Duas magníficas crônicas da Mário Prata

Transcrevo, do site do autor:

As Meninas-Moça (O Estado de S. Paulo, 07/04/1999)

http://www.marioprataonline.com.br/obra/cronicas/prata990407.html

O que é isso, Ministro Paulo Renato? (O Estado de S. Paulo, 16/06/1999)

http://www.marioprataonline.com.br/obra/cronicas/prata990616.html

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O Estado de S. Paulo, 07/04/1999

As Meninas-Moça

Mário Prata

Não sei quantos anos tem a moça, nem o leite da moça. Mas, desde que eu me entendo por gente, que tem uma lata por perto. Com aquela moça com jeitão de suíça (se for búlgara, não faz a menor diferença). Embaixo, está escrito: indústria brasileira. Sim, não tem nada mais brasileiro do que o sempre bem-vindo leite condensado. Qualquer que seja a sua idade.

Sabe com o que as gordinhas sonham nos spas? Com elas. As latinhas condensadas. Não uma, que não sacia. Muitas moças, muitos leites moça.

Um furinho de cada lado, um maior onde vai a boca. E é só chupar que a moça entra dentro de você. Gostosa, macia. Quem já fez isso, sabe o delírio que é.

Quem é que nunca acordou de noite e foi até a geladeira, sem acender a luz da cozinha e, só com a penumbra da luzinha interna, levou a latinha até os lábios pra melecar a língua? Talvez tenha ido dormir com uma certa culpa. Mas tomou e não escovou o dente pra não cortar o barato.

Larica é larica. Vide dicionário.

Tou aqui nessa fissura porque o Leites Nestlé, o time de vôlei feminino de Jundiaí, que já foi tricampeão brasileiro, está fora da final. Por duas gotinhas, ou melhor, dois pontinhos.

Sim, o time feminino. Não ia pegar bem homens subindo na rede com as letras Leite Moça no peito peludo. Não, Leite Moça foi feito para flanar esparramado em seios esplêndidos, chacoalhando no ar, jornadando até as estrelas e viajando ao fundo do mar de nossas emoções.

Isso tudo para falar da estranha torcida das pessoas que gostam de moças, de leite, de Leite Moça. Ou seja, as pessoas, como eu, que gostam de vôlei. Principalmente o feminino, balé de braços, de loiras e altitudes mil. Não tendo nem Corinthians, nem Palmeiras pra torcer, torcer pra quem no vôlei feminino que nos bafeja com aquelas bundinhas divinamente proeminentes?

Quem, em sã consciência, vai torcer por um BCN, que é um banco? Impossível dizer: sou BCN desde pequenininho. E desodorante, gente? Imagina a torcida gritando: de-so-do-ran-te!

De-so-do-ran-te. Pelo amor de Deus!

E vocês acham que os universitários da USP, da PUC, da FAAP, da Federal do Rio, da Veterinária de Uberaba, da Odontologia de Lins, da Santa Marcelina, vão torcer para a Uniban? Universidade Bandeirantes?

Difícil. A UNE ia interferir.

Por mais que eu seja amigo do Felipe – colega de faculdade -, desculpa, Felipe, mas não dá pra torcer pra Petrobrás. Falta-lhe passado esportivo. E o Blue Life, que é uma expressão americana que não significa, absolutamente, vida azul? Vida azul é leite condensado.

Sacou?

Foi pensando nessas bobagens todas que eu fui descobrindo que todo mundo torce pelo Leites Nestlé, no vôlei feminino. É o Flamengo, o Corinthians da categoria. Tem Corinthians até no técnico. O sujeito chama-se Negrão.

Ando lendo por aí que a empresa está pensando em fechar o time. Mas como? Como é que fecham um time? Já pensou, um dia o diretor chega e diz: vamos fechar o Corinthians. Não pode, cara! Aqueles meninas-moças todas voando pela quadra já fazem parte da latinha das nossas recordações. E sonhos: a Leila, mineira como o leite, que deixou até os japoneses desatinados.

E as pernas da Karin, que saem de dentro da lata, como que convocadas pelo gênio das lâmpadas que iluminam as quadras e as redondilhas dos seus ataques fulminantes aos nossos corações torcedores? Onde ficam as pernas da Karin?

E o colorido tropical da americana Tara? E a Elena, que não é do Machado de Assis, e sim dos Gorkis e Gógols?

Não tenho nenhuma dúvida: o Leites Nestlé é o time “da lata”. E ponto.

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O Estado de S. Paulo, 16/06/1999

O que é isso, Ministro Paulo Renato?

Mário Prata

Saber que uma crônica minha, publicada aqui neste espaço, foi tema da prova de português num vestibular para medicina só me envaidece. O ego dá um pulo. Melhor até mesmo que um elogio no The New York Times (sorry, mas eu tinha de contar).

A crônica imposta aos jovens se chama As Meninas-Moça. Publicaram a danada inteira e depois fizeram oito perguntas em forma de múltipla escolha. E eu, que escrevi, que sou o autor, errei as oito. Imagino os meninos e as meninas, que querem ser médicos, submetidos a tal dissecação.

Fico aqui me perguntando, ministro, pra que isso? Será que, para cuidar de uma dor de cabeça, um jovem tem de saber se a minha expressão “esparramados em seios esplêndidos” é uma paráfrase, uma metáfase, uma paródia, uma amplificação ou o resumo de um texto bem conhecido pelo cidadão brasileiro? Com toda a sinceridade, ministro da Educação Paulo Renato, você sabe me responder isso? Algum assessor seu sabe?

A gente educa os filhos direitinho, ensina o que achamos fundamental. Educação, honestidade, indica bons livros, explica porque o Maluf é nefasto, pede para ele torcer pelo Corinthians, apresenta gente decente, paga milhões de reais por bons colégios, ensina inglês e até paga o analista. Para que ele tenha um bom futuro e seja feliz. Meus filhos sabem, por exemplo, o que é larica. Você também sabe. Mas, para ser médico, a larica é outra. Veja mais um exemplo da prova: “Larica é larica. Vide dicionário.” Aí, para ser médico, o jovem precisa saber se esta pequena frase é poética, fática, metalingüística, emotiva-expressiva, referencial, conativa ou apelativa? O que você acha, Paulo Renato? Eu, larica à parte (e bem-vinda), não faço a menor idéia.

Será que não teria sido melhor publicar a crônica (como foi feito) e pedir para a garotada escrever o que quisesse, o que achasse, o que bem entendesse do que eu entendi? Deixar o jovem manifestar a sua opinião, fazer a garota escrever no lugar de ficar ticando opções fáticas?

O título da vestibular crônica,
já disse, era As Meninas-Moça e eu me referia ao time feminino de vôlei da Leites Nestlé que ia acabar. Olha o que eles perguntaram aos alunos, sobre o título:

a – ao usar meninas-Moça, não flexionou no plural o segundo elemento porque criou um neologismo, processo que não se submete a normas da língua;

b – ao criar um novo vocábulo, não transgrediu as regras de flexão dos compostos;

c – usou uma flexão admissível porque o segundo elemento é um nome próprio feminino;

d – ao usar a expressão do composto, violentou a regra da língua que preconiza, para esse caso, a variação no plural para os dois elementos;

e – usou apropriadamente a forma meninas-Moça, visto que o segundo elemento tem função apositiva.

O que você acha, ministro? Eu, fico entre a e b. Mesmo porque eu não tenho a menor idéia do que seja uma função apositiva. E você, Paulo Renato, vota em quem? F, H, C? Ou A, C, M? Ou M, E, C?

E agora, meu querido ministro, só para terminar a aula, me diga, nas expressões abaixo, onde você identifica um exemplo de intertextualidade:

a – “… principalmente o feminino balé de braços, de loiras e altitudes mim”;

b – “Não, leite Moça foi feito para flanar esparramado em seios esplêndidos, chacoalhando no ar, jornadando até as estrelas”;

c – “Aquelas meninas-moças, todas voando pela quadra já fazem parte da latinha”;

d – “Embaixo, está escrito: indústria brasileira”;

e – “… que saem de dentro da lata como que convocadas pelos gênios das lâmpadas que iluminam.”

E agora, C, D, ou F?

Já disse lá atrás, ministro e organizadores da prova, que sinto-me sinceramente envaidecido com a escolha de um texto meu. Mas jamais poderia imaginar que, ao escrever uma crônica pensando naquelas coxas todas, naqueles seios esparramados pelas quadras, ao escrever um texto de olho na Karin, ao digitar uma crônica preocupado com o desemprego da minha namorada (que fazia parte da equipe) fosse dar tanta dor de cabeça para dezenas de milhares de jovens que querem apenas uma profissão digna para enobrecer este nosso País tão mal-educado.

Quanto às pernas da Karin, ministro, vá de a, b, c, d e fim de papo.

Sacou?

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Transcrito em São Caetano do Sul, 19 de Outubro de 2010

A Educação e a Vida: O Papel da Tecnologia

Transcrevo abaixo pequeno artigo que publiquei na Newsletter de Outubro de 2010 da Legozoom: Education for Life.

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“Educação Tecnológica” e “Tecnologia na Educação” são expressões com sentidos distintos. No primeiro caso, o foco está em “aprender a usar a tecnologia”; no segundo, em “usar a tecnologia para aprender”.

Mas para que devemos aprender a usar a tecnologia? E usamos a tecnologia para aprender o quê?

Para responder a essas perguntas, precisamos analisar os conceitos de educação e tecnologia.

Educação

Educação é o nome que damos ao processo de desenvolvimento humano.

