Ha Long Bay

São 5h50 do sábado, dia 12 de abril de 2008. Escrevo de dentro da minha cabine no barco-cruzeiro Bhaya (vinte cabines), em plena Ha Long Bay — uma das coisas mais lindas que a natureza já aprontou. Lá fora (vejo pela janela da cabine) parece que será mais um dia brumoso, como quase todos os que passei aqui no Vietnam. Mas as formações rochosas ficam ainda mais impressionantes com as brumas: assumem um ar que, além de “misty” (brumoso), é também “mystic” (místico). Da minha janela vejo o Emeraude, outro barco cruzeiro — este mais parecido com os famosos barcos do Mississipi: branco, com aquela roda que era usada para fazer o barco andar mas que hoje é apenas decorativa. O meu barco, o Bhaya, é de madeira escura e tem um design mais adequado ao ambiente. Tem quatro andares (decks): dois com cabines (dez cabines em cada deck), um em que fica a sala de refeições, e a upper deck, para tomar sol (quando há) e simplesmente contemplar a natureza.

Boa parte dos que participam desta viagem devem estar, agora, fazendo aqueles exercícios “taichi”. Eu prefiro ficar aqui. O café será às sete. Depois subirei para dar uma olhada no taichi.

Vim para cá com Les Foltos, meu amigo da área de Seattle, criador e implantador mundial de Peer Coaching. Saímos do hotel Sheraton em Hanoi ontem às 8h da manhã, num taxi, e viemos para cá — uma viagem de quase quatro horas. Chegando a Ha Long, pegamos o Bhaya, tomamos um drink de boas-vindas, almoçamos, e ficamos observando a baía. Vejam as fotos nos sites indicados abaixo.

À tardinha paramos para visitar uma fantástica caverna — cujo nome não consegui registrar (mas há uma foto abaixo). Mas registrei o cenário em centenas de fotos (que aos poucos irei compartilhando). Depois da caverna visitamos ainda uma vila de pescadores que moram em casas-barco, em cima da água o tempo todo. Depois tomamos uma taça de vinho, vim tomar banho (tudo funciona — a cabine é excelente: estou na 108 e o Les na 107, em frente), subi, tomamos mais uma taça de vinho, e jantamos (comida de primeira) — acompanhados de uma garrafa de vinho chileno.

Depois passaram o filme Indochine, com a Catherine Deneuve, que eu já comentei aqui, mas não agüentei ver até o fim — foi muito vinho antes do filme… Vim deitar. Hoje me levantei às 5h, tomei banho, arrumei minhas fotos… e estou aqui.

Em suma, um passeio absolutamente fantástico.

Ha Long Bay é candidata a uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo (não confundir com o concurso anterior das Sete Maravilhas Artificiais do Mundo). Deveria ganhar. A impressão visual que o conjunto fornece é incomparável.

Eis aqui algumas referências e fotos:

http://en.wikipedia.org/wiki/Halong_Bay

http://www.halongbay-vietnam.net/photos/index.htm

http://www.halongbay-vietnam.net/halong_bay_overviews.htm

http://whc.unesco.org/en/list/672

http://www.voteforvietnam.com/

Em Ha Long Bay, 12 de Abril de 2008

Flashes matutinos

Estava descendo para tomar café da manhã, agora há pouco, e entraram no elevador quatro distintas senhoras, de cabelos branquinhos, todas elas claramente acima de 75 anos. Gentis, sorriram, me cumprimentaram… Eu puxei prosa:

"Where are you all from?"

"New Zealand", responderam — e perguntaram: "What about you?"

"Brazil", disse eu.

"Ah", continuou uma delas, com aquela franqueza que só crianças e, pelo jeito, pessoas bem idosas têm: "Sorry to hear about that!"

Fui pego de surpresa e não tive a presença de espírito de perguntar por quê… Poderia ter aprendido alguma coisa útil.

Ao sair do elevador, uma comoção: estavam instalando um enorme, e grosso, tapete vermelho, da saída do elevador até a calçada onde se tomam os carros. Evidentemente, para o presidente da Bielo-Rússia.

Político é bicho vaidoso em qualquer lugar. Vaidoso aqui é eufemismo, naturalmente. Xô…

Em Hanoi, 7 de Abril de 2008

Bielo-Rússia (ou Bielorrússia)

Ontem, ao voltarmos do restaurante, à noite (por volta de 22h30), encontramos um circo de segurança montado na entrada do hotel. Detectores de metais, aparelhos de Raios X para bolsas e pacotes, policiais por todos os lados…

Explicação: o presidente da Bielo-Rússia estava hospedado no hotel… Se você tem alguma dúvida sobre onde fica a Bielo-Rússia, veja na Wikipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bielorrúsia 

Diz o artigo:

"Nos anos 1980, a Bielorrússia é reduto da resistência comunista às reformas democratizantes do presidente soviético Mikhail Gorbachev. Em agosto de 1991, a independência da Bielorrússia é proclamada, e o país integra a Comunidade dos Estados Independentes (CEI)."

Por aí se vê que o país foi contra o fim do Comunismo… Gente finíssima. Não é à toa que precisam de segurança desse jeito, mesmo num país comunista.

