu ex-chefe de gabinete, José Luiz Alves, por lavagem de dinheiro.

"Antes de mais nada, é preciso que os cidadãos desta República tenham direito a um governo honesto, tenham direito a legisladores probos, administradores honestos e a juízes incorruptíveis. O resultado do julgamento vai traduzir essa mensagem: ninguém, ninguém, está acima das leis da República", disse depois da sessão de segunda-feira o ministro Celso de Mello, mais antigo membro do tribunal.

O ministro Marco Aurélio Mello calcula que o STF levará dois anos e meio para julgar a ação penal do mensalão.

Matéria atualizada às 18h45

OS RÉUS NO SUPREMO E OS CRIMES DE QUE SÃO ACUSADOS

Anderson Adauto (ex-ministro dos Transportes) – lavagem de dinheiro e corrupção ativa

Anita Leocádia (assessora parlamentar) – lavagem de dinheiro

Antônio Lamas (ex-tesoureiro do PL) – lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

Ayanna Tenório – (ex-vice-presidente do B. Rural) – gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

Bispo Rodrigues (ex-deputado federal do PL-RJ) – corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Breno Fischberg (empresário) – formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

Carlos Alberto Quaglia (empresário) – formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

Cristiano Paz (publicitário) – corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas

Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) – corrupção ativa e formação de quadrilha

Duda Mendonça (publicitário) – lavagem de dinheiro e evasão de divisas

Emerson Palmieri (ex-tesoureiro do PTB) – corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Enivaldo Quadrado (empresário) – formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

Geiza Dias (ex-auxiliar da diretoria das empresas de Valério) – lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas

Henrique Pizzolato (ex-diretor do BB) – peculato (2x), corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Jacinto Lamas (ex-tesoureiro do PL) – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

João Cláudio Genu (ex-assessor do PP) – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

João Magno (ex-deputado federal PT-MG) – lavagem de dinheiro

João Paulo Cunha (deputado federal pelo PT-SP) – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato

José Borba (ex-deputado federal pelo PMDB-PR) – corrupção passiva

José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil) – corrupção ativa e formação de quadrilha

José Genoino (ex-presidente do PT) – corrupção ativa e formação de quadrilha

José Janene (ex-deputado federal, PP-PR) – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

José Luiz Alves (ex-assessor de Anderson Adauto) – lavagem de dinheiro

José Roberto Salgado (ex-vice-presidente do B. Rural) – gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas

Kátia Rabello (ex-presidente do B. Rural) – gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas

Luiz Gushiken (ex-ministro) – peculato

Marcos Valério (publicitário) – corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas

Paulo Rocha (deputado federal PT-PA) – lavagem de dinheiro

Pedro Corrêa (ex-deputado federal, PP-PE) – corrupção corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

Pedro Henry (deputado federal, PP-MT) – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

Professor Luizinho (ex-deputado federal PT-SP) – lavagem de dinheiro

Ramon Hollerbach (publicitário) – corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas

Roberto Jefferson (ex-deputado federal pelo PTB-RJ) – corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Rogério Tolentino (advogado) – lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

Romeu Queiroz (ex-deputado federal pelo PTB-MG) – corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Silvio Pereira (ex-secretário geral do PT) – formação de quadrilha

Simone Vasconcelos (ex-diretora da SMPB) – lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas

Valdemar Costa Neto (deputado federal pelo PR-SP) – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

Vinícius Samarane (ex-diretor do B. Rural) – gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas

Zilmar Fernandes (sócia de Duda Mendonça) – lavagem de dinheiro e evasão de divisas

AS PENAS

Corrupção ativa: prisão de 2 a 12 anos e multa

Corrupção passiva: prisão de 2 a 12 anos e multa

Peculato (específico de servidor público ou de quem se relaciona com ele): prisão de 2 a 12 anos e multa

Falsidade ideológica: prisão de 1 a 5 anos e multa

Lavagem de dinheiro: prisão de 3 a 10 anos e multa

Evasão de divisas: prisão de 2 a 6 anos e multa

Formação de quadrilha: prisão de 1 a 3 anos

[As penas podem ser agravadas pela repetição do crime. Alguns dos réus são acusados dezenas de vezes pelo mesmo crime neste inquérito. ]

A formosa Taiwan (Formosa)

Faz mais de 50 anos que Taiwan existe, como uma realidade política inegável. O país é apenas dois anos mais novo do que as Nações Unidas, que, hipocritamente, insistem em negar-lhe o reconhecimento.

