“Sexting”– ou o envio de torpedo sexy

Quando a gente pensa que já viu tudo, inventa-se uma nova moda… Raramente é algo de bom.

Transcrevo a seguir artigo publicado em The New York Times de hoje, traduzido pela Folha de S. Paulo.

“Sexting” (variante de “Texting”, em Inglês, termo usado para SMS) é o envio de um torpedo sexy – que em geral começa com um(a) adolescente tirando uma foto sexy de si próprio(a), em regra para o envio para o(a) namorado(a), e termina com o recipiente da foto a reenviando para a Internet, quando o namoro termina.

A coisa corre risco de se tornar uma epidemia. Como lidar com isso de forma efetiva?

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny1104201105.htm

The New York Times

Torpedo ‘sexy’ se espalha

Por JAN HOFFMAN

LACEY, Washington – Um dia no último inverno, Margarite posou nua diante do espelho do seu banheiro, segurando o telefone celular e tirou uma foto. Depois, mandou a foto frontal de corpo inteiro para Isaiah, seu novo namorado.

Os dois estavam na oitava série.

Logo depois, eles romperam. Algumas semanas mais tarde, Isaiah enviou a foto para outra garota da oitava série, que fora amiga de Margarite. Por volta das 11 da noite, essa garota acrescentou à foto uma mensagem de texto.

“Alerta máximo!”, ela digitou.”Se você acha que esta garota é uma p…, envie esta mensagem para todos os seus amigos.” Em menos de 24 horas, centenas ou talvez milhares de estudantes tinham recebido e passado adiante a foto.

Em pouco tempo, os estudantes estavam algemados e humilhados, os pais arrasados, e lições foram aprendidas a um duro custo. Somente então, a comunidade tentaria transformar o vexame em uma oportunidade para educar.

Autoridades policiais e educadores americanos enfrentam o dilema de reprimir os menores que praticam sexting -o envio de fotos, vídeos ou textos sensuais de um celular para outro.

Para os adolescentes, que têm fácil acesso à tecnologia e estão crescendo em uma cultura que celebra a exibição do corpo, sexting é uma brincadeira simples e até interessante: o principal motivo pelos quais os adolescentes fazem isso é parecer modernos e sensuais para alguém que acham atraente.

“Ter uma foto nua de sua pessoa significativa no celular é uma publicidade de que você é sexualmente ativo em um grau que lhe dá status”, disse Rick Peters, um vice-promotor do condado de Thurston, que inclui Lacey.

Sexting não é ilegal. Mas quando essa imagem sexualmente explícita inclui um participante menor de 18 anos, as leis de pornografia infantil são aplicáveis.

“Eu não sabia que estava contra a lei”, disse Isaiah, que foi preso junto com a ex-amiga de Margarite e uma garota de 13 anos que participou da propagação da foto nua. Eles foram acusados de disseminação de pornografia infantil, o que pode resultar em 36 semanas de detenção em um centro juvenil. Eles seriam fichados como agressores sexuais.

O mundo adolescente contemporâneo em muitos países desenvolvidos está mergulhado em mensagens altamente sexualizadas. A pornografia extrema é facilmente encontrada na internet. Canções e vídeos musicais de sucesso promovem strip-tease e sexting.

“Você não pode esperar que os adolescentes não façam algo que eles veem acontecer em toda parte”, disse Susannah Stern, professora associada da Universidade de San Diego que escreve sobre adolescência e tecnologia.

Uma pesquisa na internet realizada para a Associated Press e para a MTV pela Knowledge Networks em setembro de 2009 indicou que 24% dos jovens de 14 anos a 17 anos nos Estados Unidos haviam se envolvido em algum tipo de sexting. Uma pesquisa por telefone, feita em dezembro de 2009, para o “Projeto sobre Vida Americana e Internet”, do Centro de Pesquisas Pew, descobriu que 5% dos jovens nessa faixa etária tinham enviado fotos ou vídeos deles nus ou seminus. Meninos e meninas enviam fotos aproximadamente na mesma proporção, segundo a pesquisa.

Mas existe um duplo critério. Enquanto um menino apanhado mandando uma foto de si mesmo pode ser considerado um fanfarrão, as meninas, independentemente de sua gabolice, são punidas como “piranhas”.