Em Hanoi, 7 de Abril de 2008

O trânsito de Hanoi

Ontem, domingo à noite, saí para jantar com alguns amigos — fui ao Bobby Chinn Restaurant, sobre o qual coloquei uma notinha aqui. Fomos de taxi, eu sentado na frente, junto ao motorista (estávamos em quatro). O trânsito estava animado mas não muito intenso. Mas a bagunça é inacreditável. Nunca vi coisa igual – nem mesmo em Istambul.

Exceto em raríssimos locais, não há farol. Não há sinal de PARE. Não há faixas de rolamento pintadas no chão. O que seriam as faixas de rolamento na direção contrária são aproveitadas para dirigir na contramão, empurrando quem vem na mão certa para a faixa mais da direita ou para cima da calçada. Enfim, todo mundo dirige por todo lugar… Parece uma largada de Fórmula 1, como foi a do Bahrain ontem: carro passando por tudo quanto é lado. Carros brigando com outros carros, todos brigando com as motos. Brigando é modo de dizer. Eles buzinam e dão sinal de luz, mas ninguém parece se importar com isso.

Nas motos, jovens, velhos, senhores, senhoras, senhoritas, casais… Em toda a bagunça, duas senhoras andando de moto lado a lado — e conversando uma com a outra, enquanto dirigiam. Meu amigo Vincent Quah me contou que já viu dois motoqueiros dirigindo tranqüilos no trânsito caótico, carregando uma viga de madeira de mais ou menos oito metros — no ombro de cada um, uma moto na frente, a outra atrás, a viga ligando as duas…

Os cruzamentos em que não há farol — a maioria — são um exercício em aventura. Todo mundo vai entrando. Parece que vão bater mas se desviam um do outro. Gente que está na esquerda querendo virar para a direita, e vice-versa. Houve um cruzamento em que deveria haver um balão: havia pelo menos umas seis ruas chegando no mesmo lugar, mas não havia balão nenhum. Uns queriam passar direto, outros queriam mudar de direção, nunca se  sabia exatamente quem ia fazer o quê. Compreendi porque buzinam e dão sinal de luz. Pelo jeito ninguém usa espelhos retrovisores. Eles vão enfiando o carro ou a moto, ou vão deixando o carro ou a moto "escorregar" para onde querem ir, e se ninguém buzina, eles continuam; se buzina, eles param momentaneamente de enfiar ou carro ou a moto e tentam de novo — na expectativa de que o outro vai deixar que passem ou entrem. Uma loucura.

Não é difícil, também, encontrar um carro parado do lado esquerdo de uma rua movimentada de uma mão só. Às vezes estacionado lá — com duas rodas em cima da calçada. Motos estacionadas em lugares em que obviamente deveria ser proibido estacionar também é comum.

Para nos deixar do lado do restaurante, a fim de que não tivéssemos de cruzar a rua, o motorista do taxi foi entrando no lado oposto da pista, na contra mão, devagarinho, buzinando, dando sinal de luz, desviando dos carros e motos que vinham em direção contrária, até que encostou na calçada do lado do restaurante — mas virado para a direção errada do fluxo de trânsito. Como ele, motorista, ficou do lado da calçada, fez sinal para que eu não saísse. Deu a volta, estendeu o braço assim na horizontal,  meio que, simbolicamente, empurrando o tráfego para longe, para criar um espaço protetor no qual eu pudesse sair do carro pelo lado do trânsito sem ser atropleado e dar a volta para entrar no restaurante… Fui direto pro bar e pedi uma vodka Finlandia… 

Fico pensando no Seymour Papert, atropelado aqui por uma moto, e que nunca mais recobrou sua saúde. A gente fala do trânsito de São Paulo, com os motoqueiros dirigindo entre os carros, mas o trânsito de São Paulo é um modelo de ordem, comparado com o daqui.

Em Hanoi, 7 de Abril de 2008

Bobby Chinn Restaurant

Ontem estive nesse restaurante. Vide http://www.bobbychin.com/. Simplesmente fantástico — e não tão caro, para padrões internacionais.

O ambiente é sofisticado, chique, agradável. Bobby Chinn aparece com freqüência, conversa com clientes, explica e sugere pratos… Há uma biografia dele no site.

O restaurante fica no coração da Hanoi velha, numa esquina. O bar é distinto e tem ampla seleção de bebidas.

Ninguém que venha a Hanoi deve perder.

Em Hanoi, 7 de Abril de 2008

L'amant

Eis a sinopse do filme com esse nome que fornece a International Movie Data Base (IMDB – http://www.imdb.com): "It is French Colonial Vietnam in 1929. A young French girl from a family that is having some monetary difficulties is returning to boarding school. She is alone on public transportation when she catches the eye of a wealthy Chinese businessman. He offers her a ride into town in the back of his chauffeured sedan, and sparks fly. Can the torrid affair that ensues between them overcome the class restrictions and social mores of that time? Based on the semi-autobiographical novel by Marguerite Duras".

