O elogio à pobreza – material e do espírito (não nessa ordem)

Parte da herança funesta do Cristianismo, que o Socialismo prontamente absorveu, é o elogio à pobreza – material e espiritual.

A Bíblia – em especial o Novo Testamento – desanca os ricos. "É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus" (Mar 10:23-25). Um jovem rico fica desolado quando ouve de Jesus a injunção de que venda tudo o que tem e dê o dinheiro aos pobres (Mat 16:21). Ou seja, se quiser manter a sua fortuna, ficará fora do Reino dos Céus. 

Por outro lado, o mesmo Novo Testamento elogia os pobres – mesmo sem deixar clara a razão desse elogio à pobreza. Mais do que as referências elogiosas aos pobres materiais – a pobreza ali é tido como meritória e virtuosa, ao contrário da riqueza – assusta-me o elogio à pobreza espiritual.

Nas Bem-Aventuranças, Jesus declara bem-aventurados os "pobres de espírito", afirmando que "deles é o Reino dos Céus" (Mat 5:3; Luc 6:20).

Sempre tive dificuldade em entender essa bem-aventurança. Na verdade, a dificuldade não está tanto em entender o que foi  dito. Até acho que entendo. Minha dificuldade está em entender que justificativa poderia haver para bem-aventurar os pobres de espíito… Que fosse os pobres de matéria, ainda vá – mas os pobres de espírito !?!?!?

O que poderia ser um pobre de espírito?

Um site espírita que encontrei na Internet tenta definir pobre de espírito da seguinte forma: "É necessário explicar primeiro o que Jesus quis dizer com pobres de espírito. São as pessoas que não querem ser o centro das atenções, que não buscam só o seu destaque individual, mas sim, trabalham para a coletividade, mesmo que isso venha a incomodar sua própria vida. Os pobres de espírito são as pessoas que buscam o conhecimento, a riqueza interior, deixando as aparências exteriores em segundo plano. Estas pessoas cultivam a humildade e a caridade e por isto o Reino dos Céus será delas."

(http://www.espirito.org.br/portal/palestras/geap/palestra14.html)

Ora… não sei de onde o autor dessa passagem tira essa definição de pobre de espírito. Pobre de espírito é quem busca conhecimento e riqueza interior??? Quer o autor nos fazer crer que pobreza de espírito é, na verdade, riqueza de espírito??? Faça-me o favor.

No meu entender, pobre de espírito é alguém que tem carência de espírito, ou seja, alguém cuja habilidade mental – para usar uma linguagem meio politicamente correta – deixa a desejar… Enfim, um – agora usando uma linguagem politicamente incorreta – retardado mental. É nesse sentido que usamos o termo quando chamamos alguém de "pobre de espírito". Contrário ao que pretende o site espírita, chamar alguém de "pobre de espírito" certamente NÃO É elogiá-lo. 

Até aí, tudo bem… Acho que o meu entendimento da expressão "pobre de espírito" é correto. Meu problema é outro.

Meu problema é: (a) Por que esse tipo de pessoa seria bem-aventurado? (b) Por que esse tipo de pessoa herdaria o Reino dos Céus?

Na verdade, tenho um terceiro problema: (c) Se o Reino dos Céus será herdado por esse tipo de gente, quem mais vai querer ir para lá??? Mas esse problema reconheço que não é meu).  

Lanço essas perguntas para quem ouse tentar respondê-las. Anos de estudos da religião e da teologia não me deram uma resposta.

Devo, porém, qualificar um pouco minha afirmação anterior. Mas a qualificação será feita não em nome de meus anos no estudo da religião e da teologia, mas, sim, em nome de minha experiência de vida.

Entendo que os pobres de espírito sejam bem-aventurados, se, por bem-aventurança, se considera, apenas, uma felicidade negativa, como a ausência de sofrimento, físico ou mental. Isso quer dizer que entendo que os pobres de espírito sejam bem-aventurados se bem-aventurado é o cara não-infeliz, totalmente desencucado, mesmo que sua não-infelicidade ou seu desencucamento sejam decorrentes, digamos, de sua… pobreza de espírito, de sua incapacidade de imaginar coisas que pudessem fazê-lo feliz além do feijão-com-arroz (ou baião de dois) diário.