Fotos de meninas tendem a se tornar virais com maior frequência, porque meninos e meninas fazem circular fotos de meninas em parte para envergonhá-las, explicou Danah Boyd, uma bolsista no “Centro Berkman para Internet e Sociedade” da Universidade Harvard.

Muitos distritos escolares americanos proibiram o sexting e hoje autorizam os diretores na verificação dos telefones celulares dos alunos. Pelo menos 26 Estados tentaram aprovar algum tipo de legislação sobre o fenômeno desde 2009.

“Precisamos proteger as crianças de si mesmas”, disse Justin Fitzsimmons, advogado da Associação Nacional de Advogados Distritais em Alexandria. “Estamos no momento de lhes ensinar a administrar reputações eletrônicas.”

Peters, o promotor no caso Margarite, jamais pretendeu que os estudantes presos recebessem sentenças draconianas. Mas ele queria lhes mandar uma mensagem forte.

Afinal, foi feito um acordo para os três adolescentes. A ofensa seria modificada de pornografia infantil para um caso grave de assédio telefônico. Isaiah e as duas meninas poderiam prestar serviço comunitário em um programa que os livraria do julgamento, e o caso seria arquivado.

Esses três estudantes teriam de criar material de serviço público sobre os males do sexting, frequentar uma sessão com Margarite para falar sobre o que aconteceu e de outro modo não ter contato com ela.

Margarite estava morando com seu pai, Dan, engenheiro industrial, quando enviou a foto. Na mediação, ele foi o último a falar. “Eu poderia dizer que foi culpa de todo mundo, mas certamente tive uma participação”, disse. “Aprendi uma grande lição sobre minha falta de envolvimento com o uso do telefone e das mensagens por minha filha. Confiei demais nela.”

A foto certamente ainda existe em telefones e talvez em redes sociais, facilmente encontrável. “Ela terá de viver com isso pelo resto da vida”, disse o pai.

Em outubro, as autoridades realizaram fóruns sobre sexting para os professores, pais e estudantes das quatro escolas secundárias de Lacey.

Margarite foi morar com sua mãe, mas, semanas depois de se transferir para escola próxima, foi reconhecida por um menino que tinha a foto em seu celular. As garotas passaram a agredi-la: “prostituta”, “piranha”.

Em janeiro, quase um ano depois de sua foto se tornar viral, ela decidiu voltar para a antiga escola, onde imaginou que tivesse alguns amigos. Como é estar na antiga escola com a ex-amiga que divulgou sua foto?

“Antes de voltar, telefonei para ela”, disse Margarite. “Eu queria garantir que o drama estava terminado entre nós. Ela disse: nós temos autorização legal para conversar? E eu disse que devíamos conversar porque temos matemática juntas. Ela pediu desculpas mais uma vez.”

Que conselho Margarite daria a alguém que pensa em mandar uma foto dessas?

“Acho que se elas querem mandar uma foto”, ela respondeu, rindo nervosamente, “e têm a sensação de que não sabem se devem fazer isso, então não façam. O que elas estão pensando? É totalmente idiota!”

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Em São Paulo, 11 de Abril de 2011

Os Indicados ao Oscar (em Inglês)

Transcrevo as categorias e os indicados no original em Inglês, transcritos do site do Oscars.

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[http://www.oscars.org/awards/academyawards/83/nominees.html]