Uma outra sinopse, essa em Português (de Portugal), afirma: "Baseado no romance homónimo de Marguerite Duras, que vendeu mais de um milhão de cópias em mais de 43 línguas, esta sofisticada adaptação das suas ‘memórias de juventude’ transborda de paixão. Com uma interpretação primorosa e uma fotografia admirável, ‘O amante’ capta de forma brilhante a essência do despertar sexual e do desejo proibido, como nenhum filme o fez até hoje. Jane March é fascinante no papel de uma pobre adolescente francesa que na década de 1920 conhece um importante e abastado diplomata chinês (Tony Leung) durante uma travesia do rio Mekong. Fascinada pela riqueza e elegância dele, a jovem deixa-se levar pela vertigem do amor e os dois envolvem-se numa relação clandestina e tórrida. Mas se os amantes conseguem ultrapassar as diferenças de idade, raça e classe, a sociedade colonial francesa da Indochina jamais permitirá que se ultrapassem as diferenças culturais." (Vide http://www.dvdpt.com/o/o_amante.php).

Mais um filme sobre a Indochina — i.e., Vietnam. Não havia me esquecido dele. Na verdade, quando escrevi sobre Indochine, lembrei-me dele — mas não tinha certeza de que a história era passada na Indochina. Foi. Tinha a impressão de que a menina estava indo para Shanghai. Não sei de onde saiu isso…

L’amant não tem a classe de Catherine Deneuve, mas tem a incrível beleza e total sensualidade de Jane March — fazendo o papel de uma adolescente — quando ela msmo, como pessoa e atriz, não era muito mais do que isso. Há quem jure que as cenas de sexo que ela faz com Tony Leung no filme foram reais — certamente parecem. E o filme, baseado no livro de Marguerite Duras, se não é totalmente autobiográfico, contém inúmeros elementos autobiográficos — o que o torna mais interessante ainda. Na verdade, se é mesmo autobiografia, e se a gente pode confiar em autobiografias, o enredo da história é a vida da autora.

Dois anos depois desse filme, Jane March, talvez alicerçada na reputação de sensualidade que L’amant lhe deu, fez outro papel "quente", desta vez ao lado de Bruce Willis, em Color of night (1994).

Em Hanoi, 5 de Abril de 2008

A face ainda feia do Comunismo

A despeito de todas as tentativas de mostrar uma face humana e competente para o mundo, o novo Comunismo chinês, que deu uma guinada capitalista na economia, continua com sua face feia no plano político. A questão do Tibet é a maior prova disso — mas está longe de ser a única. Um dissidente acaba de ser punido com pena de três anos e meio na prisão porque escreveu ensaios que foram considerados subversivos.

Liberdade econômica não consegue sobreviver por muito tempo sem liberdade política. Em algum momento, ou aparece a liberdade política, ou a liberdade econômica acaba desaparecendo.

Vamos ver o que acontece com a China.

A despeito disso, Raúl Castro parece acreditar que o caminho para o Comunismo cubano é imitar a China. Está permitindo que os cubanos usem o que resta ao final do mês de seu pobre salário (menos de 20 dólares por mês — isto é, cerca de 60 centavos de dólar por dia — por quanto é que se alardeia que os miseráveis da África vivem? Um dólar por dia!!!) por panelas elétricas, telefones celulares, etc…

Os três artigos abaixo, todos eles retirados do site do International Herald Tribune, todos eles comentam esses tópicos. Recomendo a leitura. E recomendo o site.

Em Hanoi, 5 de Abril de 2008

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International Herald Tribune, 3 April 2008
http://www.iht.com/articles/2008/04/03/asia/letter.php

LETTER FROM CHINA

China again cues up its propaganda machine

Letter from China

By Howard W. French

Published: April 3, 2008

SHANGHAI: Mao Zedong announced the tune himself, in 1927, when he wrote: "A revolution is not a dinner party, or writing an essay or painting a picture or doing embroidery; it cannot be so refined, so leisurely and gentle, so temperate, kind, courteous, restrained and magnanimous. A revolution is an insurrection, an act of violence by which one class overthrows another."

For the next half-century, China was one of the most violent places on earth, and not just because of the vicious foreign invasion and civil war that swept the country, or the ceaseless purges of supposed traitors and class enemies. There was also the matter of language, which in China has been both an underrated means of violence and a vehicle for it.

Mao’s state created a propaganda system built on a crude triage: a world of heroes who were unalterably and impossibly good, and an even larger one of villains who were irredeemably, cartoonishly bad. Over-the-top became the routine in official rhetoric. Enemies were called "monsters" and "cow ghosts," "snake spirits" and "running dogs." And in one campaign after another the public was called upon to "resolutely crush" or "relentlessly denounce" them.

This was a universe of variable geometry, where people were not to reason things out on their own, but to fall in line. Today’s hero could be tomorrow’s villain, with no clear evidence or explanation. The sole moral compass point was the immoral leader himself, Mao, who to this day remains a sacred cow whose likeness peers out from every bank note.

In recent years, it had seemed as if this movie had been retired, but last month the production was cued up once again. The bad guy this time has been the Dalai Lama, the exiled Tibetan spiritual leader, and the fact that outside China this villain is one of the world’s most admired people has only caused the propagandists to ramp up the volume.

