Portugal e o Reino Unido

Estou em Londres, no aeroporto de Heathrow — por algumas horas.  

Há algumas coisas irônicas na vida… Eu viajo bastante. Sempre viajei muito, mas ultimamente tenho exagerado. Pelos meus cálculos, conheço mais de 45 países. Por cinco anos seguidos alcanço a categoria de passageiro Elite 1K da United, que me dá uma série de privilégios e mordomias.

Sou descendente de portugueses, tanto do lado paterno como do materno. E, durante o meu doutorado, me especializei no Iluminismo Britânico, estudando o Deísmo e filósofos como David Hume, sobre o qual acabei escrevendo minha tese de doutoramento.

No entanto, apesar das minhas tantas viagens, até este ano nunca havia colocado os pés em Portugal e no Reino Unido. Estive em Portugal durante 16 dias em Novembro. Hoje, estou aqui na Inglaterra – e, mesmo assim, apenas de passagem, no aeroporto de Heathrow. Mas coloquei os pés em solo britânico, por algumas horas (serão mais ou menos sete: cheguei às 5 da manhã e sairei ao meio-dia, com destino a São Paulo).

Sendo descendente de portugueses e tendo me concentrado na filosofia inglesa e escocesa do século XVIII, era-se de esperar que eu tivesse visitado Portugal e o Reino Unido antes dos meus vetustos 63 anos. No entanto, nunca antes deu certo. Este ano deu certo em relação a Portugal. Em relação ao Reino Unido, ainda realmente não deu — estou apenas no aeroporto.  

A ironia é que, nos últimos anos, tenho estado com freqüência em países da Ásia, continente que pouca coisa tinha que ver comigo. De 2004 para cá estive em Taiwan (três vezes, a quarta será em Maio de 2007), Hong Kong (duas vezes), Coréia do Sul, agora Malásia. Em Fevereiro de 2007 deverei ir à Cambódia, e, tudo dando certo, darei um pulo ao Vietnam, que, por razões históricas e biográficas, gostaria de conhecer. Antes, em 1984, estive na Coréia do Sul, em Hong Kong, na China, na Tailândia, na Índia… Por que é que os volteios da vida me permitiram visitar esses países, alguns mais de uma vez, antes de eu ficar conhecendo a terra de meus antepassados e antes de colocar os pés (por poucas horas) naqueles que são os meus antepassados intelectuais, ao qual devo muito de minha formação intelectual?

É difícil entender os vais-e-vens da vida.

Em Londres, 10 de dezembro de 2006

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