Actor in a Leading Role
  • Javier Bardem in “Biutiful”
  • Jeff Bridges in “True Grit”
  • Jesse Eisenberg in “The Social Network”
  • Colin Firth in “The King’s Speech”
  • James Franco in “127 Hours”
Actor in a Supporting Role
  • Christian Bale in “The Fighter”
  • John Hawkes in “Winter’s Bone”
  • Jeremy Renner in “The Town”
  • Mark Ruffalo in “The Kids Are All Right”
  • Geoffrey Rush in “The King’s Speech”
Actress in a Leading Role
  • Annette Bening in “The Kids Are All Right”
  • Nicole Kidman in “Rabbit Hole”
  • Jennifer Lawrence in “Winter’s Bone”
  • Natalie Portman in “Black Swan”
  • Michelle Williams in “Blue Valentine”
Actress in a Supporting Role
  • Amy Adams in “The Fighter”
  • Helena Bonham Carter in “The King’s Speech”
  • Melissa Leo in “The Fighter”
  • Hailee Steinfeld in “True Grit”
  • Jacki Weaver in “Animal Kingdom”
Animated Feature Film
  • “How to Train Your Dragon” Chris Sanders and Dean DeBlois
  • “The Illusionist” Sylvain Chomet
  • “Toy Story 3” Lee Unkrich
Art Direction
  • “Alice in Wonderland”
    Production Design: Robert Stromberg; Set Decoration: Karen O’Hara
  • “Harry Potter and the Deathly Hallows Part 1”
    Production Design: Stuart Craig; Set Decoration: Stephenie McMillan
  • “Inception”
    Production Design: Guy Hendrix Dyas; Set Decoration: Larry Dias and Doug Mowat
  • “The King’s Speech”
    Production Design: Eve Stewart; Set Decoration: Judy Farr
  • “True Grit”
    Production Design: Jess Gonchor; Set Decoration: Nancy Haigh
Cinematography
  • “Black Swan” Matthew Libatique
  • “Inception” Wally Pfister
  • “The King’s Speech” Danny Cohen
  • “The Social Network” Jeff Cronenweth
  • “True Grit” Roger Deakins
Costume Design
  • “Alice in Wonderland” Colleen Atwood
  • “I Am Love” Antonella Cannarozzi
  • “The King’s Speech” Jenny Beavan
  • “The Tempest” Sandy Powell
  • “True Grit” Mary Zophres
Directing
  • “Black Swan” Darren Aronofsky
  • “The Fighter” David O. Russell
  • “The King’s Speech” Tom Hooper
  • “The Social Network” David Fincher
  • “True Grit” Joel Coen and Ethan Coen
Documentary (Feature)
  • “Exit through the Gift Shop” Banksy and Jaimie D’Cruz
  • “Gasland” Josh Fox and Trish Adlesic
  • “Inside Job” Charles Ferguson and Audrey Marrs
  • “Restrepo” Tim Hetherington and Sebastian Junger
  • “Waste Land” Lucy Walker and Angus Aynsley
Documentary (Short Subject)
  • “Killing in the Name” Jed Rothstein
  • “Poster Girl” Sara Nesson and Mitchell W. Block
  • “Strangers No More” Karen Goodman and Kirk Simon
  • “Sun Come Up” Jennifer Redfearn and Tim Metzger
  • “The Warriors of Qiugang” Ruby Yang and Thomas Lennon
Film Editing
  • “Black Swan” Andrew Weisblum
  • “The Fighter” Pamela Martin
  • “The King’s Speech” Tariq Anwar
  • “127 Hours” Jon Harris
  • “The Social Network” Angus Wall and Kirk Baxter
Foreign Language Film
  • “Biutiful” Mexico
  • “Dogtooth” Greece
  • “In a Better World” Denmark
  • “Incendies” Canada
  • “Outside the Law (Hors-la-loi)” Algeria
Makeup
  • “Barney’s Version” Adrien Morot
  • “The Way Back” Edouard F. Henriques, Gregory Funk and Yolanda Toussieng
  • “The Wolfman” Rick Baker and Dave Elsey
Music (Original Score)
  • “How to Train Your Dragon” John Powell
  • “Inception” Hans Zimmer
  • “The King’s Speech” Alexandre Desplat
  • “127 Hours” A.R. Rahman
  • “The Social Network” Trent Reznor and Atticus Ross
Music (Original Song)
