Por que caímos de quatro diante de nossos netos (Drauzio Varella)

Transcrevo aqui, por sua total relevância a este space, crônica de Dráuzio Varella na Folha de S. Paulo de hoje (30/1/2010), que pode ser conferido em

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq3001201022.htm 

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DRAUZIO VARELLA

Bem-vinda


Sejam quais forem as raízes biológicas, o fato é que caímos de quatro diante dos netos


MINHA NETA acabou de nascer. Não é a primeira, tive outra há cinco anos; uma menina de bons modos e olhar atento que encanta a família inteira.

Curiosa a experiência de ser avô, perceber que a espiral da vida dá uma volta completa; a primeira que independe de nossa participação.

Sim, porque até o nascimento de um neto os acontecimentos biológicos de alguma forma dependeram de ações praticadas por nós: nossos filhos só existem porque os concebemos, os fatos que constituíram a história de nossas vidas apenas ocorreram porque estávamos por perto; mesmo nossos pais só se transformaram em figuras carregadas de significado porque nos deram à luz. Os netos, em oposição, vêm ao mundo como consequência de decisões alheias, nasceriam igualmente se já nos tivéssemos ido.

A ideia de nos tornarmos seres biologicamente descartáveis é incômoda, porque nos confronta com a transitoriedade da existência humana: viemos do nada e ao pó retornaremos, como rezam os ensinamentos antigos.

Por outro lado, liberta do compromisso de transmitirmos às gerações futuras os genes que herdamos das que nos precederam, força da natureza que reduz a essência da vida na Terra (e em qualquer planeta no qual ela porventura exista ou venha a existir) ao eterno crescei, competi e multiplicai-vos, como ensinaram Alfred Wallace e Charles Darwin.

A sensação de que nos livramos dessa incumbência biológica, entretanto, não nos torna imunes ao ensejo de proteger os filhos de nossos filhos como se fossem extensões de nós mesmos. Somos impelidos a fazê-lo não por senso de responsabilidade familiar ou por normas de procedimento ditadas por imposições sociais, mas por ímpetos instintivos irresistíveis.

Os biólogos evolucionistas afirmam que a seleção natural privilegiou nas crianças uma estratégia de sobrevivência imbatível: a beleza. Fossem feias e repugnantes, não aguentaríamos o trabalho que nos dão, porque cavalos e bezerros ensaiam os primeiros passos ao ser expulsos do útero materno, enquanto filhotes de primatas como nós são dependentes de cuidados intensivos por anos a fio.

Dizem eles, também, que o amor dos avós conferiu maior chance de sobrevivência aos bebês que tiveram a sorte de contar com ele, razão pela qual esse sentimento teria persistido em nossa espécie. Pelo mesmo motivo, explicam as vantagens evolutivas conferidas pela menopausa, fase em que a mulher já infértil reúne experiência e disponibilidade para ajudar os filhos a cuidar da prole.

Sejam quais forem as raízes biológicas, o fato é que caímos de quatro diante dos netos. Por mais voluntariosos, mal-educados, egoístas, temperamentais e pouco criativos que os outros os julguem, para nós serão lindos, espertos, de boa índole e, sobretudo, inteligentes como nenhuma outra criança.

Anos atrás, surpreendi um amigo ao telefone perguntando para o neto como fazia o boizinho do sítio em que o menino de dois anos se encontrava. A cada "buuuu" que ouvia, meu amigo ria de perder o fôlego. Diante do riso exagerado, perguntei como reagiria quando a criança relinchasse. Você verá quando for avô, respondeu.

Tinha razão. Os netos surgem em nossas vidas quando estamos mais maduros, menos preocupados em nos afirmar, mais seletivos afetivamente, desinteressados de pessoas que não demonstram interesse por nós, libertos da ditadura que o sexo nos impõe na adolescência e cientes de que não dispomos mais de uma vida inteira para corrigir erros cometidos, ilusão causadora de tantos desencontros no passado.

A aceitação de que não temos diante de nós todo o tempo do mundo cria o desejo de nos concentrarmos no essencial, em busca do máximo de felicidade que pudermos obter no futuro imediato. A inquietude da inexperiência e os desmandos causados por ela dão lugar à busca da serenidade.