A China insiste que Taiwan é parte dela. Os britânicos já lhe cederam Hong Kong e os portugueses, Macau. Mas a China não está contente: quer Taiwan também. E como a China é uma potência, segundo vários critérios, populacionais e econômicos, quase todo mundo tem medo de ofender a ela — e, assim, vota contra as várias iniciativas que Taiwan tem feito para conseguir direito de cidadania na ONU.

Não tenho dúvida de que, não fossem os Estados Unidos, com sua força política, econômica e principalmente militar, Taiwan já seria parte da China — talvez uma parte meio qualificada, como Hong Kong e Macau (os chineses do continente precisam de visto para ir até Hong Kong e Macau). Não fossem os mesmos Estados Unidos, talvez Cingapura já tivesse se tornado parte da China também, ou, talvez, da Malásia, que está mais próxima.

Admiro os Estados Unidos por não permitirem isso (embora em 1971 os Estados Unidos, para agradar a China, tenha consentido que Taiwan ficasse fora das Nações Unidas, para poder endossar a entrada na China na organização, visto que a China só entrava se Taiwan fosse removida). Taiwan é um país independente da China há mais de meio século. Culturalmente, embora fale chinês, tornou-se uma cultura capitalista muito antes de a China. É uma potência econômica (e até mesmo militar). Só falta obter reconhecimento de sua realidade política autônoma e independente.

Vejam os artigos abaixo, de Matt Rosenberg, retirados de

http://geography.about.com/cs/politicalgeog/a/statenation.htm

http://geography.about.com/od/politicalgeography/a/taiwancountry.htm

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Country, State, and Nation: Definining an Independent Country

From Matt Rosenberg,
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While the terms country, state, and nation are often used interchangeably, there is a difference.

A State (note the capital "S") is a self-governing political entity. The term State can be used interchangeably with country.

A nation, however, is a tightly-knit group of people which share a common culture. A nation-state is a nation which has the same borders as a State.

States and Independent Countries

Let’s start with what defines a State or an independent country. An independent State:

  • Has space or territory which has internationally recognized boundaries (boundary disputes are OK).
  • Has people who live there on an ongoing basis.
  • Has economic activity and an organized economy. A country regulates foreign and domestic trade and issues money.
  • Has the power of social engineering, such as education.
  • Has a transportation system for moving goods and people.
  • Has a government which provides public services and police power.
  • Has sovereignty. No other State should have power over the country’s territory.
  • Has external recognition. A country has been "voted into the club" by other countries.

There are currently 192 independent countries or States around the world. Territories of countries or individual parts of a country are not countries in their own right.

Examples of entities that are not countries include: Hong Kong, Bermuda, Greenland, Puerto Rico, and most notably the constituent parts of the United Kingdom. (Northern Ireland, Wales, Scotland, and England are not countries.) [EC: Veja abaixo a discussão do caso de Taiwan].

A "state" (with a lower-case "s") is usually a division of a federal State (such as the states of the United States of America).

Nations and Nation-States

Nations are culturally homogeneous groups of people, larger than a single tribe or community, which share a common language, institutions, religion, and historical experience.

When a nation of people have a State or country of their own, it is called a nation-state. Places like France, Egypt, Germany, Japan, and New Zealand are excellent examples of nation-states. There are some States which have two nations, such as Canada and Belgium. Even with its multicultural society, the United States is also referred to as a nation-state because of the shared American "culture."

There are nations without States. For example, the Kurds are stateless people.

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Is Taiwan a Country? On Which of the Eight Criteria Does it Fail?

From Matt Rosenberg,
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There are eight accepted criteria used to determine whether a place is an independent country (also known as a State with a capital "s") or not.

Let us examine these eight criteria in regard to Taiwan, an island (approximately the size of the U.S. states of Maryland and Delaware combined) located across the Taiwan Strait from mainland China (the People’s Republic of China).