  • “Coming Home” from “Country Strong” Music and Lyric by Tom Douglas, Troy Verges and Hillary Lindsey
  • “I See the Light” from “Tangled” Music by Alan Menken Lyric by Glenn Slater
  • “If I Rise” from “127 Hours” Music by A.R. Rahman Lyric by Dido and Rollo Armstrong
  • “We Belong Together” from “Toy Story 3″ Music and Lyric by Randy Newman
Best Picture
  • “Black Swan” Mike Medavoy, Brian Oliver and Scott Franklin, Producers
  • “The Fighter” David Hoberman, Todd Lieberman and Mark Wahlberg, Producers
  • “Inception” Emma Thomas and Christopher Nolan, Producers
  • “The Kids Are All Right” Gary Gilbert, Jeffrey Levy-Hinte and Celine Rattray, Producers
  • “The King’s Speech” Iain Canning, Emile Sherman and Gareth Unwin, Producers
  • “127 Hours” Christian Colson, Danny Boyle and John Smithson, Producers
  • “The Social Network” Scott Rudin, Dana Brunetti, Michael De Luca and Ceán Chaffin, Producers
  • “Toy Story 3” Darla K. Anderson, Producer
  • “True Grit” Scott Rudin, Ethan Coen and Joel Coen, Producers
  • “Winter’s Bone” Anne Rosellini and Alix Madigan-Yorkin, Producers
Short Film (Animated)
  • “Day & Night” Teddy Newton
  • “The Gruffalo” Jakob Schuh and Max Lang
  • “Let’s Pollute” Geefwee Boedoe
  • “The Lost Thing” Shaun Tan and Andrew Ruhemann
  • “Madagascar, carnet de voyage (Madagascar, a Journey Diary)” Bastien Dubois
Short Film (Live Action)
  • “The Confession” Tanel Toom
  • “The Crush” Michael Creagh
  • “God of Love” Luke Matheny
  • “Na Wewe” Ivan Goldschmidt
  • “Wish 143” Ian Barnes and Samantha Waite
Sound Editing
  • “Inception” Richard King
  • “Toy Story 3” Tom Myers and Michael Silvers
  • “Tron: Legacy” Gwendolyn Yates Whittle and Addison Teague
  • “True Grit” Skip Lievsay and Craig Berkey
  • “Unstoppable” Mark P. Stoeckinger
Sound Mixing
  • “Inception” Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo and Ed Novick
  • “The King’s Speech” Paul Hamblin, Martin Jensen and John Midgley
  • “Salt” Jeffrey J. Haboush, Greg P. Russell, Scott Millan and William Sarokin
  • “The Social Network” Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick and Mark Weingarten
  • “True Grit” Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff and Peter F. Kurland
Visual Effects
  • “Alice in Wonderland” Ken Ralston, David Schaub, Carey Villegas and Sean Phillips
  • “Harry Potter and the Deathly Hallows Part 1” Tim Burke, John Richardson, Christian Manz and Nicolas Aithadi
  • “Hereafter” Michael Owens, Bryan Grill, Stephan Trojansky and Joe Farrell
  • “Inception” Paul Franklin, Chris Corbould, Andrew Lockley and Peter Bebb
  • “Iron Man 2” Janek Sirrs, Ben Snow, Ged Wright and Daniel Sudick
Writing (Adapted Screenplay)
  • “127 Hours” Screenplay by Danny Boyle & Simon Beaufoy
  • “The Social Network” Screenplay by Aaron Sorkin
  • “Toy Story 3” Screenplay by Michael Arndt; Story by John Lasseter, Andrew Stanton and Lee Unkrich
  • “True Grit” Written for the screen by Joel Coen & Ethan Coen
  • “Winter’s Bone” Adapted for the screen by Debra Granik & Anne Rosellini
Writing (Original Screenplay)
  • “Another Year” Written by Mike Leigh
  • “The Fighter” Screenplay by Scott Silver and Paul Tamasy & Eric Johnson;
    Story by Keith Dorrington & Paul Tamasy & Eric Johnson
  • “Inception” Written by Christopher Nolan
  • “The Kids Are All Right” Written by Lisa Cholodenko & Stuart Blumberg
  • “The King’s Speech” Screenplay by David Seidler