Fase inigualável da vida, quando abandonamos compromissos sociais para brincar feito crianças com os netos, sem nos acharmos ridículos. Ajoelhar para que montem em nossas costas, virar monstros, onças ou dinossauros em obediência ao que lhes dita a imaginação aventureira, preparar-lhes o jantar que não comerão, assistir aos desenhos animados da TV, ler histórias na cama quando estão entregues, beijar-lhes o rosto macio, sentir-lhes o cheiro do cabelo e a respiração profunda ao cair no sono.

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[Fim da transcrição]

Em Lisboa, 30 de Janeiro de 2010

Dudu, the Puff (*)

Na minha memória, ele tinha o nome de Dudu, the Puff. Talvez em algum lugar nele estivesse escrito “Pooh”, em vez de “Puff”. Não sei direito. E talvez fosse “de”, e não “the” (*). Ganhei esse ursinho de pelúcia, de cor entre o amarelo e o alaranjado, quando fiz três anos (creio) e eu morava em Marialva, no Paraná. Quem me deu foi minha Tia Alice – a tia querida, que muitas vezes me fez papel de mãe e que me abrigou mais de uma vez na casa dela quando me vi sem teto.

Eu adorava o meu ursinho.

Mas um dia, meu pai decidiu que mudaríamos do Paraná para São Paulo. Eu não sabia, naturalmente. Então já morávamos em Maringá, não muito longe de Marialva.

Saímos em uma longa viagem de Jeep (Willys Overland), por volta de Novembro de 1951: meu pai (Rev. Oscar), minha mãe (Edith), meu irmão Flávio e, naturalmente, eu (as meninas, Priscila e Eliane, só nasceram bem depois). Na data já tinha oito anos completos. Era um hominho. Por isso, não levei o meu Dudu, the Puff. Não ficava bem.

Saímos de Maringá, fomos até Campinas, visitar minha Avó Angelina (materna) e minha Tia Alice (única irmã sobrevivente de minha mãe), e, naturalmente, meu Avô Juca, meu Tio Anello e meus primos Anellinho e Márcia (os outros, Mário, Élcio e Anelice, não haviam ainda nascido). Ficamos vários dias em Campinas – não sei quantos. De Campinas fomos para Patrocínio, visitar meu Tio Raul (irmão do meu pai), minha Tia Catarina (mulher dele) e meus primos Irene, Idília e Edmar. Também não sei quantos dias ficamos lá, mas me lembro muito bem do sítio (chamado de “Retiro”) do meu tio. Lá visitamos meu tio Aldo (irmão mais novo do meu pai). De Patrocínio fomos até Belo Horizonte, visitar minha Avó Alvina (paterna), minha tia Dulce (irmã do meu pai), meu tio Mauro (irmão do meu pai, boêmio, seresteiro, dançarino, pintor, poeta, engenheiro agrônomo… – de longe o mais bonito e fascinante dos meus tios [embora não o mais querido: aqui a taça vai para o Tio Anello mesmo]. Acho que o Tio Mauro era ainda casado com a Tia Esther naquela época. Depois se separaram e, muito tempo depois, ele se casou com a Terezinha – mas nunca a chamei de tia… De Belo Horizonte voltamos para Campinas.

A complicação toda aconteceu nessa hora.

Já era 1952 e (supostamente porque eu já tinha oito anos e nem havia ainda começado a escola, por ser a escola de Maringá muito ruim) o meu pai arrumou sua transferência da Junta de Missões Nacionais, que o colocava sempre na fronteira, abrindo igrejas, para o Presbitério de São Paulo, ao qual pertencia a Igreja de Santo André, que precisava de um pastor. Na minha memória, a mudança foi assim, abrupta: um dia estava tudo certo que iríamos voltar para Maringá, no outro estava resolvido que iríamos ficar em São Paulo, morando em Santo André. Provavelmente as coisas não se deram assim de forma tão abrupta – mas na minha memória, foi assim que elas aconteceram.

