Pedofilia entre padres

Voltou ao noticiário, aparentemente com maior intensidade do que da última vez, a questão da pedofilia entre sacerdotes católicos romanos. Respingos dos escândalos andam  beirando até a família de Sua Santidade num colégio interno católico dirigido por um irmão do Papa na Alemanha. Li na VEJA da semana passada a história de um padre de 82 anos com seu coroinha de 20 – aqui no Brasil. A coisa está feia.

Fico me perguntando o seguinte: por que a quebra do voto de castidade dos sacerdotes católicos parece acontecer, em regra, com pessoas do mesmo sexo, e bem mais jovens – em alguns casos, meninos, mesmo? Pastores protestantes e sacerdotes de outras igrejas de vez em quando se envolvem escândalos sexuais – mas raramente o fazem com pessoas do sexo masculino e quase nunca com crianças. O que explica essa preferência dos sacerdotes católicos por meninos, muitos deles coroinhas?

Que fique claro: no caso dos sacerdotes católicos não se trata de mero “escândalo sexual” a ser punido com uma providência burocrático-administrativa, de nível meramente interno. Trata-se predominantemente de pedofilia, que é crime – e pedofilia homossexual. (O fato de ser homossexual não agrava o crime, mas nos ajuda a entender o fenômeno).

Tenho uma conjetura.

Em primeiro lugar, o seminarista, futuro padre, é desde cedo doutrinado a ver na mulher a fonte número um do pecado. Como ele vai ser celibatário, a mulher é a tentação que ele deve evitar a todo custo. A mulher é, para ele, o que a serpente foi para Eva, na história da queda. A doutrina do celibato clerical, assim, começa a afetar o futuro padre muito antes de ele efetivamente fazer os seus votos (dos quais o de castidade parece ser o mais difícil de cumprir).

Em segundo lugar, trancafiam o futuro padre, em muitos casos desde os dez anos (início da quinta série) em um Seminário Menor, onde ele fica segregado de mulheres: só vê guris mais ou menos da sua idade – e, naturalmete, os professores (todos homens). Internatos unissex parece que foram bolados para gerar, nos adolescentes, interesse pelo mesmo sexo. Numa época em que o instinto sexual está aflorando e se tornando a preocupação número um-dois-e-três do adolescente, ele é apartado da convivência com o sexo oposto e confinado à convivência com homopares. Acaba ficando fixado em menino. Sua curiosidade pelo sexo só pode ser satisfeita pelos colegas. Quando cresce, o desejo sexual não cresce com ele: continua fixado em meninos.

Em terceiro lugar, quando vai exercer o sacerdócio, o padre acaba ficando rodeado de coroinhas, parecidos com os seus coleguinhas de seminário menor, que, agora, o admiram e olham para ele como figura de autoridade. E ele, por outro lado, pela sua doutrinação é condicionado a fugir das mulheres e pela sua formação em internato unissex foi condicionado a se interessar por meninos… Sendo figura de autoridade, não tem muita dificuldade em convencer os meninos de que sexo (em alguma modalidade) com o sacerdote é parte de seus deveres. (O que mais pode levar um coroinha de vinte a se engajar em atividade sexual com um sacerdote de 82?)

Esse conjunto de fatores acaba produzindo essa série aparentemente infindável de casos de pedofilia homossexual entre padres católicos. Não se trata, como já disse, de meros escândalos sexuais em relação aos quais se possa dizer: “Sou culpado, mas que igreja pode dizer que não é?” Trata-se de um fenômeno tipicamente católico que não adianta tentar generalizar.

Se minha conjetura faz sentido, a solução, evidentemente, é tripla: que a Igreja Católica acabe com o celibato clerical, acabe com a formação para o sacerdócio no confinamento de internatos unissex, e acabe com as figuras de coroinhas e outros meninos que ficam rodeando o padre na sacristia. 

Estudei em um internato (protestante) durante meu curso Clássico. Mas não era unissex. Era misto. Nunca tive conhecimento de colegas que tivessem se interessado por colegas do mesmo sexo. A regra era que se interessassem pelas meninas. E se interessavam bastante.