O ser humano nasce inacabado: incompetente, sem saber fazer nada, ele é, e permanece por bom tempo, dependente, incapaz de assumir responsabilidade sobre sua vida.

Pela educação ele recebe acabamento e se torna competente e autônomo: capaz de definir seu projeto de vida e de lutar para transformá-lo em realidade.

Porque nascemos inacabados, podemos (dentro de limites) dar à nossa vida o acabamento que quisermos. É por isso que nossos projetos de vida são distintos. Precisamos de autonomia para escolhê-lo – e de competência para transformá-lo em vida vivida.

O desenvolvimento de autonomia e competências se dá pela aprendizagem. Aprender é construir capacidades, tornar-se capaz de fazer aquilo que, antes, não se conseguia fazer. Aprender é algo ativo e interativo. Seu objetivo é dominar o processo de fazer alguma coisa que se deseja fazer. E aprende-se a fazer fazendo, i.e., observando os outros fazerem, tentando imitá-los, recebendo estímulo e ajuda, aprimorando o processo, até que…

Assim, a educação não é algo que uns fazem sobre os outros. Mas também não nos educamos sozinhos. A educação é um processo interativo e colaborativo: nós nos educamos uns aos outros em comunhão uns com os outros no processo de construção de nossas vidas no mundo. Paulo Freire nos fez ver isso.

Tecnologia

A tecnologia é fruto da autonomia, da competência e da criatividade humana. Ela é aquilo que o ser humano inventa para tornar sua vida mais fácil ou agradável.

Há tecnologia-ferramenta que torna a nossa vida mais fácil. E há tecnologia-brinquedo que torna a nossa vida mais agradável. A primeira nos ajuda a viver. A outra nos dá razão para querer viver. E há tecnologia que é ao mesmo tempo brinquedo e ferramenta: ao nos divertir com ela, aprendemos coisas úteis.

Para que, então, devemos aprender a usar a tecnologia? Para tornar a nossa vida mais fácil ou agradável. São, em grande medida, as nossas tecnologias que nos diferenciam dos nômades que viviam da caça e da pesca há milhares de anos.

As tecnologias de informação e comunicação que hoje temos, centradas no computador, são extremamente relevantes para a aprendizagem, porque aprendemos interagindo – com pessoas, com informações, ou diretamente com o mundo.

Assim, aprendemos a usar a tecnologia porque, além de nos apoiar no trabalho e no lazer, ela nos ajuda a aprender mais e melhor.

Mas o computador não é a única tecnologia que existe.

Lego

Lego, por exemplo, é uma fascinante tecnologia. É brinquedo, criado para nos dar prazer. Mas também é ferramenta, que nos ajuda a aprender enquanto brincamos de construir coisas úteis. Um robô é um artefato útil. Robótica é a ciência e a arte de criar artefatos úteis, aparentemente inteligentes, que facilitam a nossa vida.

Em contextos educacionais Lego promove a união da “tecnologia na educação” com a “educação tecnológica”. Com Lego, aprendemos a resolver problemas e trabalhamos em colaboração. Para resolver problemas exercitamos nossa criatividade e engenhosidade, mas também nossa paciência e persistência, e nossa resiliência, que nos impede de desistir diante de dificuldades – bem como nossa capacidade de testar com método e rigor nossas conjeturas… Nesse processo, desenvolvemos a capacidade de ouvir os outros, de considerar com seriedade suas críticas, mas também de responder às críticas que não nos parecem bem fundamentadas…

Parece impossível que um projeto de educação tecnológica e de tecnologia na educação nos permita desenvolver e exercitar tantas competências… O fascínio sobre crianças e jovens e o impacto sobre a aprendizagem de uma tecnologia como Lego estão no fato de que Lego é brinquedo e ferramenta de aprendizagem: ao aprender a usar Lego, para enfrentar desafios e solucionar problemas, desenvolvemos nossas competências mais nobres e, assim, aprendemos a aprender melhor.

São Paulo, 3 de Setembro de 2010

Transcrito aqui em São Paulo, 19 de Outubro de 2010

“A proteção que atrapalha”

Transcrevo interessante artigo de Rosely Sayão na Folha de S. Paulo de hoje (19/10/2010).

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ROSELY SAYÃO
A proteção que atrapalha


O que fazemos com o ambiente da criança? Amaciamos o chão, aliviamos os cantos, retiramos os obstáculos


Muitas crianças com menos de seis anos vivem hoje, tanto em suas casas quanto nas escolas, em ambientes tão assépticos que se assemelham mais a hospitais do que a espaços habitados por gente sadia e plena de vida.

Aliás, pesquisadores já relacionaram o aumento de alergias entre crianças das classes média e alta com a falta de exposição delas aos germes do ambiente natural. É a chamada “alergia do isolamento”.

Hoje, escolas que querem seduzir os pais de filhos que estão na primeira infância se esmeram para apresentar um ambiente que consideram chamativo: limpo e claro, areia tratada (isso quando há areia), sem muitos obstáculos, tampouco terra e água.

O chão costuma ser macio e fofo -e para ser assim, precisa ser artificial. Fazem parte desse pacote a abundância de brinquedos de parque de plástico, muito coloridos.

Quando termina o período escolar, dá para se perguntar o que foi que a criança fez durante todo o tempo em que esteve na escola -já que muitas delas são entregues aos pais devidamente “higienizadas”.

Até mesmo o discurso escolar acompanha esse clima: as crianças não mais escovam os dentes ou lavam as mãos: elas “fazem higiene”. Que coisa mais louca!

Em casa, muitos pais até adotaram o costume oriental de deixar os sapatos à porta e só usar dentro de casa calçados destinados exclusivamente para esse fim.

Apetrechos dos mais variados tipos são comprados já no enxoval do bebê que irá nascer, para esterilizar tudo o que ele usa. O problema é que isso se estende por mais de um ano, quando a criança já engatinha, anda e faz a exploração dos espaços.

E isso costuma ser a melhor justificativa para tantos cuidados: afinal, nessa fase a criança adora conhecer as coisas pela boca, não é verdade? E como permitir que ela leve para a boca as sujeiras do ambiente?

Quando foi que esquecemos que criança combina com terra, água, vento e fogo?

O contato, o conhecimento e a exploração desses quatro elementos é muito importante para que ela crie um vínculo com a natureza, explore-a e aprenda, com essa relação, um pouco mais sobre si mesma e sobre seu corpo.

Mexer na areia e lambuzar-se com ela, brincar com a água e a terra, fazer barro e sentir sua consistência, experimentar seu sabor -por que não? Tomar banho de mangueira, sujar-se toda aos olhos dos adultos: tudo isso é possível ainda para a criança, mesmo nesse estilo de vida urbano que adotamos.

Mas, parece que escolhemos consumir um determinado tipo de cuidado com a saúde que não combina com nada disso, não é verdade?

E o que fazemos, então, com o ambiente em que a criança vive? Retiramos todo tipo de perigo possível: arredondamos os cantos, suprimimos as quinas, amaciamos o chão, retiramos os obstáculos como escadas e aclives ou declives pronunciados e outras coisas mais estranhas ainda.

Tudo para evitar que a criança corra algum risco. Até os brinquedos, agora, precisam ser adaptados à idade da criança!

Mas é bom saber que o tiro pode sair pela culatra. Começar a viver em ambientes tão diferentes da realidade apenas tolhe a vida da criança, limita as suas possibilidades de aprender sobre seu corpo e de explorar o meio em que vive. Isso também desestimula sua curiosidade e não a prepara para reconhecer riscos e saber quais podem ser enfrentados e quais devem ser evitados.

Não é à toa que temos tantas crianças que se machucam em situações que elas já deveriam controlar. É bem significativo o número de acidentes com crianças grandes que caem, quebram ossos, levam pontos etc. Elas pouco ou quase nada sabem a respeito do relacionamento delas com o ambiente em que vivem.

Também, depois de elas viverem tanto tempo enclausuradas em um mundo almofadado e asséptico, tal resultado não é nada espantoso.


ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de “Como Educar Meu Filho?” (Publifolha)

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Em São Paulo, 19 de Outubro de 2010

Brincar, Aprender, Trabalhar: Enfim, Viver

Tradicionalmente a vida da gente era dividida em estágios – basicamente quatro estágios. Hoje esses estágios não fazem mais sentido.

O primeiro estágio, dos 0 aos 6 anos (inclusive), era o do Brincar. Nele, naturalmente, a gente brincava.

No meu tempo – nasci em 1943 – o brincar era totalmente não dirigido e descomprometido do aprender – e, naturalmente, do trabalhar.

Brincar era, na verdade, a essência da vida nesse estágio. E o brincar era, naturalmente, prazeroso – ou “fun”, como se diz em Inglês.

O segundo estágio, dos 7 aos 10/14/17/21 anos, era o do Aprender. Nele, imaginava-se, a gente aprendia.

Pressupunha-se, em relação a esse estágio, de forma tácita (não totalmente explicitada) uma série de coisas, como estas:

* O aprender nada tem que vem com o brincar, nem o brincar com o aprender;

* Diferentemente do brincar, o aprender é difícil e penoso, e, portanto, não prazeroso. Por isso, requer, da parte do professor, competências na área de comunicação, coordenação, controle e direção, e, da parte do aluno, atenção, esforço, disciplina e obediência;

* Aprender é um processo em larga medida passivo, por parte do aluno, visto que requer que ele fique quieto e preste atenção ao que o professor diz, para absorver e assimilar as informações que o professor transmite, fazendo uso, quando já domina a leitura e a escrita, de leituras suplementares (feitas em casa) e anotações em classe.