Taiwan developed into its modern situation following the Communist victory on the mainland in 1949 when two million Chinese Nationalists fled to Taiwan and established a government for all of China on the island. From that point and until 1971, Taiwan was recognized as "China" in the United Nations.

Mainland China’s position on Taiwan is that there is only one China and that Taiwan is part of China; the People’s Republic of China is awaiting reunification of the island and mainland. However, Taiwan claims independence as a distinct State. We will now determine which is the case.

1. Has space or territory that has internationally recognized boundaries (boundary disputes are OK).

Somewhat. Due to political pressure from mainland China, the United States and most other significant nations recognize one China and thus include the boundaries of Taiwan as being part of the boundaries of China.

2. Has people who live there on an ongoing basis.

Absolutely! Taiwan is home to almost 23 million people, making it the 48th largest "county" in the world, with a population slightly smaller than North Korea but larger than Romania.

3. Has economic activity and an organized economy. A country regulates foreign and domestic trade and issues money.

Absolutely! Taiwan is an economic powerhouse – it’s one of the four economic tigers of Southeast Asia. Its GDP per capita is among the top 30 of the world. Taiwan has its own currency, the new Taiwan dollar.

4. Has the power of social engineering, such as education.

Absolutely! Education is compulsory and Taiwan has more than 150 institutions of higher learning. Taiwan is home to the Palace Museum, which houses over 650,000 pieces of Chinese bronze, jade, calligraphy, painting, and porcelain.

5. Has a transportation system for moving goods and people.

Absolutely! Taiwan has an extensive internal and external transportation network that consists of roads, highways, pipelines, railroads, airports, and sea ports. Taiwan can ship goods, there’s no question about that!

6. Has a government that provides public services and police power.

Absolutely! Taiwan has multiple branches of military – Army, Navy (including Marine Corps), Air Force, Coast Guard Administration, Armed Forces Reserve Command, Combined Service Forces Command, and Armed Forces Police Command. There are almost 400,000 active duty members of the military and the country spends about 15-16% of its budget on defense.

Taiwan’s main threat is from mainland China, which has approved an anti-secession law that allows a military attack on Taiwan to prevent the island from seeking independence. Additionally, the United States sells Taiwan military equipment and may defend Taiwan under the Taiwan Relations Act.

7. Has sovereignty. No other State should have power over the country’s territory.

Mostly. While Taiwan has maintained its own control over the island from Taipei since 1949, China still claims to have control over Taiwan.

8. Has external recognition. A country has been "voted into the club" by other countries.

Somewhat. Since China claims Taiwan as its provoince, the international community does not want to contradict China on this matter. Thus, Taiwan is not a member of the United Nations. Plus, only 25 countries (as of early 2007) recognize Taiwan as an independent country and they recognize it as the "only" China. Due to this political pressure from China, Taiwan does not maintain an embassy in the United States and the United States (among most other countries) has not recognized Taiwan since January 1, 1979.

However, many countries have set up unofficial organizations to carry out commercial and other relations with Taiwan. Taiwan is represented in 122 countries unofficially. Taiwan maintains contact with the United States through two through an unofficial instrumentalities – American Institute in Taiwan and the Taipei Economic and Cultural Representative Office.

In addition, Taiwain issues globally recognized passports that allow its citizens to travel internationally. Taiwan also is a member of the International Olympic Committee and this sends its own team to the Olympic Games.

Recently, Taiwan has lobbied strongly for admission into international organizations such as the United Nations, which mainland China opposes.

Therefore, Taiwan only meets five of the eight criteria fully. Another three criteria are met in some respects due to mainland China’s stance on the issue.

In conclusion, despite the controversy surrounding the island of Taiwan, its status should be considered as a de facto independent country of the world.

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Os vinte e poucos países que reconhecem Taiwan como um país autônomo e independente e mantêm relações diplomáticas com o país são todos pequenos e pouco significativos no cenário mundial. Vejam a lista deles — lista meio desatualizada, pois ali constam 24, quando os países hoje chegam, pelo que sei, a 27) na Wikipedia, no seguinte endereço: 

http://en.wikipedia.org/wiki/Political_status_of_Taiwan

Para seu crédito, o Vaticano está entre os países que reconhecem a autonomia e independência de Taiwan.