Que fique claro que não considero o homossexualismo um pecado, muito menos um crime. Nada tenho contra quem faz a opção por exercer sua sexualidade com pessoas do mesmo sexo. Mas a pedofilia, sim, é crime. Crime que, no caso dos padres, é agravado pelo fato de o padre estar em posição de autoridade em relação aos meninos dos quais abusa. A Igreja Católica não pode continuar a tratar a pedofilia sacerdotal com a leniência de sempre: uma reprimanda, uma mudança de paróquia, etc. Não se trata de um pecadilho: trata-se de um crime muito sério.

O problema exige soluções mais drásticas. 

A seguir, um ponto de vista contrário, retirado da Folha de S. Paulo de hoje (23/3/2010). Deixo aos leitores a tarefa de julgar os méritos relativos da minha posição e da de João Pereira Coutinho (que parece ser um jornalista português que escreve para a Folha – vide http://www.jpcoutinho.com/).

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Folha de S. Paulo
23 de Março de 2010

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Padres e pedófilos


O jornalismo preguiçoso deveria separar a histeria anticatólica da verdade criminal


ESTAMOS SEMPRE a aprender: vocês sabem como se diz "bastardo" em língua germânica? "Pfaffenkind." Ou, em tradução literal, "o filho do padre". As curiosidades não acabam aqui: ainda na Alemanha protestante, a expressão coloquial para designar a frequência de bordéis era "agir como um bispo".

É claro que não precisamos viajar até a Alemanha para encontrar esse glorioso imaginário em que membros do clero (católico) se entregam à lascívia. De Chaucer a Boccaccio, passando pelos textos centrais do Iluminismo continental (a "Religiosa", de Diderot; o "Émile", de Rousseau; as múltiplas mediocridades de Sade), o padre não é simplesmente o pastor espiritual em missão evangélica.

O padre é o "fornicador" incansável, sempre disposto a atacar donzelas virgens ou mulheres casadas. Sem falar do resto: o lesbianismo das freiras, a sodomia entre monges e a tortura física por que passa o seminarista casto, que se fustiga com prazer masoquista para compensar uma dolorosa ausência de fêmea (ou de macho).

Sejam sinceros: quando existem escândalos sexuais na Igreja Católica, eles não são apenas escândalos sexuais pontuais e localizados. Esses escândalos, que existem em todo o lado (e em todas as denominações religiosas), bebem diretamente no patrimônio literário e anticatólico do Ocidente.

O caso é agravado pela arcana questão do celibato. No mundo moderno e hipersexualizado em que vivemos, o celibato não é visto como uma opção pessoal (e espiritual) legítima e respeitável. O celibato só pode ser tara; só pode ser um convite ao desvio; só pode ser pedofilia. Esses saltos lógicos são tão comuns que já nem horrorizam ninguém.

Ou horrorizam? Philip Jenkins é uma exceção e o seu "Pedophiles and Priests: Anatomy of a Contemporary Crisis" (Oxford, 214 págs.) é o mais exaustivo estudo sobre os escândalos sexuais que sacudiram a Igreja Católica nos Estados Unidos durante a década de 1990.

Jenkins não nega o óbvio: que existiram vários abusos; e, mais, que as autoridades eclesiásticas falharam na detecção ou denúncia dos mesmos.
Porém, Jenkins é rigoroso ao mostrar como os crimes foram amplificados de forma desproporcionada com o objetivo de cobrir toda a instituição com cores da infâmia.

Padres católicos cometem crimes sexuais? Fato. Mas esses crimes, explica Jenkins, existem em proporção idêntica nas outras denominações religiosas (e não celibatárias). A única diferença é que, sendo o número de padres católicos incomparavelmente superior ao número de pastores de outras igrejas; e estando os crimes de pedofilia disseminados pela população adulta, será inevitável que exista um maior número de casos entre o clérigo católico.

Como explicar, então, que as atenções mediáticas sejam constantemente voltadas para os suspeitos do costume?

Jenkins não é alheio à dimensão "literária" do anticatolicismo ocidental; muito menos à hipersexualização moderna, que vê na doutrina sexual da igreja um anacronismo e, em certos casos, uma ameaça.

