Jovens e velhos convivem em todas as faixas etárias

Muito interessante o artigo de Luli Radfahrer na Folha de S. Paulo de ontem.

A tese mais interessante, na minha opinião, é que velhice não é uma questão de idade: é uma questão de postura, de atitude perante a vida. Há novos e velhos em toda faixa etária…

Velhos são aqueles que não percebem que uma mudança básica e fundamental aconteceu na sociedade e persistem em considerá-la um modismo, um “fad”, que logo irá desaparecer. Assim, se orgulham, culturalmente, de resistir a essa mudança, considerando seu reacionarismo uma virtude cultural. Jactam-se de não usar e-mail, de não ter perfil no Facebook, de nem sequer ter (ou atender) um telefone celular.

Esses velhos, essas verdadeiras peças de museu existem em qualquer faixa etária. Eu tenho um bom número de amigos velhos – nesse sentido – que, cronologicamente, são mais recentes do que eu. Uma coisa não tem muito que ver com a outra.

Eis o artigo do Luli Radfahrer na íntegra.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/tec/tc0902201127.htm

LULI RADFAHRER

Os velhos da sua idade

O que você deve fazer por aquelas pessoas que têm a sua idade, mas não leem este caderno

ESTE ARTIGO foi escrito para aqueles seus amigos, parentes ou colegas que têm a sua idade e uma formação parecida com a sua, mas que, por algum motivo, nunca lêem cadernos como este. Você conhece o tipo: são pessoas inteligentes, de opinião formada, que acompanham as notícias regularmente, mas que raramente passam do caderno de economia ou de cultura. Sabe quem acredita que ópera é muito mais importante do que videogames ou Facebook, mesmo tendo uma fração de sua audiência? Pois então.

Eles não são velhos. Você não é velho. Ou pelo menos não deve se sentir ultrapassado, mesmo que não saiba das últimas artimanhas do Google ou do Twitter. O leitor da editoria de tecnologia costuma ter conta em redes sociais e saber como deve se comportar nelas, não clica em qualquer link de e-mail e tem uma boa noção do que é um iPad ou um Wii, mesmo que não tenha a menor intenção de comprá-los. É alguém que, como você, tem critério e experiência. Isso depende cada vez menos da idade.

No entanto, há cada vez mais gente com orgulho de sua aversão ao ambiente digital. Isso não acontece com outras inovações, como a energia elétrica ou o rádio.

A web tem quase duas décadas de vida e a telefonia móvel, cerca de metade disso. Não se pode mais chamá-las de “mídias alternativas” ou de “tecnologias emergentes” quando a maioria dos processos contemporâneos depende delas. Mas ainda são poucos os que perceberam de verdade essa mudança. A maioria ainda está à margem das transformações, fazendo de conta que elas não existem, mesmo que tenham filhos adolescentes e uma renda pra lá de confortável. A inclusão digital se torna, cada vez mais, uma questão cultural.

O que aconteceu com essa gente? Meu palpite é que eles não perceberam a mudança. Como qualquer pessoa que não se interessa por uma área da medicina ou do direito até que se torne vítima dela, eles nunca se importaram com o digital. Mas deram o azar de terem nascido em uma época que ele se tornou importante. Por causa disso, muitos vivem hoje em um mundo desconfortável e isolado, que não compreende o que fazem seus filhos, seus funcionários e o resto do planeta.

Esses caras me lembram aqueles coleguinhas da escola que, por serem bonitos ou fortes ou populares ou ricos demais, nunca pensaram que precisariam estudar.

O tempo passou, e uma das poucas coisas que correu mais rápido do que ele foi a tecnologia. Lembra a lenda da cigarra e da formiga? É algo parecido.

Pode parecer lavagem cerebral, mas acredito que você deva ajudá-los a se alfabetizar no digital. Por mais que dê trabalho, a atividade compensará por dois motivos. O primeiro é que as tecnologias de informação estão mais para uma linguagem do que para uma ferramenta. Quanto maior a fluência, mais eficiente será a comunicação e a compreensão. O segundo é que quanto maior e mais adiantado estiver o mercado, mais exigente ele será.

No fim, quem mais se beneficiará dessa cadeia evolutiva será você, que terá acesso a máquinas e serviços melhores. Isso sem contar que poderá fazer novos amigos e ampliar sua visão de mundo, principalmente se eles estiverem entre os do tipo que não lê este tipo de caderno.

lulil@luli.com.br

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Em São Paulo, 10 de Fevereiro de 2011

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