Os sete anos representavam um marco importante para a criança. Era com essa idade que ela entrava na Escola Primária. E entrava na escola sem ter antes freqüentado qualquer outra instituição que se assemelhasse à escola: Pré-Primário, Infantil, Jardim da Infância, Maternal, Creche…

Eu, que era protestante (presbiteriano), freqüentava, religiosamente (desculpem o trocadilho), a Escola Dominical. Mas esta era diferente. Além de só acontecer aos Domingos de manhã, ocupava-nos por apenas cerca de uma hora e meia cada Domingo.

Assim, o ingresso na Escola Primária representava, para a maioria absoluta das pessoas, um rito de passagem: a transição do estágio desestruturado, alegre, e livre do brincar, em que a criança era não só ativa, mas protagonista dos seus brinquedos, para o estágio estruturado, doloroso, tedioso, e cativo do aprender, em que a criança era passiva, alvo da ação do professor – equiparando-se muito mais a um figurante do que a um protagonista.

Esse segundo estágio tinha duração variada. Por muito tempo, e para muita gente, durava no máximo quatro anos – duração da Escola Primária. Esta, num determinado momento, tornou-se obrigatória. Para uns poucos, a escolaridade durava oito anos: além do Primário, cursavam o Ginásio, com duração também de quatro anos. O Ginásio era o Primeiro Ciclo do Ensino Médio dessa época.

Mais recentemente, o Primário e o Ginásio foram meio que grudados um ao outro, passando a se chamar, durante o Regime Militar, Ensino de Primeiro Grau – que, ainda mais recentemente, já na chamada Nova República, se tornou Ensino Fundamental. Sua duração, até bem recentemente, era de oito anos – a soma de quatro mais quatro. Há muito pouco tempo, o Ensino Fundamental ganhou um ano adicional, passando o seu Primeiro Ciclo (equivalente à Escola Primária antiga) a ter cinco anos e o Segundo Ciclo (equivalente ao Primeiro Ciclo do Ensino Médio da escola antiga), quatro.

Os realmente privilegiados, no meu tempo, cursavam também o Ensino Secundário, equivalente ao Ensino de Segundo Grau do tempo dos militares e ao Ensino Médio de hoje. O Ensino Secundário daquela época era dividido em três trilhas: o Científico, o Clássico, e o Normal (para quem queria ser Professor Primário – uma profissão eminentemente feminina então, e ainda agora). E havia, em trilha paralela, os Cursos Técnicos, que eram profissionalizantes.

No Regime Militar institui-se o Ensino de Segundo Grau (Ensino Médio) obrigatoriamente profissionalizante. Parece que os militares imaginavam que, obrigando os jovens de 14 ou 15 anos a estudar um curso profissionalizante, eles não perderiam muito tempo estudando Filosofia e Sociologia, disciplinas que eram consideradas verdadeiras fábricas de subversivos pelos militares (que preferiam que os alunos estudassem a rala e patriótica Educação Moral e Cívica). Mas o projeto não deu certo. As classes mais altas protestaram, porque queriam que seus filhos tivessem um curso de natureza geral que os preparasse para a universidade… Assim, pouco tempo depois, ainda durante o Regime Militar, o Segundo Grau (Ensino Médio) deixou de ser obrigatoriamente profissionalizante.

Ao Ensino Superior tinha acesso, até bem pouco tempo, apenas “la crême de la crême”, a elite das elites.

Por isso, a duração do segundo estágio era de quatro, oito, onze, ou quinze anos – dependendo de seu ponto final. Por um tempo, até o Regime Militar, apenas quatro anos eram obrigatórios. Depois passaram a oito anos. Agora são nove. E há propostas de tornar todos os doze primeiros anos obrigatórios.

O terceiro estágio começava onde o segundo se encerrava. Era o longo estágio do Trabalhar. Terminava com a aposentadoria, lá pelos 50 a 60 anos (ou, prematuramente, com a morte).

Neste estágio o indivíduo iria colocar em prática ou utilizar aquilo que aprendeu no segundo estágio.

Pressupunha-se que o Trabalhar era ainda menos prazeroso e mais penoso do que o Aprender e que exigiria, portanto, mais estruturação e controle por parte dos supervisores e mais obediência e atenção por parte dos trabalhadores.

Depois da aposentadoria vinha o quarto estágio, em que a pessoa, de certo modo, retorna ao estágio inicial. Tendo completado todo o ciclo, ela está mais uma vez livre para brincar e descansar.

Como disse acima, hoje esses estágios não fazem mais sentido. Aprendemos o tempo todo – aprendemos enquanto brincamos e enquanto trabalhamos. E o trabalho, além de ser um ambiente importante de aprendizagem, deve ser também algo que nos interessa, motiva, e nos torna felizes: e esse é o sentido permanente de brincar.

Em São Paulo 18 de Outubro de 2010

Os analfabetos funcionais escolarizados

Inacreditável.

60% das pessoas com sete anos de escolaridade não conseguem entender o que lêem. É o que mostra reportagem publicada na Folha de domingo comentada por Fernando de Barros e Silva na Folha de hoje (27/Jul/2010).

Fernando de Barros e Silva chama a atenção para ainda outra pesquisa.

"Imagine que você está lendo a seguinte recomendação médica: ‘Tomar com o estômago vazio 1 hora antes da refeição ou 2-3 horas após a refeição’. E que deve responder depois a seguinte pergunta: ‘Se você fosse almoçar às 12h e quisesse tomar a medicação antes do almoço, a que horas deveria tomá-la?’. De cada quatro pessoas, uma é incapaz de responder corretamente a uma questão como essa."

Isso significa que o número de reais analfabetos — analfabetos funcionais — é bem maior, no Brasil, do que os 21% da população apontados pelo IBGE, que aparentemente considera analfabeto funcional apenas quem tem menos de quatro anos de escolaridade. Se 60% das pessoas com sete anos de escolaridade não conseguem entender o que lêem num texto relativamente simples, como o da recomendação médica mencionada, estamos perdidos.

Nenhuma nação se torna desenvolvida com índices como esses.

O problema tem repercussões sérias em todos os níveis.

Entrevista do diretor da Escola Politécnica da USP na CBN, ontem, esclareceu que, no Brasil, há 180 mil vagas disponíveis anualmente nos cursos de Engenharia. Dessas, 150 mil são preenchidas. Dos 150 mil que entram nos cursos de Engenharia, só se formam 30 mil (ou seja, 20%). E boa parte dos que concluem o curso são muito mal formados, não só nas disciplinas de Engenharia, como nas disciplinas básicas: não há como contrátá-los. Se alguém os contratasse, teria de deixá-los em formação por um bom tempo antes de lhes confiar alguma tarefa. 

É por isso que o Brasil tem deficit de engenheiros. Para o Pré-Sal, a Petrobrás procura engenheiros capacitados e não os encontra.

É o fim da picada.

As razões para a perda de 80% dos alunos dos cursos de Engenharia são várias. Essa perda acontece nos cursos melhores, das universidades gratuitas, porque os alunos não conseguem acompanhar aquilo que é ensinado nas aulas. Nas escolas mais fracas, particulares, tenta-se ajustar o nível de ensino à capacidade dos alunos, mas mesmo assim muitos não conseguem acompanhar — e dos que conseguem, muitos deles não conseguem pagar as altas mensalidades.

Enfim. Em breve seremos a quinta economia do mundo, segundo dizem os entendidos. Mas continuaremos a ser uma nação de sub-desenvolvidos, com um IDH que nos coloca entre nações que não têm o nosso potencial em termos de tamanho geográfico, população, recursos naturais.

Eis o artigo do Fernando de Barros e Silva.

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<a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2707201003.htm">http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2707201003.htm</a&gt;

Folha de S. Paulo

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Educação sem remédio

SÃO PAULO – Os indicadores positivos estão na moda no Brasil, mas o país sempre insiste em nos lembrar que o buraco é mais embaixo.

Imagine que você está lendo a seguinte recomendação médica: "Tomar com o estômago vazio 1 hora antes da refeição ou 2-3 horas após a refeição". E que deve responder depois a seguinte pergunta: "Se você fosse almoçar às 12h e quisesse tomar a medicação antes do almoço, a que horas deveria tomá-la?". De cada quatro pessoas, uma é incapaz de responder corretamente a uma questão como essa. É o que conclui a pesquisa do neurologista Ricardo Nitrini, após entrevistar 312 adultos alfabetizados (com graus diferentes de instrução formal) que acompanhavam pacientes no Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Como mostrou reportagem da Folha no domingo, entre as pessoas com até sete anos de estudos, quase 60% não conseguiram entender o que liam. Foram, em tese, alfabetizados, mas não compreendem o significado do que está escrito. São "analfabetos funcionais".

O IBGE contabilizou, em 2008, 21% de analfabetos funcionais no país. Seriam aqueles com menos de quatro anos de escolaridade. Vários estudos, porém, apontam que o índice de analfabetismo funcional é, na realidade, bem mais alto. Quantos brasileiros entram e saem do ensino médio (o antigo colegial) sem alcançar o estágio da compreensão elementar de um texto?

O crítico literário Antonio Candido escreveu em 1970 (lá se vão 40 anos!) um ensaio muito importante:  "Literatura e Subdesenvolvimento". Ali, equacionava o drama do analfabetismo e dizia que, numa sociedade como a nossa, a alfabetização não iria criar na mesma proporção leitores de literatura, mas, antes, "atirar os alfabetizados, junto com os analfabetos, diretamente da fase folclórica para essa espécie de folclore urbano que é a cultura massificada".