Esse entendimento da expressão é corroborado por ditos dos Evangelhos em que se recomenda que não devemos nos preocupar com o dia de amanhã, com o que haveremos de comer, de beber e de vestir porque… "Olhai os pássaros que voam; eles não semeiam nem colhem, nem ajuntam comida em celeiros; contudo, seu Pai celestial os alimenta… Olhai os lírios do campo, como crescem! Eles não tecem nem fiam e, entretanto, nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles"… (Mat 6:25-29; Luc 12:22-24). Em miúdos: não é preciso ficar trabalhando, dando o duro – na hora Deus proverá. (Ou o Lulla).

O problema – devo dizer o pobrema??? – é que quanto menos pobres de espírito somos, mais crescem as nossas "infelicidades" – até mesmo nossas "misérias", ambos os termos entre aspas. Imaginamos coisas que não temos, passamos a querê-las, ainda que supérfluas, e nos sentimos infelizes quando não conseguimos… Se não temos carro, sonhamos com um, ainda que seja um Brasília amarela 1977. Se temos um Brasília 77, queremos um Monza 1986. Se temos um Monza 86, queremos um Escort XR3 vermelho 1993. Se temos o Escort, queremos um Corolla 2000. Se temos o Corolla 2000, queremos um Corolla 0, novinho em folha. Se temos o Corolla novinho, queremos um Hilux. Se temos o Hilux, queremos um BMW. Se temos o BMW, queremos uma Ferrari (da cor do XR3)… [Aqui entre nós, só consinto em colocar a Ferrari no feminino – nos outros casos todos usei o masculino.] Todos esses quereres ocorrem a quem não é pobre de espírito e consegue ir saindo, pouco a pouco, da pobreza material. Quem mora debaixo da ponte há décadas se contentará com um carrinho de empurrar lixo, ou com uma bicicleta – se tanto.

Os santos eremitas encontraram uma forma de bem-aventurança ou felicidade coerente com a bem-aventurança citada: não querer nada. Quem não quer nada é bem-aventurado porque nada lhe falta. Mas a felicidade é negativa. Talvez tenha sido isso que Jesus quis dizer quando afirmou que os pobres de espírito são bem-aventurados. São bem-aventurados apenas porque nada querem; e nada querem exatamente porque são pobres de espírito. São (nesse sentido negativo) mais felizes do que os ricos de espírito que, por mais que tenham, sempre conseguem se sentir infelizes por não ter alguma coisa que sua rica imaginação (parte do seu espírito) pode lhes sugerir…

Eis o que digo em meu artigo "Justiça Social, Igualitarismo e Inveja", publicado em 1991:

"O desejo é a energia básica que alimenta a evolução humana. O que chamamos de felicidade é o estado criado pela satisfação de nossos desejos: ficamos felizes quando nossos desejos são realizados e infelizes quando não o são. A experiência nos mostra que, em regra, desejamos o maior grau possível de felicidade – um estado em que todos os nossos desejos são satisfeitos – e que temos cada vez mais desejos.

Na verdade, nossa felicidade não depende necessariamente de bens materiais ou objetivos: depende, fundamentalmente, de nossos desejos. Se estes são satisfeitos, seremos felizes. Caso contrário, não. 

Se nossos desejos são poucos, ou facilmente realizáveis, não é tão difícil ser feliz. Na verdade, quem nada deseja não tem como ser infeliz, pois não terá nenhum desejo frustrado ou contrariado. O asceta, definido como aquele que conscientemente procura reduzir seus desejos a um mínimo, é, devemos presumir, tanto mais feliz quanto menos deseja.

É preciso registrar, também, que há uma relação estreita entre, de um lado, felicidade e, de outro lado, conhecimento e imaginação. imaginação – ou, talvez seja melhor dizer, entre felicidade e ausência de conhecimento e imaginação. E isto por uma razão simples: não podemos desejar aquilo de que não temos conhecimento ou que somos incapazes de imaginar. Só o (de alguma forma) conhecido ou imaginado pode ser objeto de desejo. Assim sendo, quem ignora e é incapaz de imaginar as várias possibilidades que a vida oferece tem seus desejos circunscritos por sua falta de conhecimento e imaginação, e pode, por causa disso, ser mais feliz do que quem muito conhece ou é capaz de imaginar e, em conseqüência disso, muito deseja, mas não tem como satisfazer seus desejos.

