Educar pode custar caro, mas não educar custa mais caro ainda

O título que dei ao posto diz tudo. O artigo de Gustavo Cerbasi, publicado na Folha de hohe (31/01/2011) dá a razão para o que o título diz.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me3101201116.htm

GUSTAVO CERBASI

A cara falta de educação

O brasileiro médio não se qualifica para exercer atividades complexas ou desenvolver tecnologia

HÁ ALGUM TEMPO, na Suécia, eu tomava café em meu hotel quando avistei um buraco que se abriu de um dia para o outro no asfalto, devido a chuvas durante a madrugada.

Comentei despretensiosamente com amigos que a Suécia não era um país perfeito, pois tam- bém tinha buracos no asfalto, como em nosso país.

Antes mesmo de eu terminar minha refeição, chegou um veículo de obras para corrigir o problema.

O que vi dali em diante foi motivo de muita reflexão sobre diferenças culturais.

Daquela camionete saltou seu único ocupante, que ao toque de um botão acionou um elevador hidráulico que posicionou a seus pés um interessante kit de equipamentos de identificação.

Bandeiras, sinais de luz, placas de trânsito identificando a obra, cones e cavaletes foram rapidamente posicionados a uma distância segura para desviar o trânsito.

O mesmo profissional voltou à camionete, abriu uma tampa da carroceria e retirou algumas peças que pareciam ser molduras quadradas de metal. Uma delas, ao ser posicionada no asfalto, mostrou ter dimensões pouco maiores do que o buraco, e por isso foi usada como gabarito para riscar o piso.

Feita a marcação, o trabalhador pegou uma serra elétrica e cortou o asfalto com precisão cirúrgica, retirando com picareta uma placa quadrada com o buraco no meio.

O elevador hidráulico foi posicionado para erguer a peça e jogá-la no interior da caçamba, e depois manobrado para trazer ao piso uma placa nova, como uma lajota, que se encaixou perfeitamente no corte feito.

Com batidas de um martelete hidráulico e acabamento de uma pistola de piche, esse único funcionário fez em trinta minutos um serviço impecável. Após sua saída, ninguém dizia que aquele remendo havia sido feito há menos de um ano.

Estupefatos, eu e meus amigos começamos a comparar o que vimos com o mesmo serviço tipicamente feito no Brasil, normalmente por cerca de oito a dez profissionais, a maioria deles ociosa a maior parte do tempo, resultando em um remendo mal-acabado, sujo e extremamente danoso aos primeiros veículos que ali passassem.

Será que o serviço impecável da Suécia custaria muito mais caro do que o do Brasil? Fazendo algumas contas e considerando a soma dos parcos salários dos ineficientes trabalhadores brasileiros versus a tecnologia empregada mais o bom salário do pós-graduado trabalhador sueco, chegamos à conclusão de que tapar o buraco lá sai mais barato do que aqui.

Então, por que não mudamos? Simples: porque a limitada educação do trabalhador brasileiro ainda não permite.

Como temos uma educação que ainda proporciona resultados medíocres, o brasileiro médio não se qualifica para exercer atividades complexas ou desenvolver tecnologia. Por isso, acaba se sujeitando a precários trabalhos braçais que há décadas não são mais feitos em países desenvolvidos.

Se tivesse um nível educacional melhor, o brasileiro não aceitaria exercer atividades intensamente braçais ou sub-remuneradas.

Recusaria, por, exemplo, o trabalho de tapar buracos no asfalto e encontraria emprego em empresas de desenvolvimento de equipamentos de automação, criando soluções para suprir os trabalhos braçais.

Uma maior oferta de equipamentos permitiria seu uso em larga escala, o que contribuiria para a redução de seu preço.

Por outro lado, a partir do momento em que trabalhos simples passam a ser feitos por processos mais automatizados, exige-se que profissionais mais qualificados sejam contratados para essas atividades, criando uma nova oferta de empregos para profissionais bem educados.

Em outras palavras, o investimento em educação traz mais do que empregos. Traz processos mais baratos, mais seguros e mais eficientes, gerando bem-estar muito além do círculo familiar do cidadão que recebeu instrução qualificada.

Certamente compensa, mas é preciso ter a coragem de investir hoje para colher daqui a 15 anos. É hora de mudar isso.

GUSTAVO CERBASI é autor de “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos” (ed. Gente) e “Como Organizar Sua Vida Financeira” (Campus).

Internet: www.maisdinheiro.com.br

@gcerbasi

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Em 31 de Janeiro de 2011.

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