Sorte

Acabei de assistir (hoje, 4 de junho de 2006) a um instigante filme de Woody Allen: "Match Point". Minha razão principal pra comprar o DVD foi o fato de Scarlett Johanssen estar nele… Mas o filme é muito bom. Woody Allen, além de diretor, é roteirista.

O filme começa com a música "Una furtiva lacrima" no fundo, enquanto passam os créditos de abertura… (Eu tinha uma idéia obsessiva de fazer um filme em que Nana Mouskouri cantava essa música quando dos créditos de abertura). Depois aparece uma rede de tênis e uma bolinha passando de lá pra cá, de cá pra lá.

Um voz em off diz:

"O homem que declarou ‘Preferiria ter sorte a ser bom’ entendia muito da vida. As pessoas têm medo de enfrentar a verdade de que uma grande parte de nossa vida depende exclusivamente da sorte. Assusta acreditar que muito na vida está fora de nosso controle. No, entanto, há momentos em uma partida de tênis em que a bola bate no topo da rede e, por uma fração de segundo, pode ir para frente ou cair para trás. Com um pouco de sorte ela vai pra frente, e você ganha. Mas pode ser que ela não faça isso, e você perde".

O filme ilustra o princípio — mas a gente só percebe no fim.

Vale a pena assistir. Filme inteligente, como, em geral, são os filmes de Woody Allen. Mistura de romance, policial e suspense. Mas a provocação principal é a questão com que ele começa: quanto da nossa vida depende da sorte?

Tenho defendido há muito tempo que nossa vida depende principalmente de nós mesmos. Mas é inegável que há fatores além de nosso controle. Desses, vários estão sob controle de outras pessoas, mas uma boa parte só pode ser qualificada de sorte – ou azar. É difícil vencer na vida sem uma pitada de sorte aqui e ali. Falo com conhecimento de causa. Tenho sido bafejado por ela em muitas ocasiões. Mesmo quando parecia que o azar havia me acometido, o que veio foi a sorte disfarçada de azar. Espero que meus aparentes azares do presente continuem a se transformar em sorte.

Em Campinas, 4 de junho de 2006

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