É inegável, porém, que, embora o asceta, o ignorante e o não-imaginativo (que têm poucos desejos) possam ser felizes, sua felicidade é negativa, vazia e estéril, por decorrer do fato de que (conscientemente ou não) pouco desejam. Além disso, sua ética (no caso do asceta) e seu comportamento são involutivos, não levam à evolução humana.

O progresso e o desenvolvimento humano não são frutos da felicidade (negativa) causada pela ausência ou supressão do desejo. São conseqüência, isso sim, muito mais do desejo insatisfeito – mas que se acredita poder satisfazer. São a ética e o comportamento daqueles que observam ou imaginam estados e coisas que não possuem, e resolvem atingi-los ou consegui-los, que produz o progresso e o desenvolvimento humano."

(http://chaves.com.br/TEXTSELF/PHILOS/Inveja-new.htm)

Gosto de ver TV porque a TV me mostra, freqüentemente, um mundo diferente do meu. Programas como o do Sílvio Santos, o do Gugu, o do Luciano Hulk, nos mostram gente extremamente rica explorando a pobreza – material e de espírito – de outras pessoas.

O sonho da pessoa que aparece nesses programas geralmente é ganhar algo como 35 ou 50 mil reais para… comprar ou construir uma casinha própria!!! Meus Deus do céu, que casinha se pode comprar ou construir com 50 mil reais??? Qualquer pedaço de terra que me interesse, pelado, sem nenhuma benfetoria, custa no mínimo dez vezes mais… Mas esse pessoal pelo menos quer alguma coisa!

A reforma (ainda que impressionante) de uma casinha paupérrima, sem água encanada e tudo o mais, situada no fim do mundo (devo dizer "no cu do Judas"???), feita pelos patrocinadores do segmento "Lar, Doce Lar" do programa do Luciano Hulk (ao qual, admito, assisto todos os sábados – gosto dele: mais ainda da mulher dele, que não me parece tão babaca…), e mostrada no sábado passado, é evidência de que aquilo que a maior parte das pessoas (no Brasil) considera felicidade (ou bem-aventurança material) seria, pela minoria chamada de privilegiada, considerado uma desgraça total, absoluta. Será que qualquer membro da classe média brasileira (cujo teto superior de rendimento é 4.500,00 reais por família) se consideraria bem-aventurado de morar na casa reformada no sábado passado??? Tenho certeza que não. Provavelmente referiria pagar aluguel no Meyer ou na Vila Clementino.

[A pobre moça que morava na casa que foi reformada era pobre de bens materiais mas não tanto de espírito: na verdade, espiritualmente era (é) uma heroína. Levou um tiro que a deixou em cadeira de roda, mas ainda assim cuida da casa e dos filhos como se não tivesse nenhum problema. Na realidade, ela uma lição de vida. Fico contente que o programa do Hulk lhe tenha dado uma casa melhor. Discordo, isto sim, da exploração da pobreza e da desgraça alheia.]

E aqui chega o ponto em que o fiísico se liga ao mental, o material se liga ao espiritual…

Por que alguém que se julgaria extremamente feliz em morar no fim do mundo (i.e….), numa casinha simples, mas bem decorada pela Tok Stok, dada de mão beijada, e, portanto, não correspondendo a nenhum grande esforço seu (além de escrever uma carta) – por que, repito, seria essa pessoa bem-aventurada e digna de herdar o Reino dos Céus?

Para ser bem pessoal, refraseio a pergunta: Por que eu não?