São linhas incrivelmente atuais. De lá para cá, será que o problema se agravou ou estamos melhorando?

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Em São Paulo, 27 de Julho de 2010

Critical Thinking Skills

1. The Scope of Critical Thinking: Mere Thinking, Critical Thinking, Creative Thinking, Problem Solving


A. Thinking


Thinking is the process of using our mind to consciously consider something.

The object of thinking (the “something” that is consciously considered by the mind) can be basically anything: natural and social external reality, our own internal or mental reality, or even whether there is a supernatural reality and what it is like.

Thinking can even be reflexive, i.e., have itself as its object.

Thinking that has anything but itself as its object, is first-order thinking; thinking that has itself as its object is higher-order thinking.

As to the manner of thinking, it can be extended, attentive and careful or it can be fleeting, distracted and careless, or anything in between.

B. Critical Thinking


Critical thinking is, as a rule, extended, attentive and careful, not fleeing, distracted and careless.

Critical thinking has the following additional characteristics:

First, it has thinking itself as its object, and, therefore, is a higher-order, reflective sort of thinking;

Second, the objective of critical thinking is to determine, analyze and assess the epistemic credentials of what people think.

Third, since thinking expresses itself primarily in language, critical thinking can be seen primarily as thinking (with the stated objective) about what people say.

Fourth, when not explicitly expressed in language, thinking can often be inferred from action, since action is not mere, unthinking behavior, but behavior preceded by thinking (decision and sometimes deliberation), and therefore critical thinking can also be seen as thinking (with the stated objective) about what people do.

Thus, critical thinking is thinking about thinking, with objective of determining, analyzing and assessing the epistemic credentials of what people think, be this thinking explicitly manifested in what they say or inferred from what they do.

When speaking of critical thinking one often includes not only the process of evaluating thinking but also the value of the commitment to do so.

C. Creative Thinking


Creative thinking differs from critical thinking in having, as its object, something that does not yet exist in reality but the existence of which is considered desirable, valuable or useful.

Since creative thinking is a form of thinking, critical thinking can have creative thinking as its object, critical creative thinking not being an impossible expression.

D. Problem Solving


Problem solving is thinking that is aimed at solving a problem of a practical or theoretical nature.

Problem solving can be directed at problems caused by factors other than thinking or at problems caused by thinking.

When directed at problems caused by thinking, problem solving could be seen as a form of critical thinking.

But problem solving necessarily involves creative thinking as well, being perhaps best classified as a form of critical creative thinking.

E. Critical Thinking as a Skill


Even though we are born with an incredible capacity to learn, including the capacity to, in the appropriate social context, acquire and master language, make effective communication possible, we are not born with the capacity to thinking critically. This capacity is an acquired skill that has to be developed through education. Even in the course of human history the conditions that made critical thinking possible and even mandatory did not emerge all at the same time: they evolved gradually through time.

F. References

1. http://www.criticalthinking.org/

2. http://www.k12academics.com/educational-psychology/critical-thinking

3. http://www.k12academics.com/educational-psychology/critical-thinking/common-definitions-used-critical-thinking-activities

4. http://www.csicop.org/si/show/critical_thinking_what_is_it_good_for_in_fact_what_is_it/

5. http://en.wikipedia.org/wiki/Critical_thinking#cite_note-0

6. http://philosophy.hku.hk/think/critical/

7. http://philosophy.hku.hk/think/critical/ct.php

8. Critical Thinking by Brooke Noel Moore (Kindle Edition – Jul. 22, 2008) – Kindle Book

9. Critical Thinking: A Concise Guide by Gary Kemp (Kindle Edition – Aug. 3, 2009) – Kindle Book

10. Critical Thinking: A Concise Guide, Second edition by Gary Kemp (Kindle Edition – Mar. 20, 2007) – Kindle Book

11. Critical Thinking: Tools for Taking Charge of Your Professional and Personal Life by Richard W. Paul and Linda Elder (Kindle Edition – June 13, 2002) – Kindle Book

12. Critical Thinking for Helping Professionals: A Skills-Based Workbook by Eileen Gambrill and Leonard Gibbs (Kindle Edition – Mar. 25, 2009) – Kindle Book

13. The Ultimate Guide to Innovative Thinking – How to Solve Problems Quickly and Decisively by Betty Andre (Kindle Edition – May 9, 2010) – Kindle Book

14. The Critical Thinking Community: http://www.criticalthinking.org/

15. Critical Thinking Web: http://philosophy.hku.hk/think/ – Online tutorials and teaching material on critical thinking.

16. Critical Thinking: What Is It Good for? (In Fact, What Is It?) by Howard Gabennesch, Skeptical Inquirer magazine.

17. Foundation For Critical Thinking – A large library of articles, research, assessment instruments, etc.

18. The Watson Glaser Critical Thinking Appraisal – An independent critical evaluation

19. Encouraging Critical Thinking Online – A set of free teaching resources from the gateway site Intute

20. What "Critical" means in "Critical Thinking" by Donald Jenner

21. Critical Thinking Means Business – A guide to developing critical thinking ability by Pearson

22. Critical-thinkers.com blog – Articles, tips and resources to improve your thinking

23. Critical thinking at the Open Directory Project

2. The Evolution of Critical Thinking as Skill


A. Critical Thinking Before the 21st Century


Although some authors consider critical thinking a 20th century phenomenon, critical thinking has existed at least since the invention of philosophy in Greece in the second half of the last millennium before the Christian era. But it became an important skill that was placed as one of the main objectives of education only in the latter portion of the 20th and the beginning of the 21st century.

B. Critical Thinking and Language


Critical thinking is inevitably tied to language, which is the main form in which thinking expresses itself. But it was with the invention of writing, especially alphabetic writing, that it became possible to register one’s thinking for wider distribution, including for posterity, that conditions were created that would soon make philosophy, and with it critical thinking, possible.

C. Critical Thinking and Logic


But it was the invention – or, if the term is too strong, the systematization – of logic, by Aristotle, that really brought critical thinking into life: Aristotle basically created the argumentative use of language, upon which critical thinking depends.

D. Critical Thinking and Information


Critical thinking requires thinking as its object, and thinking is expressed mostly through language. Linguistic information (in oral or written form) is the main focus of critical thinking. However, critical thinking can be focused on non-verbal sounds images (static or moving) as well.

E. Critical Thinking and Communication


Although critical thinking in purely individual contexts is possible, critical thinking thrives where communication is easy and open, since effective analysis and evaluation of ideas often involve – even require – dialogue, discussion and mutual criticism.

F. Critical Thinking in the Late 20th Century


The role of information and communication in critical thinking explains why it began to thrive, as an activity and as one of the goals of education, at more or less the same time when the world faced an information and communication explosion.

G. Critical Thinking and Technology


Since this explosion is closely related to the emergence of digital information and communication technologies, the role of these technologies in critical thinking became quite important, given the unprecedented access to information to information and communication that this technology provides.

3. Methods and Tools of Critical Thinking


As it became evident in the previous section, the main tools for critical thinking, now grouped by affinity, are:

A. Language


Language has many uses. The main ones are to:

  • Communicate and convey information;
  • Express sentiments;
  • Argue, convince and persuade;
  • Evoke feelings;
  • Command, counsel, and suggest;
  • Perform acts and rituals.
  • The first three are the uses that are most relevant to critical thinking. When we convey information, express sentiments, and argue we use declarative statements that can be true or false. Language used to evoke feelings, command and perform acts cannot properly be said to contain statements that can be true or false. In critical thinking the objective is to evaluate thinking expressed in statements that can be true or false. Evaluation, in this case, means assessment of the epistemic credentials of a statement: determine and evaluate the evidence or the arguments used to support truth claims.

    B. Logic


    Logic is the science of evaluating arguments as to their validity or invalidity.

    Arguments are composed of sets of statements, in which one is the thesis (the conclusion) and the others are the premises (the epistemic support for the conclusion).

    In arguments, premises and conclusion must be statements that are either true or false.

    An argument is valid when, if its premises are true
    , its conclusions cannot (logically) be false. This means that the conjunction of the truth of the premises and the falsity of the conclusion is a contradiction in a valid argument. This means that validity is a formal concept that does not have anything to do with the truth or falsity of the premises of an argument.

    Thus, a valid argument can, in fact, contain statements that are either false or undetermined as to the truth value.

    A valid argument that in fact contains all true premises (and, therefore, a true conclusion) is called a sound argument. Logic does not have principles to determine the truth or falsity of statements, but it does have complex rules for evaluating the validity or invalidity of arguments. An unsound argument either is invalid or has at least one false premise.

    C. Information


    What we call verbal information consists of (oral or written) declarative statements. In a context, such as the Information Society, where we have information overload, there are many more possibilities for the exercise of critical thinking.

    Since critical thinking has as its objective the evaluation of thinking expressed in language, and our society is overloaded with information, we have here the main reason why critical thinking became to central to our society and one of the most important goals of education.

    D. Communication


    If information provides most of the input for critical thinking in the Information Society, communication is the main tool for achieving it, since it is a necessary condition for collaborative discussion and debate, which are essential to critical thinking.

    E. Information and Communication Technologies


    Given the centrality of information and communication processes in critical thinking, it is no wonder that information and communication technologies are also central tools to it.