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Em São Paulo, 13 de Fevereiro de 2011.

Portugalícia (Portugaliza)

Transcrevo,  abaixo,  o  interessante  artigo  “Portugaliza”,  da  Wikipedia  Portuguesa.   Ele pode ser encontrado em

http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugaliza.

O artigo contém a seguinte advertência:

“Este artigo ou secção possui passagens que não respeitam o princípio da imparcialidade. Tenha algum cuidado ao ler as informações contidas nele. Se puder, tente tornar o artigo mais imparcial.”

Aprendi bastante fuçando sobre a Galícia / Galiza hoje… No ano passado, percorremos, a Paloma e eu, parte da Galícia e de Castilla y León. Almoçamos na linda cidadezinha de Pueblo de Sanabria, em Castilla y León, já quando começávamos descer de volta para Portugal, em direção a Bragança. Vide:

http://es.wikipedia.org/wiki/Puebla_de_Sanabria

Hoje, lendo e fuçando, descobri o artigo “Portugaliza”, na Wikipedia, que fala do conceito de um “Grande Portugal”, que inclui a Galícia, posto que cultural e linguisticamente a Galícia seria mais próxima de Portugal do que da Espanha, à qual teria sido forçada a se assimilar.

Trago a discussão à baila aqui… Chaves, minha “cidade natal” em Portugal, no Trás-os-Montes, é muito perto da Galícia – não mais do que uns dez quilômetros.

Eis o artigo.

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Portugaliza

Proposição de Brasão

Brasão

Localização

Mapa de Portugaliza

Cidade mais populosa: Lisboa

Língua oficial: Português

Moeda: Euro[1] (EUR)

Portugaliza ou simplesmente Grande Portugal é o nome com o qual algumas pessoas e instituições denominam a união cultural, linguística, histórica e geográfica entre os povos de Portugal e da Galiza.

O termo tem sido amplamente usado pelos escritores e intelectuais portugueses Manuel Rodrigues Lapa e José Rodrigues Miguéis e foi também utilizado para a formação do Centro de Média Independente-Portugal[2] e Galiza [3] no qual participaram voluntários da Galiza e de Portugal para poupar esforços e fazer um trabalho comum tendente a formar uma iniciativa pioneira de comunicação, já fundamental para a quebra de barreiras que separam Portugal e a Galiza depois de séculos de afastamento.

Índice

1 Visão Histórico-Cultural

2 Visão Sócio-Cultural

3 Referências

4 Ligações externas

Visão Histórico-Cultural

Portugal tem uma forte ligação histórica com a Galiza, visto que Portugal emergiu em 1143 como reino independente a partir do Condado Portucalense que era até então parte integrante do Reino da Galiza, condado Portucalense este que nessa altura já se entendia desde Minho e Trás-os-Montes[4] até ao Condado de Coimbra e Viseu[5].

Contudo e consumada a separação entre o Condado Portucalense e o Reino da Galiza com o emergir do Reino de Portugal, Portugal e a Galiza seguiram caminhos totalmente diferentes até aos dias de hoje, o Reino da Galiza acabou por ser extinto e incorporado na Espanha em 1833 depois de um longo processo de castelhanização a nível social, cultural e linguístico às mãos do império castelhano.

Pelo contrário Portugal continuou a sua expansão territorial como reino e país independente desde o Condado Portucalense, o denominado berço da nação que tinha como capital Guimarães até ao Algarve, e daí para além-mar com a Época dos descobrimentos.

No entanto, ainda hoje e quase um milénio após as separações políticas entre Portugal e a Galiza, os cidadãos dos dois lados da fronteira partilham alguma da identidade cultural, mas acima de tudo linguística visto que o Português e a língua Galega são 2 línguas irmãs, que derivam de uma língua comum, o Galaico-Português também denominado de Português arcaico.

Anteriormente a isto e reportando-nos ao período Romano, os territórios que actualmente compõem a Galiza, a zona de Portugal a Norte do Rio Douro, bem como a actual comunidade espanhola das Asturias e as actuais provincias de Leão e Zamora fizeram parte da então denominada provincia Romana da Galécia, tendo como capital Braga, provincia esta criada aquando da 3ª divisão provincial da hispânia realizada pelo imperador Diocleciano em 298 d.c., visto que antes a Galécia estava incorporada na provincia Tarraconense.

Visão Sócio-Cultural

Poderíamos definir a Portugaliza como um espaço com fortes ligações históricas, geográficas, económicas, culturais e linguísticas, espaço este que abrange Portugal e a Galiza[6] , que se enquadra na faixa atlântica da península ibérica ,com uma população de 13 milhões e 700 mil de habitantes e um PIB de 300.000.000 (Mil. Eur. 2007).

Os principais centros culturais, políticos, económicos e académicos são Lisboa, que na acepção de área urbana entre Setúbal e Torres Vedras, conta com cerca de 3 milhões de habitantes, o Porto, que na acepção de área urbana entre Espinho, Gondomar e Vila do Conde conta cerca de 1,5 milhões de habitantes, seguindo-se depois a Corunha, Vigo, Braga, Coimbra, Santiago de Compostela, Leiria e Faro.

