Eita nóis… Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece!

Pelo jeito o reacionarismo pedagógico está em plena ação – e os Schwartz/smans são seus portavozes.

Helio Schwartsman, articulista da Folha (o outro é Simon e tem z, em vez de s, no sobrenome), empresta sua voz para os proponentes de uma educação tradicional. Agora é, por incrível que pareça, uma defesa da decoreba.

Vamos começar com algo que parece incontrovertido: SE se trata de memorizar informações, o método da decoreba (memorização por repetição e força bruta) funciona melhor do  que métodos alternativos (através da elaboração mapas conceituais, etc.).

CONCEDIDO.

A sutileza vem nesta passagem:

“A grande surpresa, porém, foi que os memorizadores se saíram melhor tanto nas perguntas que envolviam a mera reprodução das ideias originais como também nas questões que exigiam que eles fizessem inferências, estabelecendo novas conexões entre os conceitos.”

D-U-V-I-D-O  DE-O-DÓ, e quero provas: evidências e argumentos. Boto minha mão no fogo se isso for verdade que sobreviva a um escrutínio mais sério. O fato de o artigo estar publicado na Science não prova nada. A Science já publicou até fraude deliberada. E Thomas S Kuhn já mostrou (The Structure of Scientific Revolutions) que cientistas convencidos da verdade de seus paradigmas conseguem acreditar nos maiores absurdos se esses absurdos dão sustentação a seus paradigmas. Cientistas, nesses casos, são mais crédulos do que os monges medievais.

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Folha de S. Paulo
22 de Janeiro de 2011

HÉLIO SCHWARTSMAN

A vingança da decoreba

SÃO PAULO – Esta vai deixar alguns pedagogos de cabelos em pé. Trabalho publicado anteontem na “Science” mostra que alunos que estudam por métodos do tipo decoreba aprendem mais do que os que utilizam outras técnicas.

O “paper”, que tem como autor principal o psicólogo Jeffrey Karpicke, da Universidade Purdue, comparou o desempenho de voluntários que estudaram um texto científico se valendo de um método que enfatiza a memória (leitura seguida de um exercício de fixação mnemônica) com o de alunos que usaram a técnica do mapa conceitual, na qual leem o texto e depois desenham diagramas relacionando os conceitos apresentados.

Desenvolvido por Joseph Novak nos anos 70, o mapa conceitual tem como pressuposto a teoria da aprendizagem significativa, segundo a qual aprender é estabelecer relações relevantes entre ideias.

Uma semana depois, os estudantes fizeram um exame para descobrir quanto haviam aprendido. O grupo da decoreba teve um índice de acertos 50% maior do que o do mapa. A grande surpresa, porém, foi que os memorizadores se saíram melhor tanto nas perguntas que envolviam a mera reprodução das ideias originais como também nas questões que exigiam que eles fizessem inferências, estabelecendo novas conexões entre os conceitos.

Um segundo experimento aprofundou um pouco mais esses achados, explorando, por exemplo, o desempenho de um mesmo estudante com os dois métodos de estudo. Em todas as situações, a decoreba apresentou melhores resultados que o mapa conceitual.

Evidentemente, ainda é cedo para generalizar as conclusões desse trabalho, que ainda precisa ser reproduzido em outros centros para ganhar nível de evidência. Mas já é certo que ele cairá como uma bomba na guerra pedagógico-ideológica que opõe os entusiastas da educação construtivista aos defensores de métodos tradicionais.

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Em Salto, 22 de Janeiro de 2011.

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