For the purpose of the cause he has been turned into a canine and called a "wolf in monk’s robes," "a wolf with a human face and heart of a beast" and the "scum of Buddhism." In case anyone missed the message, the government has also called the struggle against the Dalai Lama "a life-and-death battle."

The Chinese public should by now recognize all the signs of an old-fashioned political campaign and, given the state’s history of manipulation, immediately mark a long, skeptical pause.

It’s not clear, though, if that’s how it worked this time. The propaganda means of the Chinese state remain overwhelming, as is its inclination not just to shape opinion, but to corral it, playing on what the documentary filmmaker Tang Danhong called the "great Han chauvinism," referring to the dominant ethnic group, a chauvinism that has been evident throughout the Tibetan crisis.

After watching the first week of heavily propagandized television coverage here over dinner recently – reporting that focused almost exclusively on images of lawless Tibetan rioters smashing shops in Lhasa, along with the images of ethnic Han victims of the violence, typically recovering in the hospital – a senior Chinese newspaper editor eagerly questioned me about what was "really happening in Tibet."

The question was scarcely out of his mouth when he added: "When people see the kind of one-sided propaganda that’s been in the media here, nobody trusts it anymore."

This might be reassuring, were it true, but the next few days provided many causes for doubt. A young Chinese acquaintance who is a journalist sounded a troubled note in an e-mail message to me: "I read some news reports recently and am confused why the Western media reports on Tibet are inconsistent with the facts? Like they only report on the Chinese police but not the thugs attack the innocent people and the police? And even worse, why are they reporting lot of false and prejudiced news?"

The irony here, of course, is that Western coverage, whatever its faults, generally detailed the street violence in Lhasa, despite being barred access to Tibet by a country that made a big to-do last year over having supposedly lifted restrictions on the movements of international journalists in China.

Unlike the heavily controlled domestic press, the Western media also reported on the largely peaceful sympathy protests that unfolded over a broad stretch of the Tibetan plateau. They generally sought to give at least two sides to the story and questioned Beijing’s assertions about Tibetan protesters and about their spiritual leader, the Dalai Lama, in the textbook way an independent press should.

Beyond the headlines, though, this crisis tells us a lot about China, and although the government may still have the means to control opinion, the more strenuously it has pressed its case, the less the picture of the country concurs with the image that China so eagerly wishes to promote of itself to the world.

China has invested hugely in its hosting of the Olympic Games in August with the idea of introducing itself as an overwhelming success story: increasingly prosperous, harmonious and forward-looking. The first statement is certainly true, but one needn’t be an enemy of Chin
a, as the propagandists would have it, to question the other two.

This may yet turn out to be China’s century, but it seems clearer than ever there’s a lot of work to do, reforming an awfully rickety system, rethinking policies built on bald fictions, such as the "autonomous regions" in China’s west, and learning to deal with criticism without turning it into a matter of ethnic pride or betrayal.

The official slogan of the Games may be "one world, one dream," but that’s not the feeling one gets listening to the state’s organs. It is an ugly, wound-nursing nationalism one hears. "So strong," said the filmmaker Tang, "that there’s almost no introspection, not even among Han intellectuals."

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International Herald Tribune
http://www.iht.com/articles/2008/04/03/asia/china.php

Chinese dissident gets 3½ years for essays

By Jim Yardley

Published: April 3, 2008

BEIJING: A Chinese court Thursday sentenced an outspoken human rights advocate to three and a half years in prison after ruling that his critical essays and comments about Communist Party rule amounted to inciting subversion, his lawyer said.

The conviction of Hu Jia, 34, quickly brought outside criticism of China at a time when the government is already facing international concern over its handling of the Tibetan crisis. Hu’s case has been followed closely, especially in Europe, and critics say his conviction is part of a government crackdown to silence dissidents before Beijing plays host to the Olympics in August.

Diane Sovereign, a spokeswoman for the U.S. Embassy in Beijing, described the U.S. government’s reaction to the verdict as "dismayed."

"Mr. Hu has consistently worked within China’s legal system to protect the rights of his fellow citizens," Sovereign said. "These types of activities support China’s efforts to institute the rule of law and should be applauded, not suppressed or punished."

Hu’s wife, Zeng Jinyan, herself a well-known blogger and rights advocate, was distraught in a telephone interview Thursday.

"I feel hopeless and helpless," said Zeng, who is under house arrest with the couple’s infant daughter in their suburban Beijing apartment, though she was allowed to visit her husband Thursday.

Asked why Hu was arrested and convicted, Zeng said: "The fundamental reason is to silence him. He had been speaking up and all he said was plain truth. It makes them unhappy. But they can do this to him because they’re unhappy?"

Li Fangping, the defense lawyer, said the court had showed leniency by sentencing him to less than the maximum five-year term. Li said the sentence also forbade Hu from making any public political statements for one year following his release from prison.

"Three and a half years is still unacceptable to us," Li said outside the courthouse. "There is a major disagreement between prosecutors and the defense over punishing someone for making peaceful speech. We still believe the charge does not stand."

Prosecutors in China rarely discuss cases after a verdict. But Xinhua, the government press agency, reported that Hu had confessed to the charges.