Essa grande frente atlântica da Península, da Corunha a Faro, poderia vir a ser um imenso projecto económico, assente numa base sócio-cultural única, forte e homogénea, de ordem cultural e linguística, com enorme poder de atracção ao serviço da comunidade mundial dos Países Lusófonos.[7]

Os principais centros religiosos seriam o Santuário de Fátima e o Santuário de Santiago de Compostela.

Referências

↑ Antes de 2002: Escudo

↑ Centro de Média Independente – Portugal.

↑ Centro de Média Independente – Galiza.

↑ Instituto Camões – “Formação de Portugal”, pág. 33. ↑ Ramos, Rui. História de Portugal, pág. 25.(2009)

↑ Portugaliza.

↑ Revista de informação cultural e cientifíca – Portugaliza.

Ligações externas

Revista Portugaliza – Revista de Informação e Cultural e Científica

AGAL – Associação Galega da Lingua

Portal Galego da Língua

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Em Lisboa, 30 de Dezembro de 2010

Identidade Pessoal e Mudanças [versão original de 2008]

Nossa identidade é aquilo que nos define como “eu” – que faz com que eu seja eu, e não você, e você seja você, e não eu…

À primeira vista a questão pode parecer simples – mas não é, não. Pelo contrário: é bastante complicada, e já ocupou horas preciosas da reflexão de grandes pensadores…

A questão pode, naturalmente, ser encarada de diversos pontos de vista.

Encarada do ponto de vista físico – ou biológico – a questão pode parecer mais simples do que de outros pontos de vista (psicológico, filosófico), mas mesmo aí vem se tornando cada vez mais complicada.

Dizem os entendidos que a impressão digital de uma pessoa é absolutamente única e permanece a mesma durante toda a vida dela. Com a ajuda de algumas informações complementares, a impressão digital poderia, portanto, ser usada para definir quem a pessoa é: ela é a versão mais idosa (e, esperamos, experiente) do nenê que nasceu no dia tal, a tantas horas, em tal lugar, de fulana de tal.

Mas dizem novamente os entendidos que as células de uma pessoa morrem e são substituídas por outras dentro de determinados períodos (relativamente curtos) de tempo. Assim sendo, ainda que eu tenha a mesma impressão digital do nenê Eduardo Oscar que nasceu em Lucélia, no dia 7 de Setembro de 1943, às 21h45, na Rua Amazonas s/n, de Edith de Campos, então já renomeada Edith de Campos Chaves (sendo Oscar Chaves o pai presumido), as células que aquele rechonchudo bebê tinha, há 65 anos, já morreram todas e foram substituídas por outras – e isso muito mais de uma vez. Por algum milagre biológico, a impressão digital continuou a mesma, mas, do ponto de vista físico e biológico, nada que aquele nenê tinha permanece em mim hoje…

Atualmente a coisa fica ainda mais complicada. Algumas pessoas trocam o seu coração pelo de outra pessoa; ou outros órgãos seus… Nada impede que uma pessoa, hoje, receba múltiplos transplantes de órgãos de uma mesma outra pessoa. No futuro, é possível que seja possível até mesmo transplantar o cérebro de um para outro (como Robert Heinlein já previu em I Will Fear No Evil / Não Temerei Mal Algum – livro que recomendo sem reservas no contexto desta discussão). Quando isso acontecer, se x recebe o transplante do coração, do cérebro, dos rins, e saiba Deus lá mais do que, de y, a pessoa resultante será x ou y – ou será uma mescla das duas? São os tribunais que vão resolver se ela continua x, ou y, ou passa a ser z? (Que as leis e os tribunais vão ter de enfrentar essa questão mais cedo do que se pensa, não há dúvida.)

A possibilidade de transplantes de cérebro levanta questões importantes, porque se acredita que o cérebro é a base física e biológica da memória… e a memória parece ser um componente essencial de nossa identidade pessoal.