    F. References

    1. Methods of Critical Thinking:

    http://www.k12academics.com/educational-psychology/critical-thinking/methods-critical-thinking

    2. Assessment and Teaching of 21st-Century Skills: http://www.atc21s.org/home/

    3. Critical Thinking Skills for Education Students by Elaine McCreery (Kindle Edition – Feb. 24, 2010) – Kindle Book

    4. The Socratic Method and its Effect on Critical Thinking – An article at the Socratic Method Research Portal

    5. Using Internet Primary Sources to Teach Critical Thinking Skills in World Languages by Grete Pasch and Kent Norsworthy (Kindle Edition – Nov. 30, 2000) – Kindle Book

    6. Using Internet Primary Sources to Teach Critical Thinking Skills in World Literature by Roxanne M. Kent-Drury (Kindle Edition – Mar. 30, 2005) – Kindle Book

    7. Using Internet Primary Sources to Teach Critical Thinking Skills in the Sciences by Carolyn M. Johnson (Kindle Edition – Aug. 30, 2003) – Kindle Book

    8. Using Internet Primary Sources to Teach Critical Thinking Skills in Government, Economics, and Contemporary World Issues by James M. Shiveley and Phillip J. VanFossen (Kindle Edition – Sept. 30, 2001) – Kindle Book

    9. Using Internet Primary Sources to Teach Critical Thinking Skills in Geography by Martha B. Sharma and Gary S. Elbow (Kindle Edition – Sept. 30, 2000) – Kindle Book

    10. Using Internet Primary Sources to Teach Critical Thinking Skills in History by Kathleen W. Craver (Kindle Edition – Oct. 30, 1999) – Kindle Book

    11. Using Internet Primary Sources to Teach Critical Thinking Skills in History: Washington Tackles the Yugoslav Conflict by Danielle S. Sremac (Kindle Edition – Oct. 30, 1999) – Kindle Book

    12. Using Internet Primary Sources to Teach Critical Thinking Skills in History: Generals, Knowledge, and Warfare in Early Modern Europe, 1680-1740 by Erik Lund (Kindle Edition – Oct. 30, 1999) – Kindle Book

    13. The Critical Thinking Community Bookstore: http://www.criticalthinking.org/bookstore/

    4. Critical Thinking and Education: How to Develop and Improve Critical Thinking Skills


    It is difficult to question that information is an essential ingredient of the educational process. What became questionable in the 21st century was the thesis that the main role of education is to transmit information to the students – “content delivery” (“content” being understood primarily as information organized according to disciplinary criteria that reflect academic specialization. Since, today, an unprecedented amount of information is readily available on the Internet, there seems to be little justification to spend large sums of information simply to transmit information from one generation to the other.

    Given this fact, which became more and more evident at the end of the 20th and the beginning of the 21st century, the focus of education began to change from information transm
    ission to capacity building – that is, to skill and competency development.

    There is no doubt that conventional education had basic skill development as one of its goals. After all, learning how and read and write and how to deal with numbers, quantities, formulas, shapes, patterns, etc. involves the development not only of various skills but also of extremely complex competencies.

    However, many of the skills and competencies that became important in 21st-century society were not covered – or were insufficiently or inadequately covered – in the conventional educational systems of the 20th century. Hence the idea to promote 21st-century skills as part – probably the central core – of the curriculum. And critical thinking has been included in every list of 21st-century skills suggested.

    There is ample agreement that conventional teaching – centered on teacher-led lecturing and exposition – is not an effective method to help students develop skills and competencies (21st-century or any other). There is considerable agreement, as well, that problem-oriented, project-based and inquiry-led collaborative methodologies provide such method. Hence, the conclusion that the best way to develop and improve skills – including and especially critical thinking – is through this methodology, which involves:

  • Access to information or search for information
  • Information management (organization, storage, retrieval, preservation of the integrity and security of information, etc.)
  • Analysis, evaluation and processing of information
  • Interpersonal communication
  • Public communication (dissemination of information to the general public by audiovisual and written means)
  • Critical discussion and debate of information
  • These information and communication processes are, today, closely dependent of digital technology (but many of them were dependent of conventional technologies, such as print, photography, telephone, cinema, radio and television). And they are essential for the development of critical thinking skills.

    Hence the importance that problem-oriented, project-based and inquiry-led collaborative methodologies have assumed at the present.

    References

    1.

    http://www.k12academics.com/educational-psychology/collaborative-learning

    2. http://www.educationlabs.com/projects/collaborativelearning/Pages/default.aspx

    3. Becoming a Critically Reflective Teacher by Stephen D. Brookfield (Kindle Edition – Oct. 13, 1995) – Kindle Book

    4. Classrooms That Work: Teaching Generic Skills in Academic and Vocational Settings by C Stasz (Kindle Edition – Jan. 25, 1993) – Kindle Book

    5. Critical Squares: Games of Critical Thinking and Understanding by Shari Tishman and Albert G. Andrade (Kindle Edition – May 15, 1997) – Kindle Book

    6. Differentiating With Graphic Organizers: Tools to Foster Critical and Creative Thinking by Patti Drapeau (Kindle Edition – Sept. 26, 2008) – Kindle Book

    7. Information Literacy and Technology Research Projects: Grades 6-9 by Norma Heller (Kindle Edition – Feb. 15, 2001) – Kindle Book

    8. Making Questions Work: A Guide to How and What to Ask for Facilitators, Consultants, Managers, Coaches, and Educators by Dorothy Strachan (Kindle Edition – Nov. 28, 2006) – Kindle Book

    9. Philosophy in the Classroom: Improving Your Pupils – Thinking Skills and Motivating Them to Learn by Ron Shaw (Kindle Edition – Jan. 23, 2009) – Kindle Book

    10. Socratic Circles: Fostering Critical And Creative Thinking In Middle And High School by Matt Copeland (Kindle Edition – Mar. 1, 2005) – Kindle Book

    11. Spoofing and Proofing the Classics: Literature-Based Activities to Develop Critical Reading Skills and Grammatical Knowledge by Keith Polette and Nancy Polette (Kindle Edition – Feb. 28, 2007) – Kindle Book

    12. Students as Researchers by Shirley (Ed.) Steinberg (Kindle Edition – Dec. 7, 2002) – Kindle Book

    13. The Beanstalk and Beyond: Developing Critical Thinking Through Fairy Tales by Joan M. Wolf (Kindle Edition – Aug. 15, 1997) – Kindle Book

    14. Tricky Thinking Problems: Advanced Activities in Applied Thinking Skills for Ages 6-11 by Jan Langrehr (Kindle Edition – Jan. 9, 2009) – Kindle Book

    In São Paulo, on June 18, 2010, transcribed on July 11, 2010
    © Eduardo Chaves

    É preciso ensinar a criança a brincar, ou sempre brincar com ela???

    Importante artigo de Rosely Sayão na Folha de hoje, para brindar o início das férias de meio de ano no Brasil. Férias dos filhos, é bom que se diga. Porque para os pais, o período é complicado, porque, além de seus afazeres regulares, têm de lidar com crianças que, fora da escola, não sabem o que fazer, porque se acostumaram a só fazer coisas em ambientes em que a ação programada. Nas férias ficam como baratas tontas, perguntando “Mãe/pai, o que eu faço?” As férias, que deveriam ser o período de crianças felizes, por terem a liberdade de fazer o que querem, se torna o período de crianças entediadas, porque desaprenderam a brincar sozinhas sem a orientação de um adulto.

    O problema é sério. Fui professor de Filosofia da Educação I durante 32 anos no primeiro semestre do Curso de Pedagogia, na UNICAMP. Ali estavam as alunas (95% dos alunos eram mulheres) ingressantes, novinhas (17-18 anos), sem saber direito por que estavam ali, o que queriam da vida.

    Filosofia da Educação I, na UNICAMP, era uma Introdução à Filosofia da Educação, uma matéria que permitia que a gente estudasse quase qualquer coisa relacionada com a educação e a aprendizagem. Eu começava perguntando às alunas o que (relacionado com a educação e a aprendizagem) elas gostariam de estudar durante o semestre. Ninguém sabia. Quando eu pressionava, e demonstrava minha incredulidade de que elas não pudessem dizer uma só coisa que gostariam de estudar e aprender durante o semestre, elas retorquiam: “Sei lá, ué… Você é o professor”. Em outras palavras, quem sabe o que elas devem estudar e aprender é o professor. Elas estudam e aprendem qualquer coisa que o professor escolher. Mesmo quando têm liberdade para escolher, falta-lhes autonomia para escolher, falta-lhes o desejo de protagonizar a própria aprendizagem.

    Elas são, alguns anos depois, os alunos que, hoje, nas férias, vão ficar perguntando aos pais o que devem fazer para se divertir, os que, sem uma indicação direta dos pais, às vezes optam por vegetar na frente da TV ou mesmo dormir, na cama e com cobertor (aproveitando a estação) durante o dia quase inteiro. Se os pais estão em casa, são solicitados a levar os filhos a algum lugar: ao shopping, ao cinema, etc., porque eles não sabem bricar, sozinhos, em casa, não têm o gosto pela leitura solitária e prazerosa, não sabem pegar um vídeo e assistir, sozinhos, a um filme: alguém tem de assistir ao filme com eles.

    Onde estão as crianças que adoravam as férias porque nas férias podiam ler um monte de livros que não estavam entre aqueles cuja leitura era exigida pela escola? Onde estão as crianças que tinham prazer em estar a sós consigo mesmas, longe de um monte de gente, longe até mesmo dos pais e dos irmãos?