"Hu spread malicious rumors and committed libel in an attempt to subvert the state’s political power and socialist system," the court verdict stated, according to Xinhua.

Hu is one of the most prominent human rights advocates in China and has volunteered to help AIDS patients and plant trees to fight desertification. In recent years, he has maintained regular contacts with dissidents and other advocates on issues including environmental protection and legal reform.

He was detained Dec. 27 and later charged with "incitement to subvert state power," a charge based on six essays and interviews in which he criticized the Communist Party. Hu wrote a long, blistering essay detailing how the police had tortured two people who had protested about having their homes illegally seized in Beijing.

Last year, Hu also co-wrote an article that criticized the Communist Party for failing to fulfill its promises to improve human rights before the Beijing Games, though that article apparently was not included as evidence.

Li said that Hu continued to maintain his innocence, though he has acknowledged outside the courtroom that some of his comments were "excessive" in the context of existing law. All of the articles used as evidence have been censored on China’s Internet.

Hu has 10 days to decide whether to appeal the verdict. His health is also an issue; he has Hepatitis B and also takes medication for a deteriorating liver condition. Li said Hu has the option of applying for medical parole if he chooses not to appeal.

Howard W. French contributed reporting from Shanghai. Zhang Jing contributed research from Beijing.

Torch relay disrupted

The police detained at least six Uighur Muslims on Thursday at an anti-China protest during the Olympic torch relay near one of Turkey’s most famous tourist sites, The Associated Press reported from Istanbul.

The demonstrators were detained after they broke away from a larger group of protesters and shouted slogans just feet away from Tugba Karademir, a Turkish figure skater who had just started to run with the torch.

About 200 Uighur Muslims had converged ahead of the ceremony near the Blue Mosque and the Hagia Sofia church. Some members of the Uighur expatriate community in Turkey have called for independence for Xinjiang in China, or what they refer to as East Turkestan.

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International Herald Tribune, 3 April 2008
http://www.iht.com/articles/2008/04/03/america/cuba.php

Raúl Castro employing a bit of capitalism to freshen up Cuban Communism

The Associated Press

Published: April 3, 2008

HAVANA: It’s not the stuff of Marx or Lenin, or even of Fidel Castro, but it’s hardly free-market capitalism, either. In fact, a series of new steps to encourage a Cuban spending spree may help the Communist system and its new president survive.

In rapid-fire decrees over the past week, President Raúl Castro’s government has done away with some long-despised restrictions, lifting bans on electric appliances, microwaves and computers, inviting average citizens to enter long-forbidden resorts and declarin
g they can even legally have their own cellphones.

More changes could be on the way. Rumors are widespread that the government could ease travel restrictions and tolerate free enterprise, letting more people start their own small businesses. And hopes that it also might tweak the dual-currency system – which puts foreign products out of reach for most Cubans – have sparked a run on the peso.

"We’re going to get out and buy more and more," said Roberto Avila, a retiree. "That’s the future in Cuba, and it is a strong future."

Cuba is still far from a shopper’s paradise. Nearly everyone holds government jobs, earning an average of $19.50 a month, although many get U.S. dollars from tourism jobs or relatives abroad. It would take the average Cuban five months to earn enough to buy a low-end DVD player that an American could buy with about two days’ work at the federal minimum wage.

By doing away with rules that ordinary Cubans hate, Raúl Castro may defuse a clamor for deeper economic and political change in the single-party Communist system.

On the other hand, even these small changes could just whet Cubans’ appetites for more.

"These measures to allow Cubans to buy DVDs and everything else are just to entertain the people," said Maite Moll, a 45-year-old state engineer. "It’s not really important because it resolves nothing."

Some Cubans worry that even the small measures already taken will create class tensions and increase resentment between those earning state salaries and those with access to dollars, given the new opportunities for conspicuous consumption. Raúl Castro is clearly hoping that greater buying power will distract from any friction.

Certainly, the 76-year-old president has bolstered his popularity, addressing for now the doubts that Cuba’s government can survive without his charismatic brother, Fidel, who stepped aside and appointed Raúl in February.

"If low-income groups have access to essential goods like food, clothing and construction materials, and can sell and buy homes and use them as collateral, it doesn’t matter if you have a significant income gap. People are better," said Carmelo Mesa-Lago, a Cuba economics expert at the University of Pittsburgh. "That’s what happened in China and Vietnam."

Raúl Castro is said to be an admirer of free-market reforms that allowed those countries to revolutionize their economies while maintaining Communist Party control, although top officials have said Cuba is not about to follow a Chinese or Vietnamese path.

The food part of the equation could be profoundly affected by another initiative promoted this week. The government is lending uncultivated, state-controlled land to private farmers and cooperatives to plant cash crops like coffee and tobacco. It also will pay producers more for basics including milk, meat and potatoes.

Over time, this could reduce chronic food shortages and change the face of Cuban farming.

It is not new for the government to let private farmers take a crack at putting state land to good use. But this time the government is letting farmers more easily buy equipment and supplies at government stores, removing a key impediment to their success.

The changes, implemented barely a month into Raúl Castro’s presidency, are measures that Fidel had opposed for decades, declaring that even small initiatives to increase economic and social freedoms could create a "new rich" and destroy the island’s hard-fought social and economic equality.