Mas o autor vai mais longe e revela como a amplificação dos crimes é, muitas vezes, promovida por facções dissidentes dentro da própria Igreja Católica que esperam assim conseguir certas vitórias "culturais" (o fim do celibato, a ordenação de mulheres para o sacerdócio etc.) pela disseminação de uma imagem de corrupção endêmica. "A maior ameaça à sobrevivência da igreja desde a Reforma", escreve Jenkins, citando as incontáveis reportagens que repetiam essa bovinidade.

Isso significa que os crimes das últimas semanas na Europa podem ser desculpados ou justificados? Pelo contrário: esses crimes não têm desculpa nem justificação. E é de saudar que o papa Bento 16, em atitude inédita, tenha escrito uma carta plena de coragem e dignidade ao clérigo irlandês, condenando os abusadores, pedindo perdão às vítimas e esperando que a justiça faça o seu caminho.

Mas não é apenas a justiça que tem de fazer o seu caminho. O jornalismo preguiçoso também deveria trilhar o seu, separando a histeria anticatólica da verdade criminal.

Um contributo: para ficarmos no país de Ratzinger, existiram na Alemanha, desde 1995, 210 mil denúncias de abusos a menores. Dessas 210 mil, 300 lidaram com padres católicos. Ou seja, menos de 0,2%. Será isso a maior ameaça à sobrevivência da igreja desde a Reforma?

jpcoutinho@folha.com.br

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Em São Paulo, 23 de Março de 2010

  1. EU CONCORDO COM VOCEFAZ MUITO SENTIDO A SEGREGAÇÃO EM QUE VIVEM OS SEMINARISTAS ,GERAR DESVIADOS SEXUAIS,VAI CONTRA A NATUREZA HUMANA.O CELIBATO DEVERIA SER UMA OPÇÃO E NÃO UMA IMPOSIÇÃO.A PROPRIA BIBLIA DIZ**SERIA BOM SE O HOMEM PUDESSE VIVER SEM MULHER**E DIZ ISTO EM SE TRATANDO DE RELIGIOSOS.O PROPRIO TEMPO DO VERBO EXCLUI ESTA POSSIBILIDADE.O COMENTARISTA DA FOLHA FAZ UMA SERIE DE CONSIDERAÇÕES PERTINENTES OU NÃO, MAS, SE NOS IDOS ANTIGOS OS CLERIGOS IAM A BORDEIS, IAM ATRAS DE MULHERES!!!!A PROPRIA IGREJA CATOLICA CONDUZ OS PADRES MAIS FRACOS DE ESPIRITO A ESTA SITUAÇÃO, PORQUE OS MAIS FORTES , NO TEMPO DA MINHA AVO\’, TINHAM MULHER E FILHOS ( ESCONDIDO).MELHOR SERIA SE A SANTA MADRE IGREJA ABRISSE OS OLHOS,**QUE TEIMAM EM FECHAR EM NOME DE UMA FALSA SANTIDADE** E ADIMITISSE QUE OS PADRES SÃO HOMENS E NÃO SANTOS, ALIAS QUANDO SE PROCLAMA UM SANTO ESTE JA MORREU HA MUITO TEMPO!!!COMO UM HOMEM QUE NUNCA TOCOU UMA MULHER, NUNCA CASOU,NUNCA TEVE FILHOS, ENFIM, NÃO FAZ PARTE DAS SITUAÇÕES MAIS BASICAS DA VIDA PODE ACONSELHAR A RESPEITO….SO PODEM ACONTECER SITUAÇÕES BARBARAS COMO AS QUE TEMOS VISTO!!!!FORÇAR UM SER HUMANO A IR CONTRA A SUA NATUREZA PRIMARIA,E SAUDAVEL, SO PODE DAR NO QUE PRESENCIAMOS HORRORIZADOS!!!parabens pela materia!!!eu tenho um blog…rebeldia dos anjos…e\’ de poesias mas, com a tua licença, vou postar a tua materia.penso que fara muitos pensarem a respeito e quem sabe, começar uma timida mudança.afinal, a igreja e\’ feita de pessoas e para as pessoas.abraços.nina

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