Quem não o reconhece o faz por motivos que não são nem ideológicos: são puramente pragmáticos (Realpolitk). Não querem incorrer na ira da China e na conseqüente (possível mas improvável) perda de negócios com a mega-potência econômica asiática.

O Brasil não reconhece Taiwan como país. Acho uma vergonha. Mas Taiwan tem um "Escritório Econômico e Cultural" em São Paulo, na Av. Paulista (do mesmo tipo do que mantém nos Estados Unidos), onde eu obtenho meus vistos de entrada no país.

Se a nossa diplomacia valesse alguma coisa, Taiwan já teria sido reconhecida como uma nação autônoma e independente.

Por fim, existe a questão: quando Taiwan se tornar politicamente reconhecida como um país autônomo e independente, como vai se chamar? Simplesmente Taiwan, como muitos (inclusive eu próprio, no dia-a-dia) chamam o país hoje? Republic of China (ROC), que é o nome semi-oficial (a companhia aérea oficial de Taiwan se chama "China Airlines"…)? Chinese Taipei, como querem os chineses? Ou simplesmente Formosa? Apesar de, no dia-a-dia, referir-me ao país como Taiwan, se eu pudesse votar certamente votaria em Formosa. Melhor ainda: Formosa Taiwan…

Em Hualien, TW, 25 de Agosto de 2007

O futebol delas

Tenho certeza de que, daqui para frente, sempre serei um grande fã do futebol feminino. A final de hoje (26/7) contra as americanas me conquistou. Está certo, as jogadoras americanas eram mais bonitinhas — mas só isso. No futebol, coitadas, não deram pro começo. Foi uma delícia assistir ao jogo. Parabéns, time brasileiro de futebol feminino. Se houve conquista merecida no Pan, foi essa: fizeram um montão de gols e não sofreram nenhum – zilch, ou nil, como dizem os pilotos da TAM. 

Em Campinas, 26 de Julho de 2007  

Uma companhia que tem orgulho de ser brasileira

A primeira companhia aérea brasileira com a qual voei se chamava Aerolíneas Natal. Foi nos idos de 1947 que vim de Londrina a São Paulo num de seus vôos. Tinha três anos e meio. Sei da data porque meu irmão, Flávio, que veio junto, era nenê de colo. Lembro-me de que vomitei as tripas. Mas as comissárias de vôo foram extremamente gentis. Levaram-me até mesmo para dizer "oi" para os pilotos no cockpit. Mais tarde a Natal foi absorvida pela PanAir. E mais tarde ainda a PanAir foi crucificada pelos militares para deixar a VARIG reinar suprema.

Por isso, nunca gostei da VARIG. A VARIG para mim foi sempre chapa branca. Sempre que pude voar por uma outra companhia, preferi. Pela mesma razão que, podendo, não abro conta em banco estatal.

Por isso, quando a TAM do Comandante Rolim começou a se mostrar uma concorrente viável para a VARIG, adotei a TAM. Fui fiel até agora. Tive implicâncias com a Gol, quando ela surgiu. Agora que ela incorporou a VARIG, então, a implicância cresceu.

Mas nunca usei a TAM para voar para o exterior. Aqui minha fidelidade à United é a toda prova. E não usava a TAM porque havia uma coisa que me implicava nela: o bordão "Uma empresa que se orgulha de ser brasileira". Lembro-me de ter pensado, mais uma vez, que a brasileirice da TAM poderia, um dia, custar-lhe caro.

Acho que chegou a hora em que está ficando evidente que a TAM é, sem duvida, uma empresa brasileira — mas que isso está longe de ser motivo de orgulho. Afinal de contas, são dois aviões caídos em Congonhas, com mais de 300 mortos, em menos de dez anos. No interim, houve assentos que foram ejetados em vôo e outros probleminhas mais: se bem me lembro, houve até um avião que aterrisou no pasto e matou uma vaca. Para não falar no acidente esquisito de helicóptero que matou o Comandante Rolim.

Confesso que até o acidente da última terça-feira, dia 17/7, ainda tinha certa lealdade para com a TAM. Mas a estou perdendo rapidamente. Explico as razões.

1) A questão do reverso da turbina direita que não estava funcionando.