    ———-

    Folha de S. Paulo
    29 de Junho de 2010

    ROSELY SAYÃO
    roselysayao@uol.com.br

    É tempo de criança entediada


    As férias mostram que os filhos não sabem mais brincar sozinhos, por responsabilidade absoluta dos seus pais


    QUANDO AS FÉRIAS escolares se aproximam, muitos pais já sabem aquilo que os espera. Como os filhos não sabem brincar sem a direção dos adultos, acabam não sabendo como preencher o seu tempo livre .

    Então, vão atrás dos pais em busca de ajuda; isso acontece, inclusive, quando os pais estão em horário de trabalho. Ah! Esse telefone celular que acabou com todas as portas fechadas entre pais e filhos…

    Hoje, as crianças não sabem mais brincar sozinhas: elas não sabem o que querem fazer, não sabem do que gostam, não têm curiosidade em explorar o que as circunda. E isso acontece por nossa inteira responsabilidade. Desde quando criança precisa aprender a brincar? Pois, agora, elas precisam.

    Desde pequenas, acostumamos as crianças com a presença de um adulto responsável, inclusive e principalmente, por entretê-la. Quando pais contratam babás, querem alguém que tenha paciência de brincar com a criança por horas e horas, mais do que cuidar dela.

    As escolas de educação infantil, de um modo geral, seguem mais ou menos o mesmo esquema. Do momento em que a criança entra na escola até o final do período, têm atividades previamente programadas. Como se não bastasse tudo isso, desde que nascem as crianças têm à sua disposição uma infinidade de brinquedos de todos os tipos e cores, que produzem os mais variados sons etc. Os pais fazem isso com boa intenção, mas o exagero na quantidade de brinquedos produz o efeito oposto do que pretendiam: em vez de interessar a criança, esse arsenal de objetos lúdicos acaba por cansá-la e fazer com que não tenha interesse real por nenhuma daquelas coisas.

    Ter brinquedos não garante à criança o ato de brincar e ter muitos a leva a não dar atenção a nenhum. E não temos reclamado da atenção dispersa, mais tarde?

    Quem vê uma criança brincar por muito tempo com um de seus brinquedos? Em geral, o comportamento dela é o de pegar e descartar vários, muito rapidamente. É bom lembrar que quando a criança tem muitos brinquedos não tem nenhum deles porque, ao pular de um para o outro, não consegue construir uma brincadeira.

    Temos criado, dessa maneira, crianças que se entediam com muita facilidade.

    As férias são uma boa ocasião para os pais saírem da cena tipicamente infantil. Claro que isso não significa abandonar a criança, já que ela teve poucas oportunidades de ser empreendedora em suas brincadeiras. Dar algumas pistas, lançar poucos desafios são exemplos de ofertas que não gerenciam, tampouco desamparam a criança em sua demanda.

    Conheço uma mãe que tem conseguido, não sem esforço, levar sua filha a criar suas brincadeiras e ficar bastante tempo interessada nelas. Sua atitude pode servir de inspiração, mas não de modelo.

    Ela sugeriu à garota, de pouco mais de oito anos, que construísse uma "caça ao tesouro", brincadeira bem conhecida das crianças.

    A garota ficou totalmente concentrada na atividade porque a mãe dissera que, se as charadas fossem fáceis, ela não brincaria com a filha. A estratégia da mãe funcionou: a filha ficou ligada na brincadeira e a mãe gastou pouco mais de 10 minutos, à noite, para participar com a filha e fazer a sua parte.

    Digo e repito: temos feito uma grande confusão na convivência com as crianças. Fazemos o que não precisa ser feito e deixamos de fazer o que é imprescindível. Já é hora de revertermos esse quadro.

    ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha) blogdaroselysayao.blog.uol.com.br

    ———-

    Em São Paulo, 29 de Junho de 2010

    Sobre a arte de desaprender

    Está terminando o congresso de que eu vim participar aqui em Lincolnville, perto de Northport, perto de Camden, perto (2h de distância) de Portland, em Maine. Um dos lugares mais bonitos que eu já tive o privilégio de visitar, no alto de um morro, vendo uma baía do Atlântico que é toda sinuosa e cheia de volteios, dando a impressão de ser mais um conjunto de lagos do que parte do mar. O ambiente é agreste. Coelhos, esquilos, tâmias (chipmunks), tartarugas estão por todo lugar. À noite, no chalé, escuto um monte de piados, miados e chiados que nunca escutei.

    O congresso foi sobre "1:1 Computing"Um Computador por Aluno, ou, Um Computador por Criança. Ou, como eu prefiro, “Anytime, Anywhere Learning” (que é o nome da fundação que organizou o evento, comandada por meu amigo Bruce Dixon, educador australiano). Conheço o Bruce desde 2003. Na verdade, lembro-me do dia que nos vimos pela primeira vez: 31 de Março de 2003, no Opus Hotel, em Vancouver, Canada. Quem nos aproximou foi o Greg Butler, também educador, também australiano, meu amigo há mais tempo (desde 2000) e do Bruce há muito mais tempo.

    Ao me convidar para o congresso o Bruce especificamente me solicitou que fosse um provocador, um perturbador da ordem, um fator desestabilizador, alguém que tira os participantes de sua zona de conforto. Fiz um pouco disso nos dois primeiros dias do congresso, mas hoje, no painel final, deixei de lado os slides que havia preparado e falei extemporaneamente, na base da “inspiração do Espírito”. Teve gente que adorou, mas teve também quem não gostou.

    Meu primeiro ponto foi o seguinte. Parti de uma afirmação feita pelo Bruce em um congresso anterior de que participamos juntos. Disse ele que o pior cenário possível, na área de tecnologia aplicada à educação, seria a gente conseguir colocar um computador nas mãos de cada aluno, e a educação continuar do mesmo jeito que antes, não mudando nada em termos de conceito, visão, teoria e prática (englobando visão de educação e conceito de aprendizagem, teoria e prática de currículo, metodologia, e avaliação, bem como novos ambientes de aprendizagem, nova forma de gestão, etc.). Um cenário como o contemplado pelo Bruce é, para a educação escolar, pior do que um cenário em que os alunos não têm computador. A MENOS QUE os alunos possam levar os computadores para casa e usá-los em seu tempo extra-escolar – para qualquer finalidade que lhes seja de interesse, porque daí eles estarão aprendendo, não-formal e extra-escolarmente.

    Esse o meu primeiro ponto.

    Meu segundo ponto foi o seguinte. Todo mundo na área de tecnologia aplicada à educação fala sobre a necessidade de mudanças na educação escolar e vai além: afirma que não bastam mudanças parciais, incrementais, graduais, reformadoras, evolutivas – as mudanças precisam totais, sistêmicas, em paralelo, transformadoras, revolucionárias. E todo mundo afirma que essas reformas, que mudam o paradigma, e vão levar a educação escolar para além do modelo industrial, são urgentes…

    No fundo, todos nós sabemos que é verdade o que diz Jay Allard:

    “Para mudar o mundo, precisamos imaginá-lo diferente do que é hoje. Se, nessa visão, usarmos muito do conhecimento e da experiência que nos trouxeram até aqui, terminaremos exatamente onde começamos… Para ter um resultado diferente, temos de olhar as coisas de uma perspectiva radicalmente diferente.” (J Allard, Ex-Vice-Presidente da Microsoft, Business Week, 4 Dez 2006, p.64).

    No entanto, quando se vê o que os proponentes de mudanças transformadoras na educação pretendem fazer, quase nada é radical e a mudança total, sistêmica, etc. passa longe. O paradigma continua o mesmo.

    Ou vejamos.

    Exemplo 1.

    Todo mundo diz que o professor será o “gateway”, o portão de entrada, para a nova educação e insiste que, antes de tudo, precisamos criar novos programas de desenvolvimento profissional para professores, para que eles consigam transformar a escola atual em uma escola diferente. Mas quem garante que a escola do futuro, transformada, terá professores, como os conhecemos? Na realidade, quem garante que a educação do futuro terá escolas, como as conhecemos? Ivan Illitch vinha, já há muito tempo, insistindo na desescolarização da sociedade. E ele propôs isso muito antes de a tecnologia transformar a nossa sociedade em uma sociedade da informação, do conhecimento, da aprendizagem – na verdade, em uma sociedade aprendente (learning society).

    Exemplo 2.

    Todo mundo fala na necessidade de desenvolver “conteúdo digital” para que os alunos do futuro tenham materiais com os quais trabalhar através de suas maquininhas. Mas na maior parte dos casos o conteúdo digital não passa do mesmíssimo conteúdo dos nossos livros impressos atuais, só que em formato eletrônico, às vezes até digitalizado. É apenas para isso que serve a tecnologia digital, para que a gente leia na tela o que antes lia em papel?

    Exemplo 3.

    Os “smartboards” são anunciados como tecnologia da escola do futuro. Será que alguém realmente acredita que lousas digitais vão transformar radicalmente a educação? Afinal de contas, elas ainda são lousas! E para que serve uma lousa quando cada um tem um computador?

    Em suma: não somos radicais o suficiente em nossa imaginação da escola do futuro.

    Esse o meu segundo ponto.

    Meu terceiro ponto foi o seguinte. Existe bastante observação pessoal, evidência de pesquisa, e argumento racional que comprova a tese de que as crianças (e os adultos talvez ainda mais) aprendem a maior parte das coisas que sabem, e que sabem fazer, e virtualmente a totalidade das coisas realmente importantes que precisam saber e saber fazer, sem que alguém as ensine (como professores ensinam as coisas na escola).