Explico… Nasci de pais pobres. Só vim morar em casa com água encanada, luz elétrica e banheiro dentro quando me mudei para Santo André, com oito anos e meio. Durante todo o tempo em que morei com meus pais, nunca morei em casa própria: só em casa alugada (e cujo aluguel nem era pago por meus pais, mas, sim, pela Igreja Presbiteriana do Brasil). Até que completei 32 anos, em 1975, quando já trabalhava na UNICAMP, sempre morei em casa alugada. Em 1975 comprei minha primeira casa, financiada pelo SFH, mas com meu próprio dinheiro, decorrente do meu trabalho e do meu esforço. Paguei a entrada com uma pequena poupança. Paguei as 180 prestações com o meu salário. Depois de nove anos comprei outra… Não me considero rico (ainda falta a minha Ferrari  vermelha, admito), mas também não sou pobre. Procuro viver corretamente. Por que eu não sou bem-aventurado? Por que eu não sou digno de herdar o Reino dos Céus, seja lá o que esse reino???

Transcrevo a seguir um artigo de João Luiz Mauad, relevante. Ele mesmo cita uma matéria de jornal.

"Pobreza não é virtude

por João Luiz Mauad em 20 de agosto de 2008

Talvez não exista nada mais representativo das diferenças culturais entre as sociedades brasileira e americana do que o tratamento que dispensam à riqueza e à pobreza.  Enquanto os americanos costumam reverenciar a riqueza, os brasileiros a demonizam de todas as formas possíveis, como se ela fosse um pecado mortal e sua posse sinônimo de má índole ou crime pregresso. Já a pobreza, se – graças aos esforços politicamente corretos da esquerda – já não é mais motivo de vergonha, como foi um dia lá por aquelas bandas, pelo menos ainda não se tornou razão de orgulho altaneiro, como é por aqui.

Um amigo, que estudou por vários anos nos EUA durante a década de 70, conta que, certa vez, assistindo a uma cerimônia de fim de ano no campus da universidade, deparou-se com algo bem estranho. Havia na platéia dezenas de senhores e senhoras segurando placas com números os mais variados. Sem nada entender, perguntou a um colega o que era aquilo. Para sua surpresa, ficou sabendo que os números escritos nas tais placas, expostas com orgulho para o alto, significavam a quantidade de milhões de dólares que cada um deles já havia feito – nos EUA, se costuma dizer que alguém faz dinheiro, ou seja, transforma trabalho em dinheiro, e não que ganha como se diz por aqui – desde que deixara a faculdade. Não é incomum também que os ex-alunos façam doações generosas às universidades, numa forma de demonstrar gratidão pela ajuda na obtenção do sucesso.

Aqui no Brasil, por outro lado, muita gente é levada a esconder o dinheiro que possui, ainda que obtido licitamente e a troco de muito trabalho, para não despertar o preconceito alheio. Enquanto isso, ser pobre virou sinônimo de virtude. A começar pelo indefectível "Central da Periferia", programa apresentado na TV pela atriz Regina Casé, cuja proposta é a exaltação dos hábitos e costumes das gentes da dita "periferia", o "pobrismo" no país de Macunaíma está mais em alta do que nunca. Tudo que emana dos pobres é "do bem", é "tudo de bom". Vejam, por exemplo, o famigerado estilo "funk" de música, que mistura uma batida horrível com letras degradantes, e virou uma verdadeira cachaça país afora.  Ou a moda "cachorra" e suas calças torturantes de tão apertadas, que vestem onze de cada dez adolescentes do país.

Uma das conseqüências mais visíveis desse estado de coisas está no fato de a maioria dos políticos, de uns tempos para cá, fazer questão de declarar-se formalmente pobre.  Alguns, inclusive, declaram-se tão miseráveis que dá até pena.

Dos candidatos a prefeito do Rio de Janeiro, por exemplo, apenas um declarou possuir algum patrimônio, ainda que este não chegue nem perto do que se possa chamar de riqueza. Só para se ter uma idéia do descalabro reinante, um certo candidato – representante daquela que Nelson Rodrigues chamaria de "esquerda festiva" – chegou a apresentar uma declaração de bens onde tudo que consta é uma caderneta de poupança com pouco mais de 11 mil reais. Alega também que mora de favor, num apartamento emprestado pela octogenária vovozinha de sua mulher.