Com isso, meu pai resolveu voltar sozinho para Maringá, para buscar nossa mudança. Nós ficaríamos com a Avó Angelina e a Tia Alice, esperando o seu retorno. Criança não apitava nada naquela época. Não tinha nem direito de dizer “Não se esqueça do meu ursinho…”

Pois é… Meu pai foi meio radical. Vendeu quase tudo, para comprar coisa nova em Santo André. Com essas e outras, meu ursinho não veio. Provavelmente foi dado para alguém ou deixado por lá. Só sei que sumiu. Evanesceu (se é que há esse verbo em Português – em Espanhol, sei que há). Na minha memória, quando perguntei ao meu pai o que havia acontecido com o Dudu, the Puff, ele nem soube dizer. O ursinho estava além das preocupações dele. Lembro-me de ter sido repreendido por ficar preocupado com coisas tão pequenas quando coisas tão importantes estavam acontecendo. De qualquer maneira, disse, qualquer hora ele me compraria outro.

Isso foi em 1952. Faz cinqüenta e oito anos. Meu pai morreu em 1991. Nunca comprou o ursinho que iria substituir o meu Dudu, the Puff.

Uma vez contei essa história para a Paloma. E ela deve tê-la registrado lá em algum lugar daquela memorinha prodigiosa dela. (E eu pensava que eu tinha memória boa…)

Em Londres, um dia, quando a Paloma saiu passear sozinha, passou pela Disney Store, e lá me comprou um Winnie, the Pooh. Exclusivo da Disney. Lindo de morrer. Parecidíssimo com o meu Dudu, the Puff. Só que muito mais lindo ainda. E muito mais fofo, como apenas os materiais atuais permitem construir esses bichinhos de pelúcia…

É verdade que a Paloma se afeiçoou ao bichinho, também, que passou a ser não só meu, mas nosso. Mas até isso é bom. Agora compartilho o meu brinquedo. Há mais gente para cuidar dele… Assim, a chance de ele se perder é menor. Ele tem ficado juntinho de nós na cama, à noite, e em cima dela, durante o dia.

Amor, obrigado. Você é linda – e muito sensível. “Thoughtful”, é o termo certo. Obrigado mesmo.

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Ele não é lindo, de verdade? Não me importa que o nome que está na etiqueta (na orelha) diga que ele se chama Winnie, the Pooh. Para mim, ele é o Dudu, the Puff, redivivo. Até porque Dudu é o meu nome de avô, que me foi dado pelo meu primeiro neto, o Gabriel.

[(*) O nome correto do ursinho em Português era — ainda é, presumo — Dudu-de-Puf, com um “f” só. Um comentário de um leitor chamado Fernando Sthetatos esclareceu isso e, depois, em minha resposta ao comentário, coloquei dois links que o comprovam, e que encontrei fuçando no Google.]

No Porto, em 24 de Janeiro de 2010

How I see what I do today

I – Preamble

I am a philosopher by training, and perhaps my understanding of what I do sounds a bit grandiose because of this…

Philosophers are supposed to be focused on analyzing, reflecting, knowing instead of acting. Karl Marx once said that philosophers have analyzed the world, but it is necessary to change it…

I don’t doubt it is necessary to change the world – and I consider education a powerful way of doing it.

But for this to happen, education must be action-oriented.

In this vein, I agree with an English philosopher – Herbert Spencer, 1820-1903 – who said:

“The great aim of education is not knowledge but action”

This assertion is not meant to deny that analysis, reflection, and knowledge ought to precede action…

II – What I do (in more general aspects)

I see myself in the business of rethinking education and reinventing schooling, something I consider necessary because of fundamental changes in the context in which we live.

1. Rethinking education involves mostly:

      • Listing and integrating (systematizing) the changes in the context
      • Showing why these changes force us to rethink education and reinvent schooling
      • Show in which direction education and learning ought to be reconceptualized

2. Reinventing schooling involves creating a model that deals with:

      • Proposing a pedagogical vision (curriculum, methodology, assessment) and ways of implementing it
      • Redefining the kind of professionals that are able to implement this vision and how they are prepared
      • Identifying / creating materials, resources and tools
III – What I do (more specifically)

More precisely, I have concentrated my attention mostly on the first sub-item of item 2 and have been working on:

1. Curriculum:

      • What is there to be learned? Curriculum as a set of learning expectations / What "learnings" are of most worth
      • Focus on capacities / competencies / skills >>> what people ought to be able to do (know-how, savoir-faire)
      • Not only 21st-Century Skills, much less Digital Skills, but every sort of basic competency (some of which have been valued for a long time…)