    Uma criança pequena, nos primeiros meses, aprende a reconhecer padrões sofisticados de natureza visual e auditiva que lhe permitem reconhecer o rosto e a voz de seus pais, irmãos, demais parentes, e amigos próximos. Como ela aprende a fazer isso ninguém sabe, mas que ela aprende, aprende. E essa é uma competência importantíssima na vida: reconhecer padrões que nos permitem identificar a identidade dos outros por sua face e por sua voz. E ela a desenvolve sem que ninguém a ensine.

    Uma criança pequena, no primeiro ano de vida, aprende a se equilibrar nas duas pernas e a andar, e, em pouco tempo mais, está correndo, saltando, subindo escadas, virando piruetas, etc. E ela aprende a fazer isso sem que ninguém a ensine.

    Talvez o maior feito de aprendizagem de uma criança a pequena é aprender a reconhecer e a usar a linguagem. Ela aprende primeiro que determinados sons têm significado, e, logo depois, aprende a emitir esses sons com o significado certo. Leva algum tempo para que uma criança consiga dominar os músculos da face, especialmente os da boca e da língua, para emitir os sons de forma clara e precisa, e para que ela desenvolva um vocabulário que lhe permita se comunicar sem maiores problemas com colegas e com adultos. Mas ao final do seu quarto ano ela está bastante apta nesse mister. E aprende a usar a linguagem sem que ninguém a ensine.

    Algumas crianças até conseguem se alfabetizar, lá pelos cinco anos, logo depois de dominar o básico da linguagem oral, sem que ninguém as ensine.

    Alguém contesta isso? É inegável que a criança aprende tudo isso porque vive em sociedade, tem ajuda técnica e apoio emocional da família, etc. Mas quem aprende é ela, e o que a família faz não é ensinar em nenhum sentido que se assemelhe ao sentido de ensinar no contexto escolar. A família apóia e incentiva e, no que pode, facilita o seu aprendizado.

    Imaginemos como alguém ensinaria uma criança a andar da maneira que se ensinam outras coisas na escola. Andar é um processo complexo, diria o professor, pois requerer força física nas pernas, equilíbrio e movimento através do espaço. Para andar, é preciso primeiro desenvolver a musculatura das pernas, para que elas possam sustentar o resto do corpo. Vamos fazer alguns exercícios para fortalecer, primeiro a perna direita, depois a esquerda. Agora vamos praticar o equilíbrio. Equilíbrio é um conceito interessante… [E assim vai]. Uma vez alcançado o equilíbrio, é preciso aprender a se movimentar, sem cair ao solo. Isso se faz deslocando o peso do corpo, primeiro, para uma perna, liberando a outra. Isso feito, a outra é levantada do solo e movida na direção em que se deseja andar. Isso feito, transfere-se o peso do corpo para a perna que acabou de ser movida, libera-se a outra, e faz-se a mesma coisa com a perna que havia ficado para trás, fazendo com que, no movimento, ela vá além da posição em que se encontra a primeira perna movimentada. Vamos praticar isso. Muito bem. Na aula que vem vamos discutir como o cérebro dá comandos para que transfiramos o peso do corpo para uma perna, para que levantemos uma perna, para que a movamos na direção desejada, etc. Esse é um assunto muito interessante. Mas para discutir isso teremos um professor convidado, especializado em neuropsicologia.

    Será que a gente aprenderia a andar desse jeito?

    Vou poupar os leitores de uma descrição semelhante de uma aula para ensinar a criança a falar… John Holt uma vez disse que se ensinássemos as crianças a falar, da mesma forma que ensinamos outras coisas na escolas, elas nunca aprenderiam…

    Sugata Mitra, hoje da Universidade de New Castle, na Inglaterra, provou (quando ainda morava na Índia) que crianças indianas pobres, de 6 a 12 anos, aprenderam a usar o computador sem nenhum ensino. Tem provado muito mais, na mesma direção, desde então. Procurem na Internet o seu nome e o seu experimento original: “The Hole in the Wall”. Ele estava presente no congresso e fez uma palestra impressionante.

    Seymour Papert, que também esteve no Congresso, e conversou por mais de uma hora com Sugata, uma vez escreveu que o necessário, nos dias atuais, em que as mudanças acontecem de forma extremamente rápida, não é conseguir que as crianças aprendam a fazer o que lhes foi ensinado. Quando elas forem fazer isso, provavelmente as circunstâncias já mudaram tanto que ninguém está interessado naquilo que elas aprenderam fazer. (Alguma empresa contrata alguém hoje porque tem letra bonita, porque sua caligrafia é boa?). O que é preciso é que as crianças aprendam a fazer o que não lhes foi ensinado, diz Papert. E ninguém sabe como lhes ensinar a fazer o que não lhes foi ensinado… Elas têm de aprender por si próprias, sem que alguém as ensine!

    Angus King (ex-governador de Maine, que estava no Congresso) nos chamou a atenção para o fato de que a tecnologia não só está destruindo os limites de espaço e tempo que definem a escola atual, ela também está destruindo a estrutura de pessoal significativo na aprendizagem dos alunos. Quebrando as paredes e os muros da escola, quebrando o horário rígido da atividade escolar, criando a possibilidade de “anytime, anywhere learning”, a tecnologia colocou – na realidade, recolocou – à disposição da aprendizagem das crianças uma multidão de pessoas competentes, interessantes, motivadas, dispostas a ajudar os outros a aprender, começando com os pais e o restante da família imediata, passando pela comunidade mais próxima, e indo ao extremo de incluir os especialistas de qualquer parte do mundo.

    Oscar Wilde uma vez disse que as coisas mais importantes da vida aprendemos sem que ninguém nos ensine (pelo menos da forma que se ensinam coisas na escola). Aprendemos a fazer amizades, a nos relacionar uns com os outros, a amar, a fazer amor, a assumir o comprimisso de ter e cuidar dos filhos, etc., sem que ninguém nos ensine da forma que a escola ensina outras coisas. Oscar Wilde não estava no congresso. E não conheceu a Internet…

    Nesse contexto, meu ponto foi: por que não levamos isso a sério? Por que continuamos a pensar em construir escolas físicas parecidas com as que já temos? Por que continuamos a recrutar professores mal preparados, pagá-los mal (porque não sabem exercer o ofício), torná-los desmotivados, e, daí, termos a necessidade de, interminavelmente, tentar prepará-los em serviço?

    Por que não nos dedicamos a criar novos ambientes de aprendizagem, ricos em oportunidades de aprendizagem mediada pela tecnologia, flexíveis para acomodar as diferenças individuais e os interesses e talentos de cada um? Por que não pensamos em algo radicalmente novo?

    Por que não preparamos pessoas para atuar no apoio à aprendizagem das crianças, especializadas, umas em dar atenção e apoio emocional às crianças, outras em colocar desafios interessantes para elas, outras em ajudá-las a inventar desafios ainda mais interessantes, outras capazes de levar as crianças a explorar os seus potenciais, outras que a ajudem a encontrar as informações de que necessitam, outras que as ajudem a entender as informações que encontrem, outras que as orientem na escolha de um projeto de vida e nas competências que vão precisar ter para transformá-lo em realidade… Quantas funções nobres. E nenhuma delas envolve simplesmente transmitir informações às crianças ou lhes dar passo-a-passos que lhes permitem fazer coisas. Isso elas gostam de obter e fazer por si próprias…

    Esse o meu terceiro ponto.

    No conjunto, houve quem gostou, houve quem não gostou. Isso não me incomoda. O que me incomoda é que alguns continuaram a discutir algumas questões do congresso como se eu não houvesse dito nada.

    Papert mais uma vez tem uma frase precisa e “to the point”. “Mudanças fundamentais ou melhorias incrementais… O problema não está tanto definir qual a opção certa. O problema está em por que não se discute a questão.”

    Talvez a resposta esteja no fato de que mudança radical implica perdas, e perdas, mesmo daquilo que estamos convencidos de que precisa ser perdido, produzem dor, sofrimento, angústia, agonia.

    Desaprender é, freqüentemente, muito mais difícil do que aprender.

    Adquirimos nossas crenças, nossos hábitos, nossos costumes, muitas vezes de forma rápida, num processo semelhante ao de conversão. Converter-se é relativamente fácil. Desconverter-se, muito difícil – e bem mais doloroso.

    Mas quando crenças e hábitos ficam arraigados em nós, tão arraigados que parece impossível viver sem eles, porque eles de certo modo definem a nossa natureza, paramos de aprender.

    Para aprender o novo, precisamos, freqüentemente, desaprender  o velho.

    Em Lincolnville / Northport, ME, 16 de Junho de 2010

    Bibliotecas Escolares

    Foi aprovada recentemente pelo Congresso Nacional uma lei que me parece anacrônica já no nascimento. Ela obriga todas as escolas brasileiras a, dentro dos próximos dez anos, terem uma Biblioteca Escolar. Cada biblioteca deverá ter no mínimo um título diferente por aluno matriculado.

    As Associações de Bibliotecárias já estão assanhadas (provavelmente a lei foi aprovada por pressão delas). Vão exigir (se é que a lei já não contempla) que cada uma dessas bibliotecas tenha uma bibliotecária formada. Já imaginou quanto emprego para bibliotecária? Já imaginou a demanda sobre os cursos de Biblioteconomia que, sob pressão dos meios digitais de informação e comunicação estavam à míngua?

    Enfim, uma medida de interesse corporativista (i.e., da corporação das bibliotecárias) aprovada por um governo corporativista (i.e.,dos sindicalistas).