And while people are excited to walk around stores and hotel lobbies, they will soon become frustrated that they cannot afford to do more than look, said Juan Antonio Blanco, a Cuban scholar based in Canada.

"This government is totally myopic and shortsighted if it doesn’t understand that it’s sitting on dynamite," he said. "They have to do more than the things that will play in the international media."

A moeda vietnamita: o "dong"

Fiquei até com uma certa pontinha de orgulho, com ares de superioridade, quando me dei conta de que são necessários nada menos do que 9.421 (nove mil, quatrocentos e vinte e um) dongs — moeda vietnamita — para fazer um mísero real… (16.110 para fazer um dólar). Fizemos progresso na área econômica no Brasil, desde o Plano Real — que o FHC reivindica como realização dele, mas o presidente na época era o Itamar Franco. Foi o Itamar que precisou ter coragem para autorizar o plano. Mas para quem se deixou fotografar com a Lílian Ramos sem calcinha, ressuscitou o Fusca, e arrumou uma namorada oficial, com a qual queria se casar, tudo, em retrospectiva, parece ser possível. Nunca ouvi uma palavra de gratidão do FHC ao Itamar por tê-lo dado a chance de introduzir o Real (precedido da UVC).

Quem quiser conhecer um site interessante sobre Currency Conversions deve visitar http://www.xe.com/. O site é excepcional — e envia uma cotação diária da moeda que você escolher: dólar, euro, real…

Em Hanoi, 5 de abril de 2008.

Hanoi: o Sheraton

É gozado como alguns gabaritos habitam na mente da gente — colocados lá por livros, por filmes, por fotos… Lembro-me de que, quando estive em Macau, na parte velha (a parte nova é uma imitação de Las Vegas), fiquei com a impressão de que andava por uma cidadezinha pequena em Portugal. Casas no estilo português, pintadas de marrom e amarelo, rosa e verde… Quando entrei na Vila Militar, que hoje é um clube privado que tem um restaurante aberto ao público, pensei que estava entrando num daqueles Clubes Militares da Índia, quando esta ainda era colonia inglesa. Pé direito alto, janelas enormes, mas com as vidraças fechadas, ventiladores no teto, tudo muito próprio… Parecia que a Greta Scacchi iria aparecer a qualquer momento, louríssima e linda como em White Mischief (1987), onde representou Lady Diana Broughton… A comida, porém, deliciosa, e o vinho, eram portugueses…

Digo isso porque o Sheraton aqui de Hanoi, às margens de um lado brumoso, que dá a impressão de um alagado, me faz lembrar o decadente passado colonial francês — e me faz lembrar de Catherine Deneuve em Indochine (1992), onde ela fez o papel de Elaine. Ganhou o Oscar de Best Foreign Language Film, que o Brasil tanto persegue — e Miss Deneuve foi indicada para Best Actress in a Leading Role… Não sei quem ganhou. Mas eu teria dado o prêmio para Catherine. Pelo filme e pelo conjunto da obra — e por ela ter nascido no mesmo ano em que eu nasci (1943), e por ser irmã de Françoise Dorléac, e por sido vivivo (e tido uma filha) aquele babaca do Marcelo Mastroianni, cujo Catolicismo não o impedia de ser adúltero, mas o impedia de se divorciar… Mesmo sem fechar os olhos eu consigo rever cenas de Indochine na minha mente.

Enfim, voltemos ao Sheraton Hanoi. Fiquei quase uma hora, hoje cedo, sentado no lobby, depois de ter tomado café da manhã, lendo o International Herald Tribune (Asia Editiion) e observando o cenário. Tudo distinto, como il faut a um Sheraton. Tudo bem cuidado. Mas a aparência geral era claramente "decadent French colonial"…

O quarto tem móveis de madeira escura, uma cortina pesada, também escura, estampada, cheia de flores. A colcha da cama é vermelha, quase vinho. Os quadros na parede são meio impressionistas — é preciso chegar perto para verificar que são vasos de flores. O tapete é marrom meio claro, mesclado de bege. Já viu dias melhores. A televisão destoa: é prateada, tela plana, Samsung — creio que 29 polegadas apenas (hoje em dia 42 polegadas LCD em bons hotéis asiáticos é de rigueur. No banheiro, as torneiras (o que os americanos chamam de "fixtures") são estilo "Belle Époque"… Tudo muito distinto. O hotel fornece shampoo, conditioner, bath gel, moisturizer, bath salts (para a bela banheira clássica), shower cap — além de mouth wash, shaving kit, tooth brush, comb, cotton swabs, makeup removal kit, nail file, mending kit, sanitary napkins… E, naturalmente, chinelos e roupões. O frigobar tem o necessário, but no more. Há uma cafeteira e um aquecedor de água e material para fazer café e chá. A cama é king size (o que no Brasil, que tudo distorce, se chama de "super king", porque a queen size é chamada de king…). Por volta das 20h vem a camareira, arruma a cama para dormir, deixa dois chocolatinhos… Simpatiquinha, ela. Pouco inglês, porém.