Tudo bem, ninguém tem nada com a vida privada dele, mas o indigitado é filho de uma família de classe média e detentor de mandatos legislativos há vários anos. Portanto, seguindo a lógica dos fatos, de duas, uma: ou o fulano é um perdulário inconseqüente que, já na meia-idade, ainda não conseguiu poupar nada nem adquirir um único bem de valor, malgrado uma renda bem acima da média nacional; ou, por pura demagogia, esconde o patrimônio que tem.

A idiossincrasia pobrista chegou a tal ponto que o velho desejo de ascensão de classe sequer existe mais. Essa característica comportamental, tão estranha quanto absurda, pôde ser vista com clareza a partir da divulgação recente de um estudo estatístico (a meu ver capenga, mas isso é o que menos importa aqui) da FGV, amplamente comentado pela mídia, onde se procura demonstrar que a classe média é hoje a maioria no país. Vejam esta matéria do jornal Folha de São Paulo (os grifos são meus):

CLASSE MÉDIA EMERGENTE SE ACHA POBRE

ELVIRA LOBATO

DA SUCURSAL DO RIO

Poucas notícias provocaram mais reação em Vila Kennedy – bairro de 200 mil habitantes, na zona oeste do Rio – do que a pesquisa da Fundação Getulio Vargas que classificou como classe média as famílias com renda mensal a partir de R$ 1.064. Até moradores com rendimento acima desse patamar se vêem como pobres e rejeitam serem chamados de classe média.

"É uma baixaria. Fiquei revoltado quando vi a notícia na TV. A classificação é vazia e mentirosa", reagiu o aposentado João Galdino de Melo, presidente da Associação dos Moradores de Vila Progresso. Pai de três filhos, que estudam e trabalham, Galdino diz não ter dúvida de que sua família é pobre, embora a renda familiar atinja R$ 2.400.

(…)

Mara Martins, 32, cinco filhos, tem renda familiar mensal de R$ 1.800, somando a pensão de R$ 200 que recebe do pai de um dos filhos; (…) Ela diz que ficou "doente" ao saber da notícia sobre a classe média, da qual, agora, seria parte. "A única roupa que comprei para mim neste ano foi um vestido, de R$ 10. Nunca fui a um cinema. Trabalho todos os dias e não tenho lazer. Classe média, para mim, tem de ter lazer."

(…)

O ex-funcionário da Petrobrás José Camilo Neves, 57, taifeiro aposentado, tem pensão de R$ 3.400 por mês, mas nem ele se considera classe média, pois cinco pessoas dependem de sua renda, não tem lazer e mora em rua sem calçamento, que há até pouco tempo tinha esgoto a céu aberto.

A posse de bens de consumo não foi considerada pelos entrevistados de Vila Kennedy como indicador de classe média, porque mesmo os que se definem como pobres possuem televisão, geladeira, fogão, DVD, aparelho de som e pelo menos um telefone celular.

Na avaliação do aposentado João Galdino de Melo, 51, a renda familiar mínima para definir classe média deveria ser de R$ 4.000 por mês. Isso porque ele e os filhos têm rendimento conjunto de R$ 2.400 e a família se considera pobre, morando na periferia da cidade, onde o Estado é ausente.

Os salários dos filhos não são suficientes para pagar as despesas deles, e o pai, cuja pensão é de R$ 1.200, paga parte delas. Os três estudam em faculdade particular.

Galdino leva a reportagem da Folha até sua casa, para mostrar o padrão de vida da família. Na garagem, um Fiat Prêmio de 18 anos. A casa tem TV, geladeira, fogão, aparelho de som, DVD e computador. A TV por assinatura e a internet rápida são oferecidos por operador clandestino. (…)

Independentemente dos eventuais erros cometidos no referido estudo, está na cara que há muita gente aí com medo de perder as benesses do assistencialismo estatal que o status de pobre lhes confere, bem como alguns outros que assim reagem por puro oportunismo político, como parece ser o caso do Presidente da Associação dos Moradores. O fato, porém, é que a ascensão de classe, uma realização que, num passado não muito distante, seria motivo de orgulho para qualquer um, hoje passou a ser considerado quase uma desonra. É a velha luta de classes, cantada em prosa e verso pela esquerda irresponsável, mostrando a que veio."

Em Campinas, 28 de Agosto de 2008

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