    Se o governo eliminar os impostos das empresas que fornecem conexão à Internet em banda larga, as escolas terão acesso decente à Internet em pouquíssimo tempo e, com isso, terão acesso a livros eletrônicos. Sem esperar dez anos. Nesse caso, as bibliotecas serão desnecessárias.

    Numa hora em que os livros estão todos se tornando (também) eletrônicos e o acesso à Internet universal, por que não comprar livros didáticos eletrônicos para as escolas (a um preço BEM mais barato), em vez de livros descartáveis em papel, e investir a economia em netbooks para os alunos?

    Daqui a dez anos, se a lei for cumprida, todas as escolas brasileiras terão uma biblioteca física construída, livros materiais nas estantes da biblioteca, uma bibliotecária vigiando os livros – e todo mundo estará usando netbooks conecatados à Internet através de redes wireless.

    Em São Paulo, 29 de Maio de 2010

    Ensino Superior

    Todo mundo precisa fazer Curso Superior?

    Evidentemente, não.

    É possível ser bem sucedido e realizado na vida sem ter um diploma de Curso Superior.

    Todo mundo pode fazer Curso Superior?

    Possivelmente, também não.

    Muita gente não tem a inteligência, a determinação, a paciência para estudar e ser aprovado em um Curso Superior.

    Todo mundo deve fazer Curso Superior?

    Claramente, não. Os que não podem fazer Curso Superior, claramente não devem fazê-lo. Se tentarem, ou irão fracassar, ou o curso terá de ter padrões muito baixos para não reprovar ninguém.

    Em países com sistemas educacionais sérios e bem conceituados, como é o caso da Alemanha, muita gente que até poderia fazer um Curso Superior, não o faz, porque não tem inclinação para continuar estudando ou porque prefere exercer uma profissão de nível técnico.

     

    Os Estados Unidos e a Coréia do Sul em que uma considerável parcela da população tem diploma de Curso Superior conseguiram essa façanha porque, no caso dos Estados Unidos, inventaram Community Colleges ou Junior que oferecem cursos e graus em Cosmetologia, Arranjos Florais, A Arte de Andar, etc. No caso da Coréia do Sul, o avanço se deu através de cursos superiores de curta duração – em geral na área técnica (mais ou menos equivalente aos nossos Cursos Tecnológicos ou Cursos Superiores de Tecnologia).

    O artigo transcrito adiante mostram que, muitas vezes há mais aprendizado, sem faculdade. Não ir à universidade ou faculdade pode ser uma decisão inteligente. Aprender no local de trabalho pode trazer vantagens.

    Vale a pena ler o artigo. O assunto deveria ser levado mais a sério pelas autoridades educacionais do nosso país, pelas escolas, e pela mídia, numa tentativa de mudar a cultura diplomística e bacharelesca brasileira.

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    The New York Times

    Traduzido pela Folha de S. Paulo
    24 de Maio de 2010

    Mais aprendizado, sem faculdade

    Nem todo o mundo vai à universidade, e isso pode ser uma decisão inteligente

    Aprender no local de trabalho pode trazer vantagens

    Um crescente número de educadores e economistas defende que haja alternativas profissionais para alunos que dificilmente terão sucesso na obtenção de um diploma de nível superior

    Por JACQUES STEINBERG

    Qual é a chave do sucesso?

    Se não for virar astro de reality show, a resposta é rotineira e, dizem alguns, bastante inconsciente: se formar na faculdade.

    A ideia de que quatro anos de ensino superior irão se traduzir em emprego melhor, salário mais alto e uma vida mais feliz tem sido martelada na cabeça de alunos, pais e educadores no mundo todo. Mas há outro lado nessa sabedoria convencional. Dos alunos que entraram na graduação de quatro anos nos EUA no segundo semestre de 2006, talvez menos da metade se forme no prazo de seis anos, segundo as últimas projeções do Departamento de Educação do país.

    Para os alunos de ensino superior que estiveram na pior quarta parte das suas classes no ensino médio, os números são ainda mais duros: 80% provavelmente jamais vão conseguir o diploma de bacharel, e nem mesmo a graduação básica de dois anos.

    Ou seja: muita mensalidade, sem um diploma para mostrar ao final.

    Um pequeno e influente grupo de economistas e educadores está propondo outro caminho: para alguns alunos, nada de faculdade. É hora, dizem eles, de desenvolver alternativas críveis para alunos que dificilmente terão sucesso na obtenção de uma graduação, ou que podem não estar preparados para isso.
    Entre os que defendem tal alternativa estão os economistas Richard Vedder, da Universidade de Ohio, Robert Lerman, da Universidade Americana, e James Rosenbaum, professor de educação da Universidade Northwestern, de Illinois. Eles gostariam de direcionar alguns alunos para um ensino técnico profissionalizante intensivo, curto, por meio de programas ampliados no ensino médio e de vagas para aprendizes em empresas.

    Embora nenhum país tenha um modelo perfeito para esses programas, Lerman citou um estudo sobre a Alemanha, feito no ano passado por uma estagiária daquele país. Ela concluiu que 40% dos aprovados no Abitur, vestibular que permite a alguns alemães frequentar a faculdade quase sem custos, preferiam virar aprendizes nas áreas de comércio, contabilidade, gestão de vendas e informática.

    "Algumas pessoas que saem dessas aprendizagens têm mais oferta [de emprego] do que os graduados em faculdades", disse ele, "porque elas realmente já cuidaram das coisas no local de trabalho".

    Grande parte do treinamento para certos empregos, como o de auxiliar de enfermagem, é viável fora do ambiente universitário, disse Vedder. "É verdade que precisamos de mais nanocirurgiões do que 15 anos atrás. Mas os números ainda são relativamente pequenos em comparação ao número de auxiliares de enfermagem que iremos precisar. Precisaremos de centenas de milhares deles na próxima década."

    Das 30 profissões que mais devem crescer ao longo da próxima década nos Estados Unidos, apenas 7 costumam exigir bacharelado, de acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho.

    Entre as 10 categorias que mais crescem, 2 exigem diploma de graduação: contabilidade (um bacharelado) e magistério superior (um doutorado). Mas esse crescimento deve ser ofuscado pela necessidade de assistentes domésticos de saúde, representantes de serviços para o cliente e balconistas de loja. Nenhum desses empregos exige diploma de graduação.

    Vedder gosta de perguntar por que 15% dos carteiros têm bacharelado. "Alguns poderiam ter comprado uma casa com o que gastaram na sua educação", afirmou.
    Lerman, o economista da Universidade Americana, em Washington, disse que alguns recém-formados do ensino médio estariam mais bem servidos se aprendessem como se comportar e se comunicar no local de trabalho.

    Tais habilidades estão entre as mais desejadas -antes mesmo da escolaridade- em muitas pesquisas com empregadores.

    Em uma delas, em 2008, com mais de 2.000 empresas no Estado de Washington, as principais deficiências apontadas nos recém-contratados eram em "resolver problemas e tomar decisões", "resolver conflitos e negociar", "cooperar" e "ouvir ativamente".

    Apesar dessa necessidade, os cursos técnicos têm sido uma vítima na busca por padrões nacionais de educação nos EUA, que focam a preparação dos alunos para a faculdade.

    Enquanto alguns educadores propõem uma renovação radical no sistema de faculdades comunitárias, para que elas ensinem a preparação para o trabalho, Lerman defende um significativo investimento por parte de governo e empregadores para o treinamento de aprendizes no local de trabalho.

    Ele falou com admiração, por exemplo, de um programa da rede de drogarias CVS, em que aspirantes a assistentes de farmácia trabalham como aprendizes em centenas de lojas. De lá muitos vão à faculdade e se tornam farmacêuticos propriamente ditos.

    "O campo da saúde é obviamente um caso em que a situação da mão de obra é aquém da ideal", disse ele. "Eu tentaria trabalhar com alguns grandes empregadores para desenvolver esse tipo de programa, para oferecer um domínio sobre empregos que de fato exigem alto conhecimento."

    Mas, ao aconselhar alguns estudantes a serem direcionados para fora das faculdades de quatro anos, acadêmicos como Lerman podem ser acusados de rebaixar as expectativas desses alunos.

    Alguns críticos vão além, sugerindo que a abordagem equivale a uma discriminação educacional, já que muitos dos alunos que abandonam a faculdade são negros ou hispânicos não brancos.

    Peggy Williams, orientadora numa escola de um subúrbio de Nova York cujos alunos são majoritariamente negros e hispânicos, entende o argumento em prol de estimular a ida à faculdade.

    "Se estamos dizendo à garotada: ‘Vocês nunca vão chegar lá, vocês nem deveriam ir para a faculdade ou a universidade’, então nós estamos privando-os de experimentar um ambiente em que poderiam crescer."

    O economista Morton Schapiro, reitor da Universidade Northwestern, chamou a atenção para os benefícios intangíveis da experiência da faculdade mesmo para aqueles que não venham a aplicar o que aprenderam diretamente no trabalho que escolherem.

    "Não se trata só de retorno econômico", disse. "Ir à faculdade, concluindo ou não, contribui com a apreciação estética, a melhor saúde e o melhor comportamento eleitoral."

    Mesmo quem passa poucos anos na faculdade ganha mais, em média, e tem menos risco de desemprego do que aqueles que apenas concluíram o ensino médio, disse Schapiro. "Você tem algum retorno mesmo se não apanhar o canudo."

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    Em São Paulo, 24 de Maio de 2010
    (Primeiro post escrito no apartamentop novo)