O serviço de atendimento telefônico é competente. Você chama a recepção ou Guest Services e eles atendem chamando-o pelo nome. Aqui me chamam de Professor Chaves — acho que porque a Microsoft, quando fez a reserva, forneceu o título — não mais adequado, agora que estou aposentadíssimo da carreira docente. Pedi uma Salada Cesar hoje à tarde e mal havia terminado de comer eles ligaram para saber se a comida havia sido o que eu esperava e se o atendimento havia sido bom… A gente não encontra toda essa atenção nem mesmo em hotéis mais sofisticados, como The Four Seasons, de  Tóquio.

Os canais da televisão a cabo são bons — quase todos internacionais (os mesmos que vemos na Net no Brasil), com mais opções de canais de esporte. Espero que mostrem a corrida de Formula 1 amanhã. É demais esperar que algum canal mostre o jogo do SPFC com o Juventus… 🙂 Espero que o "moleque travesso" não apronte contra o meu tricolor.

Amanhã vou considerar meu período de adaptação terminado e sair um pouco. Vou me aventurar pelo dia brumoso e procurar conviver com as motocicletas ao atravessar as ruas. Aqui perto do hotel há um prédio enorme, que se anuncia como um Shopping Center (com esse exato nome), mas que tem uma faixa enorme, que vejo do meu quarto, dizendo "Opening Soon"… Quem diria que o comunista vietnam teria placas de "Opening Soon" para um "Shopping Center"… Ironias desses dias em que o Comunismo virou mais uma categoria que se aplica mais a regimes políticos, como a China e aqui o Vietnam, do que a sistemas econômicos, que viraram todos capitalistas, mais ou menos… 

Em Hanoi, 5 de Abril de 2008

Open skies are not friendly skies…

Quando eu morei nos Estados Unidos, de 1967 a 1974, a United tinha uma propaganda na TV que convidava: "Fly the friendly skies of United". Eu era cliente fiel da PanAm naquela época. Mas a United me herdou, quando a PanAm faliu — porque comprou as rotas da PanAm para a América Latina, entre as quais as do Brasil.

Desde então, muita coisa mudou.

A PanAm voava direto para o Rio de Janeiro, a partir de New York e de Miami. Os passageiros destinados a São Paulo (então de "segunda classe"), tinham de fazer imigração e alfândega no Rio e pegar um vôo especial para São Paulo, que reunia os passageiros destinados a São Paulo dos dois vôos para o Brasil. Se um dos dois vôos atrasava, os passageiros do outro também eram penalizados.

São Paulo, no caso, era Congonhas, porque Guarulhos não existia ainda (thanks, Maluf!). Ou, então, Viracopos, que era usado por algumas companhias internacionais (SwissAir, por exemplo).

O serviço de bordo, porém, era fabuloso. Comida de muito boa qualidade, servida com aparelhagem de hotel de primeira classe, bebidas alcoólicas à vontade, mesmo na Econômica, atendimento impecável, aeromoças jovens e bonitas.

Muita coisa, como eu disse, mudou.

A United, inteligentemente, logo mudou seus vôos para São Paulo, assim que Guarulhos se tornou operacional. Os passageiros do Rio perderam a categoria de brasileiros privilegiados. Agora são eles que precisam esperar os passageiros do outro vôo para concluir sua viagem.

O destino dos vôos da United nos Estados Unidos também mudou. Ela abandonou Miami em favor de Chicago, seu hub principal nos Estados Unidos — e New York em favor de Washington. Há três anos começou a oferecer dois vôos diários de/para Washington, de Outubro a Abril. Este ano o segundo vôo começou a chegar/sair do Galeão, devolvendo aos cariocas parte do prestígio perdido.

O que mudou mais, porém, foi o serviço de bordo. Os passageiros de classe Econômica têm, agora, "uma jantinha" chinfrim, servida em aparelhagem de plástico, com guardanapo de papel. Bebida alcoólica é servida — 5 dólares por dose (inclusive por uma latinha de cerveja). E as aeromoças — agora incluem aeromoços — são uma desgraça em termos de aparência. Aerovelhas seria uma descrição mais apta. Não só velhas: feias, gordas — raramente atenciosas.

Na classe Executiva o serviço continua bom — mas as aeromoças são as mesmas… (Ah, que diferença da Asiana, que tomei de Seoul para cá: aeromoças coreanas jovens, lindas, atenciosas, sorridentes, aparentemente de bem bom a vida…).

Mas preciso justificar o título deste post. A edição asiática do International Herald Tribune de ontem (a versão impressa, que peguei na recepção do hotel, tem data de 4/4 — a edição online diz dia 3/4) traz uma notícia interessante.

Os Estados Unidos e a Europa celebraram um acordo — batizado de "Open Skies" — mediante o qual companhias americanas podem voar para qualquer cidade européia, e mesmo de uma cidade européia para outra, desde que em país diferente, e companhias européias podem voar para qualquer cidade americana — mas não de uma cidade americana para outra.