2. Methodology:

      • How are competencies developed? What is the best way for people to acquire / build competencies?
      • Focus on how people learn best
      • Active, Interactive, Collabora(c)tive, Hands-on, Project-based, Contextual (Just in Time), Modular (Just-Enough)

3. Assessment:

      • How to assess the development of competencies?
      • Clearly define them operationally
      • Specify evidence / indicators of their presence / mastery / development
      • Observe, interact, challenge to see if these evidences are present

Em Londres, 17 de Janeiro de 2010

Democracia Constitucional Republicana vs A Tirania da Maioria

Excelente artigo sobre “democracia direta”, através de plebiscitos e assemelhados, publicado na edição internacional especial de fim de ano (número duplo, com datas de 19/12/2009 e 01/01/2010), de The Economist e na edição online (http://www.economist.com/world/unitedstates/displaystory.cfm?story_id=15127600).

O assunto é extremamente relevante para o Brasil, onde ameaças de plebiscitos aparecem com razoável freqüência.

O artigo argumenta que democracias como a nossa não são democracias diretas ou plebiscitárias, mas democracias constitucionais republicanas. Nosso regime é democrático – mas tem duas características que qualificam a democracia:

Primeiro, é republicano, o que quer dizer quea democracia aqui é representativa, não direta ou plebiscitária;

Segundo, é constitucional, o que quer dizer que direitos individuais, em especial os das minorias, são garantidos contra eventuais tentativas das maiorias de exercer, pela democracia direta ou plebiscitária, o que o artigo chama de “tirania da maioria”.

Essa forma de governo é herdada dos Estados Unidos. É uma herança fabulosa, que precisamos saber preservar.

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United States

Direct democracy: The tyranny of the majority

Dec 17th 2009 | LOS ANGELES

From The Economist print edition

The fourth branch of government has run amok in parts of America

Reuters

AS 2009 draws to a close, the voter-initiative industry is already frantically busy. In two dozen states new propositions are being readied to go before voters in 2010. Soon “bounty hunters”, paid by the sponsors, will appear on the streets to gather signatures in order to place initiatives on ballots. In states such as California voters will probably have to consider more than a dozen next year.

The lofty term for these initiatives, along with referendums and recalls (most famously of Gray Davis, California’s then-governor, in 2003), is “direct democracy”. They play the biggest and most excessive role in California, where voters have directly amended the state’s constitution or statutes in matters big and small, from how to spend to how to tax, from regulating how fowl should be kept in coops to banning gays from marrying.

The latter two initiatives happened to pass on the same ballot in 2008. Thus “chickens gained valuable rights in California on the same day that gay men and lesbians lost them,” as Ronald George, the chief justice of California’s Supreme Court, remarked recently. The court had previously ruled gay marriage legal, but was obliged to uphold the voters’ wishes.

This odd pairing illustrates the problem that direct democracy poses today. First, by circumventing legislatures in the minutiae of governance (chicken coops, for instance), direct democracy overrules, and often undermines, representative democracy. Second, by letting majorities of those voting—who are often a minority of the state’s residents—circumscribe the rights of minorities (gays, in this case), direct democracy can threaten individual freedom.

Put differently, it is the “tyranny of the majority” that James Madison, a Founding Father, warned about. His reading of ancient history was that the direct democracy of Athens was erratic and short-lived, whereas republican Rome remained stable for much longer. He even worried about using the word “democracy” at all, lest citizens confuse its representative (ie, republican) form with its direct one. “Democracy never lasts long,” wrote John Adams, another Founding Father. Asked what government the federal constitution of 1787 had established, Benjamin Franklin responded: “A republic, if you can keep it.”

But republican governance, even with its competing branches of government and elected representatives, did not perform well as America expanded westward. In California, according to a famous account from 1896, there was “only one kind of politics and that was corrupt politics. It didn’t matter whether a man was a Republican or Democrat. The Southern Pacific Railroad controlled both parties.” Enraged, the Progressive movement grew and took a new look at direct democracy as it was practised in Switzerland, where its use was—and is—sparing and effective (even if occasionally controversial, like last month’s vote to ban minarets).