Na verdade, John Locke, o grande filósofo britânico do século XVII (que, na minha opinião, é o segundo maior filósofo britânico de todos os tempos, e, portanto, da história, perdendo apenas para David Hume, meu santo padroeiro, mas ganhando de Bertrand Russell), uma vez defendeu a tese (em Essays Concerning Human Understanding) que a memória é o ÚNICO critério definidor de nossa identidade pessoal. Em um de seus famosos “experimentos mentais” (que ele gostava muito de fazer) ele postulou que se, num dado dia, um príncipe e um sapateiro acordassem com suas memórias totalmente trocadas, um teria se tornado o outro (e vice-versa): eles haveriam trocado de identidade pessoal. Entre outras mudanças, a pessoa que estivesse ocupando o corpo do (até ali) sapateiro passaria a estar apaixonado pela princesa (ou por quem quer que fosse que o príncipe estivesse apaixonado), e a pessoa que estivesse ocupando o corpo do (até ali) príncipe passaria a estar apaixonado pela mulher do sapateiro (ou por quem quer que fosse que o sapateiro estivesse apaixonado).

Ou seja, para Locke, a nossa identidade pessoal nada tem que ver com física ou biologia: ela é definida por fatores puramente mentais. Ou seja: cai na província da psicologia ou (como Locke preferia) da filosofia.

(Lembro-me, neste contexto, de um filme de 1991 com Harrison Ford, que tem o título original de “Regarding Henry”, em que Ford era um advogado mau caráter e muito chato. Sem que ele soubesse, a mulher dele havia optado por encontrar uma companhia menos cansativa. Mas ele recebeu um tiro durante um assalto e perdeu a memória: não se lembrava nem de quem era – e, num toque de realismo do filme, teve de reaprender a andar, a falar e a funcionar normalmente. A tese do filme é a de que ele, na verdade, virou outra pessoa: uma pessoa de com caráter, legal, interessante, por quem a mulher voltou a se apaixonar… [Vide http://www.imdb.com/title/tt0102768/]. Vide também o filme brasileiro “Se eu fosse você”, de 2006, em que os personagens – Tony Ramos e Glória Pires – trocam de identidade quando a mente de um passa a ocupar o corpo do outro, e vice-versa – ou seria o oposto: quando o corpo de um se apropria da mente do outro, e vice-versa. Curiosa e significativamente, a sinopse do filme no International Movie Data Base, afirma que os dois “trocaram de corpos” – “switched bodies”. No filme um dos personagens pergunta: se eu me jogar da janela, quem vai morrer, eu ou você? [Vide http://www.imdb.com/title/tt0448927/]. Está para sair, ou já saiu, “Se eu fosse você 2”. [Vide, para a seqüência, http://www.imdb.com/title/tt1099227/]).

É verdade que, como sugere Heinlein (com base no que diz a maioria dos cientistas), nossa memória tem o cérebro como sua base física e biológica – e, quiçá, como ele próprio sugere em seu famoso romance, até mesmo o restante de nosso sistema nervoso tenha algum papel nisso… Mas deixando de lado essa controvérsia científica, a sugestão de Locke parece fazer muito sentido: eu sou quem eu me lembro de ter sido… Ou, como prefere o Rubem Alves, eu sou o que fui… ou eu sou quem fui…

Exceto no caso de alguns dinossauros mentais, que preferem morrer e se fossilizar a mudar, nossas idéias mudam mais rapidamente que as células do nosso corpo… O grande desafio, como os filósofos gregos já sabiam, é descobrir a continuidade que subjaz à mudança… E a continuidade, Locke descobriu, é dada, no caso da identidade pessoal, pela memória! Quando a memória falta, perdemos a continuidade, e passamos a ser outro, como no caso do filme de Harrison Ford.

Voltei a pensar sobre essas coisas (sobre as quais penso há muito tempo e até mesmo já escrevi bastante aqui) porque, recentemente, um número razoável de pessoas tem me dito que mudei bastante – talvez até demais – e quer saber quem sou eu hoje: serei eu quem agora pareço ser ou seria aquilo que eu antes era o meu eu real??? Em suma: há continuidade por baixo da mudança, ou eu sou um caso de mudança de personalidade?

Pablo Neruda confessou que viveu. Eu confesso, sem nenhuma vergonha, que mudei – na realidade, estou ainda mudando. Porém, a questão de 64 mil dólares é: aquilo que sou agora é o que realmente sou, ou será que meu eu real é aquilo que eu antes era?