Por que a assimetria? Por que as companhias americanas agora podem voar, digamos, de Londres para Paris, mas as companhias européias não podem voar, digamos, de New York para San Francisco? Porque, segundo informa o jornal, os países europeus continuam sendo unidades políticas soberanas, não simplesmente estados de uma unidade política soberana, como é o caso dos estados americanos. Só político (ou filósofo) para inventar uma distinção escolástica dessas…

Parece que o acordo é meio precário: tem de ser revisto em 2010, e se qualquer das partes não estiver satisfeita, pode ser rescindido…

O jornal tece considerações interessantes sobre o acordo. Transcrevo o artigo, em Inglês, abaixo, para os interessados em mais detalhes. Embora fosse lógico esperar que tarifas fossem baixar com um acordo desses, parece que não vão, não, porque as companhias aéreas ("as aéreas", como prefere o idiota Manual de Redação da Folha) parecem já estar operando no limite.

"O problema fundamental", diz Anthony Concil, diretor de relações públicas da IATA, em Genebra, "é que os governos se metem demais nos negócios das companhias aéreas. A indústria tinha expectativa de que o acordo pudesse ser um marco decisivo de mudança nessa atitude, permitindo que as companhias aéreas conduzissem seus negócios como qualquer outra empresa. Mas o acordo não chegou a tanto" [citado do artigo transcrito adiante].

É isso. Como dizia o saudoso Ronald Reagan, o governo é sempre parte do problema — não da solução.

E nós, no Brasil, quando é que vamos permitir que "as aéreas" estrangeiras voem de uma cidade para outra no Brasil? A TAP, por exemplo, tem vários vôos para o Nordeste — mas não pode estendê-los para São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília… Perdemos nós. Culpado? Nem precisa dizer.

Em Hanoi, 5 de abril de 2008 (já dia 5 também no Brasil)

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FREQUENT TRAVELER

‘Open skies’ not likely to mean lower fares

By Roger Collis

Published: April 3, 2008

The "open skies" pact reached between the United States and European Union – and which came into force on March 30 – should bring many benefits to travelers. Airlines will be free to serve any point-to-point trans-Atlantic route. More competition will bring more choice and hopefully better service. But with soaring fuel prices and economic gloom, and with airlines already offering the cheapest price options for years, don’t hold your breath for lower fares.

The pact does away with the bilateral treaties between the United States and EU states, allowing any European and U.S. airline to fly between any EU city and any city in the United States. But while it will allow any U.S. carrier to fly among European cities (though not city pairs in a country), EU carriers are not allowed to fly between two U.S. cities; the argument being that the United States is a sovereign state, whereas flights between, say, France and Spain are between two countries.

But open skies is a fragile agreement. The present "phase one" will automatically end if there is no agreement between U.S. and EU negotiators on "phase two" of the pact which is due to be in place by 2010. Under the terms of the interim pact, individual EU states have the power to withdraw flying rights to U.S. carriers if they are dissatisfied with progress, especially on the contentious issue of restrictions on airline ownership. Talks on phase two are due to start in May.

Giovanni Bisignani, director general of the International Air Transport Association, has warned governments that protectionist attitudes toward national flag carriers is "killing" the industry. "We have too much capacity; yields are down and we need to consolidate," Bisignani says. "The industry has lost $42 billion since 9/11. The first profit we made last year was $5.6 billion, which is one percent."

But cross-border airline mergers are impossible because countries, such as the United States, ban majority ownership of airlines by foreign firms.

"The fundamental problem is that governments are too involved in the airline business," said Anthony Concil, director of public relations at IATA in Geneva. "The airline industry had hoped that the agreement would be a watershed for change, that it would allow airlines to be run like any other business," he added, "but it clearly stopped short of that.

Could airline alliances be a device to get around the issue of ownership?

"There’s a big difference between partnerships and having a proper business," Concil said. "You only start to act like a real business when you have a common bottom line. There’s no doubt that mergers create better companies; it doesn’t necessarily mean that you give up your national identity; Air France and KLM, for instance. Swiss still serves Switzerland, even though it’s owned by Lufthansa. These entities are among the most profitable in the industry."

London is still the top destination for travelers among European cities, despite its being considered the dirtiest and the most expensive, according to a new annual survey by TripAdvisor of more than 1,100 travelers worldwide. Next most expensive cities were Paris and Rome; and the next dirtiest cities, Paris and Rome. The cleanest cities were Zurich, Copenhagen and Stockholm.

But London was voted best in Europe for public parks and nightlife. Paris, Barcelona and Amsterdam ranked high in both categories. And despite its high prices, London was runner-up to Paris, followed by Rome, for best shopping. Paris is perceived as the most romantic city, followed by Venice, and Rome. Brussels, Zurich and Warsaw are the most boring cities; Paris, London, and Moscow are cities with the "most unfriendly hosts," while Dublin, Amsterdam, and London are cities with the "most friendly and helpful locals."

The survey predicts a good year for European tourism; 65 percent of travelers said they were planning to travel to or within Europe in the next 12 months, nearly the same as last year. And despite the weak dollar, exactly half of U.S. respondents intend to visit Europe again this year.

Switzerland, Austria, Germany, Australia and Spain have the top five "most attractive environments for developing travel and tourism," according to the Travel & Tourism Competitiveness Report 2008, released by the World Economic Forum in Geneva. Britain, the United States, Sweden, Canada and France complete the top-10 list covering 130 countries.