In 1898 South Dakota became the first state to allow voter initiatives, and others followed, including California in 1911. For many years direct democracy worked as a safety valve, if and when legislatures proved corrupt or unresponsive. But starting with California’s infamous Proposition 13 of 1978, which not only capped property taxes but required (thanks to a vote by a simple majority of those voting) a supermajority of legislators for any future tax increase, direct democracy changed.

It became a fourth branch of government, an industry and a circus. In the 1980s and 1990s the number of ballot initiatives soared, as tycoons from Silicon Valley and Hollywood, or special interests such as public-sector unions, threw millions of dollars into campaigns, paying college students a dollar or more for each signature they collected, blanketing the airwaves with demagogic attack ads and pestering residents with robo-calls at suppertime. The initiatives became longer—the longest rambled on for 15,633 words—and, with double negatives and impenetrable legalese, less comprehensible.

Ironically enough, Southern Pacific, now itself just another interest group, bankrolled an initiative in 1990 to issue billions in bonds to support rail transport. Even elected representatives, such as Arnold Schwarzenegger, the governor of California, often make use of initiatives nowadays instead of working with the legislature. Mr George wonders whether the voter initiative has now “become the tool of the very types of special interests it was intended to control, and an impediment to the effective functioning of a true democratic process.”

The bringer of gridlock

Direct democracy in this form contributes to dysfunction. California currently has America’s worst budget problems, but other states with extensive direct democracy, such as its neighbours Arizona and Oregon (which has had more initiatives than even California), are close behind. In Oregon it will be voters who decide, in January, for or against a tax increase to help plug the latest budget hole.

Those budget holes often result from the cumulative consequences of voter initiatives as much as from economic slowdown. Since the 1970s voters have tended to like initiatives that promise better schools, new hospitals or tougher prison terms, but they are oblivious to the costs involved. At the same time, they loathe taxes and in many states they have insisted, by voter initiative, that two-thirds majorities are needed to raise them.

Robert Stern, the president of the non-partisan Centre for Governmental Studies in Los Angeles (and a drafter of initiatives since the 1970s), believes that direct democracy cannot and should not be ditched wholesale. Despite everything, “most Californians have more confidence in the initiative process than in the legislative process,” he says. That is a result of increasing polarisation between the two big parties, which has led to blocked and unresponsive legislatures and so bred a yearning to circumvent them.

But Mr Stern, like Mr George, believes that the process must be improved and supports the idea of a constitutional convention in California for that purpose. There are far too many initiatives because the signature-collection process is trivially easy for those with money (though daunting for those without it). There must be clearer and more accessible information for voters. And in California the legislature should be allowed at least to amend all initiatives, which it currently cannot. Its citizens should remember that they have a republic, if they can keep it.

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Em São Paulo, 5 de Janeiro de 2010

O ser humano

Frase magnífica de Robert Heinlein, o escritor de ficção:

"O ser humano deve ser capaz de trocar fraldas, planejar uma invasão, matar e desossar um leitão, governar um navio, projetar e construir um prédio, escrever um soneto, conferir o saldo de uma conta bancária, construir muralhas, colocar um osso no lugar, confortar os que morrem, receber e dar ordens, agir sozinho, cooperar, construir e solucionar equações, analisar um problema novo, programas um computador, cozinhar uma refeição saborosa, lutar com eficiência, morrer com dignidade. Especialização é coisa de inseto."

[Apud Karl Albrecht, Practical Intelligence: The Art and Science of Common Sense (John Wiley & Sons, San Francisco, 2007), p.25]

Essas são coisas que o ser humano deve ser capaz de fazer. Todas elas são habilidades e, quando no nível mais amplo e genérico, competências.

Educar é desenvolver competências e habilidades. Não tem nada com memorizar fatos, conceitos, princípios inúteis.

Há outras competências, talvez ainda mais importantes. O ser humano deve, também, por exemplo, ser capaz de amar com carinho e ternura e se deixar amar com humildade e naturalidade.

Em São Paulo, 2 de Janeiro de 2009

Eu

de Florbela Espanca

Até agora eu não me conhecia,
julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.

Mas que eu não era Eu não o sabia
mesmo que o soubesse, o não dissera…
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim… e não me via!

Andava a procurar-me – pobre louca!-
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!

E esta ânsia de viver, que nada acalma,
E a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!

(Publicado em Charneca Em Flor)

Em São Paulo, 2 de Janeiro de 2010
(Para brindar o novo ano)