Pode ser que o reverso não seja necessário para frear o avião em condições normais. Pode até ser que os manuais da AirBus (empresa da qual eu também não gosto) digam que é possível voar até dez dias com o reverso "pinado" (no jargão deles). Mas isso dito, acho que uma companhia realmente consciente da segurança de seus passageiros, teria levado o avião para manutenção logo que o reverso deu problema, sem esperar os dez dias, porque ainda que o reverso não seja necessário para frear o avião em condições normais, em condições excepcionais, para as quais toda companhia de aviação deve estar preparada, ele poderia significar a diferença entre um "near miss" e um acidente.

Além disso, a TAM só admitiu que o reverso da turbina direita não estava funcionando depois de o Jornal Nacional ter descoberto o fato. Uma empresa transparente deveria revelar até mesmo aos passageiros que o avião tinha um problema, mesmo que as normas de segurança não considerassem o problema impeditivo de um vôo normal (normal, isto é, em condições normais). Os passageiros deveriam ter o direito de, sabendo do problema, decidir se voavam ou não. A TAM tomou essa decisão por eles — com resultados desastrosos.

2) A questão dos evidentes problemas que a pista principal de Congonhas vinha apresentando na chuva desde o dia anterior

Além do incidente com o avião da Pantanal, um dia antes, vários aviões da TAM enfrentaram dificuldades para aterrisar na pista principal se Congonhas no dia anterior e no dia do acidente — isto é, desde que começou a chover na pista cuja reforma estava ainda inacabada. Além disso, os controladorers de vôo estavam advertindo os pilotos de que a condição da pista era escorregadia.

Uma empresa realmente consciente da segurança de seus passageiros teria imediatamente determinado aos seus pilotos, desde o primeiro incidente ou relato de dificuldade para pousar, que, em chuva, não pousassem na pista principal sem ranhuras. 

O fato de que, depois do acidente, a TAM fez essa determinação aos seus pilotos, mostra que a o procedimento cautelar deveria ter sido adotada antes.

3) 1+2

Se juntarmos as duas razões, é forçoso concluir que o risco de um avião sem um reverso pousar, na chuva, numa pista escorregadia, sem ranhuras, especialmente quando essa pista é relativamente curta e o avião relativamente grande e pesado, é muito alto — na verdade, inadmissível.

4) Gato escaldado

Exatamente a TAM, que já havia tido um lamentável acidente em Congonhas, deveria ser, nesse aeroporto, "mais realista do que o rei". Não importa o que diz o manual da AirBus ou o que digam os políticos da Infraero sobre a qualidade da pista, a TAM não poderia ter se permitido o risco de pousar em Congonhas nessas circunstâncias. Duvido que, mesmo num país de memória curta como o nosso, sua imagem se recupere.

5) Os pilotos

Até evidência em contrário, considero os dois pilotos duas vítimas que não só perderam a vida mas correm o risco de ver suas reputações profissionais arranhadas pelas insinuações irresponsáveis dos verdadeiros culpados pelo acidente.

É isso, no que diz respeito à TAM.

O fato de eu considerar que a TAM tem responsabilidade no acidente não significa que eu pense que o governo federal não tem. Creio que tem, e muita. A incompetência generalizada que caracteriza o governo Lulla, que já colocava nossa vida em risco ao andar de carro ou ônibus nas estradas federais, tem colocado em risco as vidas daqueles que têm necessidade de viajar pelo ar, até porque não há outra alternativa (dado o estado lamentável das rodovias federais e a inexistência de transporte ferroviário de passageiros). Diretoria da ANAC, Diretoria da Infraero, Comando da Aeronáutica, Ministro da Defesa e Presidente da República deveriam ir todos para o olho da rua. Vaia é pouco para eles. Faz des meses que caiu o avião da Gol (acidente cuja culpa eles tentam jogar sobre os pilotos americanos) e tudo continua como está. Caiu agora o avião da TAM, e se algo se alterar vai ser pouco.

Top-top-top neles.

Se a TAM tem orgulho de ser brasileira e se esse governo é a cara do Brasil, então não dá pra se orgulhar de ser brasileiro.

Em São Paulo, 24 de Julho de 2007