Durma-se com um barulho desses… A questão é difícil. Confesso que se eu não fosse um cara bastante opinionado, com convições firmes, eu estaria no momento passando por uma enorme crise de identidade. Mas, como sou teimoso, persisto em acreditar, mesmo quando confrontado com evidência em contrário, que eu continuo eu mesmo. Como disse YHWH no passado, eu sou o que sou. A despeito de evidências ao contrário. E acabou. Ponto final. Quem quiser discordar, que discorde – mas eu não posso discordar de mim mesmo.

E estou certo de que continuo o mesmo Eduardo Chaves que eu era porque, afinal de contas, apesar das mudanças que eu não nego nem contesto, mas francamente admito, eu me lembro de que sou o mesmo que fui. Eu me lembro de que vivia, desde minha mais tenra idade, com Oscar e Edith Chaves, e os chamava de pais… Eu me lembro de que meus pais tiveram outros filhos e que, portanto, eu tive – e tenho – irmãos: Flávio, primeiro, depois Priscila, depois Eliane. Eu me lembro de que vivi em Marialva e Maringá no Paraná, nos anos 40 e no começo dos anos 50, e de que me mudei para Santo André no começo de 1952. Eu me lembro de que estudei no Grupo Escolar “Prof José Augusto de Azevedo Antunes”, na Rua Senador Flaquer, em Santo André, e de que tive como professoras, no Primário, de 1952 a 1955, Donas Maria José Ferraz de Alvarenga, Judith Ramos Milaneze, Elídia Lopes Duarte e Mercedes da Silveira Lopes (depois Mercedes Lopes Ferraz, quando ela se casou). Lembro-me de que, junto com o quarto ano Primário, fiz dois meses de Curso de Admissão com a Carla Strambio (hoje minha colega tradutora juramentada). Lembro-me de que entrei no Colégio Estadual e Escola Normal “Dr Américo Brasiliense” em 1956 e lá fiquei até 1959, quando recebi o diploma (ou certificado, sei lá) do Ginásio, no Cine Tangará, em Santo André (e o Pedro Cia foi o paraninfo).

Não vou entediar o leitor com todos os fatos de que me lembro – e vou me calar sobre as pessoas que amei, ou sobre aquelas que quis ver mortas… Mas eu sou o que fui. Eu sou aquilo que me lembro de ter sido… Admito que a memória é seletiva (deixa coisas de fora) e até mesmo inventiva (traz pra dentro coisas que nunca aconteceram). Foi Mark Twain (se bem me lembro…) que disse, quando já velho, que é mentira que a nossa memória fica mais fraca quando a gente fica mais velho. A memória dele era tão boa, disse, que ele conseguia se lembrar até de coisas que nunca aconteceram…

De qualquer forma, mesmo admitindo que, excepcionalmente, deletamos uns fatos e inventamos outros, nossa memória é que nos faz ser, hoje, o que somos. Dando por pressuposto que a maior parte de nossas memórias é verídica, nós somos, hoje, o que somos, porque fomos o que fomos no passado – e nos lembramos disso!

Assim, eu sou quem eu sou hoje, apesar de todas as mudanças, porque me lembro de que, em determinados momentos, quis mudar… e, como acontece agora, mudei e continuo mudando – e me lembro também de que, em outros momentos, quis mudar e, por alguma razão, não mudei… E me lembro ainda de que, em relação a determinados aspectos (os físicos e biológicos, por exemplo), mudei sem necessariamente querer mudar…

Se eu não me lembrasse desses fatos, poderia fazer sentido afirmar que eu mudei recentemente de identidade (ou de personalidade). Mas eu me lembro do que eu era e sei o que eu sou, e sei que as mudanças recentes foram desejadas. E estou contente com o que hoje sou, ou estou me tornando – ainda que possa haver quem prefira que eu não tivesse mudado…

Desculpem-me os leitores se o meu post pode, em alguns aspectos, parecer enigmático ou mesmo ininteligível. Garanto-lhes que não é enigmático e que faz bastante sentido. Podem crer.

Em São Paulo, 22 de Dezembro de 2008. [NOTA de 9.1.2022: Há uma nova versão deste artigo, amplamente revista e ampliada, publicada em 9.1.2022, neste mesmo blog. Quem preferir a versão mais atualizada pode ir diretamente para ela no endereço: https://liberal.space/2022/01/09/identidade-pessoal-e-mudancas-versao-revista-de-2022/.%5D